SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A RÁDIO DIFUSORA E O INICIO A RADIODIFUSÃO EM SÃO JOÃO NEPOMUCENI


Pela jornalista Adriana de Freitas,
com comentários e atualizações de
José Carlos Barroso e Adilson Cunha Honório

A radiodifusão em São João Nepomuceno teve início em meados da década de 40 com a instalação da Rádio Tiradentes ZYO-5, de propriedade de um grupo de juiz-foranos. A emissora permaneceu vários anos na cidade, até que em 1951 foi transferida para a Manchester Mineira.
Com a partida da Tiradentes, o município ficou sem uma emissora de rádio, contando somente com o jornal semanal Voz de São João, como meio de comunicação.
A ausência do meio de comunicação foi preenchida dois anos mais tarde com a fundação da Rádio Difusora AM São João Nepomuceno, uma emissora 100% são-joanense, como há tempos almejava a população local. A criação da “Sentinela do Ar” , como era chamada, foi uma iniciativa do industrial Matheus Caldas de Oliveira, do fazendeiro Joaquim Ferreira Campos e do dentista Alcebíades de Araújo Porto, o “Neném Porto”.
Assim, em 16 de julho de 1953, entrava no ar, em caráter experimental, a Rádio Difusora São João Nepomuceno. A primeira transmissão do mais novo veículo de comunicação do município se deu por volta das 20 horas e 15 minutos. Os rádio-ouvintes sintonizados na emissora puderam escutar a voz do são-joanense Sidney Baptista anunciando: A rádio que ouvem é a Difusora de São João Nepomuceno, uma emissora em caráter experimental, atuando na freqüência de 1440 quilociclos, com onda de 208 metros, ponto 33. A Rádio Difusora de São João Nepomuceno é uma emissora de ondas médias, com potência de 250 watts. (Trecho transcrito da Voz de São João. Edição n.º 832, de 19 de julho de 1953)
Nesse dia, a população foi à rua para celebrar a chegada da rádio, do retorno da radiofonia a São João Nepomuceno. Como já foi dito, desde que a Rádio Tiradentes transferiu-se para Juiz de Fora, os são-joanenses sonhavam com uma rádio formada por pessoas do município. E na noite de 16 de julho, o sonho se concretizou.
Pouco tempo depois, a emissora obteve permissão do governo para atuar em caráter definitivo. Com o prefixo ZYV-39, começou a funcionar das 8 às 12, das 13 as 15 e das 18 às 22 horas, horário que mais tarde foi aumentado. Em 1º de agosto de 1953, já apresentava a sua programação comercial. Tem início aqui, então, a primeira fase histórica da Rádio Difusora, sob o comando de Matheus Caldas de Oliveira, que, ao longo de sua administração, contou com a contribuição de alguns sócios: Joaquim Ferreira Campos e Neném Porto, companheiros que o ajudaram na implantação da ZYV-39, além do industrial Antônio Riani e do jornalista Alencar de Almeida. Esta primeira etapa da Difusora estendeu-se até o período em que foi vendida para a Diocese de Juiz de Fora.
A primeira sede da rádio ficava à Rua Governador Valadares 138. O estúdio e o auditório foram montados no prédio da Companhia Fiação e Tecidos Sarmento, onde atualmente se localiza a Confecção Convés. Para proporcionar uma programação de qualidade, a Difusora investiu em equipamentos técnicos. A mesa de som era importada dos Estados Unidos. Foram adquiridos um pré-amplificador para transmissões externas, oito microfones e um gravador de rolo. A emissora começou seus trabalhos com uma discoteca de 1700 discos, possibilitando a realização de programas diversificados musicalmente.
Durante a fase em que Caldas de Oliveira esteve à frente da V-39, passaram diversos operadores por lá. Entre eles estavam: Alair Korsch, Iveraldo Espíndola, Oscar Velasco Itaborahy, Toninho Ciscoto e José Américo Campos. A Difusora AM também contou com locutores de excelente qualidade em seu quadro de funcionários: Sidney Baptista, Paulo Gotti, Adílson Cunha, Aparecida Pontes, Carolina Celma, Nely Gonçalves, Geraldo Magela Medina, Cláudio Temponi, que chegou a ocupar o cargo de gerente, e o próprio Matheus Caldas. Também marcaram época Norton de Matos, conhecido como Toninho Juquita, Ronaldo Duzzi de Nazareth, que saiu da rádio e foi trabalhar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Adélcio Ramos, que trabalha em uma rádio em Brasília, José Américo Avelino Barbosa, Maria do Carmo Velasco, entre outros.
A Difusora nasceu como uma grande rádio, possuindo uma programação variada, que atendia a todos os gostos: programas musicais, esportivos, informativos, sem mencionar os grandes gêneros radiofônicos que foram os programas de auditório e as radionovelas.
Para poder se manter e proporcionar as atrações que oferecia, a emissora contava com as verbas dos anunciantes, todos representantes do comércio local. As propagandas levavam os nomes de Casa Pernambucana, Casa do Compadre, Sapataria Mineira, Posto do Beti e Casa do Alumínio. Os anúncios também falavam de Rocha e Cia, Padaria do Popó, Bar Dia e Noite, Bar do Pituca, Padaria do Canarinho, Alfaiataria Itaborahy, Pastelaria do Toninho e Calçados Volga. As propagandas eram feitas ao vivo e cada locutor fazia o comercial que rodava no horário do seu programa.
Os programas de auditório, assim como em todas as rádios do Brasil, fizeram enorme sucesso em São João Nepomuceno, sendo muito concorridos. Para a realização dos programas, a ZYV-39 havia montado um amplo auditório com capacidade para 500 pessoas acomodadas. Segundo o ex-locutor Adílson Cunha, o auditório da Difusora era muito bem estruturado, havendo comunicação direta com a técnica.
Todo final de semana, a Difusora arrastava centenas de são-joanenses ao auditório para participarem dos programas Parada Carnavalesca, apresentado pelo locutor Ronaldo Duzzi e Parada Difusora, com Adílson Cunha e Paulo Gotti. Estes arrendaram da rádio o horário de domingo das 14 às 18 horas para fazerem Parada Difusora. Além desses, a V-39 tinha um programa de auditório produzido especialmente para as crianças, o Programa do Manduquinha, com apresentação de Paulo Velasco e outros animadores, como Chiquito Itaborahy, Geraldo Magela e Matheus Caldas. Todas as manhãs de domingo, a criançada se divertia com as brincadeiras, concursos, shows de calouros e números musicais, com o programa de auditório do Tio Teteco . Os programas de auditório da Difusora São João Nepomuceno eram patrocinados pelos comerciantes locais que, inclusive, doavam prêmios para serem distribuídos aos participantes da platéia.
Além de abrir espaço para os artistas da cidade, entre os quais podem ser citados Neyde Pingueli, Jóia Dalva, José Maria Ribeiro, Carolina Celma, Lise Pingueli, Rosângela Sílvia e Rui Barbosa, a ZYV-39 também trazia ao seu palco estrelas de renome nacional e internacional. Com freqüência, os são-joanenses aplaudiam cartazes como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Marlene, Nora Ney, Mário Mascarenhas, Gregório Barrios, Orquestra Casino de Sevilha, Carlos Galhardo e Emilinha Borba. Inclusive um fato envolvendo a cantora abalou a cidade. Tudo porque a rádio havia anunciado que Emilinha iria cantar em São João e no dia marcado para o show ela não apareceu, frustando os fãs. Tal episódio teve o seguinte título na Voz de São João: Emilinha deu o bolo .... No entanto, tempos depois a cantora realmente se apresentou no município, para a alegria do público. A cidade também recebeu, naquela época, caravanas da Rádio Nacional com músicos, cantores, humoristas, apresentadores, para poderem participar dos programas.
Os cantores da Difusora, além das apresentações em São João, saíam em excursão pelas cidades vizinhas. Também faziam parte do cast musical o Bibi da bateria, Neném Itaborahy e José Maria Itaborahy, José Carlos Soares e seu irmão Sebastião Soares, Nely Gonçalves e José Maria Gomes da Silva. A emissora possuía ainda um conjunto regional que acompanhava as apresentações dos seus cantores. Tal conjunto era chamado Águias do Ritmo, sendo mais tarde conhecido como Conjunto Itaborahy. A rádio possuía também uma orquestra, comandada pelo pianista Homero Martins. Era a Orquestra Melódica Olinto Guimarães de Faria.
Outra atração da Difusora e que fez bastante sucesso foram as radionovelas. Para estrelar as peças havia um elenco próprio de radioatores, formado por Oraida Muniz, Paulo Velasco, Antonio Bezerra, Cléria, Lise e Neyde Pingueli, Adélcio Ramos, Aparecida Pontes e Sidney Baptista. As radionovelas eram transmitidas à noite, ao vivo, geralmente duas vezes por semana. Alguns textos apresentados eram adaptações de outras novelas que passavam nas rádios do Rio. Mas a emissora possuía redatores da cidade que escreviam peças. Um desses redatores era Sidney Baptista. Entre as novelas mais famosas da V-39 estavam “Um romance em cada vida” e “No palco do destino”.
A sonoplastia era realizada usando recursos modestos. Adílson Cunha recorda que o som da chuva, por exemplo, era conseguido jogando água de um copo para outro; os raios e trovões, balançando folha de zinco. Para se produzir o som de um copo sendo quebrado, o sonoplasta jogava uma chave dentro do copo. E dessa forma simples iam sendo construídas as tramas radiofônicas da Difusora, que tinham muita audiência.
Por serem apresentadas ao vivo, as radionovelas causaram muito embaraço em seus radioatores. Um dos casos mais comentados foi o que aconteceu com Antônio Bezerra. O ator era um dos participantes da novela No palco do destino. Na trama, o personagem vivido por ele encontrava sua esposa com outro homem. A única coisa que Bezerra tinha que fazer era chamar a mulher de traiçoeira. Para que tudo saísse certo, o ator passou a semana inteira ensaiando a sua fala. Só que o ensaio não foi suficiente. Na hora da apresentação, em vez de dizer traiçoeira, ele chamou a mulher de "traioeira". Com a confusão, todos os atores começaram a rir no estúdio.
Além do radioteatro e dos programas de auditório, a Sentinela do Ar oferecia aos seus ouvintes são-joanenses e aos dos municípios da região, uma programação musical diária diversificada.
Os programas musicais produzidos em estúdio enriqueciam a programação da V-39. Entre eles, destacavam-se: VARIEDADES MUSICAIS E VOCÊ FAZ O PROGRAMA, através do qual os ouvintes escolhiam as oito músicas que seriam tocadas. Um LP em foco trazia, diariamente, os sucessos de um cantor. Todas as músicas do disco eram executadas no programa. Quando entrou para a rádio, o primeiro programa apresentado por Paulo Gotti foi UM LP EM FOCO. E já de princípio, o recém contratado cometeu um duplo engano ao vivo. Ele conta, com saudade, que anunciou para os ouvintes o programa com Carmem Cavalar. Sem saber que se tratava de pianista, comentou com o operador que estava achando engraçado a cantora ainda ter cantado. O operador virou para ele e disse: “Olha, Paulo, tem um detalhe. Carmem Cavalar é um pianista e é homem”. Paulo diz que na capa do disco tinha visto unhas pintadas e daí sua conclusão precipitada. Quase terminando o programa, ele tinha que justificar seu engano, mas não podia falar que havia errado daquele jeito. Então o locutor se despediu dos ouvintes dizendo: “está encerrado o programa UM LP EM FOCO. Voltaremos amanhã, neste mesmo horário, com nova atração. Pedimos perdão aos ouvintes pelas falhas cometidas. Estamos iniciando as nossas transmissões agora, e então seria comum esse tipo de falha”. E dessa forma, Paulo Gotti não mencionou que Carmem Cavalar era na verdade um homem.
Outra atração da Difusora de muita audiência foi MENSAGEM SONORA, com a participação do público fazendo oferecimento musical para aniversariantes e amigos. Para isso, era preciso pagar a quantia de um cruzeiro. Esta atração era uma forma da rádio aumentar a receita, que era incrementada com as verbas provenientes das propagandas.
E a programação da emissora 100% são-joanense seguia com ENCONTRO COM O OUVINTE. Neste programa, o público escolhia, dentro de uma relação de músicas divulgada previamente pelo locutor, aquela que gostaria de ouvir. Encontro com o ouvinte era uma ligação direta entre o público e o locutor. Este programa estava sempre em dia com os sucessos musicais executados nas grandes emissoras do Rio de Janeiro, porque o locutor Paulo Gotti recebia, através de um contrato com uma empresa de transportes da cidade – Comissário Feroto - os discos dos cantores de sucesso da época. Em troca dos discos, o locutor fazia o comercial da transportadora.
Havia, ainda, GRAVAÇÕES ÀS SUAS ORDENS, Ritmos Panamericanos, E por falar em música e Sua majestade, o Cavaquinho, com o solista Laureto Alves. Também gozava de grande prestígio na programação radiofônica da Difusora São João Nepomuceno o programa TANGOS E POESIAS, com a execução de tangos, um dos ritmos mais tocados na época e a leitura de poesia aos microfones.
Além dos programas diários, existiam aqueles veiculados semanalmente. Era o caso, por exemplo, de NOSSA TERRA, NOSSA GENTE, que ia ao ar todas as quartas-feiras, às 21 horas, e contava com a participação dos cantores da Sentinela do Ar, com transmissão direta do auditório.
Ainda na quarta, e diretamente do auditório, a Difusora transmitia, um programa com a Orquestra Melódica Olinto Guimarães de Faria, sob a direção musical do pianista Homero Martins de Oliveira e apresentação de Sidney Baptista. Faziam parte da Orquestra Laureto Alves, Baiano, Pilão na bateria, Neném Itaborahy no violão, além de Hudson Itaborahy e Rui Barbosa. Nesse mesmo dia, a rádio apresentava Música e história.
Mas nem só de programas musicais vivia a rádio. Em HORA DO AGRICULTOR, por exemplo, o engenheiro agrônomo Paulo Calheiros de Barros realizava entrevistas sobre temas relacionados ao meio rural, que eram voltados para o homem do campo. Já os principais problemas de São João Nepomuceno eram discutidos em mesa redonda através do programa ESTÁ COM A PALAVRA, dirigido pelo promotor de Justiça da Comarca, Hélio de Castro Cunha. Com a presença de autoridades, o programa promovia o debate de assuntos atuais e de interesse da cidade.
A Difusora também oferecia aos ouvintes uma dose de humorismo através do programa RÁDIO VARIEDADES V-39, produzido por Sidney Baptista. Rádio Variedades V-39 tinha vários quadros e personagens. O programa, que contava, ainda, com Paulo Gotti, Robson Itaborahy e Joanílson Furtado do Vale, tinha muita audiência na cidade, embora não caísse no gosto de alguns poucos ouvintes. Paulo Gotti relembra de um caso que até hoje o faz morrer rir. Ele diz que o diretor da rádio o chamou e falou que o programa era muito bom, mas que precisava de um patrocinador, pois já estavam há dois meses sem anunciantes. Então Paulo e os outros participantes foram a um bar da cidade pedir patrocínio ao seu proprietário. Quando chegaram ao bar pediram um refrigerante para poderem entrar no assunto. Enfim disseram ao dono o real motivo porque estavam ali, porém sem mencionar o nome do programa. E qual não foi à surpresa dos locutores com a resposta recebida. O candidato a patrocinador disse que podia patrocinar, desde que não fosse a porcaria do Rádio Variedades V-39, justamente o programa deles. Muito decepcionados, acabaram desistindo do patrocínio.
O esporte também encontrava seu espaço na Difusora. O departamento esportivo, bastante atuante, encarregava-se dos programas diários FLAGRANTES ESPORTIVOS E SELEÇÕES ESPORTIVAS, além das transmissões de futebol. Nas jornadas esportivas, a V-39 contava com uma equipe formada por Geraldo Magela Medina, Paulo Gotti e Joanílson do Vale. Além de transmitir as partidas dos três clubes da cidade – Mangueira, Operário e Botafogo – a equipe fazia a cobertura dos jogos da Liga Amadorista Biquense, via telefone.
Ainda durante a década de 50, a Rádio Difusora acompanhou uma edição do campeonato mineiro. Os locutores e comentaristas esportivos da emissora passaram seis meses envolvidos nesse trabalho. Nessa época, o diretor era Gabriel Gonçalves, o Bié, que também trabalhou na Rádio Sociedade Juiz de Fora. Até essa época, a Difusora teve como locutores esportivos Norton de Matos, conhecido como Toninho Juquita, que iniciou as transmissões esportivas da ZYV-39, Adélcio Ramos, Joanílson do Vale e Geraldo Magela.
Todas as atividades do departamento de esportes da rádio recebiam o patrocínio exclusivo da Casa Leite, um dos principais representantes do comércio são-joanense na época. As transmissões locais eram feitas usando um transmissor volante a válvula, que pesava cerca de 20 kg e ficava no estádio. Este aparelho jogava o som em um receptor de rádio na emissora e deste para a mesa de som.
Paulo Gotti se lembra de uma transmissão muito importante feita pela rádio na área esportiva, que foi um salto de pára-quedas em 1958. Este diz que um pára-quedista chamado Manoel Ramos estava encerrando sua carreira e fez 600 bilhetes com nomes de cidades mineiras para sortear o local onde iria saltar. E São João foi sorteada. Então o pára-quedista entrou em contato com a emissora informando que iria encerrar a carreira na cidade. A rádio, por sua vez, entrou em contato com ele pedindo o prefixo do avião que iria trazê-lo e o horário do salto para realizar uma reportagem sobre o feito de Manoel Ramos.
Outra atração levada ao ar pela ZYV-39 eram os noticiários. Com a ausência de um departamento jornalístico, a rádio utilizava o recurso conhecido como gilete press, recortando matérias publicadas em jornais e fazendo as modificações necessárias para serem lidas pelos locutores. As notícias eram veiculadas diariamente no REPÓRTER V-39 e no Grande Jornal Falado Difusora, transmitido às 22 horas, com 15 minutos de duração. Aos sábados, a V-39 apresentava Voz de São João no ar. Neste noticiário, os locutores liam todas as matérias da Voz de São João.
Ainda com relação à informação, a emissora levava aos lares dos ouvintes dois programas: GENTE DA CIDADE E FLAGRANTES DA CIDADE. O primeiro, realizado aos sábados, às 11h30, levava convidados para serem entrevistados acerca de assuntos de interesse para a sociedade. O programa discutiu em uma de suas edições, por exemplo, o tema Brucelose, uma doença que vinha se propagando naquela época. Sob o comando de Matheus Caldas, Flagrantes da cidade destinava-se a focalizar as atividades municipais, comentando fatos, acontecimentos sociais e esportivos. O diretor da rádio também fazia entrevistas, divulgação de notas e comunicados diversos, sempre de interesse geral. Flagrantes da cidade era veiculado às quartas-feiras, 11h30.
Além dos programas produzidos em São João, a emissora passou a retransmitir três programas da Rádio Aparecida: OS PONTEIROS APONTAM PARA O INFINITO, ao meio dia; MARRETA NA BIGORNA, às 13 horas e CONSAGRAÇÃO A NOSSA SENHORA APARECIDA, às 15 horas. Paulo Gotti afirma que nesses horários, a rádio atingia 95% de audiência. Completando a sua programação religiosa, a ZYV-39 transmitia diariamente o terço e a oração da Ave Maria, que existem até hoje na Rádio Difusora
Desde a sua criação, a rádio Difusora São João Nepomuceno sempre esteve presente nos acontecimentos da cidade. Seja no Carnaval, Semana Santa, em momentos políticos importantes, lá ela estava transmitindo todos os detalhes aos seus rádio-ouvintes. Durante a Semana Santa, por exemplo, a V-39 transmitia os sermões; no Carnaval cobria as batalhas de confete, falava diretamente dos clubes carnavalescos da cidade, promovia shows na principal rua da cidade com os elementos do seu cast artístico e com os de outras regiões. Realizou inúmeros bailes carnavalescos em seu auditório com figuras consagradas da radiodifusão brasileira. A rádio também transmitia as solenidades públicas, como posses de prefeitos e sessões da câmara de vereadores.
Em sua história, a Rádio Difusora não desempenhou somente o papel de veículo de comunicação do município. A emissora também se envolvia nas questões sociais da comunidade, participando de campanhas beneficentes, onde cedia o espaço de seu auditório para a realização de eventos. Toda renda obtida era revertida a entidades são-joanenses. Um desses eventos foi o Festival Lítero-Artístico-Musical, ocorrido no ano de 1956, em favor do Natal dos pobres. O concurso Os dez melhores realizado em 1957 pela V-39 para eleger os dez melhores funcionários da emissora, desde locutor até radioator, teve sua renda destinada às obras de caridade da Ação Católica de São João Nepomuceno. O espaço da rádio estava inserido no cotidiano da cidade. No palco-auditório era comum acontecer a entrega dos diplomas escolares e das turmas do Tiro-de-Guerra.
No entanto, apesar dos bons momentos que a Difusora viveu e que proporcionou ao município, em 1957 a rádio enfrentou um período de crise, que quase a obrigou a fechar as portas. Cercada por dificuldades financeiras, a Sentinela do Ar precisou recorrer à ajuda dos ouvintes para conseguir se reerguer. Para isso, teve que subscrever suas ações. Tanto na própria emissora quanto na redação do jornal Voz de São João podiam ser encontrados formulários para a subscrição das ações no valor de CR$1.000,00. Com a colaboração do povo são-joanense, a ZYV-39 conseguir superar as dificuldades e seguir sua trajetória de bons programas e trabalhos em prol da comunidade.
Porém, alguns anos mais tarde e ainda na administração de Matheus Caldas, a rádio enfrentou nova onda de problemas financeiros. Só que desta vez, a crise obrigou o diretor a se desfazer da ZYV-39. Colocada à venda, foi adquirida pela Arquidiocese de Juiz de Fora, que entregou sua direção a Otto Alves Ribeiro. Localizada à Rua Dr. Péricles de Mendonça, no centro da cidade A Rádio Difusora de São João Nepomuceno pertenceu à Igreja por aproximadamente oito anos, sendo novamente colocada à disposição de outros compradores. Nessa mudança de donos, em 1971, a emissora tornou-se propriedade de três sócios: o radialista Sinval Floriano Borges, Rui Contão e o seu pai Eurides Contão. Mais tarde, Sinval se tornaria o único proprietário, em virtude da morte de Eurides Contão e a posterior aquisição das ações de Rui.
Sem contar agora com os programas de auditório e as radionovelas, que já haviam sido extintos, a Difusora nessa nova fase manteve em sua programação os programas musicais, esportivos e noticiários.
Além de ser um dos donos da rádio, Sinval também se dedicava à apresentação de programas, como o Show da manhã, com participação do público por telefone, e Desfile das Maiorais, que ia ao ar de meio-dia às duas da tarde. Nesse horário, os ouvintes podiam curtir 15 sucessos musicais.
Geraldo Magela Medina também ocupava o horário da manhã com o programa que levava o seu nome. O locutor entrava logo após o programa do compadre João Batista, direcionado ao homem do campo. Segundo contou a gerente da Rádio Multisom e sobrinha de João Batista, Maria das Graças de Castro, o locutor sertanejo era muito estimado pelo seu público. Os ouvintes mandavam frutas, doces e até animais. A sobrinha se diverte ao lembrar que o banheiro da emissora, muitas vezes, serviu para guardar as galinhas que o tio recebia.
Nessa fase da Difusora um programa que fez muito sucesso foi Roberto Carlos Show, apresentado por Carlos Alberto Machado, com músicas do rei e brincadeiras. Para os amantes do futebol, Geraldo Magela comandava diariamente Bola no Ar e aos sábados, ao meio-dia, Resenha Esportiva. Nessa atração de sábado, Magela recebia convidados para um bate-papo sobre futebol. Todos os dias, as seis da tarde, a emissora tinha o momento da Ave Maria.
A Difusora contava ainda em sua programação diária com os locutores Osvaldo Tito, Oscar José, Cirilo Reis, José Maria Silva e Oscar Vinagre.
Em relação os trabalhos externos, transmitia toda terça-feira a reunião da câmara dos vereadores, além da tradicional cobertura das festividades da cidade como o Carnaval, Semana Santa e Exposição Agropecuária. Para realizar essas atividades, os funcionários da Difusora esticavam fio de telefone por toda a cidade.
Os programas noticiosos, assim como no período de Matheus Caldas, eram produzidos utilizando o recurso da gilete press. José Luís de Carvalho e, às vezes, Geraldo Magela Medina, recortavam duas ou três notícias que consideravam importantes e liam nos microfones.
De acordo com Pituquinha, os recursos técnicos da rádio eram arcaicos. Os comerciais, por exemplo, eram gravados em fita cassete. O operador gravava as propagandas em seqüência e quando terminava de rodar a fita, era preciso voltá-la e colocar no ar outra vez. O locutor diz que este sistema às vezes dava problemas, como embolar a fita. Os comerciais gravados rodavam o dia todo, enquanto os anúncios ao vivo eram feitos pelo próprio locutor no horário do seu programa.
Após dez anos à frente da radiofonia são-joanense, Sinval Borges colocou a Rádio Difusora à venda, porque pretendia voltar para sua cidade natal, Governador Valadares. Assim, em 1º de setembro de 1981, a ZYV-39 passou para as mãos do empresario Ivan Botelho. Na época, além da Difusora, o empresário, que também é dono da Companhia Força e Luz Cataguases Leopoldina, adquiriu outras emissoras na região. Com a aquisição da V-39, ela recebeu outra denominação, passando a se chamar Multisom Rádio São João Nepomuceno Ltda e sendo incorporada ao Sistema Multisom de Rádio, que integra emissoras AM e FM em Cataguases, Leopoldina, Ubá e Além Paraíba.
Nessa mudança, alguns funcionários continuaram trabalhando na antiga Difusora. Da época de Sinval permaneceram os operadores Cristóvão de Souza, De Paula, Geraldo Magela de Souza e Luiz Carlos Cestaro, o Pituquinha. Da mesma forma, alguns locutores também ficaram na emissora, agora sob nova administração. Entre eles estavam Geraldo Magela Medina, José Maria Silva, Oscar José, Cirilo Reis e Osvaldo Tito.
Funcionando de cinco da manhã as onze da noite, um dos programas mais ouvidos da Multisom nas manhãs são-joanenses foi Programa Geraldo Magela, que também existiu na época de Sinval. Era um programa popular, em que o locutor tocava muita MPB e, segundo colegas da época, trabalhava em favor dos são-joanenses. Geraldo Magela também ficou conhecido como Vovô Magela por apresentar aos sábados um programa dedicado às crianças, onde ele rodava estórias infantis.
Outro locutor de sucesso da Multisom foi José Maria Silva, comandando Show da tarde, As canções do Roberto, o Bola no ar e as jornadas esportivas da emissora. Dentro do Show da tarde ( o programa era aberto com a musica TARSAN BOY BALTIMORA), José Maria Silva apresentava o quadro Ponto de Encontro, com meia hora de entrevistas. Nesse mesmo programa, às sextas-feiras, o locutor cedia os microfones para a escritora são-joanense Déa Verardo Loures e a Sociedade em destaque, onde ela comentava as notas publicadas em sua coluna de mesmo nome na Voz de São João.
O programa dedicado às comunidades da zona rural ficava por conta de Luiz Carlos Cestaro, através da Fazendinha do Compadre Pituquinha. Neste programa, que foi substituto do Compadre João Batista, o locutor dava espaço à música raiz, à moda de viola. Ele atendia as cartas dos ouvintes e contava piadas. Dentro da Fazendinha do Compadre Pituquinha, Luiz Carlos criou o quadro Entrevista no hospital, em que ele ia ao hospital e entrevistava os pacientes. Ele gravava a conversa com as pessoas internadas e levava ao ar no seu programa seguinte. Os pacientes mandavam recado para os parentes, solicitando roupas, ou alguma outra coisa de que precisavam. Eles também tranqüilizavam os familiares, informando seu estado de saúde. O trabalho realizado pelo programa contribuiu, segundo Pituquinha, para que a portaria do hospital não ficasse lotada de pessoas querendo informações dos pacientes. Entrevista no hospital foi veiculado até a saída de Pituquinha da emissora, em 1998. Além desse quadro de grande audiência, o locutor criou outro, Plantão policial, com a divulgação das ocorrências policiais no município. Saindo um pouco do gênero sertanejo, Pituquinha criou um programa chamado Resgatando a memória de São João Nepomuceno. A idéia surgiu quando ele percebeu que as pessoas mais antigas de São João estavam morrendo e a história da cidade não ficava registrada. Então resolveu fazer um programa cultural, recebendo convidados para falarem do município na época em que eram mais jovens. Resgatando a memória de São João Nepomuceno era realizado aos domingos e chegou a receber mais de 60 entrevistados, alguns deles já falecidos. Todas as entrevistas foram gravadas em fita cassete, estando este acervo conservado até hoje pelo locutor em sua residência.
Também fazia parte da grade de programação da Multisom no horário da manhã o programa Bom dia cidade, apresentado por José Luiz de Carvalho. Bom dia cidade foi comandado, ainda, pelo locutor Aristides Dias dos Santos, com música, participação ao vivo do ouvinte, horóscopo e denúncias. Aristides também trabalhou na elaboração do jornal da emissora e foi gerente pelo período de um ano.
José Américo Avelino Barbosa foi outro funcionário responsável pelo jornal da Multisom. Na ocasião, a rádio transmitia o jornal chamado Dois Pontos, levado ao ar a cada meia hora. O jornal recebia esse nome por ser feito às meias horas e conter duas notícias curtas. O noticiário da rádio teve ainda a colaboração de Osvaldo Tito e Oscar José. Este último apresentou, juntamente com Geraldo Magela Medina, o RD Multisom – Repórter da Rádio Multisom. Oscar José encarregava-se de anunciar as notícias internacionais, enquanto as nacionais, regionais e as informações de São João Nepomuceno eram de responsabilidade de Geraldo Magela.
Mas não era somente de músicas e informações que vivia a Multisom. Havia os momentos de fé nas manhãs, através do programa realizado por Léo Arrichete. Todos os dias, o locutor dedicava parte do programa para fazer orações ao vivo, recebendo cartas dos ouvintes com pedidos para serem lidos na hora das orações.
Além de todas as pessoas que foram citadas nessa fase da rádio, também fazem parte da história da emissora os locutores Cida Rocha, Carlos Roberto (Zulú), Anderson Delega, Fernando de Lélis, Geovane Trombini e Amado Roberto. Em 2003 as vésperas de completar 50 anos, a Rádio Multisom, acompanhando a evolução tecnológica, era uma emissora que possuía modernos equipamentos, que contribuía ainda mais para a realização de suas atividades. A transformação técnica começou no final de 2002, quando a rádio informatizou o estúdio principal, o de gravação e o escritório. Foram instalados três computadores em rede, com softwares modernos que auxiliam no cotidiano da Multisom. Um desses programas, por exemplo, possibilita ao operador encontrar mais de cinco mil músicas, quase não precisando mais recorrer aos CD’s.
Em relação à programação da Multisom, cabe o trabalho a quatro locutores – Luiz Carlos Dutra, Carlos Cristiano, Írio Henriques e Wellington Alves – e três operadores de som – Carla Lima, José Brás da Costa e Charles Eduardo. Das cinco da manhã as onze da noite, a programação da rádio é formada por programas sertanejo, esportivo e popular.
O programa que iniciava de segunda a sábado as atividades da Multisom é o Programa Írio Henriques, com apresentação de músicas sertanejas, caipiras e piadas. Até as dez da manhã, os ouvintes podiam participar fora do ar, com pedidos musicais, além de concorrerem a prêmio, respondendo à pergunta do dia.
De 10 às 14h, o Programa Carlos Cristiano animava os são-joanenses, com música, aniversariantes do dia, participação do ouvinte, horóscopo, brincadeiras, prestação de serviços e “puxão de orelha”. Além de oferecer música, o ouvinte era também convidado a expor sua opinião à respeito de temas variados envolvendo a cidade, no quadro Bate-papo. O programa também realizava campanhas, com arrecadação de mantimentos, roupas, remédios e fraldas descartáveis adulto e infantil. De acordo com a Sra Maria das Graças de Castro, que foi a gerente da Rádio Multisom as ações sociais promovidas pela emissora eram prontamente atendidas pelos ouvintes, dando uma dimensão da grande audiência da rádio. Um quadro que fazia bastante sucesso dentro do Programa Carlos Cristiano era o Show do Zé Purpurina, com interpretação de Luiz Carlos Dutra, que tem sua voz modificada pelo computador. Zé Purpurina misturava interatividade e bom humor e, recebia ligações dos ouvintes como também ligava para as suas casas, tudo ao vivo.
A próxima atração do dia era o Show da Tarde, com Luiz Carlos Dutra. De duas às cinco e meia da tarde, o locutor lia tudo o que acontecia no mundo dos artistas, além de atender pedidos musicais. Dentro da programação existia ainda, os quadros musicais: Isto é versão, Som cover, As canções do rei Roberto Carlos e Momentos da Jovem Guarda. O programa também fazia uma conexão direta com o Núcleo de Rádio da Assembléia Legislativa, através da participação da jornalista Marília Prates, que informava as notícias do dia na Assembléia e divulgava a previsão do tempo para São João Nepomuceno.
Em seguida, a Multisom abria espaço para Luiz Carlos Dutra e o comentarista Dedé do Vale falarem de esportes no Bola no ar, quando estes então traziam o noticiário esportivo local e nacional. O programa também destacava as atividades esportivas nos distritos de São João e nas cidades vizinhas, levando, ainda, convidados para entrevistas.
As seis da tarde, a rádio transmitia o momento do terço, em que integrantes da Igreja Católica rezavam no ar cada mistério do terço. A seguir, era a vez de Wellington Alves e As mais pedidas do dia, com o desfile das seis músicas mais tocadas durante a programação diária da rádio. Após a Voz do Brasil, o locutor continuava na programação com Noite Especial. Além das músicas selecionadas para o programa, os ouvintes podiam participar pedindo as canções que gostariam de ouvir.
No sábado, além dos programas Írio Henriques, Show da Tarde e Noite Especial transmitidos durante a semana à emissora apresentava o Momento Procon, com Jorge Luís da Silva. O representante do órgão de defesa do consumidor na cidade abordava questões trabalhistas e direitos do cidadão e do consumidor.
Logo após, as dez da manhã, o comunicador Carlos Cristiano comandava o programa de entrevistas Sala de Espera. A cada semana eram levados convidados para falarem sobre assuntos de interesse da comunidade, relacionados à saúde, cultura e política.
As seis da tarde, os ouvintes acompanhavam o Juventude caminho aberto, realizado por grupos jovens da Igreja. Nesse programa, os jovens falavam sobre a vida cristã e os problemas que afetavam a sociedade, como drogas e violência.
Aos domingos, a programação da emissora era realizada em sistema de gravação, começando com o programa Írio Henriques especial de Domingo. Este era seguido por Paradão Popular, Domingão Alegre, Seqüência Máxima e Especiais de Domingo, que apresentava os sucessos de dois cantores. De sete às oito e meia, a emissora transmitia a santa Missa, diretamente da Igreja Matriz de São João Nepomuceno. Finalizando a programação de final de semana entrava no ar o programa Passado e Presente.
Além das campanhas solidárias, a Multisom utilizava os seus microfones para anunciar ofertas de emprego do Sine (Sistema Nacional de Emprego), objetos achados e perdidos. Quando a Policlínica e o INSS precisam convocar algumas pessoas, recorriam à emissora para a divulgação dos comunicados.
No que diz respeito à informação, o noticiário da rádio era o Repórter Multisom, veiculado de uma em uma hora. No total eram apresentadas nove edições diárias de segunda à sexta-feira, começando as oito da manhã. A última edição do dia era levada ao ar as quatro da tarde. A emissora não possuia uma pessoa específica encarregada da elaboração do jornal. Cada locutor era responsável pela apresentação do Repórter Multisom que coincidia com o horário do seu programa. As notícias eram retiradas de jornais impressos e lidas conforme estavam publicadas. Não havia um trabalho de reelaboração das matérias com o uso de uma linguagem própria para o veículo, respeitando suas características. Geralmente as notícias lidas eram grandes e o locutor também falava as citações da fonte como estão escritas, dificultando o entendimento da informação. Além desse jornal, que abrangia mais as notícias em âmbito nacional, a rádio também divulgava os acontecimentos da cidade, falando diretamente do local.
Entre as transmissões externas, a Multisom destacava-se pela cobertura das festas do município – Carnaval, Semana Santa e Exposição Agropecuária. Na época do Carnaval, a rádio fazia um amplo trabalho de divulgação, informando como estavam os preparativos das escolas de samba. Nos dias de batalhas de confete pelos bairros da cidade e nos quatro dias folia, a rádio transmitia todos os detalhes para as pessoas que estavam em casa. A emissora montava uma cabine de transmissão na Avenida Tancredo Neves (passarela do samba), de onde fazia a transmissão do desfile das escolas de samba e dos blocos, com presença de comentaristas. A equipe formada pelos locutores ficava dispersa pela passarela e na concentração das agremiações carnavalescas. Por todos esses trabalhos, a Multisom era considerada a emissora oficial do carnaval, mesmo porque apenas ela cobria a festa.
A Exposição Agropecuária era outra festa que tinha a atenção da rádio. Durante os sete dias do evento, realizado no mês de maio, a Multisom transportava o seu estúdio móvel para o Parque de Exposições, de onde transmitia os shows e fazia entrevistas com os artistas.
Na Semana Santa, a rádio também se fazia presente. Os ouvintes que não podiam comparecer à encenação da Sexta-feira da Paixão, que envolve mais de trezentos figurantes e reconstitui a morte de Jesus, tinham a oportunidade de acompanhar o teatro através das ondas da Multisom.
Além dessas, a emissora também fazia a cobertura de palestras, reuniões envolvendo a comunidade em geral, desfile cívico nos dia 16 de maio, data em que se comemora o dia do município, e em 7 de setembro.
A rádio promoveu também o concurso Os melhores do ano, que premiava as pessoas que mais se destacaram durante o ano, segundo a opinião dos ouvintes em aproximadamente três meses de votação, com início em outubro, através do Programa Carlos Cristiano. A cada dia era apresentada uma categoria – motorista, grupo musical, cabeleireira, vereador etc. – para que o público pudesse fazer a sua escolha. Na votação o ouvinte falava ao vivo, indicando a pessoa que considerava o melhor em determinada área. A cada participação eram computados o nome do ouvinte, bairro, final do telefone e o voto. O concurso termina em dezembro, quando a rádio realizava uma grande festa de premiação, com entrega dos certificados para os eleitos.
É também no mês de dezembro que a Rádio Multisom fazia uma grande promoção em parceria com os comerciantes da cidade: o Natal Premiado. Para cada cupom recebido e depositado durante as compras em uma das lojas participantes, o ouvinte concorria a diversos prêmios, em geral, eletrodomésticos. No dia da entrega dos brindes, a rádio participava, entrevistando o ganhador e o dono do comércio de onde saiu o cupom sorteado.
Dessa forma, promovendo o entretenimento, a prestação de serviços, a informação e o envolvimento do ouvinte, a Rádio Multisom sempre desempenhou seu papel de veículo de comunicação. E nesses 50 anos de existência, a emissora se fez presente nos diversos acontecimentos do município, tanto nas festividades como nos fatos cotidianos.
Mas a sua historia não acaba por aqui e esta apenas começando de forma digna e brilhante quando se realiza mais um sonho do povo são-joanense, ou seja o da sua volta às mãos são-joanenses.
Assim no ano de 2004 precisamente em 05 de março o empresário do ramo de construção civil Isaias Sporch de Freitas adquiriu Rádio Multisom de São João Nepomuceno, desvinculando-a assim do Sistema Multisom de Rádio data em que a rádio iniciou uma nova vida na comunidade são-joanense. A negociação realizada trouxe vida nova e esperanças de novos dias, pois os destinos da rádio voltavam aos são-joanenses.
A noticia foi veiculada por todos os meios de comunicação da cidade e recebida com grande satisfação por todo o povo, que em cada esquina comentava com orgulho a volta às origens da rádio são-joanense.
A primeira providencia tomada pelo novo proprietário foi sanar os compromissos da rádio para que ela se iniciasse a partir do ponto zero.
Medida de grande repercussão popular e tomada por sugestão do seu proprietário foi à escolha da nova denominação da rádio uma vez esta decisão coube ao povo de São João Nepomuceno através de pesquisa realizada, tendo o povo acabado por decidir por RÁDIO DIFUSORA AM SÃO JOÃO NEPOMUCENO, numa justa homenagem ao tempo glorioso da rádio marcando com isso sua volta triunfal.
Imediatamente também os estúdios e a administração foram transferidos e instalados no moderno Centro Comercial Ângelo Nicodemos no coração da cidade.
Outra medida tomada por Isaias S. de Freitas e que também agradou a todos foi optar pela continuidade da programação e a permanência de todo o quadro de profissionais responsáveis pela rádio.
Segundo o proprietário Isaias Sporch de Freitas: “a rádio está mudando apenas de direção, mas tudo aquilo que há de bom deve nela permanecer, porque em time que está ganhando não se mexe.” Segundo Isaias ele se sente bem sabendo que a radio está novamente em mãos são-joanenses e tem plano significativo para o seu crescimento como a introdução de nova tecnologia adequando a mesma a modernidade do presente sem esquecer o seu passado. Pretende ainda dota-la de uma nova dinâmica e nova linguagem equiparando-a a melhores rádios de Minas Gerais e orgulho de nossa cidade, mantendo-a assim nos caminhos que sempre a nortearam ou sejam o do progresso.
Disse ainda que o acervo da rádio foi constituído ao longo dos anos muitas vezes até com certa dificuldade, formando um verdadeiro museu com mais de 5.000 discos e, contando com preciosas relíquias do mundo fonográfico e discográfico e por esta razão deve ser preservado. É o passado fazendo parte do presente e ele fará tudo aquilo que preciso for para a preservação e o resgate cultural de nossa São João Nepomuceno.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

NOSSAS MONTANHAS

NOSSAS MONTANHAS
UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

SEM PALAVRAS!

SEM PALAVRAS!

A FABRICA DE TECIDOS

A FABRICA DE TECIDOS
FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

ESCOLA CENTENÁRIA
ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO
EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

VISTA PARCIAL
vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

A PREFEITURA HOJE

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA
O que restou da historia? UMA FOTO!!!