SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

RENÊ MENDONÇA - O DR. RENÊ DO BOTAFOGO . RJ

Por Ney Medina - Com comentário de José Carlos Barroso

Foto retirada do Jornal dos Esportes ano de 1945 (O jornal cujas folhas eram vermelhas)

Rêne Mendonça, ou melhor, Dr. Renê Mendonça, nascido em São João Nepomuceno no dia 1º de janeiro de 1921, era filho de Alda Henriques de Mendonça e Horácio Furtado de Mendonça. Sr. Horácio é um dos fundadores do Botafogo F.C de São João Nepomuceno e a praça de esportes do clube leva o seu nome.

Dr. Renê viveu em São João até os 12 anos de idade, depois mudou-se para Juiz de Fora onde estudou no Colégio Grambery. No início dos anos 40, já estava cursando Medicina na Cidade Maravilhosa, onde também jogava no futebol amador do Botafogo.

Dr. Renê foi tri-campeão carioca pelo Botafogo, 42, 43 e 44 (amadorismo). O time campeão de 1942 jogou 34 partidas, neste campeonato e venceu 31, empatou 2 e perdeu apenas 1 partida, sendo que, Dr. Renê jogou 31 das 34 partidas disputadas, e marcou 43 gols dos 227 assinalados pelo Botafogo.

O time campeão, Nei no gol, Mato Grosso e Dunga; Rui, Hélio e Cid; Oto, Armando, Augusto, Tovar e Renê.O Botafogo foi bi-campeão em 1943 jogando 18 vezes com 16 vitórias, 1 empate e uma derrota. Dr. Renê participou de 16 jogos e marcou 6 dos 62 marcados.

O time bi-campeão jogou com Boliviano, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid; J.Américo, Tovar, Augusto, Otávio e Renê.

E o tri-campeonato veio em 1944 com 18 jogos, 15 vitórias, 2 empates e uma derrota. Dr. Renê colaborou em 7 partidas e marcou 13 dos 109 gols do Botafogo. Boliviano no gol, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid, Afonsinho, Tovar, Gute, Otávio e Renê.

Como podemos observar, Dr. Renê foi titular nas três conquistas do time da estrela solitária, e a formação era no 1-2-3-5. Dr. Renê foi considerado o melhor ponteiro esquerdo do futebol carioca nos anos de 42, 43 e 44. Defendeu o Botafogo em diversos jogos pela América do Sul.

Diplomou-se em Medicina pela antiga Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, na turma de 1947. Foi médico do clube nas décadas de 50, 60 e 70. No final dos anos 70, tive a honra de ser examinado por ele, onde acusou diagnóstico, exato, do meu problema.

A foto acima é, uma foto histórica para São João Nepomuceno. Ano de 1945, Dr. Renê figurando entre os jogadores profissionais do Botafogo na disputa do campeonato carioca. De pé da esquerda para direita, Negrinhão, Laranjeiras, Sarno, Ari, Spinelli e Ivan. Agachados da esquerda para direita estão: Dr. Renê, Tovar, Dr. Heleno de Freitas, Elba de Pádua Lima “Tim” e Franquito.

Dr. Renê teve mais 4 irmãos, Nadina (falecida e casada com o médico e ex-prefeito de São João Nepomuceno Dr. Nagib Camilo Ayupe), Maria José Jacir e nossa querida Dona Iracema de Mendonça Fermo, viúva de Aymoré Fermo.


Agradeço a Dona Iracema o carinho com que me recebeu em sua casa, onde tive preciosas informações sobre o Dr. Renê.

Encerrando, segundo Dona Iracema, quando TOVAR E PARAGUAIO estiveram aqui em São João, hospedaram em sua residência.


Comentário: Quando de uma das homenagens a Heleno de Freitas em entrevista ao famoso comentarista " DA PALAVRA FÁCIL" Luiz Mendes da rádio Globo RJ, entre tantas coisas interessantes, ele nos disse que o ataque do Botafogo ficou conhecido como "ATAQUE DOS UNIVERSITÁRIOS" e lá estavam dois são-joanenses, Dr. Renê Mendonça (médico) e Dr. Heleno de Freitas (advogado)


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

HISTORIA DE NOSSAS RUAS: AVENIDA ZECA HENRIQUES


Por José Carlos Barroso

Esta rua está localizada às margens do corrego que atravessa a cidade, mas quem foi Zeca Henriques?


O Coronel José Henriques Pereira Brandão o Coronel Zeca Henriques como era carinhosamente chamado está sem sombra de dúvidas entre os grandes vultos da nossa história, por sua atuação dinâmica à frente dos negócios, seja como fazendeiro e industrial seja como prestimoso político à frente da administração municipal.


Zeca Henriques era descendente de um dos primeiros fazendeiros da região e um dos fundadores de São João Nepomuceno, era neto de Domingos Henriques de Gusmão. Filho de Ezequiel Henriques Pereira Brandão e de D. Ana Lina Soares.


Natural de São João Nepomuceno nasceu em 18 de maio de 1865. Eram seus irmãos o Capitão Basílio Henriques Pereira Brandão (meu bisavô) que exerceu o cargo de fiscal Municipal e do Coronel Mariano Henriques Pereira Brandão que foi também Vereador.

Era casado com Francisca Cristina Soares filha do Comendador José Soares e de Dona Prudenciana Faustina de São José.

Zeca Henriques desde cedo começou a militar na política e ainda ao tempo do Império tendo sido Vereador. Depois de proclamada a República compôs o Conselho Distrital e depois legislativo municipal, isso no ano de 1894 tendo visto sua primeira reeleição em 1898, quando conseguiu ser o terceiro mais votado do Partido Republicano. De 1901 a 1904 foi novamente reeleito obtendo nada mais nada menos do que 1039 votos e sendo o candidato mais votado mostrando assim o seu valioso prestigio junto ao povo.

Curiosidade: Foi Zeca Henriques que propôs a colocação do retrato de Dr. Carlos Alves na sala de reuniões da Câmara Municipal o que se fez com uma tela de inestimável valor artístico e de autoria de Adriano Huyberg e adquirida por seiscentos contos de reis. Hoje se encontra como acervo da Fundação Cultural.

No ano de 1902 foi eleito Presidente da Câmara e no ano de 1905 se candidata a reeleição. Conseguindo o seu intento foi eleito pelos demais vereadores Vice Presidente do Legislativo Municipal já que houvera sido o vereador mais votado.

De 1908 a 1912 mais uma vez eleito e desta feita como Vereador Geral foi destacado pelos demais pares para o cargo de Agente Executivo (Prefeito) . E foi aí que o Coronel Zeca Henriques se destaca pelo magnífico trabalho realizado só comparado ao realizado por Dr. Carlos Ferreira Alves.

Foi assim que realizou um de seus maiores sonhos, ou seja o de dotar a cidade de água capaz de suprir as necessidades da população pelo menos durante trinta anos. Adquire ele então oitenta alqueires de terra e assina com o governo de Minas Gerais, acordo para a realização das obras de saneamento, abastecimento de água e rede de esgoto.

Sua participação na edificação do prédio que veio a abrigar o segundo ciclo (Escola Normal) foi de vital importância ao lado de sua sogra Dona Prudenciana Faustina de São José.

Em 02 de julho de 1912 em memorável reunião na Câmara Municipal com propositura do Dr. Gloria foi colocado na sala de reuniões daquela Casa de Leis o retrato de Cel Zeca Henriques e de Dr. Péricles de Mendonça como premio por terem eles contribuído para com a assinatura do contrato para o saneamento da cidade. Quadros hoje pertencentes ao acervo da Fundação Cultural.

Depois disso afasta-se da política tudo por causa de uma dissensão com o partido dominante ou seja o Partido Republicano Mineiro ao qual pertencia, retornando mais tarde como dissidente e chefiando a oposição, quando então foi responsável pela organização do Partido Político Municipal Dissidente, sendo então Vice Presidente da sua Diretoria.

No dia de sua morte nossa São João Nepomuceno parou, isso em 21 de novembro de 1921 estimando-se que mais de três mil pessoas compareceram ao funeral tendo a imprensa registrado que: “ seu nome estava ligado com todos os títulos de benemerência a todos os fenômenos vitais da cidade e do município”.

domingo, 21 de novembro de 2010

O DR. JOSÉ DE CASTRO AZEVEDO

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”.

Com esta fase o Dr. José de Castro Azevedo findava todos os seus trabalhos sobre as Ruas e as Praças de nossa terra, e é com ela que iniciamos a biografia desse que foi certamente um dos mais homens mais cultos e um amante fervoroso dessa cidade. Vejamos:

Natural de Palma, Minas Gerais, nascido em 05 de março de 1918. Filho do Desembargador Ananias Varella de Azevedo e de D. Maria José de Castro Azevedo. Fez seus estudos primários no Grupo Escolar "Cel. José Brás" e iniciou o secundário no Ginásio Municipal, ambos de São João Nepomuceno. Prossegui-os no Ginásio São José e os concluiu no Ginásio Mineiro "Raul Soares", de Ubá.

Fez o curso complementar na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Diplomou-se, em 08 de dezembro de 1942, em Odontologia, pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, quando foi o orador oficial da turma. Representou dita Escola do V Congresso Nacional dos Estudantes (UNE), em 1942, quando advogou a necessidade da reforma do curso odontológico, o que, mais tarde, se tornou realidade. Exerceu a Odontologia por 10 (dez) anos.

Cursou o NPOR, do R.I., de Juiz de Fora, sendo declarado Aspirante a Oficial do Exército em 25 de agosto de 1944, estagiando no III/ 12 R.I., sendo promovido a 2 º Tenente R/ 2 em 19 de janeiro de 1948. Nessa qualidade, foi diretor do Tiro de Guerra 151, de São João Nepomuceno, do qual é sócio benemérito.

Em 24 de dezembro de 1946, consorciou-se com a doutora Alcéa Cardoso de Azevedo, também diplomada pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, havendo desse enlace os seguintes filhos:

D. Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, professora, casada com o sr. Emílio Luiz Sachetto Vitoi, com duas filhas: Maria Emília e Maria José e três netos: Mariana, Ana Carolina e Thiago
Dr. Luiz Otávio Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria Sirlei de Freitas Cardoso de Azevedo, com três filhos: Luiz Otávio, Maria Cristina e Maria Cláudia;
Dr. Luiz Carlos Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria do Socorro Coimbra Cardoso de Azevedo, com quatro filhos: Carla, Cinthia, Luiz Carlos e Cássia. Um neto: João Pedro;
Dr. Luiz Renato Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Miriam Henriques de Azevedo, com três filhas: Renata, Roberta e Raquel;
Dra. Ana Luiza Cardoso de Azevedo Sousa, cirurgiã-dentista, casada com o Dr. Valério de Oliveira Resende Sousa, com dois filhos: Ana Cristina e José Eduardo.

Em 1952, bacharelou-se pela então Escola de Direito de Juiz de Fora. Advogou, durante 6 (seis) anos, em São João Nepomuceno e Comarca vizinhas.

Após concurso, foi nomeado Juiz de Direito Secional da 4 ª Zona Judiciária do Estado de Minas Gerais, com exercício nas Comarcas de Caratinga, Muriaé, São João Nepomuceno, Mar de Espanha, Guaranhães e Mesquita.

Em 1960, foi nomeado Juiz de Direito de Guarará, onde permaneceu 13 anos. Às vésperas de sua promoção, para que não fosse extinta a Comarca de Guarará, permutou com o Juiz de Direito de Tombos, onde esteve por quatro dias em exercício. Em 26 de dezembro de 1973, foi promovido a Juiz de Direito de Santos Dumont, sendo removido, por permuta, em 13 de fevereiro de 1974, para São João Nepomuceno. Em março de 1979, foi promovido por merecimento para a 1 ª Vara de Família da Comarca de Juiz de Fora.

Foi professor da Escola Normal D. Prudenciana, do Ginásio e da Escola Técnica de Comércio de São João Nepomuceno, e ainda nesses Colégios o Diretor da Escola Remington, esta de datilografia, do Ginásio Dr. Augusto Glória (CNEC), todos desta cidade, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, de Bicas, e do Ginásio Castro Alves (CNEC), de Guarará.
Foi professor registrado para o 1 º e 2º ciclos, no Ministério da Educação e Cultura (Diretorias do Ensino Secundário e Comercial) e na Secretaria do Estado da Educação de Minas Gerais (Departamento de Ensino Secundário e Superior).

Foi provedor da Associação de Caridade de São João Nepomuceno, mantenedora do Hospital São João, durante 8 anos, realizando ampla e radical reforma no serviço hospitalar e construindo o Pavilhão São Camilo de Lélis. Foi sócio benemérito da mesma instituição.

Exerceu o cargo de Chefe de Secretaria da Câmara Municipal de São João Nepomuceno e Consultor Jurídico da mesma.

Redator-chefe, durante nove anos e meio, do jornal "Voz de São João", da cidade de São João Nepomuceno.

Em 16 de maio de 1965, recebeu o título de Cidadão São-joanense, pelos serviços prestados ao município.

Em 27 de abril de 1974, recebeu o título de cidadão guararense, pelos serviços prestados ao município e à comarca, único, até então, concedido por aquela edilidade. Em 09 de dezembro de 1983, recebeu o título de cidadão juiz-forano pelos serviços prestados à comunidade.

Em 26 de dezembro de 1964, recebeu a medalha "Personalidade do Ano", promoção do cronista social RALPH.
Em 04 de setembro de 1981, recebeu o título de "Comendador da Ordem dos Bandeirantes" em homenagem e público reconhecimento de seus relevantes serviços prestados à sua Comunidade no campo das "Atividades Judiciárias". Em junho de 1964, ao lado de sua esposa, assumiu a Coordenação do Movimento Familiar Cristão, em São João Nepomuceno, Arquidiocese de Juiz de Fora, cargo em que permaneceram até 1967.

Integrou a equipe de Dirigentes de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Juiz de Fora. Fez parte do II Ciclo de Estudos da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra. Possuía o diploma de "Sócio Benemérito da Polícia Militar de Minas Gerais". Foi sócio-fundador do Lions Clube de São João Nepomuceno, onde ocupou cargos de destaque no Gabinete do Governador, em três anos leonísticos, possuindo cerca de 40 medalhas.
Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora. Foi membro da Associação Brasileira de Magistrados. Foi membro da Academia Municipalista de Minas Gerais, como representante de São João Nepomuceno. Faleceu em 04 de março de 1985.
Trabalhos publicados:

São João Nepomuceno em 1942 – Revista em colaboração com o Dr. Geraldo Henriques Cruz.
Discurso de Paraninfo – Oração paraninfal pronunciada para os formandos da Escola Técnica de Contabilidade, em 1954.
Fazendo História... Excertos para o estudo da vida da Comarca de São João Nepomuceno – 1955 – Opúsculo.
Dia do Município – oração pronunciada perante a Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando lhe concedeu título honorífico.
Mensagem aos Moços – Discurso, na qualidade de paraninfo dos formandos de 1965, do Ginásio Dr. Augusto Glória.
Dr. Augusto Glória Ferreira Alves – oração pronunciada na inauguração do busto daquele homem público, em 16/05/1969.
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz, discurso pronunciado em 27 de abril de 1974, ao receber o título de cidadão guararense.
Boa Noite, Amor..., Discurso de despedida da comarca de São João Nepomuceno.
Por que? , discurso proferido em 09 de dezembro de 1983, perante a Câmara Municipal de Juiz de Fora, em agradecimento pelo título de cidadania recebido.Série de artigos publicados:

A História de Minha Rua... Setenta e um artigos, estudando a vida dos patronos e contando a história de cada rua são-joanense.
No Outeiro da Gratidão – Série de sessenta artigos, em comemoração ao cinqüentenário da Escola Normal D. Prudenciana. (Compilação do Doutor Inocente Soares Leão, com adaptação.)

NOTA:
Por uma deferência especial sua Filha Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, quando de nossa passagem pela Fundação Cultural de São João Nepomuceno, como seu superintendente, ofertou ela ao acervo do Museu, que se iniciara, a beca do ilustre Magistrado, bem como um livro onde Dr. José de castro Azevedo registrou seu importante trabalho de estudos e pesquisa histórica sobre as ruas e praças, de nossa cidade, bem como dois belíssimos quadros (fotos de pinturas a óleo) do Dr. José de Castro Azevedo e de Doutora Alceia Cardoso de Azevedo, além de instrumentos odontológicos utilizados por ele e por sua esposa.
NOSSA HOMENAGEM ( Por ocasião da introdução de sua fotografia na Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando eramos vereador):
O JUIZ NA ORAÇÃO

José Carlos Barroso 31.08.1985

Recolho as palavras.
Aqui estou diante do Senhor.
Aqui estou em mais um encontro.
Recolho os pensamentos numa incontida vontade de reascender muitos.
Recolho os amigos, na premeditação de um momento de gratidão.
Descortino a vida, rasgando o passado.
Rasgo o caminho, vou em frente e num ímpeto de destruição, deparo com um amigo.
São pensamentos fortes; fazem brotar uma vida.
Ali, bem diante de mim, uma figura austera, simples, inteligente, de valor impar.
Num abraço incontido sinto-o imóvel, ausente.
Passo agora ao incontrolável da minha tristeza. Fico em meio as minhas interrogações.
Por que está ausente o amigo juiz?
Por que se foi o José?
O silêncio chega rápido, como quisesse ele acompanhar a incompreensão.
A vida atravessa o universo, como um vento sem regresso.
Há, portanto uma explicação para os acontecimentos já completados e incompreendidos.
Deus está aqui.
É o Pai, que chama pelo filho.
Meus olhos desmaiam.
É como a luz do sol, que ao desaparecer deixa, como prenúncio de bela noite, a paisagem mais linda.
Eu agradeço.
Obrigado meu Deus e Senhor, por ter podido conhecer Suas belezas, Suas criações.
Obrigado por ter conhecido o Seu filho JOSÉ.
JOSÉ, Senhor, é aquele que admiramos um dia por tudo, mas muito mais por vê-lo amar seus filhos, como o meu pai querido.
Ficam nossas orações, repetidamente.
Pai nosso, que no Céu está.
Abraça o filho JOSÉ da alegria.
Um juiz da oração.

MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: A Rua Cornonel José Mendes

Créditos da foto: Autoria de sjonline.com.br


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições"


(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 10/10/1964, às 18:25 horas, nos microfones da ZYV-39).



Iniciava mais uma reunião da edilidade local. Levanta-se em dado momento, o vereador doutor Geraldo Henriques Cruz para apresentação de proposições. Sugere à Câmara que esta renda homenagem a um vulto da história municipal, ligando o nome de um de seus grandes admiradores a uma de nossas vias públicas.
Pelo seu projeto deveria denominar-se "Rua Coronel José Mendes" o logradouro público da cidade que parte da ponte sobre o córrego que a atravessa, sobe o morro de Santa Rita e vai até a Rua Vila do Carmo. E pouco depois, pela Resolução n º 7, de 15 de junho de 1948, dava-se a denominação pedida àquela rua.
Em verdade, nada mais justo havia. O papel que o Cel. José Mendes houvera representado na vida pública sãojoanense, não poderia ser esquecido. Vínhamos de lutas de campanhas que molharam o chão do município de sangue, de luto, de ódios. Havia de ressurgir a paz desejada para o bem da coletividade e para o progresso do município.
Um homem havia capaz de tanto. Era um português, nascido em Treixo, na freguesia de Alvorge, comarca de Ancião, província de Beira Alta. Nascera em 24 de abril de 1871 e aos 27 anos tinha a mente carregada de sonhos, de aspirações, de projetos. E o Brasil era o El-Dourado. Chegou. Viu e gostou. Homem do trabalho, arregaçou as mangas e se pôs na luta. Foi ser empregado da Leopoldina, em Furtado de Campos. Depois, em Rochedo. Mas, isso, na época, não era trabalho para quem tinha tanta disposição para a luta. Não, positivamente não era esse o seu sonho. Montou, então, uma pequena casa comercial na vila, que começava a florescer. A casa cresceu. Os negócios prosperaram. Em pouco tempo já era o Cel. José Mendes o grande comprador de café que se associava a poderosas firmas para o comércio da rubiácea. Granjeara a simpatia popular. Impuzera-se perante todos pelo seu espírito comunicativo, bolsa sempre aberta aos pobres, aos necessitados, para os amigos. Quando se abriam as portas de sua residência, em Rochedo, ou as da Fazenda da Lage, para as recepções, era dia de festa. Havia sido "melhorado o rancho", como ele mesmo afirmava.

Rua Cel. José Mendes
E, esse homem, de uma tenacidade a toda prova, de moral elevada, soube se impor a todo o povo sãojoanense. Seu nome surgiu, então, como uma bandeira de pacificação nestas terras.
Eleito vereador especial pelo distrito de Rochedo, em 17 de maio de 1927, era guindado ao cargo de Presidente da Câmara e Agente Executivo do município, em eleição em que conseguiu toda a votação da oposição, que à época se mostrava tenazmente contrária à política dominante no município, mas que não regateava aplausos à figura de Cel. José Mendes.
Aceitou ele o cargo com um fito: trabalhar. Dias após à posse, punha-se em campo, percorrendo todo o município, sentindo as faltas e atendendo às reclamações de seus co-munícipes. Pôs mão à obra. Determinou completa remodelação na Praça Daniel Sarmento, no Largo da Estação, o abaulamento das ruas, cuidou do ensino principalmente. Foi até Belo Horizonte e lá obteve do Governo Estadual a promessa, que poucos dias depois se tornava realidade, da construção do novo prédio para o Grupo Escolar Cel. José Brás, empréstimo para calçamento das ruas centrais da cidade, construção de três pontes de cimento armado e muitas outras realizações.
Necessitava, para a construção do novo prédio do grupo, da remoção do Cruzeiro, que ali se levantava, que deveria ser removido para outro local. Havia, no entanto, na época, uma lenda: quem arrancasse ou mandasse arrancar, dali o cruzeiro morreria repentinamente. Homem de profunda formação religiosa, não temeu as ameaças. Mandou se procedesse à remoção.
Entretanto, às 14 horas do dia 1 º de Maio de 1928 - Dia do Trabalho - falecia repentinamente o Coronel José Mendes. Morria um homem do trabalho.
Dez dias depois, cumprido o que ele determinara era removido o cruzeiro para o local, que ainda hoje ocupa, entre o Hospital e a Igreja do Rosário.
O nome do Coronel José Mendes não poderia ficar no esquecimento. A posteridade reverenciar-se-ia ante seu túmulo.

MEMÓRIAS DE NOSSAS PRAÇAS: A Praça 13 DE MAIO E DR. CARLOS ALVES


Quando em 7 de janeiro de 1883 se instalava o município de São João Nepomuceno, muitas das vias públicas que rasgavam a cidade, já tinham denominação oficial. Eram assim as Ruas Coronel José Dutra, a Duque de Caxias, a de Nazareth, a Visconde do Rio Branco e muitas outras.
A pracinha onde se ergue o antigo edifício do Fórum e onde é hoje o Ginásio Dr. Augusto Glória, era conhecida como Largo Municipal e aquela em que se levanta o Grupo Escolar Cel. José Brás denominava-se Largo do Rosário.
Em uma das reuniões da Câmara Municipal, justamente a que se realizava em 12 de junho de 1889, alguns meses, portanto, antes da Proclamação da República, o vereador Dr. Henrique Vaz propôs e obteve a aprovação de seus pares, que, ao primeiro daqueles logradouros públicos, se desse o nome de Praça da Inconfidência e, ao segundo deles, o de Praça 13 de Maio.
Eram homenagens a dois momentos históricos da vida política nacional. De um lado reverenciava-se o movimento que fora o pródomo de nossa libertação e o segundo – a assinatura da Lei Áurea.
Um fato, no entanto, ocorreu e que alteraria por completo a estrutura da vida municipal. Desaparecida em 6 de fevereiro de 1896, em Barbacena, o Dr. Carlos Ferreira Alves, senador estadual, de quem o consagrado missionário Pe. Júlio Maria se referia com estas palavras.
"O mesmo Deus, que diz no Evangelho não haver maior prova de amor, que darmos por outrem a nossa vida, não contemplou sem compaixão, é certo, o médico sublime, que sacrificou a uma cidade sua mulher, seus filhos, sua própria vida", e que fora, como o é até hoje, a maior figura do cenário político são-joanense. Seu nome, na agitação da vida moderna, de quando em quando cai no olvido. Mas, quando se o retrata, ressurge, exuberante, em toda a sua grandeza, para se mostrar à posteridade, com todas as suas dimensões.
Entre as inúmeras provas de respeito e de saudade tributadas à sua memória, destaca-se a da colocação de seu nome em uma de nossa vias públicas.
Foi por isso que, em 1896 mesmo, se dava à então Praça da Inconfidência o nome de Praça Doutor Carlos Alves.
A sua irmã gêmea – a 13 de Maio – vivia uma vida diferente. O tempo, que tudo destroi, também fazia desaparecer a Igreja do Rosário, o velho Cruzeiro o antigo Cemitério, que ali havia. Algumas casas, casinhas pobres, davam-lhe ainda sinal de vida. Enquanto lá nas grimpas da Matriz voltavam-se os olhos para as cousas do alto, cá em baixo, na 13 de Maio, as cousas terrenas mereciam maior atenção.
Eis senão quando, em 7 de setembro de 1926, assoma o Governo do Estado o Presidente Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, nome que dividia a opinião pública local. Em mal pensado momento, um grupo de são-joanenses julgou dever mudar, "ad-referendum"do poder político, o nome da Praça 13 de Maio para "Praça dos Andradas". O fato, o mais lamentável da vida pública municipal, que deixaria o nome da cidade gravado na história de Minas, se escreveu com letras de sangue. Vidas preciosas se perderam, fato que se deveu à falta de serenidade dos homens públicos de nossa terra, que se deixaram levar pelos impulsos momentâneos, pelo desvario das multidões. Foi o marco, em última analise, mais doloroso da vida de São João Nepomuceno. Mas de pé, permaneceu o nome de Praça 13 de Maio.
Um fato curioso e até mesmo extravagante ocorria na toponímia em São João. Enquanto a Praça 13 de Maio se erguia majestosamente o busto de Cel. José Brás de Mendonça, na Praça Cel. José Brás se levantava imponente a herma de Carlos Alves; por seu turno, a Praça Carlos Alves estava de busto desnuda...
Nós mesmo, através as colunas de "Voz de São João", teríamos críticas ao fato e chamávamos a atenção dos ilustres vereadores à Câmara Municipal, mostrando as dificuldades e a confusão que gerava no espírito da nossa gente com aquela anomalia.
Atendendo aos nossos reclamos, o vereador Dario de Castro Medina apresentou à Câmara Municipal um projeto, que se transformou na lei n. 117, de 14 de fevereiro de 1953, harmonizando a situação. Assim, a antiga Praça Dr. Carlos Alves passou a se chamar 13 de Maio, aquela em que se ergue a figura em bronze de Cel. José Brás recebeu o seu próprio nome; e aquela que trazia o nome do antigo político são-joanense, mas, que tem a embeleza-la o trabalho do consagrado professor Correia Lima, teve o nome de Praça Dr. Carlos Alves.

Autor do texto:Dr.José de Castro Azevedofoto


1 : Praça 13 de Maio - acervo Eduardo Ayupefoto

2 : Praça Dr. Carlos Alves - acervo José Carlos Barroso

MEMÓRIAS DE NOSSAS PRAÇAS: As Praças Dr. Augusto Gloria e Barão do Rio Branco


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
Autor: Dr. José de Castro Azevedo
Quando se aproximavam os últimos dias do Império, nitidamente delineavam em nossa Câmara Municipal duas correntes a dos Conservadores e a dos Republicanos.
Entre esses se destacavam o Dr. Henrique Vaz, que posteriormente se projetaria na política estadual, e o Sr. Prestes Pimentel. Por seu turno, no cenário estadual fulgurava o vulto do Conselheiro Joaquim Saldanha Marinho, que provincial de Minas Gerais. Ressalta-se que Saldanha Marinho ao lado de Quintinho Bocaiuva e Salvador de Mendonça, iniciara o movimento republicano no Brasil. Saldanha Marinho era influente figura no meio maçônico, já tendo ocupado o cargo de Grão-Mestre, pelo que possuía em São João um elevado número de admiradores e de seguidores de suas pregações. Assim é que, na sessão da Câmara, realizada em 20 de agosto de 1889, os então vereadores Dr. Henrique Vaz e Prestes Pimentel apresentavam um projeto em que mandavam se desse o nome de Saldanha Marinho à Praça da Estação. Aprovado o projeto, ao homenageado se deu conhecimento da lei, o que levou Saldanha Marinho a se dirigir à Câmara Municipal, por carta de 9 de outubro do mesmo ano, em que dizia que "a homenagem é um grito aos são-joanenses para que se aliem àqueles que se batem pelos postulados de uma nova ordem, que se espera haver de vir". Realmente, um mês depois, raiava a República. Quem se der ao trabalho de folhear álbuns daquela época verá gravado o nome de Saldanha Marinho na Praça, ao lado de amplos coqueiros, a lhe delinear os contornos. Em 1895, Saldanha Marinho era levado à sepultura. Pouco depois era esquecido pelos são-joanenses.
Por outro lado, desde os princípios do século XX um nome começava a surgir na política são-joanense: o de Doutor Augusto Glória Ferreira Alves. Em 1901, já empossava ele no cargo de Agente Executivo, com um asto plano de governo. Vencido o seu mandato, quis o povo testemunhar-lhe seu reconhecimento. Tanto assim que, em sessão de 1 º de dezembro de 1906, do legislativo municipal, os vereadores Vicente da Costa de Oliveira, Sebastião de Souza Lima e Antônio da Fonseca Lobão apresentavam à Câmara um projeto, que se transformaria na lei 291, de 6 do mesmo mês , no qual o nome da Praça Saldanha Marinho era mudado para Praça Dr. Augusto Glória.
E assim foi até 1917. Naquele ano, em uma das reuniões da edilidade, o vereador doutor Augusto Glória requereu fosse substituída a denominação do logradouro público que tinha o seu nome pelo do grande brasileiro – o Barão de Rio Branco. Devotava doutor Glória profunda admiração pela figura daquele grande estadista e cultuava, respeitosamente, sua memória. Lido o projeto contra ele protestou, em uníssono, toda a Câmara. E a cidade se levanta em coro contra aquele ato. Um abaixo-assinado corre nossas ruas, procurando fulminar o projeto. Tudo em vão. Inflexível permanece Dr. Glória. Para contornar a situação, o vereador dr. Antonio de Moraes Sarmento apresenta emenda ao projeto: que se desse o nome do Barão do Rio Branco à Praça 13 de Maio, mas, que se mantivesse o nome aureolado de Dr. Glória na antiga Praça Saldanha Marinho. Dr. Glória não sabia transigir, se bem pregasse até o fim de sua vida que a política era a ciência de se saber transigir... Parece-nos vê-lo, ainda metido em seu impecável terno de linho branco, colarinho alto, bengala castão de ouro, o rosto a arder em fogo, dedo em riste. Exigia de seus pares a aprovação da proposição, pois "eram irrevogáveis os motivos que o levaram à apresentação daquele projeto e pedia a seus colegas vereadores que o aprovassem por uma consideração à sua pessoa." Diante mesmo de uma possível renúncia à sua cadeira, capitulou a Câmara. Daí o decreto 48, de 13 de outubro de 1917, que mudava para Praça Barão do Rio Branco a denominação da Praça Doutor Augusto Glória.
Em 1946, ocupava o cargo de Prefeito Municipal de São João Nepomuceno o Dr. Francisco Zágari, que se achava ligado à veneranda figura de Dr. Glória pelos mais afetivos laços de estima. Já trôpego, admirava-se nossa gente em ver aquele velhinho de 82 anos de idade quase diariamente, subir a ladeira que demanda o Ginásio para ainda exercer, com profunda serenidade o cargo de fiscal federal junto ao Ginásio S. João e à Escola de Comércio. Por isso mesmo, em 15 de agosto, quando completava Dr. Glória 82 anos de vida, Dr. Zágari, de acordo com as normas então vigentes, apresentou ao Conselho Administrativo do Estado um projeto, com ampla justificativa, de nossa autoria, em que se dava o nome daquele antigo político à praça existente nesta cidade "entre a Praça Cel. José Brás e a Avenida Dr. Carlos Alves, em frente à estação da ferrovia Leopoldina", vale dizer, desmembrando a Praça Barão do Rio Branco em duas partes, a superior e a inferior da linha férrea. Em brilhante parecer do Conselheiro Dr. José Celso Valadares Pinto, com o apoio unânime do Conselho foi aprovado o Decreto-Lei n. 85, que daria o nome de Dr. Augusto Glória, à praça fronteiriça de um lar onde viveu toda a sua existência uma das mais queridas figuras são-joanenses, um fluminense, que, como poucos desta terra, tanto engrandeceu e amou.

MEMÓRIAS DE NOSSAS PRAÇAS: A Praça Floriano Peixoto

Crédito: A foto acima pertence a sjonline.com.br


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."



(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39, e no Jornal Voz de São João).



Quando se comemorava o Cinqüentenário da Proclamação da República Brasileira, um movimento patriótico, sob a inspiração do Governo Federal, sacudiu o país de norte a sul. Visava a salientar-se a figura de Floriano Peixoto, a quem a História houvera cognominado de Consolidador da República
São João não se equivocou àquelas homenagens ao Marechal de Ferro e ligou seu nome ao Largo existente no princípio da Rua Capitão Braz, entre esta e a linha férrea da Leopoldina. Para tanto, pelo decreto nº 32, de 14 de novembro de 1939, o prefeito Agenor Henriques Soares manifestou-se favorável à sugestão do poder público federal.


Praça Floriano Peixoto - o mais interessante é que no local não existe uma praça.


São unânimes em afirmar os historiadores que, apesar de tantos anos passados, ainda dividem-se os brasileiros em duas correntes, na apreciação da personalidade do Marechal Floriano Peixoto à daqueles que o julgam um traidor do Trono, "que faltara à confiança de Ouro Preto, que falhara no cargo em que estava, que não cumprira com seu dever de defender o governo, que confiava inteiramente em sua atuação", e a outra - a dos florianistas, os republicanos, para quem era "o herói, que evitara derramamento de sangue que impedira uma luta fratricida e que, em dado momento, conseguira salvar a República, conseguira consolidar a República. ("A História do Brasil", de Sérgio D. T. Macedo)
Era Floriano Peixoto um alagoano desconfiado, ensimesmado, de pouca cultura e se houvera distinguido nos campos de batalha, principalmente na Guerra do Paraguai. Euclides da Cunha já o chamara de Esfinge.
Salienta-se que Floriano era pessoa de confiança de Ouro Preto, presidente do último Conselho de Ministros, no Império, ocupando o elevado cargo de Ajudante General do Exército, alías, diga-se, o mais elevado cargo de confiança do governo. Acredita-se, no entanto, que estivera envolvido na trama que desejava a queda da Coroa, usando, para isso, de métodos de dissimulação, só exteriorizando sua real posição no instante em que caía o regime.
Sucedeu ao Marechal Deodoro da Fonseca na Presidência da República, na qualidade de Vice-Presidente, e sua atuação, naquela fase da vida nacional, foi das mais brilhantes.
Assim é que terminada sua posse, levantou o estado de sítio, que Deodoro havia decretado, restabelecendo o Congresso, dissolvido por seu antecessor, determinando que o mesmo voltasse a se reunir. Ao assim proceder, fazia desaparecer as áreas de atrito, permitindo o retorno da paz aos lares brasileiros.
Mas, se por um lado assim agia, por outro, não deixava esconder o espírito ditatorial de que era possuído, provocando a queda dos governos estaduais, substituindo-os por militares. Com isso, os pontos de fricção ressurgiram. Cindiu-se o Congresso Nacional. Movimentos de insurreição despontaram. A rebelião das Fortalezas de Santa Cruz e da Laje é uma das provas disso. Depois veio a rebeldia no Rio Grande do Sul. O levante da Marinha, sob o comando do Almirante Custódio José de Melo, e a adesão posterior de Saldanha da Gama, comandante da Escola Naval, foi outro movimento sedicioso que assinalou o Governo de Floriano Peixoto.
Registra a História os atos de selvageria que foram utilizados pelas tropas florianistas - verdadeiras chacinas, não se podendo mesmo esconder os pelotões de fuzilamento, que tiveram por palco o Estado do Paraná.
Todas essas rebeliões foram sufocadas por Floriano Peixoto com um pulso férreo, com uma vontade férrea, surgindo daí, para ele, o cognome de Marechal de Ferro. Não fora assim, pode-se mesmo até admitir a volta ao regime anterior, o retorno ao regime imperial. Mas, a decisão firme de nosso segundo Presidente permitiu que a República se firmasse, se consolidasse. Passou, por isso, à História como o Consolidador da República. A Deodoro cabem as glórias da Proclamação, da implantação de um novo regime, a Floriano - a Consolidação dele.

MEMÓRIAS DE NOSSAS PRAÇAS: A Praça Coronel José Braz

NOTA: Onde hoje é a Praça Dr. Carlos Alves, era a Praça Coronel José Braz







Texto de autoria de Dr. José de Castro Azevedo(Lido em 29/08/1964, às 18:25, nos microfones da ZYV-39 e publicado no Jornal Voz de São João)


Já contamos, em trabalho anterior, porque se chama, assim, hoje, a praça Doutor Carlos Alves. Como se sabe, esse não era, no passado, o seu nome.
Nos idos de 1901, a cidade oferecia aspecto diferente. Na confluência das Ruas Cel. José Dutra (Rua do Sarmento), Capitão Brás, Duque de Caxias e Heleno de Freitas, havia uma pracinha, onde, de acordo com os projetos traçados, se ergueria um dia um marco à memória de Carlos Alves. Era o Largo Triangular. Amplo arvoredo, cuidadosamente tratado dava-lhe encanto especial. Um majestoso gradil impedia-lhe o acesso público. Nivelara-se o Largo Triangular, de modo que a parte que fazia frente para a Rua Capitão Brás ( Rua do Totó) atingia elevada altura.

Pois bem. Em reunião da edilidade local, por proposta do então Agente do Executivo, nome que recebia o Prefeito Municipal daquela época, foi solicitado se desse o nome de "Coronel José Brás" àquele logradouro público. No ano anterior, vale dizer, em 1900, o Cel. José Brás houvera obtido uma das mais estrondosas vitórias na política municipal, pois, com o seu prestígio e tendo como bandeira o nome de Dr. Augusto Glória Ferreira Alves, obtivera a eleição desse homem público para o cargo de Agente do Executivo, derrotando as poderosas forças que apoiavam o nome de Eugênio Duarte da Silva Paiva àquele cargo. Também alcançava-se pela primeira vez, e naquele pleito, grande vitória em Santa Bárbara, hoje Carlos Alves, distrito em que o situacionismo era sempre derrotado. Tudo isso fazia polarizar sobre a figura de Cel. José Brás, que contava cerca de 50 anos de idade, as simpatias, a admiração e o respeito de seus concidadãos, que o levaram então à Presidência da Câmara Municipal.
Apresentada a proposta do Dr. Glória, contra ela se rebelou o próprio Cel. José Brás. Desejava ele, por modéstia ou por política que se desse o nome de Silviano Brandão à mesma Praça, ao invés do dele.
O doutor Francisco Silviano Brandão era o então Presidente do Estado de Minas Gerais, médico notável e que exercia grande ascendência no alto conselho dos dirigentes do Partido Republicano Mineiro e da administração, partido a que aliás, se achava filiado o próprio Cel. José Brás.
Entretanto, o projeto obteve a aprovação geral da Câmara, sendo afinal sancionada a lei.

A praça, com o passar dos tempos, foi se embelezando. Graças a um inteligente plano de Dr. Glória foi ela remodelada. Baixou-se lhe o nível e se lhe deu uma acentuada inclinação. Tirou-se lhe o amplo gradil, que circundava toda a praça e se o reduziu a uns poucos metros, em torno do busto de Carlos Alves. Procedeu-se ao ladrilhamento da Praça com meticulosodades tão próprias daquele saudoso administrador. E em 1915 era inaugurado ali o busto de Carlos Alves resultado de uma ampla subscrição popular. Do Rio, da Fundição Indígena, vieram os bancos de ferro e os artísticos postes em bronze, perfeitamente iguais àqueles que ornamentam a entrada do Palácio do Catete, na antiga Capital da República. Trabalhosa mesmo fora a colocação dos postes. Com que entusiasmo doutor Glória, recapitulava para nós a colocação deles... Dera tanto trabalho... Entendia o técnico no assentamento que os "abat-jours" deveriam jogar a luz para baixo, num verdadeiro chuveiro de "feerie, enquanto o administrador julgava que as luzes jorrariam para o alto. Diante do impasse só uma solução havias: a ida de um emissário ao Rio, para exata verificação, o que se fez, com a vitória do ponto de vista do Dr. Glória: realmente a luz se dirigia para o alto!
Mais tarde, para que se harmonizasse a nomenclatura de nossas praças, foi votado o projeto Dario Medina, transformado na lei 117, de 14 de fevereiro de 1953, dando-se o nome de Carlos Alves à então praça Cel José Brás.
Hoje, é um dos pontos de reunião de nossa cidade principalmente na época das campanhas políticas, pois ali se realizam os tradicionais comícios junto ao busto do grande são-joanense – o Doutor Carlos Alves, que, infelizmente, aqui não nasceu e nem tão pouco aqui repousam os seus restos mortais.






MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: A Rua Barão de São João

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições"
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 19/09/1964, às 18:25, nos microfones da ZYV-39 e publicado em Voz de São João).
A denominação de "Rua Barão de São João", dada a uma das mais antigas vias públicas de nossa urbe, ao que nos parece, remonta ao oitavo decênio do século XIX, quando São João Nepomuceno ainda não vestia as roupagens de cidade. Não existem nos arquivos municipais elementos que induzam afirmação em sentido contrário. Quem foi o Barão de São João ou, como mais corretamente o denominaram os juizforenses, o Barão de São João Nepomuceno?
Rua Barão de São João
Foi ele o Desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, mineiro natural de Rocinha da Negra, localidade situada às margens do Rio Paraibuna, à época pertencente ao município de Barbacena e, posteriormente, ao de Juiz de Fora. Filho de José de Cerqueira Leite e de D. Ana Maria da Fonseca, nasceu o Barão de São João a 28 de junho de 1.807. Diplomou-se em direito em 1.833, sendo nomeado juiz municipal de Barbacena. Posteriormente foi nomeado juiz de direito de Sabará e, de lá, removido para sua primitiva comarca. Pelo seu valor moral, pelos seus profundos conhecimentos jurídicos, foi em 1.854 nomeado Desembargador do Tribunal da Relação de Pernambuco, no qual se aposentou sem vencimento por não desejar transferir-se de sua terra natal.
Um dos traços marcantes de sua personalidade, de sua fibra, está no fato de que, mesmo como magistrado, militava às escâncaras na política, como membro do Partido Liberal, sem que com isso enodoasse sua toga. Teve assento como deputado, na Assembléia Legislativa Provincial, por várias vezes, e na Assembléia Geral, de 1.838 a 1.848, como representante de Minas Gerais.
Pouco a pouco foi-se irradiando o seu valor, impondo-se perante os co-estaduanos, até que atingiu as culminâncias ao assumir a Presidência da Província, no período compreendido entre 26 de setembro de 1.864 e 18 de dezembro de 1.865. Relembre-se que nesse período achava-se o Brasil em guerra com o Paraguai, cabendo ao Barão de São João Nepomuceno, à época apenas Desembargador Cerqueira leite, enviar tropas provinciais ao campo de batalha, conseguindo arregimentar de 5.650 a 6.000 voluntários.
Depois disso, recolhia se ele a seus penates, dedicando-se ao trato da lavoura, e, como ele próprio dizia "na leitura dos livros, que ainda não me desgostaram, neste sítio da Gruta". E numa confissão que era a síntese de sua própria vida: "Não corrompi a ninguém, não pratiquei violências, naquela época anormal", como se poderá verificar em seu testamento.
Mais tarde foi Presidente da Diretoria da Estrada de Ferro União Mineira, depois incorporada à Empresa Leopoldina, que viria posteriormente ser a Estrada de Ferro Leopoldina. É desse momento de sua vida que lhe veio o título nobiliárquico, que lhe concederam.
De acordo com os planos traçados pela engenharia, na altura do hoje chamado "Quilômetro 44", na confluência dos atuais municípios de Bicas, Mar de Espanha e Guarará, declinaria a ferrovia para a direita, entrando pelo município de Guarará, passando por Maripá, sem descer a íngreme serra, que ali perto se levanta. Acontece, porém que a isso se opusera opulento fazendeiro daquele município, porque a passagem dos trilhos da estrada de ferro pelos seus terrenos os desvalorizaria, os inutilizaria, no seu entender. A solução seria, então, descer a serra. Mas, e os recursos financeiros para esse empreendimento? Para se solucionar o impasse, as figuras mais destacadas deste municípios e de Bicas se cotizaram e foram levar a Cerqueira Leite o numerário bastante para concretizar o ideal: ver varadas as terras são-joanenses e biquenses pela própria civilização, pelo caminho de ferro, permitindo se, assim fazer face à despesa com o caminhamento pela serra. Soma-se a isso o empenho de Cerqueira Leite em ver a Leopoldina atingindo nosso município, o que realmente se conseguiu com a inauguração da estação local em 24 de junho de 1.880.
O reconhecimento de nosso povo se fez sentir. Foram os são-joanenses até Sua Alteza – O Imperador Dom Pedro II e dele solicitaram concedesse ao Desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite o título de Barão de São João Nepomuceno, com o que realmente foi agraciado.
O Barão de São João veio a falecer em 24 de fevereiro de 1.883.
Homem de grande cultura, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas, não se sabe se mais há de admirar nele a integridade moral, o saber, ou a modéstia, elevada a último grau. A denominação de "Rua Barão de São João", dada a uma das mais antigas vias públicas de nossa urbe, ao que nos parece, remonta ao oitavo decênio do século XIX, quando São João Nepomuceno ainda não vestia as roupagens de cidade. Não existem nos arquivos municipais elementos que induzam afirmação em sentido contrário. Quem foi o Barão de São João ou, como mais corretamente o denominaram os juizforenses, o Barão de São João Nepomuceno?
Rua Barão de São João
Foi ele o Desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, mineiro natural de Rocinha da Negra, localidade situada às margens do Rio Paraibuna, à época pertencente ao município de Barbacena e, posteriormente, ao de Juiz de Fora. Filho de José de Cerqueira Leite e de D. Ana Maria da Fonseca, nasceu o Barão de São João a 28 de junho de 1.807. Diplomou-se em direito em 1.833, sendo nomeado juiz municipal de Barbacena. Posteriormente foi nomeado juiz de direito de Sabará e, de lá, removido para sua primitiva comarca. Pelo seu valor moral, pelos seus profundos conhecimentos jurídicos, foi em 1.854 nomeado Desembargador do Tribunal da Relação de Pernambuco, no qual se aposentou sem vencimento por não desejar transferir-se de sua terra natal.
Um dos traços marcantes de sua personalidade, de sua fibra, está no fato de que, mesmo como magistrado, militava às escâncaras na política, como membro do Partido Liberal, sem que com isso enodoasse sua toga. Teve assento como deputado, na Assembléia Legislativa Provincial, por várias vezes, e na Assembléia Geral, de 1.838 a 1.848, como representante de Minas Gerais.
Pouco a pouco foi-se irradiando o seu valor, impondo-se perante os co-estaduanos, até que atingiu as culminâncias ao assumir a Presidência da Província, no período compreendido entre 26 de setembro de 1.864 e 18 de dezembro de 1.865. Relembre-se que nesse período achava-se o Brasil em guerra com o Paraguai, cabendo ao Barão de São João Nepomuceno, à época apenas Desembargador Cerqueira leite, enviar tropas provinciais ao campo de batalha, conseguindo arregimentar de 5.650 a 6.000 voluntários.
Depois disso, recolhia se ele a seus penates, dedicando-se ao trato da lavoura, e, como ele próprio dizia "na leitura dos livros, que ainda não me desgostaram, neste sítio da Gruta". E numa confissão que era a síntese de sua própria vida: "Não corrompi a ninguém, não pratiquei violências, naquela época anormal", como se poderá verificar em seu testamento.
Mais tarde foi Presidente da Diretoria da Estrada de Ferro União Mineira, depois incorporada à Empresa Leopoldina, que viria posteriormente ser a Estrada de Ferro Leopoldina. É desse momento de sua vida que lhe veio o título nobiliárquico, que lhe concederam.
De acordo com os planos traçados pela engenharia, na altura do hoje chamado "Quilômetro 44", na confluência dos atuais municípios de Bicas, Mar de Espanha e Guarará, declinaria a ferrovia para a direita, entrando pelo município de Guarará, passando por Maripá, sem descer a íngreme serra, que ali perto se levanta. Acontece, porém que a isso se opusera opulento fazendeiro daquele município, porque a passagem dos trilhos da estrada de ferro pelos seus terrenos os desvalorizaria, os inutilizaria, no seu entender. A solução seria, então, descer a serra. Mas, e os recursos financeiros para esse empreendimento? Para se solucionar o impasse, as figuras mais destacadas deste municípios e de Bicas se cotizaram e foram levar a Cerqueira Leite o numerário bastante para concretizar o ideal: ver varadas as terras são-joanenses e biquenses pela própria civilização, pelo caminho de ferro, permitindo se, assim fazer face à despesa com o caminhamento pela serra. Soma-se a isso o empenho de Cerqueira Leite em ver a Leopoldina atingindo nosso município, o que realmente se conseguiu com a inauguração da estação local em 24 de junho de 1.880.
O reconhecimento de nosso povo se fez sentir. Foram os são-joanenses até Sua Alteza – O Imperador Dom Pedro II e dele solicitaram concedesse ao Desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite o título de Barão de São João Nepomuceno, com o que realmente foi agraciado.
O Barão de São João veio a falecer em 24 de fevereiro de 1.883.
Homem de grande cultura, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas, não se sabe se mais há de admirar nele a integridade moral, o saber, ou a modéstia, elevada a último grau.

MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: A Rua e a Praça Daniel Sarmento

Foto da Praça Daniel Sarmento em 1016





"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”


(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39, Rádio Difusora e publicado em VOZ DE SÃO JOÃO).


Se se constituísse um quadro de benfeitores do município de São João Nepomuceno, formado por filhos de outras plagas, que para aqui vieram trabalhar pelo engrandecimento deste pedaço de Minas, o nome de Daniel de Moraes Sarmento Júnior se colocaria na primeira linha
Natural do município de Rio Novo, onde nascera em 5 de novembro de 1864, vale dizer, há um século, desde cedo se empenhou na luta pela vida. Foi telegrafista da Estrada União Mineira, como foi agente da estação de Filgueiras. Entretanto, essa não era a sua verdadeira profissão. Tinha sonhos e aspirações mais altos.
Homem de profunda visão comercial, inaugurou em nosso meio um novo sistema de negócios: vender barato, mas só a dinheiro. Foi assim que fundou a Casa Sarmento, que abasteceria a cidade de gêneros, armarinho e etc., a preços tão baixos que carrearia para a nossa cidade o comércio das cidades vizinhas. Aquele seu estabelecimento comercial, situado à Rua Cel. José Dutra, tanto se popularizou que, extra oficialmente, ninguém conhece até hoje aquela via pública por outro nome que não seja "Rua do Sarmento" em razão de sua casa de comércio.
Aliando-se a outros idealistas, fundava em nossa cidade, em 20 de janeiro de 1894 uma sociedade, para o fabrico de tecidos de algodão, com um capital social de cento e trinta contos de réis, cabendo a presidência dela o Cel. José Brás de Mendonça e a gerência a Daniel Sarmento. Entretanto, dada a exiguidade do capital, teve pouco tempo depois, suas atividades paralisadas. No ano seguinte, aliando-se Daniel Sarmento a seus irmãos Francisco Daniel e Emydio conseguiu constituir a razão social: Fábrica de Tecidos Mineiros, de Sarmento Irmãos & Cia, da qual era presidente o Dr. Carlos Alves e que , em 9 de setembro de 1905, se transformava na Companhia Fiação e Tecidos Sarmento, da qual foi o incorporador e que até hoje é o orgulho de nossa cidade.



Foi Daniel Sarmento o precursor da iluminação eletrica em nossa terra, tendo para isto instalado uma rede de força, luz e telefone não só em sua grande industria, mas também para a sua residencia.




A par dessa atividade no campo industrial, não negou Daniel Sarmento sua colaboração no campo político, tendo sido eleito vereador à Câmara Municipal em 1º de novembro de 1897, pelo Partido Republicano, e em 1 º de janeiro do ano imediato, vice-presidente da mesma edilidade, sendo reeleito para esse cargo durante toda a legislatura. Votava o povo em seu nome novamente em 1900, reconduzindo-o ao legislativo municipal a este, por seus pares, à vice-presidência, lugar em que foi conservado até o término de seu mandato.
Faleceu Daniel Sarmento, em 17 de dezembro de 1908, vítima de terrível uremia.
Quando se encontrava à testa do executivo municipal o Dr. Augusto Glória Ferreira Alves, nos idos de 1901, foi proposto pelo então Agente Executivo se desse o nome de Praça Daniel Sarmento à então Praça da Indústria, situada na parte fronteira da Fábrica de Tecidos. Recebia, em vida, Daniel Sarmento a consagração de um povo. Por outro lado , em 1915, quando Agente Executivo o Dr. Péricles de Mendonça, sem maiores solenidades era inaugurado o busto em bronze de Daniel Sarmento, artístico trabalho do professor Correia Lima, bronze que se assenta sobre um pedestal de granito.
A época era a praça circundada por um artístico gradil, que contornava toda a parte externa, e em seu interior bem trabalhados bancos de ferro, de fabricação da Fundição Indígena, do Rio de Janeiro, trazendo em seu centro um repuxo.
À direção da Fábrica ficaria entregue, por longos anos, a conservação daquele logradouro público. Entretanto, a empresa se descuidava, dia a dia, de sua conserva, de modo que, na administração do Farmacêutico Agenor Henriques Soares, após entendimentos, foi retirado o gradil, abrindo-se ao público e se conservando condignamente, transformando-o num dos recantos aprazíveis de nossa cidade.
Nova homenagem se lhe prestou, quando, em sessão da edilidade, por indicação dos edis Vicente da Costa Oliveira, Sebastião de Souza Lima e Antônio da Fonseca Lobão, indicação essa transformada na lei n º 291, teve seu nome ligado a uma outra via pública, que até hoje se conserva, a Rua Daniel Sarmento. A razão dessa homenagem está no fato de que foi naquela rua o local em que instalou sua primeira casa comercial, justamente local em que é hoje a residência do Sr. Mauro Furtado e que girava sob a razão social de Correia Netto & Sarmento. Posteriormente é que a transferiria para a rua Cel. José Dutra, já sob a outra firma, instalando-se no prédio onde agora funciona a Casa São Vicente de Paulo.

MEMORIAS DE NOSSAS RUAS: Rua Joaquim Murtinho

Foto: Com os devios créditos a sjonline.com.br

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”



(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39, Rádio Difusora e publicado em VOZ DE SÃO JOÃO).

De quando em vez amigos nossos têm pedido que tracemos ligeira biografia da figura de Joaquim Murtinho praticamente desconhecida até mesmo dos meios intelectuais locais.
Lembraríamos primeiro as razões que levaram o Poder Público Municipal a dar a um de nossos logradouros o nome daquele que foi considerado como o salvador das finanças brasileiras, o mais notável financista de sua época.
Em 1948, o Instituto Histórico de Mato Grosso enviou um ofício a todas as comunas brasileiras, lembrando-as de que naquele ano se comemoraria o centenário de nascimento de Joaquim Murtinho e que o melhor meio de se reverenciar sua memória seria dar seu nome a uma das vias públicas da localidade. Ocupava a chefia do Poder Executivo, à época, o Prefeito Joaquim Ferreira Campos, que, pela Resolução nº 19, de 3 de novembro de 1948, mandava denominar Rua Joaquim Murtinho a via pública, em prosseguimento à Avenida Zeca Henriques, entre as Ruas Guarda-Mor Furtado e Comendador José Soares.
Falemos, então, rapidamente sobre ele. Seu nome completo era Joaquim Duarte Murtinho. "Doublé" de médico e de estadista não se pode dizer em qual dos ramos de atividade mais se projetou seu nome.
Era um matogrossense dos mais ilustres que já se firam naquelas plagas. Nascera em Cuiabá, em 7 de dezembro de 1848. Como médico, e médico homeopata alcançou renome como um dos mais notáveis clínicos da América. Dele disseram ao morrer: "O médico, em Joaquim Murtinho não era somente o cientista ilustrado, era sobretudo a extraordinária perspicácia, de tal acuidade era o seu tino, tal a sua penetração, que ele parecia adivinhar, às vezes, quando a propedêutica, com todas as suas regras de exame e de inquérito na busca do diagnóstico, conseguia gaguejar apenas. Daí a segurança de seus juízos; daí o estupendo e surpreendente de suas curas."
Foi Ministro da Fazenda no governo de Prudente de Morais, quando já quase se expirava o período governamental. O estado financeiro do país era calamitoso, em virtude da dívida dos credores ingleses. Estava o Brasil às portas da bancarrota.
Com a subida de Campos Salles ao poder, de novo foi-lhe entregue a pasta da Fazenda, no quatriênio que vai de 1898 a 1902. Um de seus biógrafos assim o retrata: "Era o momento da mais séria crise financeira e econômica do Brasil. Desacreditado e onerado o tesouro, incapaz de pagar os juros das dívidas, acorrentado por uma moratória e pela hipoteca das próprias rendas, descera o câmbio à taxa de 5.
Foi com tamanha responsabilidade que Joaquim Murtinho assumiu a pasta. Confiava em si e através de doestos, calúnias, contra uma oposição sistemática e intolerante, executou as suas idéias, e antes de três anos havia refeito o crédito, aumentado as rendas, elevado o câmbio à taxa de 14, reduzido o numerário excessivo e instituído os fundos de reserva e resgate do papel moeda. Recomeçou o pagamento dos juros e na segunda presidência pôde o país, sem nenhum estorvo, realizar as grandes obras de saneamento e aformoseamento da capital do país".
Faleceu Joaquim Murtinho em 17 de novembro de 1911 no Rio de Janeiro.
Como se está a ver, a homenagem, que se prestou a esse vulto tão pouco conhecido de nossa história pátria, fora das mais justas e seria, muito mais agora, do que à época em que foi prestada, como uma lembrança, como um aceno, àqueles a quem estão entregues a direção e a limpeza das finanças do Brasil, quando se põe em jogo no exterior, o nome de nossa querida Pátria, tão saudosa de uma política financeira à Joaquim Murtinho.


sábado, 20 de novembro de 2010

MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: Rua André Gotti




"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39, Rádio Difusora e publicado em VOZ DE SÃO JOÃO).

Crédito: A foto ao lado é do Site www.sjonline.com.br
No princípio deste século, no local em que se levantou o prédio da Escola Normal, abriam-se os braços de uma Cruz, a derramar suas benções sobre a cidade que crescia.
Os planos que vinham sendo traçados para a construção do edifício, obrigaram sua derrubada. Atiraram-na a um canto e ali a deixaram. Um jovem dotado de espírito profundamente cristão, via-a assim. Veio-lhe ao espírito fase de sua infância, quando a epidemia quase o levara ao túmulo, e dela se salvara graças às orações maternas. Prometia um dia reerguê-la. Com o tempo alicerçaram-se suas convicções religiosas. E foi assim que, mais tarde, auxiliado por sua irmã Sarah, saía às ruas da cidade a pedir um óbulo pra a igrejinha que iria construir, no alto de uma de nossas colinas, em louvor a Santo Antônio e que teria ao lado um cruzeiro. Realmente, na segunda década deste século , erguia-se a ermida que todos chamavam de Igrejinha do André Gotti. Ele mesmo a construíra com os conhecimentos que tinha da arte.
Homem dotado de uma fibra inquebrantável, sempre levou a termo todos os empreendimentos que lhe eram cometidos. Funcionário da Câmara Municipal, André Gotti impôs seu nome à posteridade chefiando a construção da estrada que liga São João a Rio Novo, obra concluída em 1922. A concretização deste empreendimento valeu-lhe não só aplausos populares, mas também as mais encomiásticas referências da imprensa carioca. O Instituto Técnico Industrial do Rio de Janeiro, pela realização desta obra, espontaneamente, aclamou-o membro daquela sociedade e lhe conferiu o diploma de 1ª classe, de acordo com o parecer da Diretoria de Estradas pela “excelente obra de engenharia” realizada. Vai mais além o Instituto. Exige dele a fotografia para estampá-la na primeira página de sua revista.

André Gotti, no entanto, vivia humildemente, metido no seu terno de brim cáqui, indiferente aos aplausos. Nada de exaltação. Nada de vanglória.

Chefe do Serviço de Obra, vivia pelas estradas a remendá-las, a reconstruí-las, a pô-las em condições de permitir a passagem de veículos e pessoas.

Na cidade era “pau pra toda obra’, falando menos e fazendo mais. Aliado à Congregação das Filhas de Maria, executou a bela gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em nossa Igreja Matriz, cópia fiel dos arredores da Capela de Lourdes, nos Pirineus, em território francês. Para aquela obra de arte teve a colaboração do pincel mágico de George Heughebaert, como de novo o viria ter, quando da construção da Capela de Nossa Senhora Aparecida”.

Aliado àquele artista, viria também em 1926, construir o majestoso “Arco de Triunfo”, quando da recepção ao Presidente Antônio Carlos, em visita à nossa cidade.A prefeitura de Rio Pomba, conhecedora de seu gosto artístico, de sua arte, de seu “savoir faire”, veio buscá-lo para a construção de um obelisco e um jardim, que ainda hoje ornamentam aquela próspera cidade.

E aquele velho funcionário, que viera de Rovigo, na Itália, com apenas oito anos de idade, se integrava, dia a dia, na comunidade são-joanense. Naturalizara-se brasileiro e trabalhou muito mais por esta terra do que muitos que tinha dever de fazê-lo.As pontes existem a mancheias para atestar sua atividade. Uma delas na rua que viria ter o seu nome, veio chamar, “Ponte André Gotti, numa homenagem em vida a um funiconário-dínamo, que não via horas de serviço, nem aguardava horário de expediente para o trabalho.

Faleceu André em 15 de maio de 1943 e era dado à sepultura no ‘Dia do Município”, justamente no dia daquele município que ele tanto amara e para o qual tanto trabalhara.Como honra ao mérito, ao ensejo de sua passagem pela Prefeitura Municipal, o Dr. Francisco Zágari baixou o decreto-lei nº 80, em 29 de setembro de 1946, dando o nome de André Gotti à via pública que liga a Rua Comendador José Soares à Guarda Mor Furtado.


MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: Rua Dr. Fortes Bustamante



CREDITO:
As fotos acima são do Site: www.sjonline.com.br (navegue )

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”

(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39, Rádio Difusora e publicado em VOZ DE SÃO JOÃO).

Quem se propuser a estudar a vida da cidade de São João Nepomuceno encontrará, em determinado momento, um vulto que, à proporção que vai sendo analisado, irá crescendo à vista do pesquisador. É o doutor Antônio Justiniano Fortes Bustamante.
O papel que aquele eminente médico representou, no combate às epidemias que aqui graçaram, ao lado de um trabalho de medicina preventiva de real proveito, é algo de admirável, de sobre-humano. Ombreia-se com Carlos Alves e outros vultos históricos. Seu nome tem sido, no entanto, relegado a plano secundário, quando em verdade, está na primeira linha dos benfeitores são-joanenses.
Quem ler os seus relatórios, compulsando a coleção de "O Município", jornal de então, sentirá, em toda sua grandeza, a enormidade de Fortes Bustamante.
Não era do nosso São João, mas sim do ‘Del Rei', onde nascera em 1837. Diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1865. Clinicou cerca de 25 anos na vizinha cidade de Rio Novo, onde ocupou cargos eletivos, com projeção. Em 1895 já estava em São João Nepomuceno exercendo, posteriormente, o cargo de suplente de juiz federal, de médico da Polícia e médico da Higiene, função criada pela Câmara Municipal para atendimento dos necessitados e para vacinação preventiva.
Mal chegado aqui irrompe a epidemia de febre amarela, dizimando vidas preciosas. Vê cair Carlos Del-Vecchio, médico ilustre. E dr. José Augusto Gomide que segue o mesmo destino. Depois é o grande Carlos Alves, que ainda "queria escrever a história, triste e lúgrube desta luta, que muito me tem servido para bem estudar a humanidade, que não supus tão pequena e tão egoísta". Um a um dos companheiros cai. E fica ele de pé a contar com umas poucas mãos de apóstolos, que o auxiliaram em sua sacrossanta missão. São dois anos de luta para afastar a morte e permitir a vida. E foi dessa época que lhe veio o apelido de ‘Médico da Pobreza', porque não via ele diferença entre os males dos nababos e os dos míseros indigentes que batiam à sua porta.
Cessada a hecatombe, ele não descansa. Põe em prática seus conhecimentos de medicina preventiva para que novas epidemias não voltassem a assolar esta terra, numa antevisão quase divina. Nem todos, porém, o ouvem. Nem todos querer seguir seus conselhos, tal como acontecia a Oswaldo Cruz. E de novo, em 1900, ressurge a febre amarela. Quatrocentos domicílios são visitados em São João, Descoberto e Rochedo. Ilustre colega contribui para que a moléstia se propague, porque não crê no quadro mórbido que se apresenta. Não cria fossem amarelentos os seus enfermos. Mas, infelizmente, certo estava Fortes Bustamante. A moléstia se propaga. Ficam a seu encargo 262 febrentos. Perde somente 14, vale dizer, pouco mais de 5% de doentes. A epidemia passa e os louros cobrem a fronte do já sexagenário médico.
Seu destino era, no entanto, lutar. Consegue, temeroso de novos males, o "trancamento do cemitério velho", para se usar uma expressão sua. Passam os sepultamentos a ser feitos no Cemitério Novo, local por ele estudado e que, à época, representava o ideal para a cidade. Mas, poucos anos são passados e uma nova epidemia surge. Agora é a varíola que dizima. Estamos em 1904. Sua atividade foi espantosa, como está a registrar a crônica da época. Sacrifica-se Fortes Bustamante em todos os terrenos para que o mal não prossiga. Luta dia e noite. É médico e enfermeiro. Sua saúde nada vale em comparação com a de seus semelhantes. Num gesto de nobreza, cede seu sítio e o transforma em isolamento dos doentes.
Foi assim, a vida de doutor Fortes Bustamante. Viveu por um ideal: a vida de seu próximo.
Quando em 12 de agosto de 1915 levaram seu corpo inerte para a sua última morada, no Cemitério Municipal, onde lá repousa, São João toda chorava!
Pela resolução nº 23, de 7 de outubro de 1937, assinada pelo Prefeito Agenor Henriques Soares, foi o seu nome dado à rua aberta e que liga a Coronel José Dutra à Avenida Zeca Henriques.

MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: A Rua Coronel José Dutra

A foto acima é de 1905 uma preciosidade pois o fotografo era o pintor belga são-joanense George Heughebaert, responsável por inumeras obras, perdidas atualmente, sendo uma apenas conhecida a de Mater Dolorosa, guardada a sete chaves.






"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”




(O texto abaixo é de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39 e publicado no Jornal VOZ DE SÃO JOÃO").

Quem leu as "Memórias da Rua do Ouvidor", de Joaquim Manoel de Macedo, e conhece a nossa Rua Coronel José Dutra, apelidada de Rua Sarmento, verá, guardadas as devidas proporções, que existe entre ambas uma certa afinidade, uma semelhança bem acentuada. Para o autor de "A Moreninha", é a "Rua Do ouvidor a mais passeada e corrida, a mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade. Em verdade, a nossa Rua Sarmento sempre foi o ponto de convergência de nosso povo, dos encontros programados ou previstos. É ali, desde o princípio deste século, o local preferido para o footing, à noite, de nossa mocidade, das moçoilas casadoras, do bate-papo do fim do dia. Para ela se convergiu a parte mais importante do comércio local. A Origem de seu nome se perde pelo século XIX pois, é certo que, na documentação se refere ao ano de 1889, já se encontra sua toponímia como sendo Rua Coronel José Dutra. A instalação naquela rua, da firma comercial de Daniel de Moares Sarmento, no prédio onde estão hoje a Casa São Vicente de Paulo e o Bar Dia-e-noite, fez apagar bastante o nome primitivo da rua, para em seu lugar, surgir a Rua Sarmento, fenômeno esse que se repete com outros logradouros de nossa cidade.


Mas, quem foi o Coronel José Dutra?

O Coronel José Dutra Nicácio foi um chefe político de enorme prestígio, que militou nas fileiras do Partido Liberal. Quando o Partido Liberal Mineiro ("Genealogia dos Fundadores de Cataguazes, de Arthur Resende) orientado por Teófilo Ortoni se- rebelou contra o governo em 1842, o Cel. José Dutra chefe em São João Nepomuceno, e seu cunhado Cel. João Bento Pereira Salgado, chefe no Pomba, trataram de reunir forte contingente para auxiliar os rebeldes e só não entraram em luta pelo motivo da derrota dos rebeldes em Santa Luzia, pelas forças de Caxias,..."ambos foram perseguidos e ameaçados de processo do qual se livraram em virtude da anistia então concedida."
Era o Coronel José Dutra natural do distrito de Lamim, município de Queluz, tendo nascido em 13 de abril de 1796 e batizado em 14 de março de 1797.
Foi casado, em primeiras núpcias, com D. Antônia de Lopes Dutra, com quem teve sete filhos; em segundo matrimônio com D. Antônia Vieira de Silva Pinto, ou D. Antônia Maria de São José, que veio a falecer devido ao impacto sofrido com o movimento revolucionário de 1842, e com ela houve uma única filha, e , finalmente, com D. Joaquina Medina Dutra, de cujo enlace nasceram três descendentes. Possuiu aqui a Fazenda do Ribeirão, nas proximidades da cidade. Fundou, no Espirito Santo, o Arraial de São José dos Calçados, hoje florescente cidade capixaba. Faleceu em 23 de Janeiro de 1873 em nossa cidade, quando contava setenta e sete anos de idade, sendo inumado no chamado Cemitério Velho, onde se encontra até hoje, sua sepultura. É ele o tronco da família Dutra em nossa cidade.
Salienta-se que a patente de "Coronel" que lhe deram, lhe foi concedida no Pomba, pelas tropas rebeldes, como comandante de uma das Legiões, que lá se formaram.
Inegável era o prestígio que desfrutava o Coronel José Dutra, mas a Revolução de 1842 desgastou-o sobremaneira, de modo que, só com o passar dos tempos, pôde de novo congregar em torno de sua pessoas os elementos que o apoiariam em sua carreira política, recuperando-o novamente e conseguindo o lugar de vereador à Câmara Municipal.
Para que se possa ter realmente uma idéia perfeita do papel representado por Coronel José Dutra, necessário se torna a leitura da História do Movimento Político, que no ano de 1842 teve lugar na Província de Minas Gerais, do Cônego José Antônio Marinho onde se retrata com bastante fidelidade aquela fase da vida do Estado e de nosso Município.Temos para nós que foi o Coronel José Dutra a primeira figura que fez sair do anonimato o nome de São João Nepomuceno, um rincão, àquela época, quase desconhecido.

NOTA: Atualmente parte da Rua Coronel José Dutra abriga o Calçadão da cidade. Os estabelecimentos comerciais citados no texto do Dr. José de Castro Azevedo já não existem mais, bem como o Cemitério antigo, que ficava situado no Largo da Matriz, nos fundos do Parque de Exposições.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ORQUESTRA ELDORADO ORGULHO DA GARBOSA


Por Nei Medina


Bons tempos!

Bailes com orquestras; espetaculares orquestras. Aqui em São João Nepomuceno, a Orquestra Eldorado iniciou suas atividades nos anos 40. Meu Tio, João Baptista Furlan, músico, arranjador e pistonistas dos melhores, começou sua carreira na na Orquestra Eldorado no início dos anos 50 com apenas 17 anos. Orgulhoso, me conta muitas histórias relacionadas à Orquestra. Diz que na antiga linha férrea, de Ponte Nova ao Rio de Janeiro, a Orquestra tocou em praticamente todas as cidades. Além do Carangola Tênis Club, Petropolitano, Hotel Quitandinha, São Paulo, Uberlândia...Um fato marcante foi se apresentar(anos 50) no Petropolitano, sábado de carnaval.

A capital da República era o Rio de Janeiro, e nesta época, era costume fazer 4 bailes de Gala: sábado no Petropolitano; domingo no Hotel Glória; segunda no Hotel Quitandinha e finalmente na terça no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Isso mesmo! Uma Orquestra de São João Nepomuceno tocando músicas de carnaval para a elite dos Políticos e sociedade Fluminense.

Outro fato marcante mas lamentável, foi recusar o convite para se apresentar na Sede Social do Fluminense em Álvaro Chaves. Os compromissos agendados anteriormente impossibilitaram que o Tricolor João Furlan fechasse este contrato. A Orquestra era muito solicitada.Em resumo, com Heleno de Freitas, Alírio Guazi(Fluminense), Helenize de Freitas(Makienze e Seleção Brasileira de Volei),Rubens Paixão (treinador de Futsal - Grajaú e Seleção Carioca), Piorra, Simão, Wellington Fajardo, Adil(Corinthians), Ayupe(Vasco), Zé Luiz(Cruzeiro), Herilene de Freitas (natação), Emmerson Nogueira, Ricardo Itaboray, Pablo(Cruzeiro), Ricardo Sporch(bicicross), Osni Júnior(motocross) e tantos outros, antes de todos estes, a Orquestra Eldorado tocava, cantava e encantava milhares de brasileiros.

Na foto que ilustra este blog vemos: Rui Barbosa na sanfona; José do Baixo no baixo, Sr. Jura e João Furlan no Sax, Noé e José Carlos Furlan no Piston, João "mamão" Erasmo no trombone, Pisca no violão, entre outros.


Obrigado ao amigo Nei Medina que em seu blog ofertou-nos esta preciosidade e esta rica lembrança desta que foi uma das maiores orquestras de Minas.

domingo, 3 de outubro de 2010

UM HOMEM DE DOIS PARAMETROS A EDUCAÇÃO E A FAMILIA


VOCÊ FOI UM PANDEGO PROFESSOR UBI BARROSO SILVA

Pândego...

Que é engraçado e alegre
Terminologia que adotamos nesta homenagem para descrever o seu lado hilário contrapondo sempre com o austero.
Como ele gostava de dizer esta palavra!

Prefácio:

Os anos correm, mas as lembranças os retardam aparentemente, principalmente quando os dias vencemos recordando. Não houve um dia sequer depois que meu pai foi chamado por nosso Senhor, que um de seus amigos ou ex-alunos não comentavam seus casos. Nunca pensei em compilar os casos, as frases que durante os anos fomos guardando, pela constante aplicação das mesmas ou porque saudosamente alguém nos contava, em seus momentos de lembranças de nosso amado e muito querido pai, o professor Ubi Barroso Silva, mas numa conversa com o amigo Renato Ferreira de Souza este foi categórico quando ao me incentivar enquanto eu lhe abria o meu coração. Disse Renato: Faça Zé Carlos um livro sobre os casos do seu pai, sobre as tantas frases que ele deixou, eu não o conheci, mas é curioso e importante o que ele dizia, marcou muito a vida de seus alunos, e falo isto tomando como base o que ele passou para a Mônica minha esposa.
Posso parecer pretensioso e audaz, mas há pessoas que se vão e marcam pelas atitudes enérgicas, mas justas, pelo caráter, pela inteligência, pela amizade, pela confiança, pela bondade de seus corações, pelo ideal e determinação, pelos conceitos que transmitem, pelos ensinamentos que apregoam, pela honestidade de princípios, pela franqueza na exposição de seus pontos de vista e impressões, pelos conselhos certos na hora sempre certa.
Assim foi meu pai, que como instrumento do Senhor tinha como missão entre tantas a de ensinar-me e a tantos, que ele carinhosamente chamava de “anjinhos”.
Então aqui transcrevemos alguns de seus momentos e os dedicamos com carinho a tantos de seus anjinhos de ontem e aos de hoje que não tiveram a oportunidade de conhece-lo.
Ai está Renato linhas que são frutos do seu incentivo e de sua amizade fraterna.
Aqui está para vocês Thiago e Duda meus queridos filhos um pouco de seu avô que passou por esta vida sendo apenas um homem de dois parâmetros à família e à educação e fazendo delas o seu apanágio.
Bebam de sua água e nele se espelhem porque quis o Senhor que ele por aqui passasse erguendo e soerguendo o que é bom, útil e de bons princípios.
Um grande abraço a todos e abracemos agora nossas saudades.
José Carlos Barroso

Biografia:O Professor Ubi Barroso Silva nasceu em São João Nepomuceno, aos nove dias do mês de abril do ano de 1926.
Era filho de José Barroso Silva alfaiate em São João Nepomuceno onde foi também foi Delegado Municipal e, de Dona Amélia Lacava Silva filha de imigrantes italianos aqui radicados e, uma grande costureira .
O Professor Ubi Barroso Silva fez seus estudos iniciais (1ª a 4ª serie do primeiro grau) na Escola Estadual Coronel José Braz, hoje Escola Municipal Coronel José Braz, o curso ginasial (1º grau de 5ª a 8ª serie) no Ginásio São João Nepomuceno.
Com apenas quatorze anos já era professor da Escola Remington Rand em São João Nepomuceno onde lecionava datilografia tendo sido alvo de distinção pela diretoria da Remington Rand no Brasil em uma carta dirigida aos diretores da Escola em São João Nepomuceno, o Professor Dr. Rui Barroso Silva e o Dr. José de Castro Azevedo, carta essa que o qualificava de “menino prodígio” pela sua destreza e conhecimento sobre a máquina de escrever.
Quando seu pai se transferiu para o Rio de Janeiro para lá exercer o oficio de alfaiate fez ele o curso secundário (2º grau) no Colégio Pedro II na cidade do Rio de Janeiro.
Trabalhou na oficina de seu pai ao lado de seus irmãos e, mais tarde em uma tipografia, quando então se transferiu para São João Nepomuceno e aos dezoito anos já era professor do curso ginasial 5ª a 8ª (series), quando o seu irmão o Dr. Rui Barroso Silva em janeiro de 1945 adquiriu o Ginásio São João Nepomuceno e a Escola Normal Dona Prudenciana em sociedade com o Professor Nilo Camilo Ayupe, ocupando ele a cadeira de Geografia.
Freqüentou uma série numerosa de cursos complementares entre os quais: Curso de Aperfeiçoamento de Professores promovido pelo SENAC MG, em 1952 Curso de Aperfeiçoamento de Professores promovido pela CADES em Ubá (Campanha de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento do Ensino Secundário), curso promovido pela CADES em Cataguases no ano de 1962, tendo coordenado o referido curso o Professor David Arão Reis do Colégio Pedro II RJ, quando o Professor alcançou o primeiro lugar na turma dirigida pelo Professor José Cardoso também do Colégio Pedro II RJ, em 1971 o Curso de Desenvolvimento Integral – Extensão Universitária – realizado sob os auspícios da Universidade Católica de Minas Gerais, de 10 a 12 de junho de 1971 o Curso de Psicopedagogia Familiar, ministrado pela Professora Maria Junqueira Schimidt do Movimento Familiar Cristão, de 30 de agosto a 28 de novembro de 1971 fez o Curso da ADESG (Associação dos Diplomandos da Escola Superior de Guerra).
Participou ainda do Segundo Congresso do Ensino Normal COBEN em 1968, do XIII CONEPE (Congresso de Estabelecimentos de Particulares de Ensino).
Em 1946 esses dois professores requereram ao MEC o funcionamento do curso comercial tendo esse sido autorizado em 26.09.46 data em que então fundaram a Escola Técnica de Comercio de São João Nepomuceno.
No ano de 1949 em outubro precisamente se afasta da sociedade o Professor Nilo Camilo Ayupe, quando então os professores Ubi Barroso Silva e Ari Barroso Silva adquiriram a parte do professor Nilo no condomínio, passando então os educandários a serem dirigidos pelos três irmãos.
Neste mesmo ano casa-se com a Professora Dona Dila Henriques Barroso filha de Basílio Henriques Pereira Filho e de Maria Teixeira de Mendonça, com a qual teve cinco filhos: José Carlos, Paulo Roberto, Maria Teresa, Carlos Roberto e Maria Amélia.
Em 1952 deixa a direção o Professor Ari Barroso Silva ficando então a gerência do Educandário, com os irmãos e professores: Rui Barroso Silva e Ubi Barroso Silva.
O Professor Ubi Barroso Silva durante os seus quarenta e dois anos dedicados à educação de jovens são-joanenses exerceu com dedicação diversas funções naquela instituição educacional como secretário, tesoureiro, professor e diretor.
Foi ele, professor de Geografia, Matemática, Organização Social e Política Brasileira, Educação Moral e Cívica, História e Mecanografia.
Ubi, foi aluno distinguido em diversos cursos que freqüentou, cursos preparatórios para professores, estes oferecidos pela CADES nas disciplinas de Geografia e Matemática alcançando em todos o primeiro lugar.
Muito o orgulhava ter sido aluno de renomados professores, todos autores de livros e de coleções didáticas, como os consagrados Malba Tahan, Oswaldo Saggioro, Arão Reis, José Cardoso e David Marcio.
Fundou ainda durante os anos de dedicação a educação e cultura são-joanense no ano de 1970 o Curso Cientifico, o Curso de Auxiliar de Laboratório de Análises Químicas, o Curso Preparatório para o vestibular em convenio com o curso CAVE CAVEME de Juiz de Fora, em 1985 fundou os cursos de Estudos Adicionais em Pré Escolar e Comunicação, em 1986 fez funcionar o 1º grau de 1ª a 4ª séries.
Foi também ele fundador do Colégio Farmacêutico José Andrade na cidade de Descoberto e pioneiro do ensino médio naquele município, proporcionando aquele povo também oportunidade para se estudar.
Mais tarde a escola por ele fundada foi integrada à escola pública estadual, fato que permanece até o presente.
O professor Ubi Barroso Silva ao lado de sua fiel companheira Dona Dila Henriques Barroso em 16 de maio de 1983 foi distinguido pela Câmara Municipal de São João Nepomuceno, com o título honorifico de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados ao Município no setor educacional.
Também foi distinguido pelo mesmo fato pelo Clube Democráticos, pela Escola Estadual Oswaldo Cruz, e no ano de 1974 o Lions Clube de São João Nepomuceno lhe agraciou com o titulo de “Pai do Ano”. Por diversas vezes foi homenageado pelo corpo docente e discente dos Colégios onde lecionou e dirigiu, sendo paraninfo e patrono de inúmeras turmas.
Pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais foi homenageado como “CIDADÃO AMIGO NÚMERO UM DA POLÍCIA” e o de “BENEMÉRITO” da Policia Militar do Estado de Minas Gerais no ano de 1974.
O professor Ubi foi associado de diversas entidades sociais, recreativas e esportivas de São João Nepomuceno como Democráticos, os Trombeteiros, Botafogo, Mangueira e da Escola de Samba Avenida Carlos Alves da qual foi seu presidente tendo sido no ano de 1985, agraciado com o diploma de “BENEMÉRITO” daquela entidade carnavalesca.
O Professor Ubi Barroso Silva foi também membro destacado na ABEM tendo sido Presidente do Conselho Deliberativo.
Foi ainda o Professor Ubi Barroso Silva por cerca de vinte e cinco anos consecutivos Escrivão da Policia Civil de Minas Gerais aprovado em primeiro lugar em concurso publico para o cargo. Venceu ele as diversas categorias dentro da Polícia Civil, como escrivão de 1ª, 2ª, 3ª classes e de Classe Especial e da mesma se retirando por pedido de exoneração.
O Professor foi também distinguido proprietário rural, criador de bovinos da raça holandesa e, um dos pioneiros na técnica de inseminação artificial desses animais no Município, foi também criador de eqüinos da raça manga-larga marchador, tendo seus animais sido premiado em diversas Exposições Agropecuárias
Já combalido pela doença o Professor Ubi Barroso Silva veio a falecer em 15 de setembro de 1986, tendo seu sepultamento sido bastante concorrido, prova de sua estima e de seu grande significado para o povo são-joanense.
A verdadeira multidão que velou o seu corpo no Colégio a que tanto dedicou o acompanhou até o tumulo, quando lhe foram prestadas diversas homenagens entre estas a frase que foi proferida pelo então Deputado Federal Silvio de Abreu Junior seu amigo particular: “UM HOMEM DE DOIS PARÂMETROS, A EDUCAÇÃO E A FAMÍLIA” e que seus filhos fizeram inserir em lápide, pois bem representa e traduz a vida do grande educador.
O Prefeito Municipal decretou luto oficial por três dias e a bandeira do Município foi hasteada no parlatório da Prefeitura Municipal de São João Nepomuceno em honra a memória de um de seus filhos mais ilustres. Assim como a Câmara Municipal enviou à família voto de pesar por seu passamento.
As Policias Militar e Civil de Minas Gerais prestaram significativas homenagens durante o funeral tendo suas viaturas acompanhado o cortejo fúnebre e as sirenes destas, sido acionadas durante o mesmo, quando o povo consternado conduzia o corpo do professor amigo até a sua última morada.
Da mesma forma os alunos de todos os educandários são-joanenses de 1º e 2º graus devidamente uniformizados perfilavam em honra ao grande professor.
A Voz de São João, semanário tradicional e mais antigo da cidade dedicou várias linhas ao passamento do professor, assim como diversas pessoas, entre amigos, admiradores, alunos e ex-alunos se manifestaram sobre o passamento do conceituado lente.
Também o Jornal semanário “O Coreto” de Descoberto prestou em suas páginas homenagens ao grande educador responsável pela introdução da instrução secundaria naquele município vizinho, fazendo inserir em suas páginas várias homenagens de reconhecimento.
Já o Tribunal de Alçadas de Minas Gerais por solicitação do Juiz e Desembargador, depois Ministro do STF Paulo Geraldo Medina também seu ex-aluno registrou voto de pesar pelo passamento do Professor Ubi Barroso Silva, tendo assim justificado seu voto: “A minha cidade, pela ausência do Professor Ubi Barroso Silva, sente arrancado de suas entranhas o seu maior educador”.
Centenas de cartões, cartas, ofícios de várias entidades, telegramas e milhares de mensagens, oriundas de toda parte do Brasil e exterior, escritas por alunos, ex-alunos, amigos e parentes foram passadas à família enlutada e o comércio são-joanense em homenagem ao grande homem da educação, permaneceu a meia porta durante todo o dia, como também fechado suas portas no momento do cortejo fúnebre, prestando uma ultima homenagem a ele, que ensinou a várias gerações fundamentos morais, religiosos, éticos, sociais e técnicos.
Até os dias de hoje não são raras as homenagens, que são prestadas ao simples são-joanense filho de alfaiate, que foi indicado por Deus para ensinar aos grandes como ser pequeno.
Hoje em sua terra natal, São João Nepomuceno, o povo perpetuou seu nome dando-o a uma de suas ruas, assim como por solicitação de ex-alunos, a Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais prontamente acatou sua proposição passando a Escola Estadual São João Nepomuceno Pré-Escolar a se denominar Escola Estadual Professor Ubi Barroso Silva Pré-Escolar.
Hoje a escola, com o advento da lei, que estabeleceu a municipalização do ensino no Estado de Minas Gerais a mesma foi integrada ao Município de São João Nepomuceno, com o nome de Escola Municipal Professor Ubi Barroso Silva Pré-Escolar, um preito de gratidão ao grande são-joanense.
Assim o professor Ubi é nome de uma Escola, uma “Escola de Anjinhos” , como ele carinhosamente se referia a seus alunos.
Findamos com uma pergunta. Pergunta esta feita pelo Vereador Luiz Navarro Ribeiro, quando o emérito educador recebia por Projeto de Lei de sua autoria o titulo honorifico de honra ao mérito do poder Legislativo de São João Nepomuceno:
“O que seria da cultura e da inteligência são-joanense não fosse a pujança e a grandeza do Instituto Barroso, por traz das quais se destaca, vitoriosamente, a personalidade do estimado e queridíssimo Ubi Barroso Silva”.
A lenda do terno branco:

O Professor Ubi Barroso Silva foi sempre um grande admirador de tecidos finos, com certeza gosto herdado de seu pai um alfaiate de primeira grandeza.
Os tecidos ingleses foram usados no mundo durante várias épocas e como não poderia ser diferente também por aqui foram empregados nas roupas dos brasileiros.
E a casimira inglesa e o linho eram os tecidos de sua preferência, principalmente o linho branco, cor que era a sua prioridade já que pouquíssimas roupas suas eram de cor e quando eram o azul claro era a segunda cor na sua preferência.
Mas foi o terno de linho branco, que também o popularizou e se constituiu em uma interessante lenda contada de canto a canto em São João Nepomuceno e no Colégio, principalmente pelos alunos, ex-alunos e pelo povo, ganhando notoriedade e passando a fazer parte do dicionário de casos folclóricos são-joanenses.
Quando ele apontava na subida do morro (o morro do Ginásio do Sô Bi “como é até hoje conhecido) o primeiro aluno que o via logo se encarregava de contar a todos a novidade, ou seja: “O SÔ BI TÁ DE TERNO BRANCO”
O terno branco significava para os que com ele conviveram, que ele estava com raiva de alguma coisa, pois diziam os alunos, que quando ele estava de terno branco estava bravo e que todos deveriam se precaver. É lógico que tudo não passava de uma coincidência, mas foi assim, que surgiu a lenda do terno branco, como foi assim que ela se propagou pelos quatro cantos da cidade.
Na verdade nós que o conhecíamos mais de perto assim não víamos as coisas, pois sabíamos, que tudo não passava mesmo de uma coincidência ou de apenas um gosto exagerado pelas roupas brancas.
Acostumados com o grande numero de camisas brancas sempre foi difícil imagina-lo de outra forma. Assim também ele escreveu mais uma pagina notória.

O outro lado:
O Professor Ubi Barroso Silva, embora cidadão exigente, enérgico, probo, de virtudes inigualáveis, era dono de uma personalidade hilária e por ser dono de grande nobreza sabia perfeitamente conduzir esses seus dois lados, pois detinha grande sabedoria.
E é o seu lado engraçado, espirituoso, jocoso, que daqui para frente vamos nos ater. Creiam todos que o seu lado pilhérico muito marcou os são-joanenses, pois contrapunha com o seu lado sério, circunspecto e é esse o lado que todos admiravam que vamos construir juntos. Vamos lá!
Alguns casos do professor Ubi Barroso Silva.Caso 01.Por volta de 1969 no antigo Ginásio São João Nepomuceno onde se era proibido fumar um jovem de nome Giovanni desobedecia ao regimento atendendo ao seu vício e fumando no pátio do Ginásio na hora do intervalo (recreio).
O então Diretor Ubi Barroso Silva que gostava de andar pelos corredores e visitar as dependências da escola inspecionando-as viu Giovanni fumando e lhe perguntou?
Giovanni você esta fumando? Imediatamente respondeu o aluno, que antes um pouco dera um forte tragada em seu cigarro e depois o escondera debaixo de seus sapatos quando viu a presença do enérgico diretor: não senhor, disse ele soltando toda a fumaça que retinha em sua boca e inesperadamente porque o que já se esperava era mesmo uma bronca daquelas o espirituoso professor Ubi lhe disse: não? Então você esta com o radiador fervendo. Todos os alunos caíram então em risos.
Caso 02.Certa feita o professor Ubi estava sentado numa barbearia esperando sua vez para que o barbeiro lhe cortasse os cabelos que ele fazia questão ser a moda príncipe Danilo. Quieto em seu canto lendo uma revista ouvia os papos dos fregueses e já o incomodava porque o barbeiro não parava de falar um segundo sequer.
Chegada a sua vez sentou-se na cadeira e então o barbeiro lhe perguntou: professor como é que corto o cabelo? Imediatamente o professor Ubi lhe respondeu: CALADO. Risos então por todos que lá estavam e presenciaram mais uma tirada do hilário professor.
Caso 03.
Vindo de automóvel de Juiz de Fora, não havia um dia sequer que quando chegava a São João Nepomuceno não falava, que acabara de fazer uma viagem de avião.
O professor Ubi morria de medo de avião, alias nunca entrou em um, mas sempre que passava em uma curva existente na estrada Juiz de Fora - São João nas proximidades da cidade de Rochedo de Minas dizia: Passar nesta curva na beira deste precipício e ver a cidade de Rochedo lá embaixo, bem pequenininha me da impressão que estou dentro de um avião e isto basta para mim, não preciso entrar em um.
Caso 04.
Um aluno estava faltoso há vários dias sendo que sua presença já se era notada por todos da escola quando de repente aparece ele com sua testa machucada. O professor Ubi lhe pergunta: Que houve com você meu filho? Tem faltado muito. O aluno meio acanhado lhe disse: Eu machuquei Sô Bi, bem aqui na testa, o machucado parecia o Estado de Pernambuco e logo em seguida antes mesmo que ele terminasse sua explicação o professor Ubi comentou: É então foi um acidente, mas geográfico não é mesmo? O Professor Ubi era professor de geografia.
Caso 05
Um dia um jovem aluno da segunda série ginasial chamado Afrânio o Franinho chorava sem parar quando o professor Ubi dele indagou o que estava acontecendo. Que houve menino? E Franinho chorando disse: Foi o questionário. Quem tomou seu questionário fala e pare de chorar. Não Sô Bi foi o Mauro. O Mauro então te bateu? Chama o Mauro lá. Chega o Mauro e ele disse: Entrega logo o questionário do Franinho. O Mauro disse: Eu não to com questionário dele não. Foi quando o Franinho disse: Não Sô Bi o apelido do Mauro é que ´pe questionário. Risos geral. Estava tudo explicado. O Franinho havia levado um soco do Mauro Questionário apelido que lhe fora dado na escola por muito perguntar. Coisas de menino de escola.
Caso 06
Certa feita a sua cunhada Célia esposa de seu irmão Ari Barroso Silva ligou para o seu cunhado o professor Ubi sobre uma encomenda que lhe havia feito sua esposa que também era prima de Célia.
Célia ligou, o professor Ubi atendeu, ela falou sobre a tal encomenda e lhe perguntou sobre todos e ele não lhe respondeu, o telefone ficara mudo como a ligação tivesse caído, quando ela então disse alo, alo bibi, bibi e ele lhe respondeu alo e nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Coisas do professor Ubi que detestava falar ao telefone.
Caso 07
Falando em telefone o telefone do colégio tocou e o professor Ubi atendeu, era um aluno perguntando sobre o seu guarda chuvas. Sô Bi o meu guarda chuva ta aí? Ele pegou logo dois guarda chuvas que estavam a seu lado e disse: Qual dos dois? Esse ou este aqui? O aluno disse: Eu num to vendo! E ele respondeu: Nem eu sei quem esta falando também.
Caso 08
Gostava de contar que certa feita encarregou um aluno de tomar conta de seus colegas para que estes não conversassem. Ordem dada ordem cumprida. O aluno num pedaço de papel escreve o nome de outro que estava conversando o Helvinho como é chamado o Hélvio e quando ele pediu a lista com os nomes lá estava El Vinho. Ele riu e perguntou: quem é este aluno espanhol que você escreveu aqui. Risos geral da turma inteira e nada aconteceu com o Helvinho ou melhor El Vinho.
Caso 09.
Ele acabara de comprar do senhor José Rodrigues Pereira da antiga Fabrica de Móveis Brasil 50 carteiras individuais em madeira maciça.
Satisfeito com os novos modelos a sala era o cartão de visita do colégio. Um belo dia uma das carteiras aparece escrita. Um aluno havia escrito o seu nome, Marcelo. Ele então pergunta ao Marcelo, que era aluno novato e fazia o curso ginasial, 4ª série e na sala onde ficavam as novas carteiras. Marcelo por que você colocou o seu nome na carteira escrevendo com canivete ainda por cima? Ah Diretor eu não tinha nada pra fazer... nem terminou e ele então lhe disse: Você escreveu o seu nome deve ser porque a carteira é sua, ao final da aula pode leva-la porque as que eu comprei não tem nome nenhum estão novas. E realmente Marcelo desce a ladeira ao final da aula levando a sua carteira. Passados alguns meses Marcelo sobe o morro com uma carteira novinha, pois seu pai fez o mesmo. Mandou que se fizessem outra carteira e mandou o seu filho levar e com a escrita ele ficou. Uma tremenda lição passou o Marcelo.
Caso 10.
Naquela época o Ginásio possuía internato e foram vários os estudantes de outras cidades que por lá passaram e eu me lembro de muitos, mas desse que vamos contar o caso em particular eu não o conheci. Era aluno transferido de um colégio do Rio de Janeiro, logo que aqui chegou foi apelidado pelo professor Ubi de carioca, mas o seu nome era Áureo. Um belo dia o Áureo sumiu, o professor ficou maluco, devia estar pensando como depois iria explicar a ausência do aluno, era uma responsabilidade daquelas. Procura daqui e dali até que resolvem olhar para cima e lá está o Áureo sentado na bola que ornamenta o prédio do colégio. Foram muitos os casos de seus alunos, mas esse em particular marcou muito porque depois o carioca apareceu em São João para uma visita e qual não foi a tremenda surpresa ele era dono de um dos maiores colégios do Rio de Janeiro na época.
Caso 11.
Esta passagem se deu com o Tatu o Geraldo filho do Sr, Helvécio Rodrigues. Tatu havia feito um aviãozinho de papel e lançou-o dentro da sala de aula. O avião percorreu a sala e saindo péla porta bate no professor, que imediatamente pegou o avião e nele estava escrito Viação Aérea Tatuzinho. O professor fez a maior fará com o avião do Tatu. Bem mais tarde Tatu vem a se tornar um aviador e hoje possui uma empresa de transporte aéreo. Perseguiu o seu ideal e acabou vencendo.

Caso 12
Certa vez ele reuniu todos os alunos do turno da manhã no salão nobre. Alguém havia ido até o reservado e feito encima da privada um enorme monte de fezes. Disse ele então: que foi o artista autor daquela escultura em forma de pirâmide que esta em cima da privada.
Não houve um que não ficasse sério.

Caso 13
Tempo de chuvas intensas. Um dos vizinhos do Colégio não cansava de procura-lo sempre no horário de suas aulas o que já estava lhe incomodando bastante. Queria esse vizinho que o professor Ubi resolvesse o problema do volume de água que esta a escorrer pelo seu terreno partido dos pátios do colégio. Não havia o que mais se explicar, como a água que cai em cima tem de escorrer para baixo é a lei natural das coisas, lei da gravidade e por assim foi explicando e o vizinho irredutível não entendia, pois o que ele queria é que se captasse toda a água e a encanasse até a rua numa extensão de mais ou menos cem metros o que ficaria muito caro. Então o professor achou a solução e disse ao vizinho: olha eu falo você não quer entender, eu já estou lhe enchendo com minhas explicações e você me enchendo com sua teimosia. Vou fazer o seguinte da próxima vez que chover eu vou beber toda a água que cair aqui no colégio e aí estará solucionado o problema, ta feito ? Nem mesmo o vizinho se conteve, os dois riram e ficou o dito pelo não dito.

Caso 14
No Colégio era proibido aluno fumar. Na época havia um cigarro de nome QUENTAL. Numa bela manhã estava o Totonho Arruda fumando quando pela janela o professor Ubi viu o que estava acontecendo. Flagrou ele o Totonho por diversas vezes soltando suas baforadas, fazia até pose. Devagar caminhou para onde estava o Totonho, pediu o seu maço de cigarros e leu, muito bem... Quental e lhe disse fume outro Totonho, o Totonho acendeu e foi fumando até ao meio do cigarro, quando ia jogar fora ele lhe disse: não Totonho fume até o final já que você esta com tanta vontade e não pode esperar a aula terminar. Quando o cigarro chegou ao fim ele virou para o Totonho e perguntou-lhe Que Tal? Fume outro. O Totonho fumou e ao final a mesma coisa, Que Tal Totonho. Não sei se o Totonho ainda fuma mas serviu de lição não só para ele como para outros que assistiam e faziam o mesmo.

Caso 15
Certo cidadão muito conceituado na cidade, amigo de infância do professor Ubi, depois de cometer inúmeras injustiças com o professor e não havendo mais outro jeito, passa o professor a falar do seu amigo pela cidade. O caso já estava tomando rumos diferentes, quando alguns amigos comuns resolveram fazer alguma coisa, dar um basta na questão, nos desentendimentos e promoveram um encontro dos dois amigos e naquele momento então desafetos. Dia marcado, local determinado, hora marcada. Lá se foram eles para o encontro e também testemunhas e mediadores. O amigo então começa a conversa e pergunta: você Ubi tá falando de mim lá no Bar Central. O professor parou, pensou e seriamente perguntou; mas no Bar Central?
E o seu amigo falou: Sim no Bar Central, eu tenho testemunha. O professor Ubi, parou novamente e pensativo respondeu: É eu devo ter falado de você no Bar Central porque eu já falei em tantos lugares, então devo ter falado por lá também. Ele gostava de contar esse caso mas concluía: É ele pensou que eu ia negar né e eu então sai com essa. Conclusão: não houve meio de se consumar o aperto de mãos e ambos continuaram apenas se cumprimentando e, entre os dentes como ele falava.

Caso 16
Certa vez partiu ele para Belo Horizonte par resolver problemas na Secretaria de Estado da Educação. Chegando lá ele se apresentou como Diretor dos Colégios disse o que desejava, quando então a atendente lhe disse: O senhor é mesmo de onde, é daqui de Belo Horizonte? Não minha filha, respondeu. Ela lhe perguntou então o senhor é de onde mesmo? Ele lhe respondeu, de São João Nepomuceno senhorita. Ah sim o senhor é de Nepomuceno? Não senhorita eu sou de São João Nepomuceno, zona da mata, Nepomuceno é sul de Minas. Ah de São João do Nepomuceno. Disse ele: não, sou de São João Nepomuceno, não tem esse do ai que você colocou, filha. É isso mesmo o senhor é então do interior? Não senhorita eu não sou do interior não. Sou professor de geografia, conheço o mapa de Minas e do Brasil e do interior são vocês de Belo Horizonte, minha cidade fica bem mais perto do mar do que imagina. Tolerância zero. Ele mesmo dizia: dei uma de Saraiva com a moça.

Caso 17.
Gostava de ver os alunos uniformizados. Os uniformes deviam estar sempre limpos e em perfeito estado. Saia curta de jeito nenhum. Chegou ao ponto depois de constantes avisos as meninas sobre o tamanho dos uniformes a estabelecer um comprimento para as mesmas, sobre protestos de todos é claro. A aluna ajoelhava, se a saia estivesse à altura de seus joelhos estava apta para assistir as aulas. Quando alguma estava com uma saia mais curta ele dizia: vá em casa colocar o uniforme, você só veio de cinto a sua saia deve estar lá, você deve ter saído muito apressada. Sabia perfeitamente porque de suas atitudes.

Caso 18.
Já doente e depois de receber o resultado de um novo exame brincou. Mais uma doença, eu posso até escolher agora de que vou morrer. Tinha ele perfeita consciência de seu estado e isso jamais foi empecilho para continuar vivendo brincando. Sua fé era inabalável.

Caso 19.
Dizia sempre: se você quiser encontrar alguém em Juiz de Fora é só ir até a lanchonete do Café Apolo, _ uma antiga lanchonete existente na Rua Marechal Deodoro _ e deve estar se deliciando com a torta de frango.

Caso 20.
Você andando pelas ruas de Juiz de Fora encontra no passeio duas pessoas que conversam, é fácil reconhecer de longe se são de São João, basta você verificar se estão com algum embrulho de pão na mão ou debaixo do braço.

Caso 21.
Era muito comum os alunos passarem mal só para não assistirem as aulas e diziam. Sô Bi posso embora? Mas por que você quer ir embora? É que eu to passando mal. Dizia então com um ferro de passar você vai passar bem.

Caso 22.
Se um aluno havia cometido qualquer falta e quando chamado atenção por ele dizia: Eu errei Sô Bi, eu errei. Dizia então: Não tem rei nem rainha, você pode ser rei, mas vai fazer duzentas copias desta frase, e escrevia a frase no quadro ou dependendo da falta cometida suspendia o aluno por três dias das aulas.

Caso 23.
Estávamos no horário de aulas da tarde, ele dava sua aula, quando de repente toda São João ouviu um tremendo estrondo. Barulho incrível como de o de uma grande explosão. Correu ele e toda a classe para a janela quando se via urubus voando, grande quantidade de poeira e fumaça partindo da rodoviária antiga e disse: só pode ser coisa daquele doido. E ele tinha razão o Silvio Picoroni acabara de soltar uma bomba caseira e era ele o doido a que se referia o professor Ubi.

Caso 24.
O professor Ubi sempre se mostrava amigo de seus alunos e foram muitos que continuaram a estudar por causa de seus conselhos. Era diretor, professor e ao mesmo tempo era pai, tio avô, conselheiro, psicólogo. Por várias vezes seu escritório foi celebre consultório psicológico ou confessionário, quando algum aluno estava com um problema. Era comum vê-lo abraçado aos alunos andando por entre as varandas ou pelo pátio instruindo-o, aconselhando-o.

Caso 25.
Estávamos andando pelas ruas do centro de Belo Horizonte, ele com pressa e eu tentando acompanha-lo. De repente começou a assobiar, como se aquele assobio fosse uma buzina, pois a rua estava superlotada e as pessoas utilizavam os passeios para tudo menos para transitar. A todo o momento dizia: feche as asas, deixe-me passar e as pessoas o obedeciam rindo, quando ele virou-se para traz em minha direção e exclamou: quanta gente feia e jeca meu filho, depois nós é que somos do interior e jecas. Esse é o pessoal de Beo Zonte. Esse era o professor, critico por excelência.

Caso 26.
Um de seus alunos chegou perto dele chorando e ele logo perguntou: o que aconteceu com você menino? Sô Bi o Zezinho mexeu comigo. Mexeu? E por acaso você é angu? Angu é que a gente mexe na panela.

Caso 27.
Quando Waldeck o Dequinha estudava no colégio era aluno daqueles de levado.Certo dia pediu para ir ao reservado e o professor que estava em sua sala deixou. Mal intencionado e pronto para fazer algo errado pegou seu canivete e cortou os canos de água do banheiro que eram naquele tempo de chumbo e logo correu para sua sala. De repente a água começa a transbordar para o pátio e diante daquilo ajuda ao Professor Ubi a dobrar os canos com um alicate e o vazamento terminou. Após o termino da aula o professor Biel chamou Dequinha na rua e disse-lhe: eu vi quem cortou os canos e eu vou contar para o Bibi. Dequinha então resolveu que no outro dia falaria a verdade e cedo chegando ao colégio procurou o professor Ubi e antes que confessasse o professor Ubi disse-lhe: eu sei de tudo e pegou Dequinha e levou- o até a sua sala e começou a elogia-lo. Este menino é exemplo porque viu o vasamento de água e foi logo ajudar. Dequinha não entendendo nada pois se o professor sabia que era ele o autor da bagunça causada estava a elogia-lo. Depois dos elogios o professor começou a zangar com outros alunos e com a turma bagunceira. Quando saiu chamou Dequinha e disse-lhe:eu sei que foi você que cortou os canos do banheiro, mas eu estava precisando mesmo de chamar atenção dessa sala e esta foi à oportunidade, volta pra sua sala e não faça mais isso.

Caso 28.
Como gostava de brincar com os alunos Júlio era um de seus escolhidos e toda vez que pelo Julio ele passava dizia: Julio Julio você precisa virar agosto.
Caso 29.
O professor era também escrivão da policia civil (escrivão de classe especial). Num belo dia pela madrugada foi acordado em sua residência por um soldado para que efetuasse a prisão de um cidadão que naquela noite tinha aprontado poucas e boas. Durante a abertura do inquérito policial e depoimento do preso o professor perguntava: Seu nome? O preso respondia: o meu? Sim. Residência? Onde você mora? Quem eu? Sim. E foi por aí até que ele perguntou ao preso: quantos anos você tem? Quem eu? O professor então não agüentando mais disse:
Não, eu. E imediatamente o preso respondeu: bem o senhor deve ter um cinqüenta e seis, acertei? Não teve outro jeito a não ser rirem todos os presentes.

Caso 30.
Um outro aluno estava matando aula quando foi surpreendido pelo professor. Disse ele então ao aluno: Você foi com quem matar aula? Eu Sô Bi fui com o Tucano, respondeu o aluno. O professor não entendendo que tucano era o apelido do menino disse: você foi cutucado quem?

Caso 31.
Certa vez o professor perguntou em uma de suas aulas: O que é homogêneo, logo um braço se levantou e um dos alunos respondeu: Eu sei, homogêneo é uma sala dessas cheia de homem. Por muito tempo o aluno foi chamado de homogêneo, por causa de sua resposta, ganhou um apelido do professor.

Caso 32.O sobretudo:
O professor Ubi possuía um, sobretudo longo de lã importada, confeccionado ainda pelo seu pai, o alfaiate Juca Barroso. Era comum durante o inverno vê-lo pelas varandas do colégio vestido, com aquele capote pesado. Um dia um de seus alunos, o Dandão lhe perguntou: Sr. Ubi o está sentindo tanto frio assim? Respondeu ele: Não, estaria se não estivesse com este casaco.

Caso 33.A lasanha:
Certa vez durante o almoço a sua fiel secretaria a Lala que com ele conviveu dos seus 13 anos até a sua morte, lhe havia preparado uma deliciosa lasanha, um dos seus pratos prediletos como bom descendente de italianos. O prato foi colocado à mesa e ele ao retirar do mesmo uma porção trouxe para o prato um longo fio de queijo mussarela derretido, quando ele chamou uma outra secretaria de nome Conceição e lhe pediu uma tesoura para cortar o queijo. “Conceição, corra e traga uma tesoura pra cortar o queijo” e ela mais do que depressa correu e trouxe a tesoura. Era assim também dentro de sua residência.

Caso 34: Sua ultima brincadeira:
No dia 15 de setembro de 1986, uma quinta feira à noite, já sofrendo do mal que o acometera e que o levou a falecer, andava ele pelos corredores do Colégio como era seu costume, quando passando por uma sala de aula do curso de Estudos Adicionais de Pré-escolar ouviu uma terrível algazarra que lhe chamou atenção. As portas da sala estavam fechadas e no exato momento em ele que ele abria uma das bandas da porta uma das alunas de nome Ana fazia uma enorme bola com sua goma de mascar. Ele imediatamente disse: BABALU!!! A classe veio abaixo, com a presença de espírito do professor Ubi e tudo por isso mesmo ficou. Estudos Adicionais era um curso de especialização para professores primários e babalu uma goma de mascar lançada naquela ocasião por uma propaganda massificante e de sucesso. O professor veio a falecer no dia 19 de setembro às 6 horas. A aluna ficou com o apelido de babalu e o caso ninguém esqueceu.
Caso 35: O palhaço e o circo
Quando alguém fazia uma graça sem graça, durante a aula, ele dizia: Tem 30 anos que eu não vou ao circo porque eu não gosto de palhaço.
Mas num belo dia um de seus alunos Cassinho Maripá (de grande saudade) quando estava na 8ª série, disse o seguinte: Não Sô Bi, o senhor está errado, não tem 30 anos que o senhor fala isso não, tem 34 anos porque desde que eu estou na 5ª série eu ouço o senhor falar que tem trinta anos. O riso foi total, e ele não tinha mais o que fazer a não ser rir também

Caso 36. A Língua portuguesa:
Uma turma de alunas havia feito bagunça, em aula, entre elas a aluna Vera Lúcia Santiago, quando então uma professora lhes disse: vão todas para a Diretoria conversar com o Sr. Ubi. E assim as alunas obedecendo à professora ao chegarem à diretoria disseram: Sô Bi, nós viemos aqui e, ele então falou: vieram e já podem voltar. Elas não entendendo o que estava se passando voltaram, mas logo elas entenderam, que haviam começado o dialogo errado e retornando a conversa com o Sr. Ubi disseram: nós vimos aqui, quando então o professor Ubi disse: Ah agora sim, agora vocês podem continuar...

Caso 37. O depoimento de um preso:
O Sr. Ubi como escrivão de polícia gostava de contar casos que aconteciam com ele e contava este:
Certa feita tomava ele depoimento de um cidadão que acabara de ser preso, e para qualificá-lo perguntava ao mesmo:
Seu nome?
O preso respondeu: “Qual o meu?”
Perguntou novamente: Nome de seus pais?
O preso respondeu: “Dos meus?”
Perguntou novamente: “Onde trabalha?”
O preso respondeu: “Quem eu?”
Perguntou novamente: “Qual a sua idade?”
O preso respondeu: “A minha?”
Então o Sr. Ubi já indignado de tanto perguntar e o preso perguntar logo em seguida, disse ao mesmo: Não a minha.
Foi quando então o preso lhe respondeu: O senhor deve ter assim uns cinqüenta e poucos anos.
Caso 38. O Pulando o muro:
Naqueles saudosos anos...toda terça-feira era dia de filme de sexo no cinema e os alunos das aulas noturnas trocavam as aulas pelos filmes... Certa terça-feira, o Sô Bi, resolveu "sô bir" a pé..., quando um determinado aluno, já no curso de contabilidade, saltou o muro ao lado do portão grande e caiu exatamente em frente ao "baravo diretor". Tremendo, disse: "Eu errei, Sô Bi!" E o Sô Bi, com sua infinita presença de espírito, respondeu imediatamente: "Você pode ser até "rainha", mas volte pelo mesmo lugar que pulou!" E lá se foi o fujão pra dentro do colégio novamente.
..

Caso 39. Merda:
Outra muito boa! Uma rodinha de "futuras normalistas" conversavam na varanda, quando uma delas deixou escapar uma puta duma "MERDA" bem alta, justamente quando passava o Sô Bi. Este, afastando-se rapidamente, assim falou: "Menina, cuidado com o meu TERNO BRANCO..." Só ele mesmo...

Algumas de suas frases, que ficaram famosas:
v Entra pra dentro.
Com este pleonasmo ele reforçava suas ordens. Sair pra fora significava ir para o pátio e não ficar pelos corredores muito menos dentro das salas.
v Saia pra fora.
Entrar pra dento significava entrar para a sala de aula e não ficar no pátio nem nos corredores.
v Olha aí a garça.
Se encontrasse alguém um dos pés na parede sujando-a
v Não jogue papel no chão. Lugar de papel é no lixo.
Foram quarenta e dois anos dizendo não jogue papel no chão lugar de papel é no lixo.
v Eu errei
Eu sei que você errou, mas aqui comigo num tem rei nem rainha.
v Fique de jarrinha.
Quando o aluno estava perturbando a aula ou a ordem no colégio, ficar na jarrinha era ficar de castigo, em pé, durante algum tempo, ao lado de uma das pilastras da varanda, que circundava as salas de aula. O aluno castigado era visto então por todos os alunos.
v Não cuspa no chão.
Foram quarenta e dois anos dizendo não cuspa no chão lugar de se cuspir é na pia do sanitário, no lavatório.
v Mulher é igual a carretel.
Mulher tem que ter linha porque carretel sem linha não se faz nada com ele e então se joga fora ou vira brinquedo de criança.
v Em São João tudo é AC e DC.
Dizia sempre com respeito ao carnaval em São João:, mas não é antes de Cristo e depois de Cristo, é antes do carnaval e depois do carnaval.
v Pândego
Palavra que ele gostava de dizer quando uma pessoa era espirituosa Era uma frase comum mencionada por um primo seu chamado Gentil Barroso.
v Esta eu vou guardar para rir nas férias.
Quando algum aluno fazia uma graça sem graça, dentro de sala.
v Meus anjinhos.
Todos os alunos ele carinhosamente os chamava de anjinho e era seu costume brincar com eles sacudindo-os na carteira ou arrancando um fio de seu cabelo durante suas aulas.
v São João é o maior exportador de garrafas de cervejas do país
Sobre o consumo de cerveja ele assim gostava de falar, e completava, mas de garrafas vazias
v Olha os cupins sem asas!
Se um aluno andasse sempre com outro dizia ele
v Um gambá cheira o outro!
Se um aluno fizesse algo errado e junto estava seu companheiro de estripulias ele assim dizia.
v Vou te enfiar o braço pela boca até aqui...
Se um aluno lhe fazia raiva ele depois de chamá-lo atenção arregaçava as mangas da camisa e dizia: Um negocio desses, me dá vontade de enfiar o braço na sua boca e parar até aqui. E apontava para o ombro. Era uma forma jocosa para descrever sua raiva pela bagunça feita por alguém. É lógico que nem de brincadeira lhe passava pela cabeça tal coisa.
v Esse é chato com X.
Quando encontrava uma pessoa chata.
v Esse é de dar azia até em caixa de bicarbonato
Quando encontrava uma pessoa chata.
v Minhas pérolas
Referindo- se aos alunos orgulho que passaram pelo colégio
v Turista pão com pastel
Turistas que vinham para São João. Alugavam um ônibus e a única coisa que aqui gastavam era um pão, que mandavam parti-lo para dentro colocar um pastel de carne.
v Bom mesmo é goiabada com queijo
Quando ele ouvia de uma pessoa dizer que não gostava disso ou daquilo.
v Ah, seu eu fosse Deus!
O aluno pedia para sair por qualquer motivo e ele conhecia quando era mentira. Às vezes nada sentia, mas faltava às aulas e trazia logo um atestado médico. E aí então ele dizia: Tanta gente doente querendo ficar sã e vocês querem ficar doentes. Ah, se eu fosse Deus!
v Eu devo ter cheiro de capim
E completava: porque toda besta fica me cheirando
v Eu devo estar cheirando cana
Quando algum bêbado lhe importunava. Ele detestava bebida alcoólica.
v Até o coco dele deve ser cheiroso
Quando algumas pessoas achavam outra importante e tudo que delas partissem era elogiado, mesmo que elas fossem e fizessem o errado.
v Bata no seu filho hoje pra policia não bater nele amanhã.
Quando um pai falava que não batia no filho
v São João é igual a uma boca de canhão
E ele completava: Pra cá só vem esgoto, só vem porcaria para cá, quem não serve. Boca de canhão em São João é o nome que se dá ao local onde o esgoto é despejado.
v Não precisamos ir longe para encontrarmos com o diabo.
Quando encontrava alguém que lhe contava algo que ele não gostava.
v Aqui vale quem não vale
Sobre a troca de valores. Valor tem que não os tem dizia ele.
v É picar lá e voltar (EPCAR)
Ele dizia: Quando algum aluno que não gostava de estudar dizia que iria para a EPCAR Escola Preparatória de Cadetes do Ar da Força Aérea Brasileira
v Concurso é com curso.
Ele dizia: Quando algum aluno que não gostava de estudar dizia que iria prestar o vestibular para alguma faculdade ou outro concurso.
v Com embrulho de pão debaixo do braço.
Se você encontra ou vê alguém em juiz de Fora com embrulho de pão debaixo do braço pode ver que é de São João..
v Pra se conhecer alguém só se com ela comer um saco de sal.
Quando alguém muito amigo fazia algo com o outro inesperadamente e aquilo fosse uma surpresa.
v São João é igual a um pau de sebo
Quando você sobe e esta quase chegando para pegar o dinheiro, puxam a sua perna e você cai.
v Foi na Apolo comer torta de frango.
Se você quiser encontrar com alguém de São João em Juiz de Fora é só você ir até a lanchonete Apollo e ela com certeza estará comendo torta de frango
v Em São João você só pode ser duas coisas: burro ou ladrão
Se você vence na vida é ladrão mas se você não vence é burro.
v Livro não é desodorante
Quando o aluno não estudava e só ficava com o livro debaixo do braço
v São-joanense é igual a tiririca, está em todo lugar.
Quando encontrava um são-joanense em lugares mais diferentes possíveis
v Estou sentindo-me um Beatle.
Quando o seu cabelo estava grande
v Quais as suas intenções a cerca dela
Era comum o emprego deste cacófato, quando um dos alunos estava a começar um namoro no Colégio
v Dizem que eu sou quadrado.
Ser quadrado é muito bom, porque o quadrado é uma figura geométrica de quatro lados e quatro ângulos iguais, perfeitos.
v Quem dá aos pobres, adeus.
O velho ditado “Quem dá aos pobres empresta a Deus” Quando dava algo a outro e era desconsiderado, desprezado.
v Eu vou lhe dar um ferro de passar para você passar bem.
Quando algum aluno dizia estar passando mal e ele percebia que era mentira.
v Eu não quero ver a sua cara quanto mais a sua bunda.
Quando alguém fingia não lhe ver e lhe dava as costas
v A motocicleta é a única carroça em que o burro anda montado
Detestava motocicletas pelos altos índices de acidente com o veiculo. Falava sempre que o para choque da moto é a cabeça do motoqueiro.
v Estudam para colocar placas
Estava se referindo aos engenheiros de estradas, que após o término de uma obra vinham colocando placas indicativas e quando encontravam um erro em uma curva colocavam uma placa “cuidado curva acentuada”
v Meus anjinhos
Assim se referia aos seus alunos
v Cidade dos bares
São João daqui uns anos não terá nem mais uma parede, será um único bar.
A famosa frase das cópias:
(cópias: castigo aos alunos, que perturbavam a ordem na escola e, os alunos copiavam a frase, sendo a quantidade de vezes relativa ao tipo de desordem cometida)

O silêncio é rigorosamente necessário a boa ordem dos trabalhos escolares.Coisas interessantes:*Não tomava acento à mesa nas refeições enquanto todos não estivessem à mesa
*Era difícil vê-lo sentado durante ás aulas só quando fazia chamada dos alunos.
*Não se podia partir pão e com a mesma faca passar manteiga
*Assim como não se podia cortar o queijo e com a mesma faca se cortar a goiabada.Dizia ele: Cada coisa com sua coisa.
*O dia de domingo era dedicado à cozinha aos pratos que preparava com maestria de um grande chefe gourmert.
*Era um prazer para ele cozinhar em festas do colégio, para os alunos da fanfarra, muitos devem lembrar da sua “patada”.
*Quando pequeno tínhamos que atende-lo com precisão quando este nos chamava e se não, voltávamos tantas vezes ao lugar que estávamos até que aprendêssemos a atende-lo depressa.
*Gostava de assobiar a musica Danúbio Azul.
*Ficava sempre no mesmo local na igreja para assistir as missas.
*Andava sempre com sua esposa de braços dados, como com ela estava sempre.
*Se um aluno brigava com o colega ele colocava os dois frente a frente, um aperto de mãos, um pedido de desculpas de ambos e com um abraço selavam a volta da amizade.

O FIM

Aqui apresentamos as tantas homenagens prestadas ao Professor Ubi Barroso Silva por ocasião de seu falecimento.
Homenagens estas registradas no semanário são-joanense “Voz de São João” e em “O Coreto” de Descoberto.
Permitam-me então ao final expor o que tenho no meu coração sobre meu bondoso pai. E faço de minhas palavras finais os ensinamentos de Jesus Cristo, quando se referiu a Lázaro, irmão de Marta de Betânia e registrados em
Jo 11 25.26 (A ressurreição de Lázaro).
Jo.11.25 Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá;
Jô.11.26 e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?

DEVER CUMPRIDO: (Voz de São João de 20.07.1986)
São João Nepomuceno parou.

Parou para reverenciar a memória daquele que contribuiu sobremaneira para a evolução cultural dos jovens da terra, que ele tanto amava.
No preâmbulo de sua morte, tenho a certeza de que meditou, se reportou ao tempo de sua iniciação, até sua saúde não mais lhe permitir uma ação enérgica como naqueles tempos.
Mas tranqüilizou-o o fato do dever cumprido, sabendo da sua contribuição para a cultura de seus conterrâneos.

MORREU UBI BARROSOA razão de sua existência foi o reconhecimento, de todos nós, pelo seu profícuo trabalho.
Teve seus deslizes como todos nós mortais.
Porem, uma coisa é certa, foi um idealista, que buscou a proximidade da perfeição, não a conseguindo pelo fato de nenhum ser humano ser capaz de fazê-lo.

Moysés Assafim.

Assim, em um pedaço de papel, na sala dos médicos do Hospital São João, quando o Professor Ubi acabara de falecer, escreveu o médico Moyses Assafim, afixando o mesmo no quadro de avisos.

O GRANDE AUSENTE (Voz de São João de 20.07.1986)
Uma lágrima furtiva escapa de nossos olhos...
Uma saudade imensa já se faz sentir a todo instante...
Um grande vazio se torna presente naquele casarão imenso, no alto da “Colina da Esperança”.
Tudo mudou... O silencio reina...
Já não mais se ouve a voz das crianças chamarem pelo “Sô Bi”.
Ele se foi... De uma forma tão inesperada que nem dá para se acreditar.
Até há puçás horas atrás, caminhava pelo galpão com aquele seu andar tranqüilo, brincando com um, abraçando outro, afagando mais um, circulando entre suas crianças, seus “anjinhos” como dizia.
A alegria se estampava em seu rosto no instante que entrava em nossa escola, no cantinho que, com tanto carinho reservou para nossos pequeninos.
Que pena, “Sô Bi!” O senhor já fazia parte de nosso dia a dia...
Vai ser bem difícil ficar ali sem sua presença amiga...
Resta-nos, porém, a certeza de que, junto ao Pai, estará olhando por nós, zelando sempre por nossas crianças, também seus netinhos queridos.
Que Deus o abençoe pelo bem que semeou na terra e pelo grande carinho que dedicou aos milhares de jovens que passaram por suas mãos.
Seus ideais se perpetuarão nos bons exemplos deixados como esposo, pai, amigo e educador.
Que sua alma descanse em paz, querido MESTRE.

Jardim de Infância “Girafinha Feliz”.
O jardim de Infância Girafinha Feliz, que na época funcionava nas dependências do Instituto Barroso, tornou-se um cantinho muito querido ao professor e, foram com estas palavras carinhosas que eles, os pequeninos anjinhos, se despediram daquele que fora seu grande benemérito.

UBI BARROSO SILVA (Voz de São João de 20.07.1986)
Toda a nossa comunidade sofreu o impacto da noticia do passamento repentino na manhã de segunda feira ultima, dia 15, do estimado cidadão professor Ubi Barroso Silva, ocorrido no Hospital São João, para onde fora levado no final de semana, em busca de uma possível melhora para o seu estado, não resistindo, no entanto, ao tratamento.
A perda deste ente querido é marcante, foi realmente um duro golpe para toda a cidade, pois gerações e mais gerações já haviam cruzado com a pessoa daquele que foi professor e Diretor do atual Instituto Barroso, a que dedicou 41 anos de sua existência, realmente toda uma vida entregue à causa do ensino.
O professor Ubi, que contava com 60 anos, fez no Rio de janeiro todo o 2º grau, trabalhando e estudando para depois, aos 18 anos, retornar ao seu berço natal, sua garbosa, que tanto amava trabalhando no então Ginásio São João, ao lado de seus irmãos Ari e Rui, e mais tarde assumindo as cadeiras de Geografia, OSPB, Matemática, Educação Moral e Mecanografia, em todos os cursos do colégio onde sua presença se fazia necessária.
Com o afastamento de seu irmão, o saudoso Dr. Rui Barroso Silva, com seu tempo dedicado à brilhante carreira de Juiz, Ubi passou a assumir, com sua esposa, a direção do colégio, no final auxiliado por seus filhos e sobrinhos.
Além de sua profícua atuação no colégio Ubi serviu durante 27 anos a nossa Delegacia como escrivão especial de policia, onde deu provas de sua eficiência, razão da homenagem recebida com a abertura do féretro pelo camburão de nossa policia.
Também no campo religioso sua presença era uma constante, tendo sido um dos membros da primeira turma da paróquia a participar do inicio dos movimentos de cursilhos, num encontro realizado em Vassouras. Foi também por muito tempo comentador em nossas missas dominicais.
Na agropecuária sua presença também se fez sentir pela atenção que dava a sua propriedade rural, quer na recria de reprodutores, quer na plantação.
Ubi Barroso era filho do saudoso José Barroso Silva e Amélia La-Cava Silva, e era casado com d. Dila Henriques Barroso, esposa fiel que o acompanhou e o incentivou em todos os instantes de sua vida, tendo deixado os seguintes filhos: José Carlos Henriques Barroso, atual presidente da Câmara local, casado com Helena Maria Neto de Barroso, Maria Tereza Barroso Cruz, casada com João Batista da Cruz, do Bamerindus em BH, Paulo Roberto, Carlos Roberto e Maria Amélia, solteiros, além do neto Thiago.
Deixou três irmãos, Ari Barroso Silva, Ady Barroso Nascimento e May Silva Salgado, além de vários sobrinhos.
Seu corpo foi velado durante todo o dia numa das salas do Instituto Barroso, para onde convergia verdadeira massa humana.
Padre Viana fez-se presente, procedendo a oração final de despedida, e avisando a todos para a missa que será celebrada na Igreja Matriz, domingo, dia 21, às 10:30 horas.
Ao sair o féretro às 16 horas, lá do alto da Colina da Esperança, pudemos divisar a enorme multidão a acompanhar os restos daquele por quem todo são-joanense tem certamente sua divida de gratidão pela atividade que soube dar no campo educacional local.
Várias pessoas e autoridades falaram à beira do tumulo, enaltecendo a figura do extinto – Ady Barroso Nascimento, vereador Mauri de Castro Menezes, Deputado Elmo Braz Soares e Silvio de Abreu Junior, Araci Pinto Enéas e em agradecimento, seu filho José Carlos Henriques Barroso, tendo, ao final os alunos do colégio pedido que todos orassem o Pai Nosso.
Nosso Prefeito assinou decreto no dia, declarando luto oficial por três dias e os colégios e escolas locais não funcionaram, fazendo-se representar nos funerais.
Paz a sua alma.

Assim o semanário Voz de São João estampou em primeira página a noticia do passamento do professor Ubi Barroso Silva.

UM HOMEM E NOSSAS LEMBRANÇAS
(Voz de São João de 27.07.1986)


Por José Carlos Barroso
Onde estará você amigo fiel
Onde estará o amigo diferente, alegre, crítico por excelência, inteligente, de virtudes infinitas?
Onde estará?
Aqui, em tudo sua presença é marcante.
E eu o conhecia bem, conhecia até mesmo a intenção de seus passos.
E suas idéias? Convergiam sempre com as minhas.
Sua importância foi grande.
Foi ele que trouxe a minha descolorada existência.
Desculpa-me, meu velho, eu não queria que as coisas acontecessem assim.
Recordo agora as distâncias perdidas e quando imperceptível esqueci de viver com você.
Mas foram lindos os momentos. E foram muitos.
Nós estivemos sempre juntos. Até mesmo no instante das revelações, quando o desequilíbrio invadiu os acontecimentos, ali estávamos.
Você, meu velho, sereno. Eu conturbado a invejar o sentimento de aceitação e toda a sua faculdade de aceitar a mais aguda dor de destruição.
Eu, reservado em um canto, traumatizado pelos espaços de silêncio.
Você, mudo, de faces plácidas, marcadas pelo tempo de dores.
Veio então a lembrança de quanto à inutilidade parecia soberba e a esperança, ponto ínfimo no vácuo dos imperfeitos, você o que primeiro aparecia, sereno, irradiando paz.
Assim foi por toda sua vida.
Então uma oração, o sinal da cruz sobre a cabeça de mente tão sabia.
As explicações se tornaram lágrimas, a boca se calou na imensidão do desespero.
Ouço apenas.
O mundo convulsivo foi aos poucos consumindo o espaço da sabedoria.
Era o fim. Fim das aventuras, fim dos sonhos.
Sem resposta para tantas perguntas, fui tomado pelas múltiplas visões, num bailado de certeza entre cores e sons suaves.
Os anjinhos começaram a recebe-lo.
Você preparou tudo. A hora, o lugar. Eu entendo.
Foi buscar com o Senhor, as forças para que nós realizássemos os seus sonhos antigos.
E nós conseguiremos. Eu prometo. Somos muitos amigos os seus amigos.
Deus, o seu companheiro, e você estarão conosco.
E como são passagem e para que a imagem não pereça, guardem vocês todos, os instantes íntimos, toda minha admiração, todo o meu respeito profundo, toda a satisfação por tê-lo podido conhecer, toda a saudade deste velho amigo.
Ficará sempre a nítida imagem, de um velho pai amigo, do mais querido presente de Deus, sem o qual não conseguiria viver.
Descanse em paz, meu SANTO PAI.
Eu honrarei o seu nome com amor, justiça, responsabilidade, carinho, dedicação, trabalho, gratidão, na oração.
E aqui a mais pura das definições de um homem:
“UBI UM HOMEM DE DOIS PARÂMETROS A EDUCAÇÃO E A FAMÍLIA”.
A saudade e as lembranças daquele que foi pai, amigo, professor, eram demasiadas e confortava-me escrever, era uma forma de traze-lo de volta ao presente, de tê-lo por perto, mesmo que contorcido pela grande dor da ausência, mas certo de que aquela saudade era a certeza da sua presença.

GRATIDÃO (Voz de São João de 27.07.1986)

O que nos preocupa, com o passar dos anos, é que no nosso livro de amizades, muitos se vão, e poucos são acrescentados. Somente porque, quando se chega a um posto da vida não nos dá mais tempo de construir novos amigos, pois que é um processo demorado. O que se acrescenta são novos vazios na nossa vida.
Ficamos sem o Sr. Ubi, a quem sempre dedicamos uma grande amizade e por quem tínhamos uma imensa gratidão. Sua dedicação ao nosso período como aluno do Curso de Contabilidade (1974 a 1976) e sua confiança em nosso período como professor naquele colégio (1977 a 1984) motivaram esta gratidão e um desejo de confiar também nas pessoas dando-lhes o ensejo de construir alguma coisa na vida.
Nosso intuito é o de confortar os familiares do sr. Ubi neste momento de grande tristeza ao afirmar que o lugar dele já está reservado no Céu pelo que fez por nós e pela mocidade de uma terra.
“Bendito seja Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angustia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” II Corintios 1,3.4
O Semeador
O Semeador era Sidney Baptista, que também foi Chicot, pseudônimos com que se apresentava no jornal Voz de São João, foi grande amigo do professor Ubi, e veio a ser seu também colaborador, emprestando sua sabedoria como professor de português.


NOSSA GRATIDÃO, NOSSA LEMBRANÇA.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

José Carlos Barroso

Nunca estaremos sozinhos.
Nem mesmo na noite da solidão e dos tristes
Sentimos você bem perto, querido pai.
Os pensamentos se movem; porém, são movimentos sem conclusão.
Não atravessam as distâncias e se esgarçam no tempo.
Não pertencemos mesmo ao outro, disso temos certeza, conhecemos a determinação.
Ninguém caminha em liberdade na terra do consumismo.
Nada é visto, tocado e amado sem o consentimento apocalíptico.
Nós compreendemos.
Tudo se transforma.
Os soldados da vida marcham, agora, contrariados, a contragosto, perseguem a harmonia, buscam a essência das coisas.
Eles já não temem a imensidão do infinito desespero.
Foi cortada a vida, mas além da memória, ficou a esperança.
Ficou a certeza do dever cumprido no mundo dos imperfeitos.
Ficou o belo, o amor.
Ficaram as virtudes.
Quantas saudades têm todos, do meu SANTO PAI!
Já falei de tudo.
De nós dois, do nosso mundo de amigos, de seus ensinamentos, de tudo.
Falei até do rumo negro da vida com palavras de amor e por isso as coisas se tornaram suaves e leves.
Falei de você até para você, mas você não ouviu.
Sinto muito a sua falta, mas ainda mais do eu o nosso filho, o seu “REMÉDIO”, que tinha Vovô BIBI como ídolo das lindas aventuras.
Você era meu pai, o seu livro de sabedorias.
Você era o homem de mais amor.
Você nos afagava até mesmo na ira do pai que ensina por tanto querer.
Ainda temos muitos momentos de nossa intimidade.
Afinal, como relatar em tão pouco, a vida de tantos exemplos?
É inútil reter as lágrimas que se desprendem, mesmo compreendendo que todos caminhos me levam ao irremediável.
É mesmo inútil revelar o meu desespero, tentando emergir do sonho para a realidade.
Imagino então...
Nós dois; eu me ponho entre seus braços, você num forte abraço, sorri como sempre, pai de tantos carinhos.
Lindo cenário!
Beijo a saudade.


A cidade de Descoberto que sempre mereceu por parte do professor Ubi um grande carinho, de nossa parte merecia agradecimentos por ter a ele dispensado consideração e apreço, confiança e respeito.
Na verdade era uma admiração mutua e tudo isto nos enche de orgulho.


“ELE FOI BOM E JUSTO”
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

Acredite!!! Lá no Céu, o nosso grande amigo Prof. UBI está colhendo os sorrisos que espalhou, a justiça que semeou, o bem que plantou aqui na terra. Se o Senhor não estivesse existido, que tristeza seria...Nossas preces, eterna saudade e gratidão. Agradecendo ao Pai o dom de sua existência e pela perfeita lição de vida que nos ensinou durante a sua passagem por este mundo terreno.
Descanse em paz nosso mestre – pela grande missão cumprida!

Kátia

A professora Lina Kátia Mesquita de Oliveira também emprestou sua colaboração ao professor Ubi como professora de matemática e grande amiga e prestou assim também sua ultima homenagem e até hoje de forma carinhosa e amiga destaca a figura do professor aos seus alunos, como exemplo de dedicação e probidade.

UBI BARROSO, O GRANDE EDUCADOR.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

Célia Maria de Mendonça Lamas

Descoberto São João Nepomuceno e cidades vizinhas perdem numa bela manhã de setembro o sustentáculo da educação na região – Ubi Barroso Silva.
Fica uma grande lacuna, um vazio enorme, que só a saudade e a lembrança se incumbirão de preenche-lo.
Homem ainda jovem, dinâmico, trabalhador, homem de fé!
Deus o chama e ele se vai cumprindo a Sua vontade. Lá, Deus o espera.
Sua fisionomia austera, mas carinhosa, cheia de bondade, preocupada com o futuro de nossos jovens, gozadora e amiga permanecerá nos corredores do Instituto Barroso, nas ruas de nossas cidades e nos corações de seus alunos e amigos para sempre.
Nosso muito prezado amigo prof. Ubi, seus alunos venceram, porque os fez compreender a razão da vida e os que fracassaram foi porque não acreditaram na sua missão e nos seus ensinamentos, pois amparado pela mão forte de D. Dila, companheira inseparável, que o ajudou a plantar e a colher os frutos deste árduo trabalho, a realizar seus ideais e a vencer as horas difíceis que a vida lhes impôs não mediram esforços para encaminha-los e orienta-los, mostrando-lhes a verdadeira imagem do amigo.
A oração, a prece, a palavra de Deus foram os caminhos trilhados por vocês durante toda a vida e é por isto que hoje esta na glória de Deus e de lá contempla feliz aquilo que construiu e temos certeza daí estará zelando e abençoando a causa da educação.
D. Dila, é duro caminhar sozinha quando ainda é preciso de um ombro amigo para amparar sua caminhada, mas Deus em Sua infinita misericórdia a confortará e seus filhos cheios de vida e ideais são ainda a razão de seu caminhar.
Quantos anos de luta, coroados de êxito ele deixou na sua passagem aqui na terra!... Quantas vitórias ele conquistou junto de nós. Agora ele descansa em paz porque cumpriu de fato a sua missão e principalmente nós, os descobertenses, o recordamos com o coração agradecido toda a felicidade que ele nos proporcionou e isto é razão de sobra para superar a nossa tristeza, porque ele aqui só plantou alegria.

AO ESTIMADO E SAUDOSO
UBI BARROSO SILVA
(Voz de São João de 04. 10.1986).

Emocionados, saudamos condignamente a você, Ubi Barroso Silva, que se foi para uma vida, deixando-nos já no final de nosso curso, somente com a saudade presente, que tomará lugar nos dia da entrega de nosso certificado.
Como sentiremos a sua falta, mestre, amigo, companheiro confiante, diretor exemplar!
No seu lugar ficará a lembrança do mestre que assistia orgulhosamente os seus feitos memoráveis nos términos dos anos letivos.
Assistia a tudo com aquele sorriso disfarçado, com aquela alegria contagiante.
Você se foi, mas não passará aquilo que edificou.
Teremos as mais lindas lembranças das mais deliciosas historias, que nos contava, do mais brilhante professor e do querido amigo.
Ao estimado professor Ubi a nossa eterna gratidão, o nosso pranto e a nossa saudosa lembrança.

Alunos (Estudos adicionais – pré-escolar)


O AUSENTE SE FAZ PRESENTE.
(Voz de São João de 11.10.1986)

E as pessoas se vão...
Aos poucos vamos perdendo as pessoas que muito gostamos.
Somos invadidos pela tristeza de saber que não mais poderemos contar com essas pessoas...que não mais as teremos em nosso convívio.
Mas, em nosso pensamento essas pessoas sempre se farão presentes.
Creia, Sr Ubi, que jamais me esquecerei de um bate – papo nosso.
Sempre o terei presente em cada caso, que as vezes relembro do meu tempo de estudante...
Hoje eu e São João choramos por tê-lo perdido.
Sim porque todos o admiravam...lhe queriam bem.
Que nós possamos seguir os seus ensinamentos, que possamos ainda seguir o seu exemplo de vida e o amor que sempre ele dedicou a todos, sem distinção.
Perdemos o Sr. Ubi... e o vazio agora ocupa o nosso coração...o nosso ser.

Cristina Itaborahy 15.09.86
UBI BARROSO SILVA, uma página saudosa.
(Voz de São João de 18.10.1986)

Consternada aqui ficamos, com a ausência física de alguém que se foi para uma vida espiritual.
Emocionados aqui estamos com uma grande perda em nossa comunidade, em um estabelecimento, em um educandário, em nossa vida e em um lar unido e feliz.
Extasiados deixou-nos Sr. Ubi Barroso Silva, com sua partida sem despedida, agora que seus objetivos em prol de todos os estudantes estavam para se realizar.
Mas a distância não destrói o que criou raízes, você foi muito inteligente, deixou-nos pessoas capazes de concretizar seus feitos, pois só o que é superficial termina, o mais, perdura.
Você está fisicamente longe, mas sua força mental irradia soberania, pela capacidade terrena que possuía.
É doce e amarga ao mesmo tempo, sua ausência, as distâncias guardam um segredo que só os corações conhecem, guardam a magia da espera; do “NOVO” encontro da partida sem a qual não é possível reencontrar-se. Guardam a certeza que nossos passos, mesmo andando estradas diferentes, ruas diferentes, têm um ritmo igual, completamente novo, apenas, compreendido por aquele que se querem bem.
Mas sua fé Senhor Ubi Barroso Silva, era reconhecida com a amizade que possuía no templo de Deus. Sabe, nada é comparável a um amigo fiel como você o era; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé.
Você soube cativar amigos, crianças, jovens e adultos.
Seu valor humano era inexplicável, não era sacrifício heróico e sim batalha do prazer.
Sua caminhada, tornou-se diferente, mas deixou muitas esperanças e certamente serão realizadas.
Você venceu a angustia e encontrou a luz pela fé.
Resta-nos a saudade, no silêncio do pequeno espaço que ocupava dentro de nós. Sabemos que as arvores descem raízes no silencio da terra e vivem; assim como você, enraizou nobrezas no silencio de sua afeição.
Deixo aqui a minha estima, a minha saudade e a amizade no aconchego de sua família.
Você se foi, mas seu nome está gravado carinhosamente no famoso e conhecido Colégio do “Seu Bi”.
Jornalista e ex – aluna.

Gloria Jorcelei



“Fhashes”
(Voz de São João de 18.10.1986)

Era um fim de noite no Clube dos Democráticos. Não

A saudade não tem fim:
“Passei procurando respostas e quando encontrei mudaram as perguntas”.
Eu continuei e estarei sempre escrevendo.
O VELHO DOS MEUS SONHOS E O ANJO DA VIDA.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

José Carlos Barroso
12.08.97

Eu me vejo nas manhãs por entre as espatodéias, dentro do túnel de flores laranja.
Ao longe visiono o verde cujas nuanças têm como limite à água, que corre alimentando a terra.
Este é o cenário dos meus sonhos.
É o cenário da introspecção enquanto sonho, com você e tendo você em meus braços, que é realidade mais linda.
Assinamos ali minha flor nossos pactos de lucidez, enquanto o corcel alazão do menino galopava num destino desvalido, formando com a batida de seus cascos música mais pura complementando a paisagem bucólica.
Estamos falando de sonhos, quando ainda não tínhamos trinta anos.
É assim, quando ultrapassamos algumas barreiras, falamos de lembranças e saudades.
Saudades daquele velho que nos ensinou até mesmo a sonhar.
Continuando a sonhar, com você em meus braços e o velho sentado na porteira, contemplativo, como parte do cenário.
Que lindo cenário de saudades.
Cenário de sonhos.
Eu você e meu velho e santo pai.


SONHO DE NATAL:
José Carlos Barroso
25.12..86


Pudesse eu anular os segredos da vida,
que despertam sem querer,
no entroncamento do desespero inútil.
Pudesse eu, contornar de forma justa, precisa e amiga,
o volume encalhado dos acontecimentos tristes.
Pudesse eu abrir a cortina do passado, voltar à ingenuidade do menino da cidade pequena, carro de boi na rua estreita, lindos sons na madrugada fria.
Pudesse eu, voltar à nostalgia do adolescente de olhos vermelhos, de lágrimas solitárias a rolar pelo rosto de amor mais puro.
Pudesse eu tudo, traria com certeza do meu passado o meu Papai Noel, para você amigo desse meu sonho.



No primeiro Natal sem meu pai resolvi escrever sobre o presente que o Senhor Deus havia me dado. Naquela altura a saudade era demasiada.

Paredes de saudades
José Carlos Barroso
24.09.2002


Numa rua de amigos
Tenho uma casa.
Casa de sonhos.
Casa da vida.
Casa de saudades.

Adentro a porta,
Pela rua,
Para a solidão,
Tomando o passado.

A porta da casa de
Portas entreabertas,
Tomada de cantos cansados,
Entre os destroços,
De mil troços nossos.

A sala é de vozes.
A cozinha de encontros.
Os quartos de encantos.
Lá está a minha casa.
Ainda de pé,
Ao meu pé.

Ao fundo sussurros,
Destroços, pedaços,
Das alegrias,
Do passado.

Meu canto é poeira.
É mato grande e verde,
Seco, quebrado, triste,
Como as lembranças,
Que me transpassam.

Enquanto passo,
O tempo passa,
Despencando,
Esfarinhando,
Dilacerando,
Rasgando.

Ao fundo há resquícios
Da carne que queimava
Em brando fogo,
Enquanto jorrava alegria.
O carvão já é frio.

Casa esquecida,
Do menino esquecido,
Do menino querido,
Que ouve e que conversa,
Com quem, não está estando.

Lá já não existe,
Meus pais,
Os meninos,
A nega veia no fogão grande.
Acabou, tudo.

Só existe um agora.
Dentro da casa, ele chora,
Abraçado ao passado,
Batendo pelas paredes
De lembranças, de saudades.

Já do lado de fora, muitos.
Mas na porta, agora de costas,
Partindo, fugindo,
Somente um, agora impotente,
Tomado pelas histórias.

Todos se foram,
Outros finaram.
Só um espera.
EU.


Bela VistaJosé Carlos Barroso
05.11.2002

Dia que amanhece,
Que ninguém esquece.
Nevoa branca que deita,
Colono que se aquece,
Mas que fica na espreita.

A várzea é verde,
Cortada ao meio,
Mas pelas mangueiras.
Pelos lados córregos,
Repletos, ladeados,
De mangabeiras.

Ao alto morro íngreme,
Onde nasce e desce o sol,
O grande e amarelo girassol,
De lá se vê a velha estrada,
Que se segue até a entrada.

Já da porteira se avista,
Dezenas de pontos,
Sempre pretos e brancos,
Coçando pelos barrancos.

A noite cai.
Os pontos brancos,
Como os pretos, mugem.
Outros pontos relincham.
Lá longe um grunhido,
Perdendo-se nos cacarejos.

O fiel latido toma conta,
Enquanto os miados
Enroscam-se pelos cantos
Quentes das labaredas

Sons diferentes,
Podem ser bichos.
Já os brilhantes,
São dançantes,
Contracenando na sinfonia
Dos insetos,
Dos pontos pequenos,
Que podem ser,
De tantos pontos,
Mas todos espertos.

A beira do fogão
Não estamos frios.
Surgem então os casos,
Com certeza do coração.

As pálpebras começam a fechar,
Vamos dormir.
Amanhã tem mais.
Começaremos no curral,
Copo de leite na mão,
Enquanto ela estende
Nossos trapos no varal.

“Eta vida besta sô”
Besta mais gostosa
E é desse cenário,
Donde vem harmonia,
Donde vem alegria,
Donde vem também
A saudade, que alegra,
Que não se finda,
Nem com a idade.
Bela Vista!

Papai e Mamãe NoelJosé Carlos Barroso
01.12.2002

Figura simpática,
Personagem carismática,
A do velhinho rechonchudo,
De barbas longas e brancas.

Faz tempo que não vejo,
O velhinho barrigudinho,
Quero agora matar meu desejo,
Acariciar seus cabelos,
Encostar-me em seus ombros.

Saudade do meu Papai Noel,
Daquele que não era assim,
Talvez até hoje fosse,
Mas cadê você papai?

Deve estar com mamãe
Que era Noel também
Saudade de ser menino
Par ganhar meu presente
Neste dia nesta noite,
Você meu Papai Noel
E ela minha Mamãe Noel.


Meus velhosJosé Carlos Barroso
3.2.2003
A parede é branca
Como papel branco
E neste branco
Um papel enfeita a parede
Como papel de parede
No papel dois velhos
Os meus velhos cândidos
Com olhar de carinho
De tantos amores
Na parede que é fria
Como os dois velhos estão
Mas seus olhares não
Estão emoldurados
Retratando o amor
Ensinando amar
Como velhos professores
Cândidos repletos de candura.


Tributo a vós... eis
José Carlos Barroso
23.02.2003

A vós ilibados
De tantos atributos
Rendo- me reconhecido
Em tributos

Tributos
A vós resolutos
Avós de amor e carinho
Absolutos

A vocês
Avós de querubins
Eis- me assim
A voz da saudade
Só voz de gratidão
Só a vós..vocês


Casa nuaJosé Carlos Barroso
21.01.2004
Na rua de amigos
Rua da minha casa
Há uma casa nua
Há muito está vazia
Os moradores se foram
Muitos se perderam
Alguns se encontraram
Os mais velhos morreram
Outros se finaram
Em tempestades pereceram
Com todos o tempo partiu
Todos partiram no tempo
A casa nua não é minha
Dela apenas me restou
Pedaços de lembranças
Trapos de saudades
Molambos de tristezas
Mas porções de alegria


GuardiãoJosé Carlos Barroso
08 de outubro de 2004


Passo e repasso
Pela rua de amigos que passo
Onde eu tinha uma casa
Por onde andam as lembranças

Passo como guardião
Guardando saudades
Arquivando alegrias
Conservando tristezas dos dias

Sou agora seu guardião
Das muitas historias, arquivista
Passo e repasso
Sem ela perder de vista

Preferia suas cores de outrora
Fui eu quem as escolheu
Mas ela não é a minha agora
Aquela não existe mais, morreu

Assim me faço guardião
Esperando o fim
Vivendo os finais
Pelos começos tímidos

Passo e repasso como guardião
Pois essa é a vida de saudades
E a razão de vive-la
Esta dentro deste velho coração.



Meu meninoJosé Carlos Barroso
21.06.2005

E o menino partiu
Não houve o linho da fama
Mas foi derradeiro e alinhado
Com o azul cobrindo a escultura gélida
Lembro dos braços
Todos que amparam os medos
Como da mansão azul e amarela
Onde habitaram os vivos da morte

A multidão cobria todo outeiro
Enquanto o piar das andorinhas
Misturava-se aos choros compulsivos
Era a despedida dos mais queridos

Assim ele fugiu rumo ao destino
Fuja mais uma vez da memória
Como não permiti a sua partida
Também não inventei esta vida
Apenas a vivi ontem e hoje
Com saudade da sua vida


ProfessôThiago Barroso
27.07.2001

E os seus pequenino, os anjinho oiaram.
Eis que vinha o véio.
Todo de branco, com olhá sério
Temor era os que todos sentiam.
Mais ao aproximá das criança, seus lábio sorriam
Numa perfeita harmonia.
Com a luz do sol dourano o dia.
Teu chêro era das fro do jardim,
Rosa Amarela, vermeia, e as do campo tumem.
Aquele fidalgo senhô,
Da vida era o professo,
Na casa banhada de briga e tédio.
Com inocênça dizia eu menino, sê seu remédio.
E perdi as conta que tive, com o galo a cantá.
Só pra vê o véio sorri, sem chorá.
Acordei ele muitas veis, pra vê os boi.,
Mas ele vortô pro reino dos sonho logo dispois.
Sonhava que o mundo seria como ele, com amô e educação.
Mais ao acorda, sentiu fisgada no estômago.
Foram os invejoso, os ladrão de alegria de menino.
E digo a verdade, que muitos, ao bom veio, perseguiam.
Nos terrêro, maus traziam.
A vontade era cruel de não vê ele respirá.
Então a feitiçaria, no homem de Deus, veio engafinhá
Não bastaru nem as reza da fiel mucama Lala.
Home bão, tomô surra de tala.
Caiu na doença e me lembro como se hoje fosse.
Sentado eu menino na janela cumeno doce.
E o veio de ropão preto e vermeio ,saiu pra não mais vortá.
E eu, seu remédio, já não podia mais curá.
O galo cantô, a cinco da manhã e ele no hospitá, não foi a igreja pra rezá.
Sobrô na terra uma voz que gagueja.
O choro da eterna namorada, minha vó, meu pai e eu pra consolá.
A vida é assim mãe, dura memo.
A matriz da cidade, é hoje vista bunita , mas iscura.
Sinto sua farta, uma realidade, que não sei se argúem sentiu.
Pois daqui, sua memória para muitos sumiu.
Num dia, ouvi na Getúlio Vargas, um grito de amargura e lamento.
Da criançada que dizia:
Ba, Be, Bi.
Queremo uma rua com o nome do Sô Bi.
Mãe, tudo foi ofuscado.
Por aquele desabusado,
Deixando a viúva e o seu pranto chorado..
Minha vó em tristeza caiu.
Até, que num dia tumem partiu.
Mas eu me criei home e aqui eu tô
Num terrêro abençoado por Nosso Sinhô.
Senti de novo o chêro doce das flôre.
Era de novo o professô, em pranto e em choro.
Só sodade e amo.
Me bejô e de vorta levo
Todo o sentimento ruim que em mim tumem fico.
Mas, pur inquanto, meu vô.
Seu remédio vai aqui ficano,
Dano seqüência na vida sufrida, como aquele franciscano.
Pra num dia reencontrá, seu vô, o meu vô, Seu Bi
O meu professô.



Lembram-se do Senhor Ubi?
Depoimentos de alguns amigos e ex-alunos no site de relacionamentos orkut :





07/03/07
Adriana
QUANTAS SAUDADES!!!!
SE HOJE TIVESSE-MOS UM EDUCADOR COMO O *SOBI* EM CADA ESCOLA, TERÍAMOS UM PAÍS MAIS DECENTE. JÁ TOMEI MUITOS CAFÉS NA SALA DOS PROFESSORES, QUANDO EU ERA APRIMEIRA ALUNA DO COLÉGIO, NÃO POR NOTAS ALTAS (QUEM ME DERA), MAS PELA ORDEM ALFABÉTICA. HAHAHAHAHANOSSA QUANTAS SAUDADES....



04/04/06
♥ Rita
Lembram-se do próprio Sr. Ubi?
Lembram-se que, quando ele apontava lá na secretaria, não ficava um menino só no corredor. Era uma correria pra dentro das salas. Quando ele passava, todos já estávamos quietinhos, sentadinhos em nossa carteira. E quando ele entrava, levantávamo-nos todos, em sinal de respeito. Bons tempos aqueles, sinto saudades.


9 fev
Ana Márcia
TERNO BRANCO
Mas que legal!... Eu ainda não tinha visto esta comunidade. Muito bem lembrado por vocês "aquele terno branco". Era mesmo um termômetro. Se ele chegava com aquele terno, podia saber. O Sô Bi tava que tava. E não falhava, heim? Puxa, que saudades mesmo. Ele faz muita falta... Abraços.


10/04/06
Simone
Claro que lembro!
Claro que lembro!Ficava passeando com ele na hora do intervalo e ele me chamava carinhosamente de Barbosinha. Comigo ele era até bem calmo e infelizmente convivi poucos anos com ele.

10/04/06
♥ Rita
É verdade, Simone, ele chamava a mim e minha irmã de "suas princesas". Mas quando tinha que dar broncas nos outros... sai de baixo, porque até as paredes tremiam. Uma vez minha turma aprontou com uma professora do colégio e ele foi nos chamar a atenção... rsrs... Acho que até hoje posso ouvir o discurso que ele nos fez.

15/01/07
Clea
O terno branco dele era o termômetro. Quem se lembra da tia Lourdinha? Quebrava muito galho da gente na hora do sufoco. Já me escondi muito naquela cozinha. E as entradas quando o Seu Bí colocava todo mundo no pátio e ia olhar o tamanho das saias das meninas, colocava a gente de joelhos e a saia tinha que encostar no chão, mas era legal , eu adorava tudo e todos lá.

11/03/07
Mônica
È claro que me lembro, e nunca vou esquecê-lo, pois me tratava com muito carinho, me chamava de "minha gatinha" e pq ele veio a falecer numa época muito difícil para mim, eu havia perdido meu pai uma semana antes, no dia que estava voltando a minha vida normal escutei o carro anunciando a sua morte, para mim foi muito Horrível escutar aquela notícia. Mas o que posso fazer é guardar os seus ensinamentos, seus bons costumes que pude observar durante o tempo que convivi com ele e que ele dava nas suas aulas de OSPB. SAUDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


04/06/08
Sônia
Sr . UBI ! =]
O SR UBI FOI UM DIRETOR DE RESPEITO.SINTO MUITA SAUDADE DELE, DO JEITOQUE MANTIA O COLEGIO SEMPRE COM MUITA DIGNIDADE, TANTO QUE HOJE TENHO A MAIOR SATISFAÇAO DE CONTINUAR AMIGA DO PAULINHO (SEU FILHO) QUE GOSTO MUITO TAMBEM.UM BEIJO PARA ELES E TODA FAMILIA.SONIA


12 fev
Renise
É claro!!!Ele cantando pra uma amiga minha "Marina morena Marina..."A propósito, o nome dela é Marina e toda vez que ele entrava em sala olhava pra ela e cantava. Sempre foi um doce conosco e nunca o vi alterado. Foi o melhor diretor da minha vida escolar. Ele é um exemplo pra mim. Dirigindo uma escola procuro ser como ele ao tratar meus alunos. Nada de diretora cara feia... Bronca na hora da bronca, e amiga sempre. Mesmo na hora das broncas.


12:01 (11 horas atrás)
ROSE-É PRECISO
e o sapato "VULCABRAS" do uniforme...nunca me esquecerei...rs


15/11/08
Tânia
Ai meu Deus...Que saudades...E eu sempre na SECRETARIA. Não sei pq. Rs


26/03/09
Milton
SOBI
Jamais me esquecerei deste grandioso colégio. Passei por lá nos anos 60 a 63. Tive aulas de Geografia com Sr. Ubi Barroso, do que muito me orgulho. Guardo na memória muitas passagens interessantes desta época. Sinto saudades dos antigos colegas e professores. Mesmo considerando o tempo decorrido, a maioria deve morar aí em SJN. Mando um grande abraço pra todos os "sortudos e privilegiados" que passaram por este estabelecimento. Tb. estudei no Augusto Glória e Cel. José Brás.


06/04/09
Noelia
Quando ele mandava eu e minhas amigas pra secretaria,(sim,porque eu nunca ia sozinha,tinhas cúmplices)ele nunca zangava com a gente,nos chamava de "minhas anjinhas",e nos estávamos longe de ser anjinhas,como aprontávamos. Que saudade dele e de todos.


23/10/08
Graziella
muitas saudades
Nossa! Sr Ubi?!Nunca me esqueci. Ainda quando passo em frente àquele jardim da escola me dá um aperto no peito e muita emoção. Estudei lá por três anos, da 1ª à 3ª série, de 1986 à 1988, o último ano da escola. Grande perda p São João Nepomuceno.Saudades do "Juquinha, o esqueleto", Sôbi, Maria Amélia Barroso, Fabinho e muitas outras pessoas especiais.


08/10/08
Cynthia
Era uma tortura ter que decorar aquele livro de Geografia. Até hoje lembro as fotos e os quadrinhos falando do relevo, vegetação etc.Mas, eram tempos bons. Levei muita bronca porque tinha hora que não conseguia ficar calada e batia de frente (até hoje sou assim). Mas, enfim, aprendi muito.


04/08/07
JAJA e JUJU
cor do terno
eheheh...acho que a cor do terno marcou prá caramba, né?Puxa, que saudade. Com certeza o mundo estaria bem melhor se existissem mais pessoas como ele.Tenho muita saudade.........


15/01/07
Clea
O terno branco dele era o termômetro. Quem se lembra da tia Lourdinha? Quebrava muito galho da gente na hora do sufoco. Já me escondi muito naquela cozinha.E as entradas quando o Seu Bí colocava todo mundo no pátio e ia olhar o tamanho das saias das meninas, colocava a gente de joelhos e a saia tinha que encostar no chão, mas era legal , eu adorava tudo e todos lá.
Mika
Bons tempos do Ginásio. Saudades do Sr Ubi, grande mestre.
De Jorge Marim:
Naturalmente, tivemos também excelentes professores no Segundo Grau, mas é interessante como a lembrança dos mestres do ensino fundamental continua vívida em nossos corações e mentes. Finalmente, de uma forma especial, a lembrança do nosso saudoso Ubi Barroso Silva, misto de professor, diretor, pai, educador e exemplo de vida. Como era o sentimento dominante naqueles “anos de chumbo”, confesso que sentíamos medo do Sôbi. Mas, estranhamente, era um medo bom: não era o medo de uma pessoa que poderia nos fazer mal, mas, pelo contrário, era o medo de ultrapassar um limite que não conhecíamos bem, mas o Sôbi conhecia. Ele sempre nos dizia que não “achava” nada (porque, segundo ele, “tinha um amigo que achou e não acharam mais ele”). E não achava mesmo, ele tinha certeza do caminho melhor, e da forma mais branda de nos transformar em cidadãos.

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

NOSSAS MONTANHAS

NOSSAS MONTANHAS
UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

SEM PALAVRAS!

SEM PALAVRAS!

A FABRICA DE TECIDOS

A FABRICA DE TECIDOS
FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

ESCOLA CENTENÁRIA
ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO
EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

VISTA PARCIAL
vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

A PREFEITURA HOJE

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA
O que restou da historia? UMA FOTO!!!