SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

OS IMIGRANTES ITALIANOS

Por: José Carlos Barroso

(Esta é a resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa)

“Que coisa entendeis por uma nação, senhor Ministro? É a massa dos infelizes? Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos o pão branco. Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. Criamos os animais, mas não comemos a carne. Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa Pátria? Mas é uma Pátria a terra que não se consegue viver do trabalho?
A história de São João Nepomuceno se incorpora a bela história da imigração italiana. Esta nossa proposta contem à nobreza de todos nós são-joanenses em preservar nossa cultura, tornar explicita nossas raízes, particularmente a de tornar viva a memória dos imigrantes italianos, reascendendo com isto em cada um de nós a sua influencia, que esta presente também em cada cantinho desta terra. Não se trata de um livro sobre a imigração italiana, mas haveremos de deixar as melhores impressões sobre nossos antepassados, compiladas sem estabelecermos um fim. Neste trabalho contamos com os estudos do escritor Julio Vanni um amigo brasileiro bem italiano, que nos forneceu subsídios para iniciarmos esta compilação de dados, através do livro “Italianos no Rio de Janeiro”.De muita valia também foi à pesquisa no Site de Lea Beraldo sobre os imigrantes italianos. Vale a pena acessar o SITE, pois está recheado de informações importantes e contém a listagem dos imigrantes por navio, relatando a idade, a origem e o destino de cada família.
Por certo não haveremos de omitir neste trabalho algo significativo de uma história bela e recheada de aventuras, mas estejam cientes de que jamais seremos julgados por ignorar este povo, pois reconhecemos o valor e o trabalho dos imigrantes italianos e nos é caro pertencer a esta aguerrida gente, de ideais tão nobres.
Esta obra será acrescida de depoimentos orais de descendentes de italianos, razão pela qual não estabelecermos o seu fim, até que somemos todos, as melhores e as maiores informações sobre nossos italianos.
Ao buscarmos imortalizar os imigrantes italianos, meus amigos, vamos nos deparar com a realidade de que na sua maioria eles foram pobres e humildes, que partiram doloridos por deixarem sua terra, seus amigos e parentes e até mesmo seus mortos, a terra nostra, mas transbordando esperanças na terra nova. Eles partiram com a única certeza de que poderiam estar partindo para não mais voltarem e isto lhes custou muito, pois conhecemos o valor da proximidade familiar que nutrem.
Vamos encontrar por certo pelo caminho das pesquisas alguns fidalgos italianos, mais aquinhoados, de nobres famílias, de famílias tituladas e com direitos até a brasões e ostentações, mas se formos guiados pela sensibilidade e humildade, vamos encontrar nos vapores a nobreza da bondade, da dignidade e da coragem de um povo.
Não tive a felicidade de conhecer meu bisavô, mas a velhinha Angelina Lacava muitos conheceram e sua história se parece com a de muitos Matheus e Giulinas.
Foram muitas às vezes que me peguei debruçado nas lembranças ou reconstruindo cenas de meus queridos bisas acomodando suas tralhas entre o burburinho, e os alardes da partida das multidões.
Na reconstrução das cenas me peguei por muitas vezes em lágrimas vivendo com eles os horrores das pestes e das doenças quase sempre fatais, quando nada se tinha.
Vi perfeitamente a cadeira de balanço da sala de lustre bonito, cheio de pingentes e a velhinha sentada, a recordar seus amigos e o som do vai e vem daquela cadeira ainda esta gravado na minha mente e é musica suave a embalar-me em sonhos.
Em cada canto da velha casa guardamos uma saudade. Até hoje estão vivas as festas de aniversário, cheia de gestos e gargalhadas. Lembro-me também do choro da alegria pelos que chegavam.
Aos homens o labor da sempre gostosa macarronada regada ao bom vinho italiano. Meu pai e meus tios no meio deles. A nós bambinos ainda, só nos restava olhar, mesmo que atônitos, sempre marcados pelas vozes sem fim.
Aos pequeninos a oportunidade de brincarmos mais, o dia inteiro se possível em meio à alegria dos adultos, sendo que a nossa era bem maior, não faltava-nos nada, até que alguém dissesse: “Busque filo aquelo grudo do Pavanelli” – era ela, minha bisa Angelina, pedindo-nos para comprar a famosa caçarola do Popó, um italiano como ela, da família Pavanelli, dono da padaria e confeitaria próxima a sua residência, que em nosso tempo já havia falecido, mas que fizera boa freguesia deixando a padaria e as gostosas receitas para os filhos Zé e Rubens do Popó.
Falava-nos com a certeza de que a sua caçarola italiana era a melhor, como era melhor os seus licores que tomávamos as escondidas no gargalho da garrafa para depois sair sorrateiramente ou seguir em disparada. Brincadeira de criança só agora revelada.
Descendo ou subindo o morro do Ginásio onde morávamos quando criança a sua casa era parada obrigatória, para ouvirmos seu sotaque, que achávamos engraçado e para saboreamos os gostosos biscoitos, que nos ofertava gentilmente.
Muitos carnavais eu vi passar da janela da casa ao seu lado e de minha tia Semiramis. Era grande sua euforia vendo o desfile de seu querido Trombeteiros, passando em meio a confetes e serpentinas. Lembro-me bem, era ela e sua alegria em meio a tantos Democráticos. Mas tudo fazia parte das brincadeiras e da alegria permanente daquela gente sofrida.
Herdei de meus italianos o gosto pelas festaS. Mas minha maior herança, foi à nobreza do coração, a alegria contagiante, a fé inquebrantável, a coragem ao enfrentar desafios, o amor de família e o respeito e a gratidão. Não há moeda mais valiosa, não há ouro que compre a grandeza de seus gestos como não há comparações nem exemplos de seus carinhos. Saudades.
Os italianos começaram a se instalar no Brasil desde o inicio do século XIX, quando foi declarada a independência do Brasil de Portugal, mas foi a partir de 1845 que ficou mais notória a presença dos italianos, advinda com o casamento de D. Pedro II com a Princesa Teresa Cristina filha de D. Francisco I Rei de Nápoles ou das duas Sicílias. Este fato despertou muito interesse de muitos napolitanos pelo País.
A Imperatriz como boa observadora, começou a sentir que a única coisa que verdadeiramente a encantara era a natureza prodigiosa de nossa Rio de Janeiro, ainda conservando uma arquitetura colonial, entre ruas muito sujas e estreitas abrigando em verdadeiros labirintos sombreados e fedorentos, um povo tomado pela miséria.
Depois de ter se adaptado à nova vida e com a cidade que passara a viver, acabou por conquistar o Imperador passando inclusive a colaborar nas questões de estado.
Para melhorar as deficiências na saúde e educação principalmente, conseguiu ela de D. Pedro II facilidades para o ingresso dos italianos no Brasil. Foi assim que se estabeleceram os professores, médicos, farmacêuticos, enfermeiros, artesãos e artistas, como foi também nascendo com os italianos às profissões de engraxate, jornaleiro e vendedor.
Os ambulantes, ficaram conhecidos pela prosa e pelo solfejo de belas canções napolitanas em meio ao seu jeito folgazão, voltado para a conquista da freguesia, sobrepondo com isto aos concorrentes portugueses. Eram profissões até então desprezadas pela elite e pelos brasileiros.
A história nos mostra a luta dos itálicos pela sobrevivência, pela vida e pelas conquistas sociais.
Aqui em São João Nepomuceno os italianos vieram para desenvolverem seus trabalhos na lavoura cafeeira, na fabrica de fiação e tecelagem e por ocasião da construção da ferrovia e suas histórias são idênticas a de outros que se estabeleceram em nosso País.
Imaginem uma São João Nepomuceno sem carnaval! Difícil não é mesmo? O que seria de nossa gente sem a sua maior festa popular que é o carnaval, ela faz parte da alma de seu povo. Isto é fruto da alegria dos italianos principalmente, que trouxeram na bagagem não só a esperança, mas também os seus instrumentos musicais e sua vocação pela musica, com toda irreverência e descontração.
Conheciam eles o grande carnaval de Nápoles famoso em toda a Europa e aqui deixaram raízes firmes que vingaram e fortificaram, por isso São João Nepomuceno no período de momo se torna “A CIDADE DA ALEGRIA”.
No Brasil os instrumentos musicais italianos como o bandolim, o bumbo e a guitarra, ganharam a companhia do tamborim, da cuíca e do pandeiro que lentamente absorveram o ritmo dos negros dando origem a musica e ao carnaval tipicamente brasileiro.
Foi no Rio de Janeiro que se estabeleceu por ideal de um napolitano a primeira fabrica de confetes e serpentinas passando-se a surgir então as famosas “batalhas de rua” nos bairros cariocas, quando todos utilizavam estes ornamentos extravasando sua alegria e foram também os italianos que lançaram o baile a fantasias através da atriz Clara Delamastro, que fez realizar no Teatro do Brasil o primeiro baile a fantasias.
O inicio do carnaval carioca foi marcado pelas canções italianas ao ritmo da tarantela, da polca ou da mazurca e outros ritmos que originaram as marchinhas e os chorinhos.
No ano de 1885 a capital do País é tomada pelos grandes desfiles de carros alegóricos surgindo então as sociedades.
Nossa pequenina São João Nepomuceno, não esteve atrás dos acontecimentos e muitos se lembram da famosa batalha de confete da Rua Coronel José Dutra e de seu nome pomposo de SESQUIPEDAL BATALHA DE CONFETE, quando os comerciantes e o povo se uniam lançando aos foliões confetes e serpentinas transformando a rua em verdadeiro tapete multicolorido.
Por muitas gerações os famosos corsos perduraram, o corso do Clubes Democráticos e Trombeteiros, Clubes que se esmeravam em criticas hilárias, um sobre o outro. Uma rivalidade que valeu o sucesso de nosso carnaval por longos anos.
Já os carros alegóricos se tornaram uma expectativa e uma atração à parte em nossos carnavais pela disputa ferrenha entre os dois tradicionais Clubes Sociais.
Os habitantes desta terra têm as festas como bússola, dedicam a elas o seu amor mais incondicional. Ao se aproximar o dia certo somos felizes e não sabemos ao certo se somos menos ou mais felizes do que no dia em que acontecem.
Passei um bom tempo da minha vida ouvindo de meu pai: “Em São João tudo acontece AC e DC –Não antes de Cristo e depois de Cristo, mas sim antes e depois do carnaval”.
Alegria, este é o estado de espírito que comanda a vida dos que vivem aqui. Herança italiana. Corre junto ao sangue das veias.
Isto vem explicar o porque de uma multidão durante o carnaval conviver animadamente sem brigas e confusões deixando ilesas as flores do jardim palco da alegria.
Não há nada mais gostoso do que se oferecer ALEGRIA, pois há sempre alguém precisando de uma boa dose e somos nos quem fornece a receita, o programa certo para o turista.
Aqui abrimos um parêntese para registramos a visão administrativa de Dr. Carlos Alves, responsável pelo estabelecimento dos italianos em nosso município, quando Agente Executivo acabando por empreender uma reforma agrária no município, com a colocação dos italianos em uma grande extensão de terra, depois que a dividiu em glebas destinando-as a famílias que queriam cultivar o café. O local foi denominado Núcleo Colonial Carlos Alves e até hoje é conhecido como tal em homenagem ao grande idealista e administrador.
Lá se estabeleceram as famílias: Rigolon, Togmoli, Húngaro, Rossignoli, Isele, Mengalde, Tampasco, Zardini, Venze, Luerci, Vanni, Comini, Pianta, Miosso, Pinton, Barrigio, Riuchetti, Bertelli, Carraro, Guazi.
Com a chegada destes italianos foi erigida uma capela em honra a Santo Antônio de Padova no ano de 1882, que guarda até hoje relíquias da época e tradições, como a festa em homenagem a Santo Antonio.
Por aqui não há quem não conheça os costumes da época que estão vivos até hoje como a polenta cortada com barbante, a tradicional macarronada, o pão italiano e a caçarola, um doce típico da cidade.
Outras famílias também aqui se estabeleceram exercendo diversos ramos de atividades, contribuindo sobremaneira para com a economia e o desenvolvimento de nosso município. São elas: Verardo, Pacce, Sardina, Bulla, Frederico, Pistili, Tamancoldi, Maroti, Girardi, Pezzini, Furiatti, Ranna, Nicodemos, Reggi, Palmieri, Pavanelli, Banádio, Riggi, Tozatto, Dadalti, Salvatore, Lobuglio, Vitoi, Fermo, Missiagia, Cestonaro, Bellini, Muscardi, Nalon, Lacava, Fávero, Zampa, Tomei, Pacaccini, Lanini, Albertoni, Cabeti, Rici, Furlan, Zágari, Temponi, Scapolatempore, Pellegrini, Monfardini, Butignoli, Abatti, Gianini, Leardini, Cence, Piovezam, Fiorelli, Guaretto, Rocini, Mancini, Rocci,Birelli, Negrero, Zanovelli, Gualdi, Simpronio, Zandomenik, Baú, Defelipo, Pinguelli, Geraldini, Cestaro, Montoni, Montorsi, Gruppi, Bissoli, Mafili, Bertolini, Rocatti, Ambrósio, Gotti, Varoto, Gentil, Maranha, Vanzan, Boreto, Baldoco, Zignatto, Calian, Turati, Gerola, Manzo, Dundi, Donatto, Benetti, Daquila, Paropato, Treza, Riani, Carrada, Coloni, Vidal, Passaroti, Gerolomique, Bertucci, Buzinari, Belizário, Esperanza, Batello, Fontana, Calegario, Dessupoio, Antonucci Trombini, Agrelli, Rique, Rigoni, Paracini.

IMIGRAÇÃO NA ZONA DA MATA
Antes da edição de Imigração e Colonização em Minas 1889-1930 de Norma de Goes Monteiro pela Editora Itatiaia Ltda, em 1994, pouco se podia encontrar sobre o assunto de forma organizada, por que nenhum estudo havia sido feito antes.
A citada autora, na introdução de seu livro, aborda o problema:
“Sabe-se que Minas é que teve o maior contingente de população escrava, mas se desconhece como foi sendo o escravo substituído pelo trabalhador livre. Nesse processo, coube importante lugar à imigração. ”.
....
[Trata-se] de aspecto que deve ser examinado, seja pelo número de estrangeiros que vieram para Minas desde o fim do Império e, sobretudo, nos primeiros decênios da República, seja pela influência que o elemento exerceu na economia e no processo social, provocando divisões da terra, implantação de nova tecnologia,outros costumes e crenças ...”

Desde o início de nossas buscas em livros revistas arquivo etc chamou-nos a atenção o grande número de imigrantes vivendo em São João Nepomuceno no final dos oitocentos, inicio dos novecentos. Ao longo de nossas pesquisas acumulamos informações também sobre a imigração nas cidades vizinhas. E sempre nos chamou a atenção à visão romântica perpetuada entre os descendentes, a maioria sequer imaginando as difíceis condições em que viveram.
O Centro de Estudos do Arquivo Histórico Geraldo de Andrade Rodrigues traz a público notícias sobre aqueles trabalhadores que substituíram os escravos nos Sertões do Leste.
Fontes consultadas
Arquivo Nacional: Manifesto do Vapor Colombo, aportado no Rio a 03.04.1896
Arquivo Público Mineiro: Livros da Hospedaria Horta Barbosa códices SA 902 e SA 884
Jornal do Commercio: diversas edições do primeiro semestre de 1896.

ALGUNS REGISTROS:

Nota-se aqui os tramites legais de imigração bem como as solicitações e informações a respeito dos imigrantes e que eram feitas aos órgãos superiores da província. Muito interessante é o comunicado do presidente da Câmara de São João sobre a criação de uma hospedaria para imigrantes.

*Secretaria de Agricultura
Primeira Secção
Dia 7
Requisitaram-se da secretaria das Finanças os pagamentos seguintes:
De 145$000, por conta do credito do n.V § 3º art.2º da lei de orçamento vigente, ao immigrante italiano Pelligrini Tarello, como indemnização de despesas pelo mesmo feitas com o transporte de sua familia, do Estado de São Paulo para o municipio de São João Nepomuceno.”
Minas Geraes, 14.11.1893, Anno II, Nº309, página 1.
- “Repartição de Terras e Colonização”
Segunda Secção
Dia 29 de Setembro
Expediente do sr.dr. Secretario de Estado
Aos srs. Jacomo N. de Vicenzi & Filho, auctorizou-se introduzir 12 immigrantes portuguezes, que devem vir do Porto com destino à fazenda do sr. Gregorio José Gonçalves, no municipio de São João Nepomuceno, devendo avisar ao fiscal do 2º districto de immigração o dia da chegada delles.
Ao sr. presidente da camara municipal de São João Nepomuceno communicou-se a providencia tomada em solução de seu officio de 12 do corrente mez; e auctorizou-se para fazer a despesa do transporte de 10 italianos procedentes de São Paulo para a fazenda do sr. José de Abreu, em Taru-Assú, devendo ser as contas authenticadas pelo fiscal do districto, afim de serem pagas pelo Estado.
Expediente do sr. dr. Inspector
Ao sr. fiscal do 2º districto de immigração, em resposta ao seu officio de 22 do corrente, communicaram-se as providencias constantes dos officios acima, referentes aos immigrantes pedidos pelo sr. presidente da camara municipal de São João Nepomuceno, devendo elle opportunamente informar sobre a chegada e localização dos mesmos”.
Minas Geraes, 05.10.1893, Anno II, Nº269, página 3
“Repartição de Terras e Colonização
Segunda Secção
Dia 2

Devidamente informados, foram transmittidos ao sr. dr. Secretario de Estado da Agricultura os officios do presidente da municipalidade de São João Nepomuceno e fiscal do 2º districto de immigração referentes à proposta de creação de uma hospedaria de immigrantes e ao pagamento da quantia de 200$000 despendida com o transporte da familia italiana vinda de São Paulo para São João Nepomuceno”.
Minas Geraes, 29.10.1893, Anno II, Nº293, página 2.

IMIGRANTES EM ROÇA GRANDE, SÃO JOÃO NEPOMUCENO
Provavelmente o nome do vapor Colombo será o mais lembrado em qualquer comunidade de imigrantes em Minas Gerais, por ter sido o que mais viagens realizou sob contrato com a Província. Partindo normalmente de Genova, no Porto do Rio de Janeiro deixou milhares de lavradores esperançosos, italianos fugindo da fome que grassava na terra natal. Assim aconteceu no início de 1896 quando quase 1.400 italianos embarcaram em Genova. No dia 3 de abril, no Porto do Rio de Janeiro, desembarcaram do Colombo 904 italianos contratados para trabalhar na terra mineira. Viajando na 3ª classe como era habitual, aqueles italianos provavelmente não imaginavam o sofrimento que ainda teriam que suportar antes de encontrar um pouso adequado.
Notícias de jornal nos fazem acreditar que foram dificílimas as horas passadas na Agência de Imigração à espera de autorização para seguirem rumo à estação ferroviária onde embarcariam com destino a Juiz de Fora. A falta de higiene que já os acompanhava no vapor provavelmente tornou-se ainda mais difícil de suportar durante aquelas intermináveis horas que os separavam do vagão do trem. É fácil imaginar o sofrimento daqueles bravos imigrantes quando sabemos que entre os 904 passageiros estavam incluídas crianças de até um mês de idade, nascidas durante a viagem. Quem de nós pode permanecer impassível ao pensar em crianças famintas, sujas, sem um lugar para dormir adequadamente há mais de 30 dias, agarradas talvez na barra das saias de suas mães que nada podiam fazer para minorar o sofrimento da prole?
Mais de quarenta horas após desembarcarem no Rio, o grupo de imigrantes deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora. A viagem de trem foi apenas um complemento torturante a mais. Viajavam como carga viva, sem um mínimo de conforto, em vagões que pareciam adequados apenas ao transporte de animais. E em Juiz de Fora foram “despejados” num alojamento que longe estava de ser uma decente hospedaria.
Analisar os livros daquela hospedaria constitui-se num exercício de paciência e coragem. Quantas histórias de vida escondem-se atrás daquelas listas de nomes, de medicamentos consumidos, de doentes graves e mortos?
Mas, acreditamos que o pior vexame ainda estava por vir. Os fazendeiros da região ou seus prepostos viajavam para Juiz de Fora com a mesma disposição que alguns anos antes saíam para comprar escravos. Todos sabemos que o 13 de maio de 1888 é apenas uma data no calendário que não significou de fato a imediata extirpação da chaga social que foi a escravatura. Os corredores muitas vezes imundos da Hospedaria Horta Barbosa foram palco de avaliações desumanas por fazendeiros que vinham em busca de trabalhadores. De certa forma cerceados pela propaganda oficial de garantia de direitos aos trabalhadores ditos livres, nem assim conseguiriam esquecer séculos de relacionamento de posse com os subalternos. E, claro, precisamos também considerar que muitos daqueles fazendeiros tinham sofrido um bom desgaste econômico com a abolição.
Alguns imigrantes conseguiam ser escolhidos logo nos primeiros dias em que chegavam a Juiz de Fora. Outros, e parece-nos que foi o caso da grande maioria, passavam longos períodos por ali. As normas da Secretaria de Terras e Colonização limitavam há 5 dias o prazo de permanência na Hospedaria. Basta no entanto folhear um dos livros de registro para comprovar que os 5 dias eram, na maioria das vezes, o prazo mínimo que um grupo de viajantes de determinado vapor ficava à espera de “ser escolhido” por algum fazendeiro. Como exemplo citamos algumas famílias que viajaram pelo Colombo em 1896.
Natale Rampazzo, de 31 anos, e sua esposa Maria, de 19 anos, procediam da província de Padova, região do Veneto. Se ainda não conheciam os Mazzuccato, provavelmente com eles se relacionaram durante a travessia do Atlântico. Também procedentes da província de Padova, Giovanni Mazzuccato de 61 anos, a esposa Colomba, de 44 anos, os filhos Erminia (11), Rosa (7) e Eugenio de 9 meses formaram com os Rampazzo e os Grigoletto o grupo de imigrantes escolhido pelo fazendeiro José Braz de Mendonça, de Roça Grande, São João Nepomuceno.
Permaneceram na Hospedaria Horta Barbosa somente por 3 dias e por este motivo podem ser considerados privilegiados. Desconhecemos a existência de parentesco entre Natale Rampazzo e o resto do grupo. Sabemos que Giovanni Mazzuccato era irmão de Eurosia Mazzuccato que viajou como membro da família de Bortolo Grigoletto, outro chefe escolhido por José Braz de Mendonça. Aliás, segundo o manifesto do vapor, Bortolo Grigoletto tinha 34 anos, a esposa Maria estava com 27 anos e viajaram com os filhos Natale (3) e Lucia (1), além de Eurosia Mazzuccato de 68 anos e Antonia Grigoletto de 69 anos, as duas últimas sogra e mãe de Bortolo.
O fato de terem sido escolhidos quase imediatamente pode ter sido decorrência de uma boa conversa com o fazendeiro. Parece-nos que Bortolo Grigoletto, que residia na “comune” de Albignano, província de Milano, região da Lombardia, seria uma espécie de líder da grande família que imigrou naquele ano.
A mesma sorte não deu um outro grupo de viajantes do Colombo que também foi contratado para trabalhar em Roça Grande, Luigi Capellotto, de 38 anos, a esposa Teresa de 32 anos, e os filhos Luigia (10), Emma (7), Preste (5) e Blandina (2), procediam da “comune”de Illasi, província de Verona, região do Veneto. Da mesma “comune” eram os companheiros de viagem Giovanni Mellis de 44 anos, a esposa Angela de 41 anos, e os filhos Marcello (16), Antonio (11) e Silvio de apenas 6 meses. Da província de Lucca, região da Toscana, eram Tebaldo Ceccaretti de 28 anos e sua esposa Mariana, de 26 anos. Da mesma região da Toscana, mas da “comune” de Carmignano, província de Prato, eram Luigi Benedaro de 31 anos, a esposa Anna de 34 e a filha Brigida de 5 anos.
Da região da Lombardia, província de Cremona, “comune” Rivolta d’Adda, procediam Giuseppe Boffa de 25 anos, a esposa Luigia 21 anos e o pequeno Stefano de 1 mês.
Também da região da Lombardia, mas da província de Bergamo, “comune” Ghisalba eram os demais membros deste segundo grupo: Giuseppe della Giovanna de 31 anos, sua esposa Giovanna de 21 anos e a família Carminatti.
Giovanni Carminatti de 35 anos, a esposa Angelina Pagano de 30 anos, e os filhos Dalva (8), Guglielmo (6), Arturo (4), Gregorio (2) e Silvio de apenas 7 meses completavam a lista de trabalhadores contratados por Joaquim Pereira de Sá no dia 20 de abril de 1896. Portanto, além de todo o sofrimento da viagem de navio, da longa espera no Rio pelo embarque no trem, do horror de uma viagem em vagão de carga, ainda tiveram que passar 15 dias “depositados” na Hospedaria Horta Barbosa antes que um fazendeiro os escolhesse.

O Vapor Colombo que trouxe para o Brasil os imigrantes italianos Foto 1901
Relacionamos para sua apreciação algumas famílias que vieram para nossa região no Vapor Colombo procedentes de Gênova e chegados à Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora em 1896, ficando a espera dos fazendeiros para serem contratados. Observem que muitas delas ainda possuem seus descendentes em nossa cidade e outras contratadas por outras cidades acabaram vindo para São João Nepomuceno.
A lista é enorme mas para ilustrarmos escolhemos aleatoriamente algumas famílias e se nota perfeitamente na listagem a ação da Câmara Municipal de São João Nepomuceno como contratante e sua importância na época quanto à responsabilidade pela imigração principalmente a italiana,. Na grande maioria eles vieram para assumirem a mão de obra nos cafezais e lavoura em razão da abolição da escravatura no Brasil. As lavouras eram na época grande fonte de riquezas no município, mas muitos se estabeleceram na ferrovia ou fundando aqui casas comerciais e prestadoras de serviços.
Como já dissemos anteriormente muitos de nossos antepassados imigrantes italianos não tiveram por aqui a mesma sorte que outros, principalmente os trazidos por fazendeiros, que acostumados a lidar com escravos os tratavam como tal e não foram poucas as cidades onde eles se constituíram em Associações, como a nossa Sociedade Italiana ou a Casa D’Italia em Juiz de Fora, tudo com intuído de ampararem uns aos outros.

10 comentários:

  1. Jan boa tarde.

    Gostaria de informações sobre minha familia, meu sobrenome é Montoni, sou tataraneto de italiano, porém meu pai não tem informações.
    Gostaria muito de saber sobre minha origem.

    Aguardo contato.

    Atenciosamente,

    Luis Montoni
    luismontoni@hotmail.com

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  2. bom dia sou neto de maria rita rampazzo de oliveira,filha de joao rampazzo flomares.gostaria de saber sobre os flomares.alem de manter contato com os rampazzo.
    obrigado.

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    1. Oi meu nome Eé Patricia, sou neta de Luiza Rampazo , filha de Joao Rampazo Flomares e somos do Rio de Janeiro. A minha avo tinha uma irma chamada Maria Rita. Se tiver algum interesse engrapos@yahoo.com.br

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    2. oi meu nome é marco, sou neto da maria rita rampazo flomares irmã da luiza ou tia titi como minha mãe a chamava. a tia titi tinha filhos, osvaldo que nóis chamava-mos de conde, o arnaldo que escrevia a fauna no largo do tanque em jpa. e outros parentes que me lembro vagamente, olga,delza, tinha uma que morava em mauá. desculce o entusiasmo mais é bom encontrar parentes, mesmo que não seja conhecido.

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  3. GOSTARIA DE SABER SOBRE A HISTORIA DE MINHA FAMILIA PULIER DESDA ITALIA ATE AQUI OBRIGADO TODA INFORMAÇAO E ESSENCIA P O FUTURO DA FAMILIA E A HISTORIA SOU UM PULIER BISNETO E NETO DONA ITALIA

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  4. OI PATRICIA NETA DA TIA TITI, EU NÃO CONSIGO ENCONTRAR A ORIGEM DO SOBRENOME FLOMARE NEM AQUI NO BRASIL E NEM NA ITALIA, JA PESQUISEI E NÃO ENCONTREI RESPOSTA, AO CONTRARIO DO RAMPAZO E DO RAMPAZZO. O QUE ME DEIXA INTRIGADO É O FATO DE O NOME DE CASADA DA MINHA VÓ RITA NÃO SER MARIA RITA FLOMARE DE OLIVEIRA VISTO QUE O NOME DO PAI ERA OBRIGATORIO CONSTAR NOS REGISTROS DE NASCIMENTO E CASAMENTO, SE O NOME DO PAI DELA ERA JOÃO RAMPAZZO FLOMARE ERA PORQUE ELES ERAM CASADOS PORTANTO É ESTRANHO QUE O SOBRENOME DELA SEJA RAMPAZO DE OLIVEIRA QUANDO DEVERIA SER FLOMARE DE OLIVEIRA.SE PUDER ME AJUDAR A ESCLARECER EU AGRADEÇO. UM ABRAÇO MEU TEL.980998091

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  5. jose carlos martins dos reis29 de dezembro de 2015 08:42

    sou de sobrenome lacava,gostaria de saber se alguem conhece ,alguem com esse sobrenome e sua história ,minha avó Ricardina la cava reis nacseu em sjn

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  6. Olá!
    Gostaria de saber sobre a historia de minha familia. Meu sobrenome é Buzinari e queria saber algo.
    Como faço?
    Pode me fornecer algumas dicas?
    Muito obrigado!
    Rodrigo Buzinari

    rodrigobuzinari@hotmail.com
    rodrigobuzinari@gmail.com

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  7. Ola Boa Tarde
    Encontrei o sobrenome da minha familia em suas pesquisas MONFARDINI, gostaria de saber o que levou vcs a ligarem essa cidade ao vapor colombo de abril 1896, talves vcs tenham mais informaçoes que podem me ajudar, a unica informação que consigo visualizar naquela ficha da hospedaria seria que minha familia teria ido para Bh espontaneamente, mas desde então nao consigo localizar o nascimento do meu bisavo que teria ocorrido em minas, segundo informacoes em juiz de fora mas que nao localizei nada se puder me ajudar fico grata, queria sabet como vc chegou a esta informacao deste sobrenome em sao joao.

    vanessa_monfardini@hotmail.com

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  8. A origem do nome Nepomuceno é Theca ou Italiana, nas pesquisas não é claro sobre a origem do sobrenome.

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CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

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CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

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NOSSAS MONTANHAS

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UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

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SEM PALAVRAS!

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A FABRICA DE TECIDOS

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FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

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ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

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EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

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vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

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O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

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O que restou da historia? UMA FOTO!!!