SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

domingo, 3 de outubro de 2010

UM HOMEM DE DOIS PARAMETROS A EDUCAÇÃO E A FAMILIA


VOCÊ FOI UM PANDEGO PROFESSOR UBI BARROSO SILVA

Pândego...

Que é engraçado e alegre
Terminologia que adotamos nesta homenagem para descrever o seu lado hilário contrapondo sempre com o austero.
Como ele gostava de dizer esta palavra!

Prefácio:

Os anos correm, mas as lembranças os retardam aparentemente, principalmente quando os dias vencemos recordando. Não houve um dia sequer depois que meu pai foi chamado por nosso Senhor, que um de seus amigos ou ex-alunos não comentavam seus casos. Nunca pensei em compilar os casos, as frases que durante os anos fomos guardando, pela constante aplicação das mesmas ou porque saudosamente alguém nos contava, em seus momentos de lembranças de nosso amado e muito querido pai, o professor Ubi Barroso Silva, mas numa conversa com o amigo Renato Ferreira de Souza este foi categórico quando ao me incentivar enquanto eu lhe abria o meu coração. Disse Renato: Faça Zé Carlos um livro sobre os casos do seu pai, sobre as tantas frases que ele deixou, eu não o conheci, mas é curioso e importante o que ele dizia, marcou muito a vida de seus alunos, e falo isto tomando como base o que ele passou para a Mônica minha esposa.
Posso parecer pretensioso e audaz, mas há pessoas que se vão e marcam pelas atitudes enérgicas, mas justas, pelo caráter, pela inteligência, pela amizade, pela confiança, pela bondade de seus corações, pelo ideal e determinação, pelos conceitos que transmitem, pelos ensinamentos que apregoam, pela honestidade de princípios, pela franqueza na exposição de seus pontos de vista e impressões, pelos conselhos certos na hora sempre certa.
Assim foi meu pai, que como instrumento do Senhor tinha como missão entre tantas a de ensinar-me e a tantos, que ele carinhosamente chamava de “anjinhos”.
Então aqui transcrevemos alguns de seus momentos e os dedicamos com carinho a tantos de seus anjinhos de ontem e aos de hoje que não tiveram a oportunidade de conhece-lo.
Ai está Renato linhas que são frutos do seu incentivo e de sua amizade fraterna.
Aqui está para vocês Thiago e Duda meus queridos filhos um pouco de seu avô que passou por esta vida sendo apenas um homem de dois parâmetros à família e à educação e fazendo delas o seu apanágio.
Bebam de sua água e nele se espelhem porque quis o Senhor que ele por aqui passasse erguendo e soerguendo o que é bom, útil e de bons princípios.
Um grande abraço a todos e abracemos agora nossas saudades.
José Carlos Barroso

Biografia:O Professor Ubi Barroso Silva nasceu em São João Nepomuceno, aos nove dias do mês de abril do ano de 1926.
Era filho de José Barroso Silva alfaiate em São João Nepomuceno onde foi também foi Delegado Municipal e, de Dona Amélia Lacava Silva filha de imigrantes italianos aqui radicados e, uma grande costureira .
O Professor Ubi Barroso Silva fez seus estudos iniciais (1ª a 4ª serie do primeiro grau) na Escola Estadual Coronel José Braz, hoje Escola Municipal Coronel José Braz, o curso ginasial (1º grau de 5ª a 8ª serie) no Ginásio São João Nepomuceno.
Com apenas quatorze anos já era professor da Escola Remington Rand em São João Nepomuceno onde lecionava datilografia tendo sido alvo de distinção pela diretoria da Remington Rand no Brasil em uma carta dirigida aos diretores da Escola em São João Nepomuceno, o Professor Dr. Rui Barroso Silva e o Dr. José de Castro Azevedo, carta essa que o qualificava de “menino prodígio” pela sua destreza e conhecimento sobre a máquina de escrever.
Quando seu pai se transferiu para o Rio de Janeiro para lá exercer o oficio de alfaiate fez ele o curso secundário (2º grau) no Colégio Pedro II na cidade do Rio de Janeiro.
Trabalhou na oficina de seu pai ao lado de seus irmãos e, mais tarde em uma tipografia, quando então se transferiu para São João Nepomuceno e aos dezoito anos já era professor do curso ginasial 5ª a 8ª (series), quando o seu irmão o Dr. Rui Barroso Silva em janeiro de 1945 adquiriu o Ginásio São João Nepomuceno e a Escola Normal Dona Prudenciana em sociedade com o Professor Nilo Camilo Ayupe, ocupando ele a cadeira de Geografia.
Freqüentou uma série numerosa de cursos complementares entre os quais: Curso de Aperfeiçoamento de Professores promovido pelo SENAC MG, em 1952 Curso de Aperfeiçoamento de Professores promovido pela CADES em Ubá (Campanha de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento do Ensino Secundário), curso promovido pela CADES em Cataguases no ano de 1962, tendo coordenado o referido curso o Professor David Arão Reis do Colégio Pedro II RJ, quando o Professor alcançou o primeiro lugar na turma dirigida pelo Professor José Cardoso também do Colégio Pedro II RJ, em 1971 o Curso de Desenvolvimento Integral – Extensão Universitária – realizado sob os auspícios da Universidade Católica de Minas Gerais, de 10 a 12 de junho de 1971 o Curso de Psicopedagogia Familiar, ministrado pela Professora Maria Junqueira Schimidt do Movimento Familiar Cristão, de 30 de agosto a 28 de novembro de 1971 fez o Curso da ADESG (Associação dos Diplomandos da Escola Superior de Guerra).
Participou ainda do Segundo Congresso do Ensino Normal COBEN em 1968, do XIII CONEPE (Congresso de Estabelecimentos de Particulares de Ensino).
Em 1946 esses dois professores requereram ao MEC o funcionamento do curso comercial tendo esse sido autorizado em 26.09.46 data em que então fundaram a Escola Técnica de Comercio de São João Nepomuceno.
No ano de 1949 em outubro precisamente se afasta da sociedade o Professor Nilo Camilo Ayupe, quando então os professores Ubi Barroso Silva e Ari Barroso Silva adquiriram a parte do professor Nilo no condomínio, passando então os educandários a serem dirigidos pelos três irmãos.
Neste mesmo ano casa-se com a Professora Dona Dila Henriques Barroso filha de Basílio Henriques Pereira Filho e de Maria Teixeira de Mendonça, com a qual teve cinco filhos: José Carlos, Paulo Roberto, Maria Teresa, Carlos Roberto e Maria Amélia.
Em 1952 deixa a direção o Professor Ari Barroso Silva ficando então a gerência do Educandário, com os irmãos e professores: Rui Barroso Silva e Ubi Barroso Silva.
O Professor Ubi Barroso Silva durante os seus quarenta e dois anos dedicados à educação de jovens são-joanenses exerceu com dedicação diversas funções naquela instituição educacional como secretário, tesoureiro, professor e diretor.
Foi ele, professor de Geografia, Matemática, Organização Social e Política Brasileira, Educação Moral e Cívica, História e Mecanografia.
Ubi, foi aluno distinguido em diversos cursos que freqüentou, cursos preparatórios para professores, estes oferecidos pela CADES nas disciplinas de Geografia e Matemática alcançando em todos o primeiro lugar.
Muito o orgulhava ter sido aluno de renomados professores, todos autores de livros e de coleções didáticas, como os consagrados Malba Tahan, Oswaldo Saggioro, Arão Reis, José Cardoso e David Marcio.
Fundou ainda durante os anos de dedicação a educação e cultura são-joanense no ano de 1970 o Curso Cientifico, o Curso de Auxiliar de Laboratório de Análises Químicas, o Curso Preparatório para o vestibular em convenio com o curso CAVE CAVEME de Juiz de Fora, em 1985 fundou os cursos de Estudos Adicionais em Pré Escolar e Comunicação, em 1986 fez funcionar o 1º grau de 1ª a 4ª séries.
Foi também ele fundador do Colégio Farmacêutico José Andrade na cidade de Descoberto e pioneiro do ensino médio naquele município, proporcionando aquele povo também oportunidade para se estudar.
Mais tarde a escola por ele fundada foi integrada à escola pública estadual, fato que permanece até o presente.
O professor Ubi Barroso Silva ao lado de sua fiel companheira Dona Dila Henriques Barroso em 16 de maio de 1983 foi distinguido pela Câmara Municipal de São João Nepomuceno, com o título honorifico de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados ao Município no setor educacional.
Também foi distinguido pelo mesmo fato pelo Clube Democráticos, pela Escola Estadual Oswaldo Cruz, e no ano de 1974 o Lions Clube de São João Nepomuceno lhe agraciou com o titulo de “Pai do Ano”. Por diversas vezes foi homenageado pelo corpo docente e discente dos Colégios onde lecionou e dirigiu, sendo paraninfo e patrono de inúmeras turmas.
Pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais foi homenageado como “CIDADÃO AMIGO NÚMERO UM DA POLÍCIA” e o de “BENEMÉRITO” da Policia Militar do Estado de Minas Gerais no ano de 1974.
O professor Ubi foi associado de diversas entidades sociais, recreativas e esportivas de São João Nepomuceno como Democráticos, os Trombeteiros, Botafogo, Mangueira e da Escola de Samba Avenida Carlos Alves da qual foi seu presidente tendo sido no ano de 1985, agraciado com o diploma de “BENEMÉRITO” daquela entidade carnavalesca.
O Professor Ubi Barroso Silva foi também membro destacado na ABEM tendo sido Presidente do Conselho Deliberativo.
Foi ainda o Professor Ubi Barroso Silva por cerca de vinte e cinco anos consecutivos Escrivão da Policia Civil de Minas Gerais aprovado em primeiro lugar em concurso publico para o cargo. Venceu ele as diversas categorias dentro da Polícia Civil, como escrivão de 1ª, 2ª, 3ª classes e de Classe Especial e da mesma se retirando por pedido de exoneração.
O Professor foi também distinguido proprietário rural, criador de bovinos da raça holandesa e, um dos pioneiros na técnica de inseminação artificial desses animais no Município, foi também criador de eqüinos da raça manga-larga marchador, tendo seus animais sido premiado em diversas Exposições Agropecuárias
Já combalido pela doença o Professor Ubi Barroso Silva veio a falecer em 15 de setembro de 1986, tendo seu sepultamento sido bastante concorrido, prova de sua estima e de seu grande significado para o povo são-joanense.
A verdadeira multidão que velou o seu corpo no Colégio a que tanto dedicou o acompanhou até o tumulo, quando lhe foram prestadas diversas homenagens entre estas a frase que foi proferida pelo então Deputado Federal Silvio de Abreu Junior seu amigo particular: “UM HOMEM DE DOIS PARÂMETROS, A EDUCAÇÃO E A FAMÍLIA” e que seus filhos fizeram inserir em lápide, pois bem representa e traduz a vida do grande educador.
O Prefeito Municipal decretou luto oficial por três dias e a bandeira do Município foi hasteada no parlatório da Prefeitura Municipal de São João Nepomuceno em honra a memória de um de seus filhos mais ilustres. Assim como a Câmara Municipal enviou à família voto de pesar por seu passamento.
As Policias Militar e Civil de Minas Gerais prestaram significativas homenagens durante o funeral tendo suas viaturas acompanhado o cortejo fúnebre e as sirenes destas, sido acionadas durante o mesmo, quando o povo consternado conduzia o corpo do professor amigo até a sua última morada.
Da mesma forma os alunos de todos os educandários são-joanenses de 1º e 2º graus devidamente uniformizados perfilavam em honra ao grande professor.
A Voz de São João, semanário tradicional e mais antigo da cidade dedicou várias linhas ao passamento do professor, assim como diversas pessoas, entre amigos, admiradores, alunos e ex-alunos se manifestaram sobre o passamento do conceituado lente.
Também o Jornal semanário “O Coreto” de Descoberto prestou em suas páginas homenagens ao grande educador responsável pela introdução da instrução secundaria naquele município vizinho, fazendo inserir em suas páginas várias homenagens de reconhecimento.
Já o Tribunal de Alçadas de Minas Gerais por solicitação do Juiz e Desembargador, depois Ministro do STF Paulo Geraldo Medina também seu ex-aluno registrou voto de pesar pelo passamento do Professor Ubi Barroso Silva, tendo assim justificado seu voto: “A minha cidade, pela ausência do Professor Ubi Barroso Silva, sente arrancado de suas entranhas o seu maior educador”.
Centenas de cartões, cartas, ofícios de várias entidades, telegramas e milhares de mensagens, oriundas de toda parte do Brasil e exterior, escritas por alunos, ex-alunos, amigos e parentes foram passadas à família enlutada e o comércio são-joanense em homenagem ao grande homem da educação, permaneceu a meia porta durante todo o dia, como também fechado suas portas no momento do cortejo fúnebre, prestando uma ultima homenagem a ele, que ensinou a várias gerações fundamentos morais, religiosos, éticos, sociais e técnicos.
Até os dias de hoje não são raras as homenagens, que são prestadas ao simples são-joanense filho de alfaiate, que foi indicado por Deus para ensinar aos grandes como ser pequeno.
Hoje em sua terra natal, São João Nepomuceno, o povo perpetuou seu nome dando-o a uma de suas ruas, assim como por solicitação de ex-alunos, a Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais prontamente acatou sua proposição passando a Escola Estadual São João Nepomuceno Pré-Escolar a se denominar Escola Estadual Professor Ubi Barroso Silva Pré-Escolar.
Hoje a escola, com o advento da lei, que estabeleceu a municipalização do ensino no Estado de Minas Gerais a mesma foi integrada ao Município de São João Nepomuceno, com o nome de Escola Municipal Professor Ubi Barroso Silva Pré-Escolar, um preito de gratidão ao grande são-joanense.
Assim o professor Ubi é nome de uma Escola, uma “Escola de Anjinhos” , como ele carinhosamente se referia a seus alunos.
Findamos com uma pergunta. Pergunta esta feita pelo Vereador Luiz Navarro Ribeiro, quando o emérito educador recebia por Projeto de Lei de sua autoria o titulo honorifico de honra ao mérito do poder Legislativo de São João Nepomuceno:
“O que seria da cultura e da inteligência são-joanense não fosse a pujança e a grandeza do Instituto Barroso, por traz das quais se destaca, vitoriosamente, a personalidade do estimado e queridíssimo Ubi Barroso Silva”.
A lenda do terno branco:

O Professor Ubi Barroso Silva foi sempre um grande admirador de tecidos finos, com certeza gosto herdado de seu pai um alfaiate de primeira grandeza.
Os tecidos ingleses foram usados no mundo durante várias épocas e como não poderia ser diferente também por aqui foram empregados nas roupas dos brasileiros.
E a casimira inglesa e o linho eram os tecidos de sua preferência, principalmente o linho branco, cor que era a sua prioridade já que pouquíssimas roupas suas eram de cor e quando eram o azul claro era a segunda cor na sua preferência.
Mas foi o terno de linho branco, que também o popularizou e se constituiu em uma interessante lenda contada de canto a canto em São João Nepomuceno e no Colégio, principalmente pelos alunos, ex-alunos e pelo povo, ganhando notoriedade e passando a fazer parte do dicionário de casos folclóricos são-joanenses.
Quando ele apontava na subida do morro (o morro do Ginásio do Sô Bi “como é até hoje conhecido) o primeiro aluno que o via logo se encarregava de contar a todos a novidade, ou seja: “O SÔ BI TÁ DE TERNO BRANCO”
O terno branco significava para os que com ele conviveram, que ele estava com raiva de alguma coisa, pois diziam os alunos, que quando ele estava de terno branco estava bravo e que todos deveriam se precaver. É lógico que tudo não passava de uma coincidência, mas foi assim, que surgiu a lenda do terno branco, como foi assim que ela se propagou pelos quatro cantos da cidade.
Na verdade nós que o conhecíamos mais de perto assim não víamos as coisas, pois sabíamos, que tudo não passava mesmo de uma coincidência ou de apenas um gosto exagerado pelas roupas brancas.
Acostumados com o grande numero de camisas brancas sempre foi difícil imagina-lo de outra forma. Assim também ele escreveu mais uma pagina notória.

O outro lado:
O Professor Ubi Barroso Silva, embora cidadão exigente, enérgico, probo, de virtudes inigualáveis, era dono de uma personalidade hilária e por ser dono de grande nobreza sabia perfeitamente conduzir esses seus dois lados, pois detinha grande sabedoria.
E é o seu lado engraçado, espirituoso, jocoso, que daqui para frente vamos nos ater. Creiam todos que o seu lado pilhérico muito marcou os são-joanenses, pois contrapunha com o seu lado sério, circunspecto e é esse o lado que todos admiravam que vamos construir juntos. Vamos lá!
Alguns casos do professor Ubi Barroso Silva.Caso 01.Por volta de 1969 no antigo Ginásio São João Nepomuceno onde se era proibido fumar um jovem de nome Giovanni desobedecia ao regimento atendendo ao seu vício e fumando no pátio do Ginásio na hora do intervalo (recreio).
O então Diretor Ubi Barroso Silva que gostava de andar pelos corredores e visitar as dependências da escola inspecionando-as viu Giovanni fumando e lhe perguntou?
Giovanni você esta fumando? Imediatamente respondeu o aluno, que antes um pouco dera um forte tragada em seu cigarro e depois o escondera debaixo de seus sapatos quando viu a presença do enérgico diretor: não senhor, disse ele soltando toda a fumaça que retinha em sua boca e inesperadamente porque o que já se esperava era mesmo uma bronca daquelas o espirituoso professor Ubi lhe disse: não? Então você esta com o radiador fervendo. Todos os alunos caíram então em risos.
Caso 02.Certa feita o professor Ubi estava sentado numa barbearia esperando sua vez para que o barbeiro lhe cortasse os cabelos que ele fazia questão ser a moda príncipe Danilo. Quieto em seu canto lendo uma revista ouvia os papos dos fregueses e já o incomodava porque o barbeiro não parava de falar um segundo sequer.
Chegada a sua vez sentou-se na cadeira e então o barbeiro lhe perguntou: professor como é que corto o cabelo? Imediatamente o professor Ubi lhe respondeu: CALADO. Risos então por todos que lá estavam e presenciaram mais uma tirada do hilário professor.
Caso 03.
Vindo de automóvel de Juiz de Fora, não havia um dia sequer que quando chegava a São João Nepomuceno não falava, que acabara de fazer uma viagem de avião.
O professor Ubi morria de medo de avião, alias nunca entrou em um, mas sempre que passava em uma curva existente na estrada Juiz de Fora - São João nas proximidades da cidade de Rochedo de Minas dizia: Passar nesta curva na beira deste precipício e ver a cidade de Rochedo lá embaixo, bem pequenininha me da impressão que estou dentro de um avião e isto basta para mim, não preciso entrar em um.
Caso 04.
Um aluno estava faltoso há vários dias sendo que sua presença já se era notada por todos da escola quando de repente aparece ele com sua testa machucada. O professor Ubi lhe pergunta: Que houve com você meu filho? Tem faltado muito. O aluno meio acanhado lhe disse: Eu machuquei Sô Bi, bem aqui na testa, o machucado parecia o Estado de Pernambuco e logo em seguida antes mesmo que ele terminasse sua explicação o professor Ubi comentou: É então foi um acidente, mas geográfico não é mesmo? O Professor Ubi era professor de geografia.
Caso 05
Um dia um jovem aluno da segunda série ginasial chamado Afrânio o Franinho chorava sem parar quando o professor Ubi dele indagou o que estava acontecendo. Que houve menino? E Franinho chorando disse: Foi o questionário. Quem tomou seu questionário fala e pare de chorar. Não Sô Bi foi o Mauro. O Mauro então te bateu? Chama o Mauro lá. Chega o Mauro e ele disse: Entrega logo o questionário do Franinho. O Mauro disse: Eu não to com questionário dele não. Foi quando o Franinho disse: Não Sô Bi o apelido do Mauro é que ´pe questionário. Risos geral. Estava tudo explicado. O Franinho havia levado um soco do Mauro Questionário apelido que lhe fora dado na escola por muito perguntar. Coisas de menino de escola.
Caso 06
Certa feita a sua cunhada Célia esposa de seu irmão Ari Barroso Silva ligou para o seu cunhado o professor Ubi sobre uma encomenda que lhe havia feito sua esposa que também era prima de Célia.
Célia ligou, o professor Ubi atendeu, ela falou sobre a tal encomenda e lhe perguntou sobre todos e ele não lhe respondeu, o telefone ficara mudo como a ligação tivesse caído, quando ela então disse alo, alo bibi, bibi e ele lhe respondeu alo e nada mais disse e nem lhe foi perguntado. Coisas do professor Ubi que detestava falar ao telefone.
Caso 07
Falando em telefone o telefone do colégio tocou e o professor Ubi atendeu, era um aluno perguntando sobre o seu guarda chuvas. Sô Bi o meu guarda chuva ta aí? Ele pegou logo dois guarda chuvas que estavam a seu lado e disse: Qual dos dois? Esse ou este aqui? O aluno disse: Eu num to vendo! E ele respondeu: Nem eu sei quem esta falando também.
Caso 08
Gostava de contar que certa feita encarregou um aluno de tomar conta de seus colegas para que estes não conversassem. Ordem dada ordem cumprida. O aluno num pedaço de papel escreve o nome de outro que estava conversando o Helvinho como é chamado o Hélvio e quando ele pediu a lista com os nomes lá estava El Vinho. Ele riu e perguntou: quem é este aluno espanhol que você escreveu aqui. Risos geral da turma inteira e nada aconteceu com o Helvinho ou melhor El Vinho.
Caso 09.
Ele acabara de comprar do senhor José Rodrigues Pereira da antiga Fabrica de Móveis Brasil 50 carteiras individuais em madeira maciça.
Satisfeito com os novos modelos a sala era o cartão de visita do colégio. Um belo dia uma das carteiras aparece escrita. Um aluno havia escrito o seu nome, Marcelo. Ele então pergunta ao Marcelo, que era aluno novato e fazia o curso ginasial, 4ª série e na sala onde ficavam as novas carteiras. Marcelo por que você colocou o seu nome na carteira escrevendo com canivete ainda por cima? Ah Diretor eu não tinha nada pra fazer... nem terminou e ele então lhe disse: Você escreveu o seu nome deve ser porque a carteira é sua, ao final da aula pode leva-la porque as que eu comprei não tem nome nenhum estão novas. E realmente Marcelo desce a ladeira ao final da aula levando a sua carteira. Passados alguns meses Marcelo sobe o morro com uma carteira novinha, pois seu pai fez o mesmo. Mandou que se fizessem outra carteira e mandou o seu filho levar e com a escrita ele ficou. Uma tremenda lição passou o Marcelo.
Caso 10.
Naquela época o Ginásio possuía internato e foram vários os estudantes de outras cidades que por lá passaram e eu me lembro de muitos, mas desse que vamos contar o caso em particular eu não o conheci. Era aluno transferido de um colégio do Rio de Janeiro, logo que aqui chegou foi apelidado pelo professor Ubi de carioca, mas o seu nome era Áureo. Um belo dia o Áureo sumiu, o professor ficou maluco, devia estar pensando como depois iria explicar a ausência do aluno, era uma responsabilidade daquelas. Procura daqui e dali até que resolvem olhar para cima e lá está o Áureo sentado na bola que ornamenta o prédio do colégio. Foram muitos os casos de seus alunos, mas esse em particular marcou muito porque depois o carioca apareceu em São João para uma visita e qual não foi a tremenda surpresa ele era dono de um dos maiores colégios do Rio de Janeiro na época.
Caso 11.
Esta passagem se deu com o Tatu o Geraldo filho do Sr, Helvécio Rodrigues. Tatu havia feito um aviãozinho de papel e lançou-o dentro da sala de aula. O avião percorreu a sala e saindo péla porta bate no professor, que imediatamente pegou o avião e nele estava escrito Viação Aérea Tatuzinho. O professor fez a maior fará com o avião do Tatu. Bem mais tarde Tatu vem a se tornar um aviador e hoje possui uma empresa de transporte aéreo. Perseguiu o seu ideal e acabou vencendo.

Caso 12
Certa vez ele reuniu todos os alunos do turno da manhã no salão nobre. Alguém havia ido até o reservado e feito encima da privada um enorme monte de fezes. Disse ele então: que foi o artista autor daquela escultura em forma de pirâmide que esta em cima da privada.
Não houve um que não ficasse sério.

Caso 13
Tempo de chuvas intensas. Um dos vizinhos do Colégio não cansava de procura-lo sempre no horário de suas aulas o que já estava lhe incomodando bastante. Queria esse vizinho que o professor Ubi resolvesse o problema do volume de água que esta a escorrer pelo seu terreno partido dos pátios do colégio. Não havia o que mais se explicar, como a água que cai em cima tem de escorrer para baixo é a lei natural das coisas, lei da gravidade e por assim foi explicando e o vizinho irredutível não entendia, pois o que ele queria é que se captasse toda a água e a encanasse até a rua numa extensão de mais ou menos cem metros o que ficaria muito caro. Então o professor achou a solução e disse ao vizinho: olha eu falo você não quer entender, eu já estou lhe enchendo com minhas explicações e você me enchendo com sua teimosia. Vou fazer o seguinte da próxima vez que chover eu vou beber toda a água que cair aqui no colégio e aí estará solucionado o problema, ta feito ? Nem mesmo o vizinho se conteve, os dois riram e ficou o dito pelo não dito.

Caso 14
No Colégio era proibido aluno fumar. Na época havia um cigarro de nome QUENTAL. Numa bela manhã estava o Totonho Arruda fumando quando pela janela o professor Ubi viu o que estava acontecendo. Flagrou ele o Totonho por diversas vezes soltando suas baforadas, fazia até pose. Devagar caminhou para onde estava o Totonho, pediu o seu maço de cigarros e leu, muito bem... Quental e lhe disse fume outro Totonho, o Totonho acendeu e foi fumando até ao meio do cigarro, quando ia jogar fora ele lhe disse: não Totonho fume até o final já que você esta com tanta vontade e não pode esperar a aula terminar. Quando o cigarro chegou ao fim ele virou para o Totonho e perguntou-lhe Que Tal? Fume outro. O Totonho fumou e ao final a mesma coisa, Que Tal Totonho. Não sei se o Totonho ainda fuma mas serviu de lição não só para ele como para outros que assistiam e faziam o mesmo.

Caso 15
Certo cidadão muito conceituado na cidade, amigo de infância do professor Ubi, depois de cometer inúmeras injustiças com o professor e não havendo mais outro jeito, passa o professor a falar do seu amigo pela cidade. O caso já estava tomando rumos diferentes, quando alguns amigos comuns resolveram fazer alguma coisa, dar um basta na questão, nos desentendimentos e promoveram um encontro dos dois amigos e naquele momento então desafetos. Dia marcado, local determinado, hora marcada. Lá se foram eles para o encontro e também testemunhas e mediadores. O amigo então começa a conversa e pergunta: você Ubi tá falando de mim lá no Bar Central. O professor parou, pensou e seriamente perguntou; mas no Bar Central?
E o seu amigo falou: Sim no Bar Central, eu tenho testemunha. O professor Ubi, parou novamente e pensativo respondeu: É eu devo ter falado de você no Bar Central porque eu já falei em tantos lugares, então devo ter falado por lá também. Ele gostava de contar esse caso mas concluía: É ele pensou que eu ia negar né e eu então sai com essa. Conclusão: não houve meio de se consumar o aperto de mãos e ambos continuaram apenas se cumprimentando e, entre os dentes como ele falava.

Caso 16
Certa vez partiu ele para Belo Horizonte par resolver problemas na Secretaria de Estado da Educação. Chegando lá ele se apresentou como Diretor dos Colégios disse o que desejava, quando então a atendente lhe disse: O senhor é mesmo de onde, é daqui de Belo Horizonte? Não minha filha, respondeu. Ela lhe perguntou então o senhor é de onde mesmo? Ele lhe respondeu, de São João Nepomuceno senhorita. Ah sim o senhor é de Nepomuceno? Não senhorita eu sou de São João Nepomuceno, zona da mata, Nepomuceno é sul de Minas. Ah de São João do Nepomuceno. Disse ele: não, sou de São João Nepomuceno, não tem esse do ai que você colocou, filha. É isso mesmo o senhor é então do interior? Não senhorita eu não sou do interior não. Sou professor de geografia, conheço o mapa de Minas e do Brasil e do interior são vocês de Belo Horizonte, minha cidade fica bem mais perto do mar do que imagina. Tolerância zero. Ele mesmo dizia: dei uma de Saraiva com a moça.

Caso 17.
Gostava de ver os alunos uniformizados. Os uniformes deviam estar sempre limpos e em perfeito estado. Saia curta de jeito nenhum. Chegou ao ponto depois de constantes avisos as meninas sobre o tamanho dos uniformes a estabelecer um comprimento para as mesmas, sobre protestos de todos é claro. A aluna ajoelhava, se a saia estivesse à altura de seus joelhos estava apta para assistir as aulas. Quando alguma estava com uma saia mais curta ele dizia: vá em casa colocar o uniforme, você só veio de cinto a sua saia deve estar lá, você deve ter saído muito apressada. Sabia perfeitamente porque de suas atitudes.

Caso 18.
Já doente e depois de receber o resultado de um novo exame brincou. Mais uma doença, eu posso até escolher agora de que vou morrer. Tinha ele perfeita consciência de seu estado e isso jamais foi empecilho para continuar vivendo brincando. Sua fé era inabalável.

Caso 19.
Dizia sempre: se você quiser encontrar alguém em Juiz de Fora é só ir até a lanchonete do Café Apolo, _ uma antiga lanchonete existente na Rua Marechal Deodoro _ e deve estar se deliciando com a torta de frango.

Caso 20.
Você andando pelas ruas de Juiz de Fora encontra no passeio duas pessoas que conversam, é fácil reconhecer de longe se são de São João, basta você verificar se estão com algum embrulho de pão na mão ou debaixo do braço.

Caso 21.
Era muito comum os alunos passarem mal só para não assistirem as aulas e diziam. Sô Bi posso embora? Mas por que você quer ir embora? É que eu to passando mal. Dizia então com um ferro de passar você vai passar bem.

Caso 22.
Se um aluno havia cometido qualquer falta e quando chamado atenção por ele dizia: Eu errei Sô Bi, eu errei. Dizia então: Não tem rei nem rainha, você pode ser rei, mas vai fazer duzentas copias desta frase, e escrevia a frase no quadro ou dependendo da falta cometida suspendia o aluno por três dias das aulas.

Caso 23.
Estávamos no horário de aulas da tarde, ele dava sua aula, quando de repente toda São João ouviu um tremendo estrondo. Barulho incrível como de o de uma grande explosão. Correu ele e toda a classe para a janela quando se via urubus voando, grande quantidade de poeira e fumaça partindo da rodoviária antiga e disse: só pode ser coisa daquele doido. E ele tinha razão o Silvio Picoroni acabara de soltar uma bomba caseira e era ele o doido a que se referia o professor Ubi.

Caso 24.
O professor Ubi sempre se mostrava amigo de seus alunos e foram muitos que continuaram a estudar por causa de seus conselhos. Era diretor, professor e ao mesmo tempo era pai, tio avô, conselheiro, psicólogo. Por várias vezes seu escritório foi celebre consultório psicológico ou confessionário, quando algum aluno estava com um problema. Era comum vê-lo abraçado aos alunos andando por entre as varandas ou pelo pátio instruindo-o, aconselhando-o.

Caso 25.
Estávamos andando pelas ruas do centro de Belo Horizonte, ele com pressa e eu tentando acompanha-lo. De repente começou a assobiar, como se aquele assobio fosse uma buzina, pois a rua estava superlotada e as pessoas utilizavam os passeios para tudo menos para transitar. A todo o momento dizia: feche as asas, deixe-me passar e as pessoas o obedeciam rindo, quando ele virou-se para traz em minha direção e exclamou: quanta gente feia e jeca meu filho, depois nós é que somos do interior e jecas. Esse é o pessoal de Beo Zonte. Esse era o professor, critico por excelência.

Caso 26.
Um de seus alunos chegou perto dele chorando e ele logo perguntou: o que aconteceu com você menino? Sô Bi o Zezinho mexeu comigo. Mexeu? E por acaso você é angu? Angu é que a gente mexe na panela.

Caso 27.
Quando Waldeck o Dequinha estudava no colégio era aluno daqueles de levado.Certo dia pediu para ir ao reservado e o professor que estava em sua sala deixou. Mal intencionado e pronto para fazer algo errado pegou seu canivete e cortou os canos de água do banheiro que eram naquele tempo de chumbo e logo correu para sua sala. De repente a água começa a transbordar para o pátio e diante daquilo ajuda ao Professor Ubi a dobrar os canos com um alicate e o vazamento terminou. Após o termino da aula o professor Biel chamou Dequinha na rua e disse-lhe: eu vi quem cortou os canos e eu vou contar para o Bibi. Dequinha então resolveu que no outro dia falaria a verdade e cedo chegando ao colégio procurou o professor Ubi e antes que confessasse o professor Ubi disse-lhe: eu sei de tudo e pegou Dequinha e levou- o até a sua sala e começou a elogia-lo. Este menino é exemplo porque viu o vasamento de água e foi logo ajudar. Dequinha não entendendo nada pois se o professor sabia que era ele o autor da bagunça causada estava a elogia-lo. Depois dos elogios o professor começou a zangar com outros alunos e com a turma bagunceira. Quando saiu chamou Dequinha e disse-lhe:eu sei que foi você que cortou os canos do banheiro, mas eu estava precisando mesmo de chamar atenção dessa sala e esta foi à oportunidade, volta pra sua sala e não faça mais isso.

Caso 28.
Como gostava de brincar com os alunos Júlio era um de seus escolhidos e toda vez que pelo Julio ele passava dizia: Julio Julio você precisa virar agosto.
Caso 29.
O professor era também escrivão da policia civil (escrivão de classe especial). Num belo dia pela madrugada foi acordado em sua residência por um soldado para que efetuasse a prisão de um cidadão que naquela noite tinha aprontado poucas e boas. Durante a abertura do inquérito policial e depoimento do preso o professor perguntava: Seu nome? O preso respondia: o meu? Sim. Residência? Onde você mora? Quem eu? Sim. E foi por aí até que ele perguntou ao preso: quantos anos você tem? Quem eu? O professor então não agüentando mais disse:
Não, eu. E imediatamente o preso respondeu: bem o senhor deve ter um cinqüenta e seis, acertei? Não teve outro jeito a não ser rirem todos os presentes.

Caso 30.
Um outro aluno estava matando aula quando foi surpreendido pelo professor. Disse ele então ao aluno: Você foi com quem matar aula? Eu Sô Bi fui com o Tucano, respondeu o aluno. O professor não entendendo que tucano era o apelido do menino disse: você foi cutucado quem?

Caso 31.
Certa vez o professor perguntou em uma de suas aulas: O que é homogêneo, logo um braço se levantou e um dos alunos respondeu: Eu sei, homogêneo é uma sala dessas cheia de homem. Por muito tempo o aluno foi chamado de homogêneo, por causa de sua resposta, ganhou um apelido do professor.

Caso 32.O sobretudo:
O professor Ubi possuía um, sobretudo longo de lã importada, confeccionado ainda pelo seu pai, o alfaiate Juca Barroso. Era comum durante o inverno vê-lo pelas varandas do colégio vestido, com aquele capote pesado. Um dia um de seus alunos, o Dandão lhe perguntou: Sr. Ubi o está sentindo tanto frio assim? Respondeu ele: Não, estaria se não estivesse com este casaco.

Caso 33.A lasanha:
Certa vez durante o almoço a sua fiel secretaria a Lala que com ele conviveu dos seus 13 anos até a sua morte, lhe havia preparado uma deliciosa lasanha, um dos seus pratos prediletos como bom descendente de italianos. O prato foi colocado à mesa e ele ao retirar do mesmo uma porção trouxe para o prato um longo fio de queijo mussarela derretido, quando ele chamou uma outra secretaria de nome Conceição e lhe pediu uma tesoura para cortar o queijo. “Conceição, corra e traga uma tesoura pra cortar o queijo” e ela mais do que depressa correu e trouxe a tesoura. Era assim também dentro de sua residência.

Caso 34: Sua ultima brincadeira:
No dia 15 de setembro de 1986, uma quinta feira à noite, já sofrendo do mal que o acometera e que o levou a falecer, andava ele pelos corredores do Colégio como era seu costume, quando passando por uma sala de aula do curso de Estudos Adicionais de Pré-escolar ouviu uma terrível algazarra que lhe chamou atenção. As portas da sala estavam fechadas e no exato momento em ele que ele abria uma das bandas da porta uma das alunas de nome Ana fazia uma enorme bola com sua goma de mascar. Ele imediatamente disse: BABALU!!! A classe veio abaixo, com a presença de espírito do professor Ubi e tudo por isso mesmo ficou. Estudos Adicionais era um curso de especialização para professores primários e babalu uma goma de mascar lançada naquela ocasião por uma propaganda massificante e de sucesso. O professor veio a falecer no dia 19 de setembro às 6 horas. A aluna ficou com o apelido de babalu e o caso ninguém esqueceu.
Caso 35: O palhaço e o circo
Quando alguém fazia uma graça sem graça, durante a aula, ele dizia: Tem 30 anos que eu não vou ao circo porque eu não gosto de palhaço.
Mas num belo dia um de seus alunos Cassinho Maripá (de grande saudade) quando estava na 8ª série, disse o seguinte: Não Sô Bi, o senhor está errado, não tem 30 anos que o senhor fala isso não, tem 34 anos porque desde que eu estou na 5ª série eu ouço o senhor falar que tem trinta anos. O riso foi total, e ele não tinha mais o que fazer a não ser rir também

Caso 36. A Língua portuguesa:
Uma turma de alunas havia feito bagunça, em aula, entre elas a aluna Vera Lúcia Santiago, quando então uma professora lhes disse: vão todas para a Diretoria conversar com o Sr. Ubi. E assim as alunas obedecendo à professora ao chegarem à diretoria disseram: Sô Bi, nós viemos aqui e, ele então falou: vieram e já podem voltar. Elas não entendendo o que estava se passando voltaram, mas logo elas entenderam, que haviam começado o dialogo errado e retornando a conversa com o Sr. Ubi disseram: nós vimos aqui, quando então o professor Ubi disse: Ah agora sim, agora vocês podem continuar...

Caso 37. O depoimento de um preso:
O Sr. Ubi como escrivão de polícia gostava de contar casos que aconteciam com ele e contava este:
Certa feita tomava ele depoimento de um cidadão que acabara de ser preso, e para qualificá-lo perguntava ao mesmo:
Seu nome?
O preso respondeu: “Qual o meu?”
Perguntou novamente: Nome de seus pais?
O preso respondeu: “Dos meus?”
Perguntou novamente: “Onde trabalha?”
O preso respondeu: “Quem eu?”
Perguntou novamente: “Qual a sua idade?”
O preso respondeu: “A minha?”
Então o Sr. Ubi já indignado de tanto perguntar e o preso perguntar logo em seguida, disse ao mesmo: Não a minha.
Foi quando então o preso lhe respondeu: O senhor deve ter assim uns cinqüenta e poucos anos.
Caso 38. O Pulando o muro:
Naqueles saudosos anos...toda terça-feira era dia de filme de sexo no cinema e os alunos das aulas noturnas trocavam as aulas pelos filmes... Certa terça-feira, o Sô Bi, resolveu "sô bir" a pé..., quando um determinado aluno, já no curso de contabilidade, saltou o muro ao lado do portão grande e caiu exatamente em frente ao "baravo diretor". Tremendo, disse: "Eu errei, Sô Bi!" E o Sô Bi, com sua infinita presença de espírito, respondeu imediatamente: "Você pode ser até "rainha", mas volte pelo mesmo lugar que pulou!" E lá se foi o fujão pra dentro do colégio novamente.
..

Caso 39. Merda:
Outra muito boa! Uma rodinha de "futuras normalistas" conversavam na varanda, quando uma delas deixou escapar uma puta duma "MERDA" bem alta, justamente quando passava o Sô Bi. Este, afastando-se rapidamente, assim falou: "Menina, cuidado com o meu TERNO BRANCO..." Só ele mesmo...

Algumas de suas frases, que ficaram famosas:
v Entra pra dentro.
Com este pleonasmo ele reforçava suas ordens. Sair pra fora significava ir para o pátio e não ficar pelos corredores muito menos dentro das salas.
v Saia pra fora.
Entrar pra dento significava entrar para a sala de aula e não ficar no pátio nem nos corredores.
v Olha aí a garça.
Se encontrasse alguém um dos pés na parede sujando-a
v Não jogue papel no chão. Lugar de papel é no lixo.
Foram quarenta e dois anos dizendo não jogue papel no chão lugar de papel é no lixo.
v Eu errei
Eu sei que você errou, mas aqui comigo num tem rei nem rainha.
v Fique de jarrinha.
Quando o aluno estava perturbando a aula ou a ordem no colégio, ficar na jarrinha era ficar de castigo, em pé, durante algum tempo, ao lado de uma das pilastras da varanda, que circundava as salas de aula. O aluno castigado era visto então por todos os alunos.
v Não cuspa no chão.
Foram quarenta e dois anos dizendo não cuspa no chão lugar de se cuspir é na pia do sanitário, no lavatório.
v Mulher é igual a carretel.
Mulher tem que ter linha porque carretel sem linha não se faz nada com ele e então se joga fora ou vira brinquedo de criança.
v Em São João tudo é AC e DC.
Dizia sempre com respeito ao carnaval em São João:, mas não é antes de Cristo e depois de Cristo, é antes do carnaval e depois do carnaval.
v Pândego
Palavra que ele gostava de dizer quando uma pessoa era espirituosa Era uma frase comum mencionada por um primo seu chamado Gentil Barroso.
v Esta eu vou guardar para rir nas férias.
Quando algum aluno fazia uma graça sem graça, dentro de sala.
v Meus anjinhos.
Todos os alunos ele carinhosamente os chamava de anjinho e era seu costume brincar com eles sacudindo-os na carteira ou arrancando um fio de seu cabelo durante suas aulas.
v São João é o maior exportador de garrafas de cervejas do país
Sobre o consumo de cerveja ele assim gostava de falar, e completava, mas de garrafas vazias
v Olha os cupins sem asas!
Se um aluno andasse sempre com outro dizia ele
v Um gambá cheira o outro!
Se um aluno fizesse algo errado e junto estava seu companheiro de estripulias ele assim dizia.
v Vou te enfiar o braço pela boca até aqui...
Se um aluno lhe fazia raiva ele depois de chamá-lo atenção arregaçava as mangas da camisa e dizia: Um negocio desses, me dá vontade de enfiar o braço na sua boca e parar até aqui. E apontava para o ombro. Era uma forma jocosa para descrever sua raiva pela bagunça feita por alguém. É lógico que nem de brincadeira lhe passava pela cabeça tal coisa.
v Esse é chato com X.
Quando encontrava uma pessoa chata.
v Esse é de dar azia até em caixa de bicarbonato
Quando encontrava uma pessoa chata.
v Minhas pérolas
Referindo- se aos alunos orgulho que passaram pelo colégio
v Turista pão com pastel
Turistas que vinham para São João. Alugavam um ônibus e a única coisa que aqui gastavam era um pão, que mandavam parti-lo para dentro colocar um pastel de carne.
v Bom mesmo é goiabada com queijo
Quando ele ouvia de uma pessoa dizer que não gostava disso ou daquilo.
v Ah, seu eu fosse Deus!
O aluno pedia para sair por qualquer motivo e ele conhecia quando era mentira. Às vezes nada sentia, mas faltava às aulas e trazia logo um atestado médico. E aí então ele dizia: Tanta gente doente querendo ficar sã e vocês querem ficar doentes. Ah, se eu fosse Deus!
v Eu devo ter cheiro de capim
E completava: porque toda besta fica me cheirando
v Eu devo estar cheirando cana
Quando algum bêbado lhe importunava. Ele detestava bebida alcoólica.
v Até o coco dele deve ser cheiroso
Quando algumas pessoas achavam outra importante e tudo que delas partissem era elogiado, mesmo que elas fossem e fizessem o errado.
v Bata no seu filho hoje pra policia não bater nele amanhã.
Quando um pai falava que não batia no filho
v São João é igual a uma boca de canhão
E ele completava: Pra cá só vem esgoto, só vem porcaria para cá, quem não serve. Boca de canhão em São João é o nome que se dá ao local onde o esgoto é despejado.
v Não precisamos ir longe para encontrarmos com o diabo.
Quando encontrava alguém que lhe contava algo que ele não gostava.
v Aqui vale quem não vale
Sobre a troca de valores. Valor tem que não os tem dizia ele.
v É picar lá e voltar (EPCAR)
Ele dizia: Quando algum aluno que não gostava de estudar dizia que iria para a EPCAR Escola Preparatória de Cadetes do Ar da Força Aérea Brasileira
v Concurso é com curso.
Ele dizia: Quando algum aluno que não gostava de estudar dizia que iria prestar o vestibular para alguma faculdade ou outro concurso.
v Com embrulho de pão debaixo do braço.
Se você encontra ou vê alguém em juiz de Fora com embrulho de pão debaixo do braço pode ver que é de São João..
v Pra se conhecer alguém só se com ela comer um saco de sal.
Quando alguém muito amigo fazia algo com o outro inesperadamente e aquilo fosse uma surpresa.
v São João é igual a um pau de sebo
Quando você sobe e esta quase chegando para pegar o dinheiro, puxam a sua perna e você cai.
v Foi na Apolo comer torta de frango.
Se você quiser encontrar com alguém de São João em Juiz de Fora é só você ir até a lanchonete Apollo e ela com certeza estará comendo torta de frango
v Em São João você só pode ser duas coisas: burro ou ladrão
Se você vence na vida é ladrão mas se você não vence é burro.
v Livro não é desodorante
Quando o aluno não estudava e só ficava com o livro debaixo do braço
v São-joanense é igual a tiririca, está em todo lugar.
Quando encontrava um são-joanense em lugares mais diferentes possíveis
v Estou sentindo-me um Beatle.
Quando o seu cabelo estava grande
v Quais as suas intenções a cerca dela
Era comum o emprego deste cacófato, quando um dos alunos estava a começar um namoro no Colégio
v Dizem que eu sou quadrado.
Ser quadrado é muito bom, porque o quadrado é uma figura geométrica de quatro lados e quatro ângulos iguais, perfeitos.
v Quem dá aos pobres, adeus.
O velho ditado “Quem dá aos pobres empresta a Deus” Quando dava algo a outro e era desconsiderado, desprezado.
v Eu vou lhe dar um ferro de passar para você passar bem.
Quando algum aluno dizia estar passando mal e ele percebia que era mentira.
v Eu não quero ver a sua cara quanto mais a sua bunda.
Quando alguém fingia não lhe ver e lhe dava as costas
v A motocicleta é a única carroça em que o burro anda montado
Detestava motocicletas pelos altos índices de acidente com o veiculo. Falava sempre que o para choque da moto é a cabeça do motoqueiro.
v Estudam para colocar placas
Estava se referindo aos engenheiros de estradas, que após o término de uma obra vinham colocando placas indicativas e quando encontravam um erro em uma curva colocavam uma placa “cuidado curva acentuada”
v Meus anjinhos
Assim se referia aos seus alunos
v Cidade dos bares
São João daqui uns anos não terá nem mais uma parede, será um único bar.
A famosa frase das cópias:
(cópias: castigo aos alunos, que perturbavam a ordem na escola e, os alunos copiavam a frase, sendo a quantidade de vezes relativa ao tipo de desordem cometida)

O silêncio é rigorosamente necessário a boa ordem dos trabalhos escolares.Coisas interessantes:*Não tomava acento à mesa nas refeições enquanto todos não estivessem à mesa
*Era difícil vê-lo sentado durante ás aulas só quando fazia chamada dos alunos.
*Não se podia partir pão e com a mesma faca passar manteiga
*Assim como não se podia cortar o queijo e com a mesma faca se cortar a goiabada.Dizia ele: Cada coisa com sua coisa.
*O dia de domingo era dedicado à cozinha aos pratos que preparava com maestria de um grande chefe gourmert.
*Era um prazer para ele cozinhar em festas do colégio, para os alunos da fanfarra, muitos devem lembrar da sua “patada”.
*Quando pequeno tínhamos que atende-lo com precisão quando este nos chamava e se não, voltávamos tantas vezes ao lugar que estávamos até que aprendêssemos a atende-lo depressa.
*Gostava de assobiar a musica Danúbio Azul.
*Ficava sempre no mesmo local na igreja para assistir as missas.
*Andava sempre com sua esposa de braços dados, como com ela estava sempre.
*Se um aluno brigava com o colega ele colocava os dois frente a frente, um aperto de mãos, um pedido de desculpas de ambos e com um abraço selavam a volta da amizade.

O FIM

Aqui apresentamos as tantas homenagens prestadas ao Professor Ubi Barroso Silva por ocasião de seu falecimento.
Homenagens estas registradas no semanário são-joanense “Voz de São João” e em “O Coreto” de Descoberto.
Permitam-me então ao final expor o que tenho no meu coração sobre meu bondoso pai. E faço de minhas palavras finais os ensinamentos de Jesus Cristo, quando se referiu a Lázaro, irmão de Marta de Betânia e registrados em
Jo 11 25.26 (A ressurreição de Lázaro).
Jo.11.25 Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá;
Jô.11.26 e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto?

DEVER CUMPRIDO: (Voz de São João de 20.07.1986)
São João Nepomuceno parou.

Parou para reverenciar a memória daquele que contribuiu sobremaneira para a evolução cultural dos jovens da terra, que ele tanto amava.
No preâmbulo de sua morte, tenho a certeza de que meditou, se reportou ao tempo de sua iniciação, até sua saúde não mais lhe permitir uma ação enérgica como naqueles tempos.
Mas tranqüilizou-o o fato do dever cumprido, sabendo da sua contribuição para a cultura de seus conterrâneos.

MORREU UBI BARROSOA razão de sua existência foi o reconhecimento, de todos nós, pelo seu profícuo trabalho.
Teve seus deslizes como todos nós mortais.
Porem, uma coisa é certa, foi um idealista, que buscou a proximidade da perfeição, não a conseguindo pelo fato de nenhum ser humano ser capaz de fazê-lo.

Moysés Assafim.

Assim, em um pedaço de papel, na sala dos médicos do Hospital São João, quando o Professor Ubi acabara de falecer, escreveu o médico Moyses Assafim, afixando o mesmo no quadro de avisos.

O GRANDE AUSENTE (Voz de São João de 20.07.1986)
Uma lágrima furtiva escapa de nossos olhos...
Uma saudade imensa já se faz sentir a todo instante...
Um grande vazio se torna presente naquele casarão imenso, no alto da “Colina da Esperança”.
Tudo mudou... O silencio reina...
Já não mais se ouve a voz das crianças chamarem pelo “Sô Bi”.
Ele se foi... De uma forma tão inesperada que nem dá para se acreditar.
Até há puçás horas atrás, caminhava pelo galpão com aquele seu andar tranqüilo, brincando com um, abraçando outro, afagando mais um, circulando entre suas crianças, seus “anjinhos” como dizia.
A alegria se estampava em seu rosto no instante que entrava em nossa escola, no cantinho que, com tanto carinho reservou para nossos pequeninos.
Que pena, “Sô Bi!” O senhor já fazia parte de nosso dia a dia...
Vai ser bem difícil ficar ali sem sua presença amiga...
Resta-nos, porém, a certeza de que, junto ao Pai, estará olhando por nós, zelando sempre por nossas crianças, também seus netinhos queridos.
Que Deus o abençoe pelo bem que semeou na terra e pelo grande carinho que dedicou aos milhares de jovens que passaram por suas mãos.
Seus ideais se perpetuarão nos bons exemplos deixados como esposo, pai, amigo e educador.
Que sua alma descanse em paz, querido MESTRE.

Jardim de Infância “Girafinha Feliz”.
O jardim de Infância Girafinha Feliz, que na época funcionava nas dependências do Instituto Barroso, tornou-se um cantinho muito querido ao professor e, foram com estas palavras carinhosas que eles, os pequeninos anjinhos, se despediram daquele que fora seu grande benemérito.

UBI BARROSO SILVA (Voz de São João de 20.07.1986)
Toda a nossa comunidade sofreu o impacto da noticia do passamento repentino na manhã de segunda feira ultima, dia 15, do estimado cidadão professor Ubi Barroso Silva, ocorrido no Hospital São João, para onde fora levado no final de semana, em busca de uma possível melhora para o seu estado, não resistindo, no entanto, ao tratamento.
A perda deste ente querido é marcante, foi realmente um duro golpe para toda a cidade, pois gerações e mais gerações já haviam cruzado com a pessoa daquele que foi professor e Diretor do atual Instituto Barroso, a que dedicou 41 anos de sua existência, realmente toda uma vida entregue à causa do ensino.
O professor Ubi, que contava com 60 anos, fez no Rio de janeiro todo o 2º grau, trabalhando e estudando para depois, aos 18 anos, retornar ao seu berço natal, sua garbosa, que tanto amava trabalhando no então Ginásio São João, ao lado de seus irmãos Ari e Rui, e mais tarde assumindo as cadeiras de Geografia, OSPB, Matemática, Educação Moral e Mecanografia, em todos os cursos do colégio onde sua presença se fazia necessária.
Com o afastamento de seu irmão, o saudoso Dr. Rui Barroso Silva, com seu tempo dedicado à brilhante carreira de Juiz, Ubi passou a assumir, com sua esposa, a direção do colégio, no final auxiliado por seus filhos e sobrinhos.
Além de sua profícua atuação no colégio Ubi serviu durante 27 anos a nossa Delegacia como escrivão especial de policia, onde deu provas de sua eficiência, razão da homenagem recebida com a abertura do féretro pelo camburão de nossa policia.
Também no campo religioso sua presença era uma constante, tendo sido um dos membros da primeira turma da paróquia a participar do inicio dos movimentos de cursilhos, num encontro realizado em Vassouras. Foi também por muito tempo comentador em nossas missas dominicais.
Na agropecuária sua presença também se fez sentir pela atenção que dava a sua propriedade rural, quer na recria de reprodutores, quer na plantação.
Ubi Barroso era filho do saudoso José Barroso Silva e Amélia La-Cava Silva, e era casado com d. Dila Henriques Barroso, esposa fiel que o acompanhou e o incentivou em todos os instantes de sua vida, tendo deixado os seguintes filhos: José Carlos Henriques Barroso, atual presidente da Câmara local, casado com Helena Maria Neto de Barroso, Maria Tereza Barroso Cruz, casada com João Batista da Cruz, do Bamerindus em BH, Paulo Roberto, Carlos Roberto e Maria Amélia, solteiros, além do neto Thiago.
Deixou três irmãos, Ari Barroso Silva, Ady Barroso Nascimento e May Silva Salgado, além de vários sobrinhos.
Seu corpo foi velado durante todo o dia numa das salas do Instituto Barroso, para onde convergia verdadeira massa humana.
Padre Viana fez-se presente, procedendo a oração final de despedida, e avisando a todos para a missa que será celebrada na Igreja Matriz, domingo, dia 21, às 10:30 horas.
Ao sair o féretro às 16 horas, lá do alto da Colina da Esperança, pudemos divisar a enorme multidão a acompanhar os restos daquele por quem todo são-joanense tem certamente sua divida de gratidão pela atividade que soube dar no campo educacional local.
Várias pessoas e autoridades falaram à beira do tumulo, enaltecendo a figura do extinto – Ady Barroso Nascimento, vereador Mauri de Castro Menezes, Deputado Elmo Braz Soares e Silvio de Abreu Junior, Araci Pinto Enéas e em agradecimento, seu filho José Carlos Henriques Barroso, tendo, ao final os alunos do colégio pedido que todos orassem o Pai Nosso.
Nosso Prefeito assinou decreto no dia, declarando luto oficial por três dias e os colégios e escolas locais não funcionaram, fazendo-se representar nos funerais.
Paz a sua alma.

Assim o semanário Voz de São João estampou em primeira página a noticia do passamento do professor Ubi Barroso Silva.

UM HOMEM E NOSSAS LEMBRANÇAS
(Voz de São João de 27.07.1986)


Por José Carlos Barroso
Onde estará você amigo fiel
Onde estará o amigo diferente, alegre, crítico por excelência, inteligente, de virtudes infinitas?
Onde estará?
Aqui, em tudo sua presença é marcante.
E eu o conhecia bem, conhecia até mesmo a intenção de seus passos.
E suas idéias? Convergiam sempre com as minhas.
Sua importância foi grande.
Foi ele que trouxe a minha descolorada existência.
Desculpa-me, meu velho, eu não queria que as coisas acontecessem assim.
Recordo agora as distâncias perdidas e quando imperceptível esqueci de viver com você.
Mas foram lindos os momentos. E foram muitos.
Nós estivemos sempre juntos. Até mesmo no instante das revelações, quando o desequilíbrio invadiu os acontecimentos, ali estávamos.
Você, meu velho, sereno. Eu conturbado a invejar o sentimento de aceitação e toda a sua faculdade de aceitar a mais aguda dor de destruição.
Eu, reservado em um canto, traumatizado pelos espaços de silêncio.
Você, mudo, de faces plácidas, marcadas pelo tempo de dores.
Veio então a lembrança de quanto à inutilidade parecia soberba e a esperança, ponto ínfimo no vácuo dos imperfeitos, você o que primeiro aparecia, sereno, irradiando paz.
Assim foi por toda sua vida.
Então uma oração, o sinal da cruz sobre a cabeça de mente tão sabia.
As explicações se tornaram lágrimas, a boca se calou na imensidão do desespero.
Ouço apenas.
O mundo convulsivo foi aos poucos consumindo o espaço da sabedoria.
Era o fim. Fim das aventuras, fim dos sonhos.
Sem resposta para tantas perguntas, fui tomado pelas múltiplas visões, num bailado de certeza entre cores e sons suaves.
Os anjinhos começaram a recebe-lo.
Você preparou tudo. A hora, o lugar. Eu entendo.
Foi buscar com o Senhor, as forças para que nós realizássemos os seus sonhos antigos.
E nós conseguiremos. Eu prometo. Somos muitos amigos os seus amigos.
Deus, o seu companheiro, e você estarão conosco.
E como são passagem e para que a imagem não pereça, guardem vocês todos, os instantes íntimos, toda minha admiração, todo o meu respeito profundo, toda a satisfação por tê-lo podido conhecer, toda a saudade deste velho amigo.
Ficará sempre a nítida imagem, de um velho pai amigo, do mais querido presente de Deus, sem o qual não conseguiria viver.
Descanse em paz, meu SANTO PAI.
Eu honrarei o seu nome com amor, justiça, responsabilidade, carinho, dedicação, trabalho, gratidão, na oração.
E aqui a mais pura das definições de um homem:
“UBI UM HOMEM DE DOIS PARÂMETROS A EDUCAÇÃO E A FAMÍLIA”.
A saudade e as lembranças daquele que foi pai, amigo, professor, eram demasiadas e confortava-me escrever, era uma forma de traze-lo de volta ao presente, de tê-lo por perto, mesmo que contorcido pela grande dor da ausência, mas certo de que aquela saudade era a certeza da sua presença.

GRATIDÃO (Voz de São João de 27.07.1986)

O que nos preocupa, com o passar dos anos, é que no nosso livro de amizades, muitos se vão, e poucos são acrescentados. Somente porque, quando se chega a um posto da vida não nos dá mais tempo de construir novos amigos, pois que é um processo demorado. O que se acrescenta são novos vazios na nossa vida.
Ficamos sem o Sr. Ubi, a quem sempre dedicamos uma grande amizade e por quem tínhamos uma imensa gratidão. Sua dedicação ao nosso período como aluno do Curso de Contabilidade (1974 a 1976) e sua confiança em nosso período como professor naquele colégio (1977 a 1984) motivaram esta gratidão e um desejo de confiar também nas pessoas dando-lhes o ensejo de construir alguma coisa na vida.
Nosso intuito é o de confortar os familiares do sr. Ubi neste momento de grande tristeza ao afirmar que o lugar dele já está reservado no Céu pelo que fez por nós e pela mocidade de uma terra.
“Bendito seja Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angustia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” II Corintios 1,3.4
O Semeador
O Semeador era Sidney Baptista, que também foi Chicot, pseudônimos com que se apresentava no jornal Voz de São João, foi grande amigo do professor Ubi, e veio a ser seu também colaborador, emprestando sua sabedoria como professor de português.


NOSSA GRATIDÃO, NOSSA LEMBRANÇA.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

José Carlos Barroso

Nunca estaremos sozinhos.
Nem mesmo na noite da solidão e dos tristes
Sentimos você bem perto, querido pai.
Os pensamentos se movem; porém, são movimentos sem conclusão.
Não atravessam as distâncias e se esgarçam no tempo.
Não pertencemos mesmo ao outro, disso temos certeza, conhecemos a determinação.
Ninguém caminha em liberdade na terra do consumismo.
Nada é visto, tocado e amado sem o consentimento apocalíptico.
Nós compreendemos.
Tudo se transforma.
Os soldados da vida marcham, agora, contrariados, a contragosto, perseguem a harmonia, buscam a essência das coisas.
Eles já não temem a imensidão do infinito desespero.
Foi cortada a vida, mas além da memória, ficou a esperança.
Ficou a certeza do dever cumprido no mundo dos imperfeitos.
Ficou o belo, o amor.
Ficaram as virtudes.
Quantas saudades têm todos, do meu SANTO PAI!
Já falei de tudo.
De nós dois, do nosso mundo de amigos, de seus ensinamentos, de tudo.
Falei até do rumo negro da vida com palavras de amor e por isso as coisas se tornaram suaves e leves.
Falei de você até para você, mas você não ouviu.
Sinto muito a sua falta, mas ainda mais do eu o nosso filho, o seu “REMÉDIO”, que tinha Vovô BIBI como ídolo das lindas aventuras.
Você era meu pai, o seu livro de sabedorias.
Você era o homem de mais amor.
Você nos afagava até mesmo na ira do pai que ensina por tanto querer.
Ainda temos muitos momentos de nossa intimidade.
Afinal, como relatar em tão pouco, a vida de tantos exemplos?
É inútil reter as lágrimas que se desprendem, mesmo compreendendo que todos caminhos me levam ao irremediável.
É mesmo inútil revelar o meu desespero, tentando emergir do sonho para a realidade.
Imagino então...
Nós dois; eu me ponho entre seus braços, você num forte abraço, sorri como sempre, pai de tantos carinhos.
Lindo cenário!
Beijo a saudade.


A cidade de Descoberto que sempre mereceu por parte do professor Ubi um grande carinho, de nossa parte merecia agradecimentos por ter a ele dispensado consideração e apreço, confiança e respeito.
Na verdade era uma admiração mutua e tudo isto nos enche de orgulho.


“ELE FOI BOM E JUSTO”
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

Acredite!!! Lá no Céu, o nosso grande amigo Prof. UBI está colhendo os sorrisos que espalhou, a justiça que semeou, o bem que plantou aqui na terra. Se o Senhor não estivesse existido, que tristeza seria...Nossas preces, eterna saudade e gratidão. Agradecendo ao Pai o dom de sua existência e pela perfeita lição de vida que nos ensinou durante a sua passagem por este mundo terreno.
Descanse em paz nosso mestre – pela grande missão cumprida!

Kátia

A professora Lina Kátia Mesquita de Oliveira também emprestou sua colaboração ao professor Ubi como professora de matemática e grande amiga e prestou assim também sua ultima homenagem e até hoje de forma carinhosa e amiga destaca a figura do professor aos seus alunos, como exemplo de dedicação e probidade.

UBI BARROSO, O GRANDE EDUCADOR.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

Célia Maria de Mendonça Lamas

Descoberto São João Nepomuceno e cidades vizinhas perdem numa bela manhã de setembro o sustentáculo da educação na região – Ubi Barroso Silva.
Fica uma grande lacuna, um vazio enorme, que só a saudade e a lembrança se incumbirão de preenche-lo.
Homem ainda jovem, dinâmico, trabalhador, homem de fé!
Deus o chama e ele se vai cumprindo a Sua vontade. Lá, Deus o espera.
Sua fisionomia austera, mas carinhosa, cheia de bondade, preocupada com o futuro de nossos jovens, gozadora e amiga permanecerá nos corredores do Instituto Barroso, nas ruas de nossas cidades e nos corações de seus alunos e amigos para sempre.
Nosso muito prezado amigo prof. Ubi, seus alunos venceram, porque os fez compreender a razão da vida e os que fracassaram foi porque não acreditaram na sua missão e nos seus ensinamentos, pois amparado pela mão forte de D. Dila, companheira inseparável, que o ajudou a plantar e a colher os frutos deste árduo trabalho, a realizar seus ideais e a vencer as horas difíceis que a vida lhes impôs não mediram esforços para encaminha-los e orienta-los, mostrando-lhes a verdadeira imagem do amigo.
A oração, a prece, a palavra de Deus foram os caminhos trilhados por vocês durante toda a vida e é por isto que hoje esta na glória de Deus e de lá contempla feliz aquilo que construiu e temos certeza daí estará zelando e abençoando a causa da educação.
D. Dila, é duro caminhar sozinha quando ainda é preciso de um ombro amigo para amparar sua caminhada, mas Deus em Sua infinita misericórdia a confortará e seus filhos cheios de vida e ideais são ainda a razão de seu caminhar.
Quantos anos de luta, coroados de êxito ele deixou na sua passagem aqui na terra!... Quantas vitórias ele conquistou junto de nós. Agora ele descansa em paz porque cumpriu de fato a sua missão e principalmente nós, os descobertenses, o recordamos com o coração agradecido toda a felicidade que ele nos proporcionou e isto é razão de sobra para superar a nossa tristeza, porque ele aqui só plantou alegria.

AO ESTIMADO E SAUDOSO
UBI BARROSO SILVA
(Voz de São João de 04. 10.1986).

Emocionados, saudamos condignamente a você, Ubi Barroso Silva, que se foi para uma vida, deixando-nos já no final de nosso curso, somente com a saudade presente, que tomará lugar nos dia da entrega de nosso certificado.
Como sentiremos a sua falta, mestre, amigo, companheiro confiante, diretor exemplar!
No seu lugar ficará a lembrança do mestre que assistia orgulhosamente os seus feitos memoráveis nos términos dos anos letivos.
Assistia a tudo com aquele sorriso disfarçado, com aquela alegria contagiante.
Você se foi, mas não passará aquilo que edificou.
Teremos as mais lindas lembranças das mais deliciosas historias, que nos contava, do mais brilhante professor e do querido amigo.
Ao estimado professor Ubi a nossa eterna gratidão, o nosso pranto e a nossa saudosa lembrança.

Alunos (Estudos adicionais – pré-escolar)


O AUSENTE SE FAZ PRESENTE.
(Voz de São João de 11.10.1986)

E as pessoas se vão...
Aos poucos vamos perdendo as pessoas que muito gostamos.
Somos invadidos pela tristeza de saber que não mais poderemos contar com essas pessoas...que não mais as teremos em nosso convívio.
Mas, em nosso pensamento essas pessoas sempre se farão presentes.
Creia, Sr Ubi, que jamais me esquecerei de um bate – papo nosso.
Sempre o terei presente em cada caso, que as vezes relembro do meu tempo de estudante...
Hoje eu e São João choramos por tê-lo perdido.
Sim porque todos o admiravam...lhe queriam bem.
Que nós possamos seguir os seus ensinamentos, que possamos ainda seguir o seu exemplo de vida e o amor que sempre ele dedicou a todos, sem distinção.
Perdemos o Sr. Ubi... e o vazio agora ocupa o nosso coração...o nosso ser.

Cristina Itaborahy 15.09.86
UBI BARROSO SILVA, uma página saudosa.
(Voz de São João de 18.10.1986)

Consternada aqui ficamos, com a ausência física de alguém que se foi para uma vida espiritual.
Emocionados aqui estamos com uma grande perda em nossa comunidade, em um estabelecimento, em um educandário, em nossa vida e em um lar unido e feliz.
Extasiados deixou-nos Sr. Ubi Barroso Silva, com sua partida sem despedida, agora que seus objetivos em prol de todos os estudantes estavam para se realizar.
Mas a distância não destrói o que criou raízes, você foi muito inteligente, deixou-nos pessoas capazes de concretizar seus feitos, pois só o que é superficial termina, o mais, perdura.
Você está fisicamente longe, mas sua força mental irradia soberania, pela capacidade terrena que possuía.
É doce e amarga ao mesmo tempo, sua ausência, as distâncias guardam um segredo que só os corações conhecem, guardam a magia da espera; do “NOVO” encontro da partida sem a qual não é possível reencontrar-se. Guardam a certeza que nossos passos, mesmo andando estradas diferentes, ruas diferentes, têm um ritmo igual, completamente novo, apenas, compreendido por aquele que se querem bem.
Mas sua fé Senhor Ubi Barroso Silva, era reconhecida com a amizade que possuía no templo de Deus. Sabe, nada é comparável a um amigo fiel como você o era; o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé.
Você soube cativar amigos, crianças, jovens e adultos.
Seu valor humano era inexplicável, não era sacrifício heróico e sim batalha do prazer.
Sua caminhada, tornou-se diferente, mas deixou muitas esperanças e certamente serão realizadas.
Você venceu a angustia e encontrou a luz pela fé.
Resta-nos a saudade, no silêncio do pequeno espaço que ocupava dentro de nós. Sabemos que as arvores descem raízes no silencio da terra e vivem; assim como você, enraizou nobrezas no silencio de sua afeição.
Deixo aqui a minha estima, a minha saudade e a amizade no aconchego de sua família.
Você se foi, mas seu nome está gravado carinhosamente no famoso e conhecido Colégio do “Seu Bi”.
Jornalista e ex – aluna.

Gloria Jorcelei



“Fhashes”
(Voz de São João de 18.10.1986)

Era um fim de noite no Clube dos Democráticos. Não

A saudade não tem fim:
“Passei procurando respostas e quando encontrei mudaram as perguntas”.
Eu continuei e estarei sempre escrevendo.
O VELHO DOS MEUS SONHOS E O ANJO DA VIDA.
(O Coreto (Descoberto) em 31.09.1986)

José Carlos Barroso
12.08.97

Eu me vejo nas manhãs por entre as espatodéias, dentro do túnel de flores laranja.
Ao longe visiono o verde cujas nuanças têm como limite à água, que corre alimentando a terra.
Este é o cenário dos meus sonhos.
É o cenário da introspecção enquanto sonho, com você e tendo você em meus braços, que é realidade mais linda.
Assinamos ali minha flor nossos pactos de lucidez, enquanto o corcel alazão do menino galopava num destino desvalido, formando com a batida de seus cascos música mais pura complementando a paisagem bucólica.
Estamos falando de sonhos, quando ainda não tínhamos trinta anos.
É assim, quando ultrapassamos algumas barreiras, falamos de lembranças e saudades.
Saudades daquele velho que nos ensinou até mesmo a sonhar.
Continuando a sonhar, com você em meus braços e o velho sentado na porteira, contemplativo, como parte do cenário.
Que lindo cenário de saudades.
Cenário de sonhos.
Eu você e meu velho e santo pai.


SONHO DE NATAL:
José Carlos Barroso
25.12..86


Pudesse eu anular os segredos da vida,
que despertam sem querer,
no entroncamento do desespero inútil.
Pudesse eu, contornar de forma justa, precisa e amiga,
o volume encalhado dos acontecimentos tristes.
Pudesse eu abrir a cortina do passado, voltar à ingenuidade do menino da cidade pequena, carro de boi na rua estreita, lindos sons na madrugada fria.
Pudesse eu, voltar à nostalgia do adolescente de olhos vermelhos, de lágrimas solitárias a rolar pelo rosto de amor mais puro.
Pudesse eu tudo, traria com certeza do meu passado o meu Papai Noel, para você amigo desse meu sonho.



No primeiro Natal sem meu pai resolvi escrever sobre o presente que o Senhor Deus havia me dado. Naquela altura a saudade era demasiada.

Paredes de saudades
José Carlos Barroso
24.09.2002


Numa rua de amigos
Tenho uma casa.
Casa de sonhos.
Casa da vida.
Casa de saudades.

Adentro a porta,
Pela rua,
Para a solidão,
Tomando o passado.

A porta da casa de
Portas entreabertas,
Tomada de cantos cansados,
Entre os destroços,
De mil troços nossos.

A sala é de vozes.
A cozinha de encontros.
Os quartos de encantos.
Lá está a minha casa.
Ainda de pé,
Ao meu pé.

Ao fundo sussurros,
Destroços, pedaços,
Das alegrias,
Do passado.

Meu canto é poeira.
É mato grande e verde,
Seco, quebrado, triste,
Como as lembranças,
Que me transpassam.

Enquanto passo,
O tempo passa,
Despencando,
Esfarinhando,
Dilacerando,
Rasgando.

Ao fundo há resquícios
Da carne que queimava
Em brando fogo,
Enquanto jorrava alegria.
O carvão já é frio.

Casa esquecida,
Do menino esquecido,
Do menino querido,
Que ouve e que conversa,
Com quem, não está estando.

Lá já não existe,
Meus pais,
Os meninos,
A nega veia no fogão grande.
Acabou, tudo.

Só existe um agora.
Dentro da casa, ele chora,
Abraçado ao passado,
Batendo pelas paredes
De lembranças, de saudades.

Já do lado de fora, muitos.
Mas na porta, agora de costas,
Partindo, fugindo,
Somente um, agora impotente,
Tomado pelas histórias.

Todos se foram,
Outros finaram.
Só um espera.
EU.


Bela VistaJosé Carlos Barroso
05.11.2002

Dia que amanhece,
Que ninguém esquece.
Nevoa branca que deita,
Colono que se aquece,
Mas que fica na espreita.

A várzea é verde,
Cortada ao meio,
Mas pelas mangueiras.
Pelos lados córregos,
Repletos, ladeados,
De mangabeiras.

Ao alto morro íngreme,
Onde nasce e desce o sol,
O grande e amarelo girassol,
De lá se vê a velha estrada,
Que se segue até a entrada.

Já da porteira se avista,
Dezenas de pontos,
Sempre pretos e brancos,
Coçando pelos barrancos.

A noite cai.
Os pontos brancos,
Como os pretos, mugem.
Outros pontos relincham.
Lá longe um grunhido,
Perdendo-se nos cacarejos.

O fiel latido toma conta,
Enquanto os miados
Enroscam-se pelos cantos
Quentes das labaredas

Sons diferentes,
Podem ser bichos.
Já os brilhantes,
São dançantes,
Contracenando na sinfonia
Dos insetos,
Dos pontos pequenos,
Que podem ser,
De tantos pontos,
Mas todos espertos.

A beira do fogão
Não estamos frios.
Surgem então os casos,
Com certeza do coração.

As pálpebras começam a fechar,
Vamos dormir.
Amanhã tem mais.
Começaremos no curral,
Copo de leite na mão,
Enquanto ela estende
Nossos trapos no varal.

“Eta vida besta sô”
Besta mais gostosa
E é desse cenário,
Donde vem harmonia,
Donde vem alegria,
Donde vem também
A saudade, que alegra,
Que não se finda,
Nem com a idade.
Bela Vista!

Papai e Mamãe NoelJosé Carlos Barroso
01.12.2002

Figura simpática,
Personagem carismática,
A do velhinho rechonchudo,
De barbas longas e brancas.

Faz tempo que não vejo,
O velhinho barrigudinho,
Quero agora matar meu desejo,
Acariciar seus cabelos,
Encostar-me em seus ombros.

Saudade do meu Papai Noel,
Daquele que não era assim,
Talvez até hoje fosse,
Mas cadê você papai?

Deve estar com mamãe
Que era Noel também
Saudade de ser menino
Par ganhar meu presente
Neste dia nesta noite,
Você meu Papai Noel
E ela minha Mamãe Noel.


Meus velhosJosé Carlos Barroso
3.2.2003
A parede é branca
Como papel branco
E neste branco
Um papel enfeita a parede
Como papel de parede
No papel dois velhos
Os meus velhos cândidos
Com olhar de carinho
De tantos amores
Na parede que é fria
Como os dois velhos estão
Mas seus olhares não
Estão emoldurados
Retratando o amor
Ensinando amar
Como velhos professores
Cândidos repletos de candura.


Tributo a vós... eis
José Carlos Barroso
23.02.2003

A vós ilibados
De tantos atributos
Rendo- me reconhecido
Em tributos

Tributos
A vós resolutos
Avós de amor e carinho
Absolutos

A vocês
Avós de querubins
Eis- me assim
A voz da saudade
Só voz de gratidão
Só a vós..vocês


Casa nuaJosé Carlos Barroso
21.01.2004
Na rua de amigos
Rua da minha casa
Há uma casa nua
Há muito está vazia
Os moradores se foram
Muitos se perderam
Alguns se encontraram
Os mais velhos morreram
Outros se finaram
Em tempestades pereceram
Com todos o tempo partiu
Todos partiram no tempo
A casa nua não é minha
Dela apenas me restou
Pedaços de lembranças
Trapos de saudades
Molambos de tristezas
Mas porções de alegria


GuardiãoJosé Carlos Barroso
08 de outubro de 2004


Passo e repasso
Pela rua de amigos que passo
Onde eu tinha uma casa
Por onde andam as lembranças

Passo como guardião
Guardando saudades
Arquivando alegrias
Conservando tristezas dos dias

Sou agora seu guardião
Das muitas historias, arquivista
Passo e repasso
Sem ela perder de vista

Preferia suas cores de outrora
Fui eu quem as escolheu
Mas ela não é a minha agora
Aquela não existe mais, morreu

Assim me faço guardião
Esperando o fim
Vivendo os finais
Pelos começos tímidos

Passo e repasso como guardião
Pois essa é a vida de saudades
E a razão de vive-la
Esta dentro deste velho coração.



Meu meninoJosé Carlos Barroso
21.06.2005

E o menino partiu
Não houve o linho da fama
Mas foi derradeiro e alinhado
Com o azul cobrindo a escultura gélida
Lembro dos braços
Todos que amparam os medos
Como da mansão azul e amarela
Onde habitaram os vivos da morte

A multidão cobria todo outeiro
Enquanto o piar das andorinhas
Misturava-se aos choros compulsivos
Era a despedida dos mais queridos

Assim ele fugiu rumo ao destino
Fuja mais uma vez da memória
Como não permiti a sua partida
Também não inventei esta vida
Apenas a vivi ontem e hoje
Com saudade da sua vida


ProfessôThiago Barroso
27.07.2001

E os seus pequenino, os anjinho oiaram.
Eis que vinha o véio.
Todo de branco, com olhá sério
Temor era os que todos sentiam.
Mais ao aproximá das criança, seus lábio sorriam
Numa perfeita harmonia.
Com a luz do sol dourano o dia.
Teu chêro era das fro do jardim,
Rosa Amarela, vermeia, e as do campo tumem.
Aquele fidalgo senhô,
Da vida era o professo,
Na casa banhada de briga e tédio.
Com inocênça dizia eu menino, sê seu remédio.
E perdi as conta que tive, com o galo a cantá.
Só pra vê o véio sorri, sem chorá.
Acordei ele muitas veis, pra vê os boi.,
Mas ele vortô pro reino dos sonho logo dispois.
Sonhava que o mundo seria como ele, com amô e educação.
Mais ao acorda, sentiu fisgada no estômago.
Foram os invejoso, os ladrão de alegria de menino.
E digo a verdade, que muitos, ao bom veio, perseguiam.
Nos terrêro, maus traziam.
A vontade era cruel de não vê ele respirá.
Então a feitiçaria, no homem de Deus, veio engafinhá
Não bastaru nem as reza da fiel mucama Lala.
Home bão, tomô surra de tala.
Caiu na doença e me lembro como se hoje fosse.
Sentado eu menino na janela cumeno doce.
E o veio de ropão preto e vermeio ,saiu pra não mais vortá.
E eu, seu remédio, já não podia mais curá.
O galo cantô, a cinco da manhã e ele no hospitá, não foi a igreja pra rezá.
Sobrô na terra uma voz que gagueja.
O choro da eterna namorada, minha vó, meu pai e eu pra consolá.
A vida é assim mãe, dura memo.
A matriz da cidade, é hoje vista bunita , mas iscura.
Sinto sua farta, uma realidade, que não sei se argúem sentiu.
Pois daqui, sua memória para muitos sumiu.
Num dia, ouvi na Getúlio Vargas, um grito de amargura e lamento.
Da criançada que dizia:
Ba, Be, Bi.
Queremo uma rua com o nome do Sô Bi.
Mãe, tudo foi ofuscado.
Por aquele desabusado,
Deixando a viúva e o seu pranto chorado..
Minha vó em tristeza caiu.
Até, que num dia tumem partiu.
Mas eu me criei home e aqui eu tô
Num terrêro abençoado por Nosso Sinhô.
Senti de novo o chêro doce das flôre.
Era de novo o professô, em pranto e em choro.
Só sodade e amo.
Me bejô e de vorta levo
Todo o sentimento ruim que em mim tumem fico.
Mas, pur inquanto, meu vô.
Seu remédio vai aqui ficano,
Dano seqüência na vida sufrida, como aquele franciscano.
Pra num dia reencontrá, seu vô, o meu vô, Seu Bi
O meu professô.



Lembram-se do Senhor Ubi?
Depoimentos de alguns amigos e ex-alunos no site de relacionamentos orkut :





07/03/07
Adriana
QUANTAS SAUDADES!!!!
SE HOJE TIVESSE-MOS UM EDUCADOR COMO O *SOBI* EM CADA ESCOLA, TERÍAMOS UM PAÍS MAIS DECENTE. JÁ TOMEI MUITOS CAFÉS NA SALA DOS PROFESSORES, QUANDO EU ERA APRIMEIRA ALUNA DO COLÉGIO, NÃO POR NOTAS ALTAS (QUEM ME DERA), MAS PELA ORDEM ALFABÉTICA. HAHAHAHAHANOSSA QUANTAS SAUDADES....



04/04/06
♥ Rita
Lembram-se do próprio Sr. Ubi?
Lembram-se que, quando ele apontava lá na secretaria, não ficava um menino só no corredor. Era uma correria pra dentro das salas. Quando ele passava, todos já estávamos quietinhos, sentadinhos em nossa carteira. E quando ele entrava, levantávamo-nos todos, em sinal de respeito. Bons tempos aqueles, sinto saudades.


9 fev
Ana Márcia
TERNO BRANCO
Mas que legal!... Eu ainda não tinha visto esta comunidade. Muito bem lembrado por vocês "aquele terno branco". Era mesmo um termômetro. Se ele chegava com aquele terno, podia saber. O Sô Bi tava que tava. E não falhava, heim? Puxa, que saudades mesmo. Ele faz muita falta... Abraços.


10/04/06
Simone
Claro que lembro!
Claro que lembro!Ficava passeando com ele na hora do intervalo e ele me chamava carinhosamente de Barbosinha. Comigo ele era até bem calmo e infelizmente convivi poucos anos com ele.

10/04/06
♥ Rita
É verdade, Simone, ele chamava a mim e minha irmã de "suas princesas". Mas quando tinha que dar broncas nos outros... sai de baixo, porque até as paredes tremiam. Uma vez minha turma aprontou com uma professora do colégio e ele foi nos chamar a atenção... rsrs... Acho que até hoje posso ouvir o discurso que ele nos fez.

15/01/07
Clea
O terno branco dele era o termômetro. Quem se lembra da tia Lourdinha? Quebrava muito galho da gente na hora do sufoco. Já me escondi muito naquela cozinha. E as entradas quando o Seu Bí colocava todo mundo no pátio e ia olhar o tamanho das saias das meninas, colocava a gente de joelhos e a saia tinha que encostar no chão, mas era legal , eu adorava tudo e todos lá.

11/03/07
Mônica
È claro que me lembro, e nunca vou esquecê-lo, pois me tratava com muito carinho, me chamava de "minha gatinha" e pq ele veio a falecer numa época muito difícil para mim, eu havia perdido meu pai uma semana antes, no dia que estava voltando a minha vida normal escutei o carro anunciando a sua morte, para mim foi muito Horrível escutar aquela notícia. Mas o que posso fazer é guardar os seus ensinamentos, seus bons costumes que pude observar durante o tempo que convivi com ele e que ele dava nas suas aulas de OSPB. SAUDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


04/06/08
Sônia
Sr . UBI ! =]
O SR UBI FOI UM DIRETOR DE RESPEITO.SINTO MUITA SAUDADE DELE, DO JEITOQUE MANTIA O COLEGIO SEMPRE COM MUITA DIGNIDADE, TANTO QUE HOJE TENHO A MAIOR SATISFAÇAO DE CONTINUAR AMIGA DO PAULINHO (SEU FILHO) QUE GOSTO MUITO TAMBEM.UM BEIJO PARA ELES E TODA FAMILIA.SONIA


12 fev
Renise
É claro!!!Ele cantando pra uma amiga minha "Marina morena Marina..."A propósito, o nome dela é Marina e toda vez que ele entrava em sala olhava pra ela e cantava. Sempre foi um doce conosco e nunca o vi alterado. Foi o melhor diretor da minha vida escolar. Ele é um exemplo pra mim. Dirigindo uma escola procuro ser como ele ao tratar meus alunos. Nada de diretora cara feia... Bronca na hora da bronca, e amiga sempre. Mesmo na hora das broncas.


12:01 (11 horas atrás)
ROSE-É PRECISO
e o sapato "VULCABRAS" do uniforme...nunca me esquecerei...rs


15/11/08
Tânia
Ai meu Deus...Que saudades...E eu sempre na SECRETARIA. Não sei pq. Rs


26/03/09
Milton
SOBI
Jamais me esquecerei deste grandioso colégio. Passei por lá nos anos 60 a 63. Tive aulas de Geografia com Sr. Ubi Barroso, do que muito me orgulho. Guardo na memória muitas passagens interessantes desta época. Sinto saudades dos antigos colegas e professores. Mesmo considerando o tempo decorrido, a maioria deve morar aí em SJN. Mando um grande abraço pra todos os "sortudos e privilegiados" que passaram por este estabelecimento. Tb. estudei no Augusto Glória e Cel. José Brás.


06/04/09
Noelia
Quando ele mandava eu e minhas amigas pra secretaria,(sim,porque eu nunca ia sozinha,tinhas cúmplices)ele nunca zangava com a gente,nos chamava de "minhas anjinhas",e nos estávamos longe de ser anjinhas,como aprontávamos. Que saudade dele e de todos.


23/10/08
Graziella
muitas saudades
Nossa! Sr Ubi?!Nunca me esqueci. Ainda quando passo em frente àquele jardim da escola me dá um aperto no peito e muita emoção. Estudei lá por três anos, da 1ª à 3ª série, de 1986 à 1988, o último ano da escola. Grande perda p São João Nepomuceno.Saudades do "Juquinha, o esqueleto", Sôbi, Maria Amélia Barroso, Fabinho e muitas outras pessoas especiais.


08/10/08
Cynthia
Era uma tortura ter que decorar aquele livro de Geografia. Até hoje lembro as fotos e os quadrinhos falando do relevo, vegetação etc.Mas, eram tempos bons. Levei muita bronca porque tinha hora que não conseguia ficar calada e batia de frente (até hoje sou assim). Mas, enfim, aprendi muito.


04/08/07
JAJA e JUJU
cor do terno
eheheh...acho que a cor do terno marcou prá caramba, né?Puxa, que saudade. Com certeza o mundo estaria bem melhor se existissem mais pessoas como ele.Tenho muita saudade.........


15/01/07
Clea
O terno branco dele era o termômetro. Quem se lembra da tia Lourdinha? Quebrava muito galho da gente na hora do sufoco. Já me escondi muito naquela cozinha.E as entradas quando o Seu Bí colocava todo mundo no pátio e ia olhar o tamanho das saias das meninas, colocava a gente de joelhos e a saia tinha que encostar no chão, mas era legal , eu adorava tudo e todos lá.
Mika
Bons tempos do Ginásio. Saudades do Sr Ubi, grande mestre.
De Jorge Marim:
Naturalmente, tivemos também excelentes professores no Segundo Grau, mas é interessante como a lembrança dos mestres do ensino fundamental continua vívida em nossos corações e mentes. Finalmente, de uma forma especial, a lembrança do nosso saudoso Ubi Barroso Silva, misto de professor, diretor, pai, educador e exemplo de vida. Como era o sentimento dominante naqueles “anos de chumbo”, confesso que sentíamos medo do Sôbi. Mas, estranhamente, era um medo bom: não era o medo de uma pessoa que poderia nos fazer mal, mas, pelo contrário, era o medo de ultrapassar um limite que não conhecíamos bem, mas o Sôbi conhecia. Ele sempre nos dizia que não “achava” nada (porque, segundo ele, “tinha um amigo que achou e não acharam mais ele”). E não achava mesmo, ele tinha certeza do caminho melhor, e da forma mais branda de nos transformar em cidadãos.

5 comentários:

  1. Amigo Cralos: É muito bom recordar uma pessoa como seu Pai linda homenagem devia escrever um livro sobre seu pai gostei muito de ler tudo o que diz a respeito do seu pai.
    Um abraço
    Santa Cruz

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  2. Amigo José Carlos,
    Em especial me identifiquei muito com este cantinho do Blog.
    Quantas saudades boas do nosso querido Sô Bi.
    Muita emoção ao ver esta simples postagem da Capelinha assim tão próxima de suas historias.
    Porque não escrever um livro? Ou dois... três... Seria tudo de bom!
    Não podemos privar as gerações futuras de conhecer aquele quem teria sido nosso eterno diretor, professor, pai dedicado, pessoa de fé inabalável em Deus, senso de humor invejável.
    E como seria útil sua disciplina nos dias de hoje!
    Como já havia dito, tenho muito orgulho de ter vivido na época do Ginásio, um pedacinho desta linda historia de vida.
    Forte abraço

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  3. Amigo José Carlos,quando me formei,em 1973,no Curso Científico,tivemos uma festa de despedida,juntamente com o terceiro ano Normal,no Clube Trombeteiros.Naquela noite inesquecível recebí de presente,das mãos de seu pai,um livro cujo título era ¨Vitrais do Mundo¨e na primeira página estava escrita a seguinte dedicatória : ¨Os amigos são os anjos que o senhor nos enviou¨,logo abaixo vinham as assinaturas do Sr.Ubí e da Dona Dyla.Não dá para esquecer um fatos desses,mesmo depois de tantos anos!...Abraços.Nilson Magno Baptista.

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  4. José Carlos,
    Tenho um amigo, materialista até a medula, que diz que a morte é o fim de tudo. A única exceção, diz ele, são os pais, que continuam vivendo dentro de cada um de nós. Meu pai vive em mim, lembra ele, toda vez que repete algum antigo cacoete ou fala do velho pai.
    Se meu amigo estiver certo, então, além do meu, o seu pai também vive em mim, pois, a cada momento, por todos os lugares em que vivi, sempre citei as frases inesquecíveis do Sr. Ubi. Quem ensina, aprende; mas, quem aprende bem, aprende para toda a vida. Abração!

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  5. Comentando um assunto com minha esposa, citei: "errar é humano, mas persistir no erro é burrice", como dizia o nosso, ao mesmo tempo querido e temido diretor do "Instituto Barroso", sr. Ubi, mineiramente chamado por nós de "Sobí". Ato contínuo, busquei no Google pelo seu nome, sempre na minha lembrança: "Ubi Barroso Silva" e, com surpresa e alegria achei esse blog de seu filho Zé Carlos, de quem tive o prazer de ser aluno em meados dos anos 70.
    Sr.Ubi foi daqueles educadores que já não existem mais, bravo mas justo, possuidor de uma inteligência e percepção únicas. Algumas lembranças:
    Quando foi inaugurado o Colégio Polivalente, havia uma propaganda na Rádio Difusora dizendo que o colégio contava com professores treinados, etc.....
    Sobí dizia: quem precisa ser treinado é cachorro e não professor.
    Enquanto formávamos fila no pátio para cantar o Hino Nacional antes do começo das aulas, lá estava ele, atento aos mínimos detalhes e, principalmente aos uniformes. Ai de quem tivesse sem uniforme ou com o uniforme incompleto, fatalmente voltava para casa!
    Lembro-me sempre, de um acontecimento marcante para mim, ocorrido quando cursava o 3º ano do "ginásio". Ao passar em frente a nossa sala de aula, sr. Ubi escutou um batuque e cantorias.Imediatamente entrou e parou em frente ao quadro negro com aquela cara de bravo que nos fazia tremer nas bases. A classe emudeceu, ele em seguida perguntou: Quem estava fazendo aquela baderna? Durante alguns minutos ninguém disse nada, aí me levantei e confessei o crime. Ele, surpreso e ao mesmo tempo tocado, simplesmente me disse para não fazer mais e se retirou.
    Esse era o "Sobí". Se hoje tivéssemos mais pessoas como ele, o Brasil certamente não estaria na penúria moral e educacional em que se encontra.
    Dentro de 2 semanas, depois de quase 5 anos visitarei São João e, como sempre faço, vou subir o morro, fechar os olhos e imaginar o sino tocando, o sobe e desce de alunos do "ginásio", "científico", "contador" e "normal". Imaginar que lá embaixo do morro, ainda tem a padaria do "Popó", com aquelas bombas de creme e caçarolas deliciosas. Depois vou parar para olhar as grades do Cine Brasil,como eu e meus amigos sempre fazíamos, prá ver se está passando algum filme do "Maciste".
    Êta tempinho bão, sô!
    Abraços!
    Adson Marchiori da Silva

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CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

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NOSSAS MONTANHAS

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UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

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SEM PALAVRAS!

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A FABRICA DE TECIDOS

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FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

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ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

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EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

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vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

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O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

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O que restou da historia? UMA FOTO!!!