SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DR. NAGIB CAMILO AYUPE

A foto historica nos revela o famoso encontro entre Tancredo Neves, Dona Nadina e Alda Ayupe esposa e filha do médico e politico Dr. Nagib. Vê-se também Célio Ferraz, Elmo Braz e Periclizinho. O local do encontro foi em frente a residencia do grande médico. O encontro é narrado no artigo abaixo. Foto arquivo de Eduardo Ayupe
Texto extraído do Jornal Voz de São João
de 10 de janeiro de 1981 Nº. 2.223,
com adaptação de José Carlos Barroso.
Dr. Nagib não morreu de todo. Ele permanecerá na lembrança da gestante que partejou, na da criança que curou, na do homem que assistiu, na do jovem que tirou do descaminho. Sua memória será cultuada por todo povo desta terra, que ele tanto engrandeceu e amou”.
Com estas palavras de Dr. José de Castro Azevedo, um de seus grandes amigos, por ocasião do passamento desse extraordinário homem, bem traduziu a vida do homem do povo, do medico extremoso e dedicado, do chefe de família exemplar e correto e, do político voltado aos interesses de sua terra e dos são-joanenses.
O Dr. Nagib Camilo Ayupe, era natural de São João Nepomuceno, onde nasceu aos 23 de outubro de 1911, sendo filho de dois imigrantes, o Senhor Abrahim Camilo Ayupe (Libanês) e de Dona Ângela Turaci Ayupe (Italiana) sendo a pujança de seu pai, cujo nome também está escrito nas paginas da historia de nossa São João Nepomuceno, como um dos fundadores do Hospital São João, e também do Clube Democráticos, como dos carinhos e ensinamentos de sua mãe, certamente o que lhe fizeram tornar o homem que foi.
Do Senhor Abrahim (o Sô Abrão) e Dona Ângela, de quem bem recordamos, era o casal de velinhos mais simpático, da Rua Domingos Henriques de Gusmão, e era ali que se situava a casa comercial a se confundir com a residência dos Ayupe, bem a esquina das ruas Domingos Henriques de Gusmão, com a que recebeu o seu nome Rua Abrahim Camilo Ayupe, continuação da Rua Barão de São João.
Além de Nagib, completava a irmandade Nazira, Nelson, Nilo, Nair, Nadej, Camilo, Vicente e, Maria Luiza.
O Dr. Nagib cursou o primário (1º grau) no antigo Grupo Escolar Coronel José Braz (Escola Municipal Coronel José Braz) e depois o curso secundário (2º grau) no então Ginásio São Salvador, mais tarde Instituto Barroso.
Em janeiro de 1929 fez em Belo Horizonte, submeteu-se ao concurso vestibular, para a Faculdade de Medicina, onde recebeu o seu diploma de médico.
A sua vida estudantil foi coroada de fatos meritórios, recheada de títulos resultado inconteste de sua inteligência e, amor aos estudos.
Após 8 de dezembro de 1934, ao ser diplomado pela Faculdade de Medicina de Minas Gerais, retornou a sua terra Natal, que o recebeu de braços abertos, onde deu iniciou a sua brilhante carreira médica.
Aqui ficou até outubro de 1936, quando então se transferiu para a cidade capixaba de Rio Novo do Sul, no Estado do Espírito Santo.
Em 15 de setembro de 1937, casou-se com a Senhora Nadina Furtado de Mendonça e, desse enlace veio a sua única filha Alda Sylvia Ayupe de Souza, casada com Dr. Ronaldo Mendes de Souza, agrônomo e advogado.
Era ali onde também era comum vê-lo ao lombo de um cavalo, ou em primitivos veículos da época percorrendo os mais longínquos lugares daquela terra capixaba, a qualquer dia e hora, fazendo como ninguém o que Deus lhe reservou como presente, ou seja, ser Seu instrumento de cura dos necessitados.
Mas São João Nepomuceno, iria receber Dr. Nagib, mais uma vez, isso no ano de 1940, quando reiniciou as suas atividades profissionais em sua terra natal, quando então logo passou a se integrar ao corpo clinico do Hospital São João, que sempre fora “a menina de seus olhos”, por inúmeras razões.
Em 1º de janeiro de 1951, assumiu o cargo de Diretor Clinico daquele mesmo nosocômio, função que exerceu, de forma ininterrupta por mais de vinte e cinco anos.
Aqui abro um parêntese para confidenciar, dizendo a vocês, com grande emoção, que foi no ano de 1952, que Dr. Nagib, juntamente com sua fiel ajudante de enfermeira Duila, naquela casa de saúde, nos trouxe ao mundo, assim como fez com milhares de crianças de São João.
Como médico muito trabalhou para a criação do Serviço de Assistência Médico – Domiciliar – Urgente (SANDU) de cujo quadro clinico fez parte até o dia da extinção dos serviços , na cidade, quando então passou a integrar o quadro clinico do Instituto da Previdência Social (INPS).
Dr. Nagib ainda prestou serviços junto ao Posto de Puericultura D. Maria do Carmo de Magalhães Sarmento e, o seu sacerdócio era junto aos velhinhos do Lar Ambrosina de Matos, que a cada dia em que lá chegava era recebido com abraços e beijos daqueles que o tinham como o seu grande benfeitor e, ele com paciência e compreensão distribuía os seus sorrisos e, todos os carinhos. Não era raro ouvir a suas gargalhadas, que eram como um grande bálsamo, aos que precisavam de seus serviços profissionais.
Mais uma vez, nossa memória voa, e chega até nosso tempo de menino, quando nossos pais, que sempre preocupados e zelosos por qualquer febre ou gripe chamavam-no até nossa casa. A sua presença era a certeza de cura e, assim era também com muitos e muitos são-joanenses, que o tinham como médico de família.
Em 1953, o grande médico esteve em São Paulo, onde no Hospital fez curso de cardiologia, sob a direção do consagrado professor Dante Pazzaneze.
Na cidade de Juiz de Fora Dr. Nagib participou como debatedor do simpósio sobre Colecistopatias Crônicas não Litiásicas, e naquela oportunidade impôs seu profundo conhecimento sobre a matéria.
Na verdade o Dr. Nagib Camilo Ayupe foi um médico completo, pois pontificava em diversos ramos da medicina, sempre se mostrando um grande estudioso. Sempre pronto para atender a todos, foi um clinico consumado, um exímio cirurgião, de mãos abençoadas por Deus, obstreta ou ginecologista respeitado e, não se tem conta dos são-joanenses que vieram ao mundo através de suas mãos.
Mas o que mais impressionava a todos os que conviviam com o grande médico era a exatidão de seus diagnósticos, bem como a terapêutica aplicada, e sempre correta, a cada caso que o desafiava.
Era um medico na inteira concepção da palavra, uma boa alma dedicada aos seus doentes, a seu povo, que na verdade era toda São João Nepomuceno.
Vale a pena relatar o que o grande médico são-joanense Dr. Nagib Camilo Ayupe em trabalho seu sobre a História da Medicina em nosso Município isto em 03 de maio de 1980, disse sobre os últimos dias de Dr. Augusto Glória Ferreira Alves:
(...)
“Atendendo seu chamado fui seu médico assistente durante sua última enfermidade. Visitava-o diariamente, procurando, a par da medicação, levar-lhe o conforto duma palavra amiga. Mas o doente sentia que suas forças desfaleciam e que seu fim estava próximo. Poucos dias antes de seu desenlace, entrando em seu quarto e aproximando-me de seu leito, convidou-me a sentar e foi logo dizendo: Meu filho! Muito obrigado por tudo o que você fez, mas é inútil, pois senectus est morbus, e eu estou no fim. Pediu a sua serviçal D. Sebastiana, que estava ao meu lado, que trouxesse a encomenda. Era um objeto comprido e embrulhado, que me entregou dizendo: Leve para você e guarde-a como lembrança desse velho amigo e colega que o viu nascer e a quem assiste morrer.
Perdoe-me o haver me estendido demais no relato desse episódio, mas, se o fiz, é porque ele toca profundamente a minha sensibilidade.
O presente com que o Dr. Glória me obsequiou naquele instante, foi uma bengala com castão de ouro, estando nele gravado suas iniciais. Segundo informação que tivemos, essa bengala lhe foi oferecida por um grupo de amigos numa festa em sua homenagem.
Pois bem, senhores! Essa bengala eu a guardo como uma preciosidade, mas já recomendei aos meus descendentes e reitero essa recomendação neste momento, publicamente: Se algum dia for criado pelos poderes municipais, um museu nesta cidade, essa bengala deverá pertencer ao seu acervo. Os objetos também podem ter a sua história e essa bengala pertence à história de São João Nepomuceno.
E assim foi feito, pois Dona Nadina Furtado Ayupe, sua esposa, por ocasião da criação do Museu Municipal fez doação da preciosa relíquia ao Exmo.sr. Prefeito Municipal Célio Filgueiras Ferraz, e mais uma vez eu presenciava como Superintendente da Fundação Cultural e Presidente do Museu Municipal, aquele momento histórico, onde cumpria-se assim o desejo do grande médico Dr. Nagib Camilo Ayupe.
Mas Dr. Nagib teve ainda sua vida voltada à política, e dela participou ativamente, atingindo altos postos e, sempre distinguido pelo governo e por seu partido o PSD, cujo Diretório Municipal em São João o teve como Presidente.
Nagib como político, foi amigo inseparável do Ex-presidente Tancredo de Almeida Neves e foi a sua residência, que abrigou por diversas vezes o famoso político, quando de suas visitas a São João.
Agora mais um parêntese, o Ex-Presidente Tancredo Neves em sua ultima visita a São João Nepomuceno, em campanha rumo ao Palácio da Liberdade, candidato ao governo de Minas Gerais, acompanhado de Célio Ferraz, ao descer do carro que o levou ao encontro de Dona Nadina, e de sua filha Alda disse em tom emocionado: “Quanta saudade dele”, e os dois se abraçaram comovidos, enquanto os olhos daqueles que presenciaram aquelas cenas de saudade e de imensa amizade, certamente todos, ficaram marejados, e eu lá estava, orgulhosamente.
Foi atuante Vereador, e Presidente da Câmara Municipal nas Legislaturas de 1948, 1955 e 1963, sempre eleito com expressiva votação, o que lhe rendeu a condição de um dos Vereadores mais votados de nosso Estado.
No ano de 1954 reformulou o Diretório Municipal do PSD, assumindo a sua presidência.
Foi Prefeito de sua terra, de 1959 a 1963, tendo como Vice o Sr. Mauro Henriques Furtado, quando pos a prova o seu incontestável prestigio, saindo vitorioso de uma dura disputa eleitoral disputadíssima.
Sua administração foi coroada de êxito, e São João Nepomuceno, pode ver de perto um prefeito cujas ações sempre foram voltadas para o povo, na verdade era o grande orgulho do são-joanense, que o tinha como um dos seus maiores filhos.
Construiu ele pontes, parque infantil, poços artesianos, ampliou a rede de águas e de esgoto, calçou ruas, abriu estradas e conservou todas as que à época existiam.
Durante sua gestão foram inaugurados os prédios do Fórum, que recebeu o nome de Dr. Ananias Varela de Azevedo, e do Posto de Saúde com a honrosa presença do Governador de Minas Dr. Bias Fortes.
Foi também durante a sua gestão que foram instaladas as agências do Banco do Brasil e do INPS, para as quais teve participaçã para as quais teve participaç e do INPSinas Dr. Bias Fortes.
to de Saude aguas overno e por seu partido o PSD, cujo o.
A reativação dos trabalhos do asfaltamento da São João – Bicas, também muito se deveu a interferência do inolvidável médico e político, quando pode ver mais um de seus feitos realizados no dia 5.11.1970, quando era inaugurada a estrada pelo Prefeito de então e, o seu Vice, ou seja, o Sr. Mauro Elpidio Nogueira, com a honrosa presença a inauguração do Governador mineiro Israel Pinheiro, que fez questão de ter ao seu lado o Ex-Prefeito Nagib Camilo Ayupe.
Mas depois de se destacar como homem público, foi vitima de um “exílio voluntário” quando se afastou temporariamente da política. Mas ter se tornado o Presidente de Honra do PSD na cidade o trouxe de volta as lidas políticas, tirando-o do exílio a que se submetera.
Nagib era um apaixonado pelas letras, pela literatura e pela educação, tendo sido professor na Escola Normal Dona Prudenciana e no Colégio São João Nepomuceno, tendo sido paraninfo de várias turmas prova de seu grande prestigio e do amor dos são-joanenses por esse ilustre filho desta terra.
Neste mister ainda se destacou como um dos fundadores do Ginásio “Dr. Augusto Glória” da CENEC, hoje Escola Municipal “Dr. Augusto Glória”.
Como abnega cultor das letras, criou ele o Centro Cultural “Francisco de Castro” do qual foi o seu primeiro Presidente ocupando a cadeira que tinha como nome o Patrono da entidade, e o seu discurso de posse muito elogiado tinha como titulo “O Divino Mestre”.
No dia 05 de janeiro de 1981, falecia o grande médico Nagib Camilo Ayupe, e por tudo o que representou em vida para a medicina e para o povo são-joanense, não foi surpresa a multidão que o acompanhou até a sua ultima morada.
As manifestações de pesar vieram de todos os lugares e, o Jornal Voz de São João noticiou a sua morte e muitos foram o que publicamente manifestaram sua consternação por irreparável perda.
O nome do inesquecível médico, político Dr. Nagib Camilo Ayupe, foi imortalizado quando a entrada principal da cidade recebeu o seu nome, e ainda o Posto de Saúde do Bairro Benette, homenagens e o reconhecimento público do povo de São João Nepomuceno a esse seu filho, que viveu para servir.
Agora passados cem anos de seu nascimento * 23.10.1911 – 23.11.2011, o Poder Público atual lhe presta significativa homenagem em nome do povo são-joanense, quando à subida da Colina da Matriz, edifica o pedestal e ali introduz de seu busto, em significativa homenagem.
Dr. Nagib Camilo Ayupe ESTÁ VIVO no coração de nossa gente e continuando a parafrasear; “ONDE ESTÁ Ó MORTE A SUA VITÓRIA”

sábado, 6 de agosto de 2011

HISTÓRIA DE NOSSAS RUAS > RUA DOS ESTUDANTES

Os moços que freqüentavam os bancos escolares de nossos estabelecimentos de ensino secundário, a que sempre se chamou de – a classe estudantina são-joanense – representaram, no passado, relevante papel na vida de nossa cidade. Em todos os empreendimentos, quer fossem festividades cívicas, sociais ou religiosas, lá se fazia presente o nosso estudante.

Moços cheios do mais sadio entusiasmo alegravam as ruas de nossa São João com a sua alacridade, com as suas troças, a sua “verve”, a graça e o espírito.

Habituara-se nossa gente a ouvi-los e a os aplaudir, incentivando-os em todas as manifestações do intelectualismo moço.

Um dos mais interessantes papéis executados por eles, sem dúvida, foi o de estreitar os laços de amizade entre as classes estudantinas locais e das cidades circunvizinhas. Um verdadeiro intercâmbio estabeleceram, divulgando lá fora o nome da cidade de São João Nepomuceno, vale dizer, de nosso município. Aqui foram por eles trazidas luzidas embaixadas de Viçosa, Juiz de Fora, Bicas, Rio Novo, Guarani, Ubá, Rio Branco e outras mais como também, em retribuição às mesmas cidades, levaram a “voz febril da mocidade” são-joanense.

Dito intercâmbio teve início em 1938 quando, para a passagem do “Dia do Estudante”, o 11 de Agosto, se programou a visita dos estudantes do Ginásio de Viçosa. Pelo vulto do acontecimento, jamais presenciado nesta terra – a cidade se “revolucionou”. Era o assunto obrigatório de todas as “rodas”, desde as mais sisudas delas à mais humilde. Noutra cousa não me falava naqueles dias. Emprestávamos, à época, o nosso concurso à Escola Normal D. Prudenciana e devido ao fato de sermos moços, também, entregamo-nos de corpo e alma à festividade. E na noite de 10 de agosto, à frente de um pugilo de jovens, dirigimo-nos à residência do Prefeito de então – o Farmacêutico Agenor Henriques Soares, que já se havia contagiado com o entusiasmo da classe estudantina, e em rápida oração, solicitamos-lhe que desse o nome de Estudantes a uma de nossas ruas e fosse além – decretasse feriado municipal o Dia 11 de Agosto. Reuniu se o Chefe do Executivo Municipal, por alguns instantes, no interior de seu lar, com os seus assessores, para, minutos após, vir trazer a notícia de que mandara lavrar os dois atos, atendendo, assim, ao apelo da classe moça.

E no dia seguinte, 11 de agosto de 1938, numa tocante solenidade, inaugurava-se uma tosca placa de madeira na “via pública que liga a rua Capitão Ferreira Campos à frente do Ginásio São João Nepomuceno”, com os dizeres Rua dos Estudantes*. A voz sempre reclamada daquele que era considerado “o maior amigo dos Estudantes são-joanenses”, o sempre saudoso professor doutor Francisco Zágari, se fez ouvir. Falava ele em nome do Prefeito Agenor Henriques Soares para testemunhar aos moços são-joanenses o apreço que lhes tinha o poder público municipal e o reconhecimento pelo trabalho que vinham realizando em prol do nome do município. Agradecendo pela mocidade são-joanense, falou o professor José de Castro Azevedo sobre o significado do ato que se realizava, da sua justeza e do reconhecimento de nossa juventude, que trabalhava para a divulgação do nome deste município, ajudando para que ele transpusesse fronteiras e ecoasse lá fora.

*Atualmente a “Rua dos Estudantes” chama-se “Rua Professor Gabriel Archanjo de Mendonça”.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."

(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).

sexta-feira, 25 de março de 2011

HISTÓRIA DE MINHA RUA > RUA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS

Foto de sjonline

Já disséramos em outra oportunidade, que, entre as ruas que, nos fins do século passado (XIX), em nossa cidade, já tinham o seu nome, se destaca a Rua Comendador Francisco Ferreira. Nela – um prédio se destacava pelos serviços prestados à nossa infância: o Grupo Escolar Coronel José Brás, construído no primeiro decênio deste século (XX). Entretanto, em 1930, era inaugurado o novo prédio do Grupo, na hoje Praça Coronel José Braz. A Rua Comendador Francisco Ferreira passou, então, a ser chamada, popularmente, de Rua do Grupo Velho. Ninguém quase a chamava pelo seu legítimo nome. Todos a conheciam só por seu apelido.
Os tempos passaram. Veio a época do Estado Novo. O golpe de 10 de Novembro de 1937, que derrubou a Constituição de 34, levou-nos ao Estado Totalitário. E isto, mesmo a contragosto de muitos, transformou a fisionomia da política nacional. Realmente, uma figura enchia o país de norte a sul: Getúlio Dornelles Vargas, o Chefe de Estado. E, quando em todos os recantos da Pátria se comemorava o primeiro aniversário da Constituição outorgada ao povo e o primeiro ano de vivência no novo regime, São João Nepomuceno aderiu às manifestações de apoio ao Presidente. E foi assim que, em 10 de novembro de 1938, em solenidade pública, o prefeito Agenor Henriques Soares assinava o decreto nº 23, que denominava Rua Presidente Getúlio Vargas àquela que tem início na Rua Coronel José Dutra e termina na Rua Governador Valadares. Minutos após a assinatura do ato eram solenemente, também, colocadas as novas placas naquele logradouro.
Com isso mutilava-se uma das mais antigas ruas de nossa Cidade: a Rua Comendador Francisco Ferreira, que se privava de mais de dois terços de seu cumprimento, reduzindo-se a uma pequena e inexpressiva rua.
No entanto, com a nova denominação homenageava-se aquele que, no dizer de sua própria filha, “foi um homem excepcional que, tendo vivido todas as angústias da adolescência de um povo, se conservou sempre jovem e morreu em plena juventude espiritual, deixando um exemplo insuperável dentro da História do Brasil.”
É bem cedo ainda para se julgar a figura de Vargas, que foi inquestionavelmente o homem mais discutido e menos entendido da História Pátria. Endeusado por uns, menosprezado por outros, bem difícil se torna ainda nos dias de hoje se opinar serenamente sobre o homem público. Somente a posteridade poderá disseca-lo e analisa-lo friamente, sem as paixões ou distorções que ainda agora conturbam a vida nacional.
Em verdade, virtudes ele teve. Grandes méritos, obras imperecíveis que são marcos indeléveis, que não desaparecerão jamais e que assinalam a sua longa passagem pela curul presidencial. Seus deméritos são apontados, no entanto, a todo passo, como causa primeira de todos os grandes males que afligem e convulsionam a pátria brasileira, ainda nos dias presentes, mais de dez anos depois de sua morte.
Tem-se dito que a vida de Getúlio Vargas foi feita de quedas e de ascensões. Para muitos sua vJá disséramos em outra oportunidade, que, entre as ruas que, nos fins do século passado (XIX), em nossa cidade, já tinham o seu nome, se destaca a Rua Comendador Francisco Ferreira. Nela – um prédio se destacava pelos serviços prestados à nossa infância: o Grupo Escolar Coronel José Brás, construído no primeiro decênio deste século (XX). Entretanto, em 1930, era inaugurado o novo prédio do Grupo, na hoje Praça Coronel José Braz. A Rua Comendador Francisco Ferreira passou, então, a ser chamada, popularmente, de Rua do Grupo Velho. Ninguém quase a chamava pelo seu legítimo nome. Todos a conheciam só por seu apelido.
Os tempos passaram. Veio a época do Estado Novo. O golpe de 10 de Novembro de 1937, que derrubou a Constituição de 34, levou-nos ao Estado Totalitário. E isto, mesmo a contragosto de muitos, transformou a fisionomia da política nacional. Realmente, uma figura enchia o país de norte a sul: Getúlio Dornelles Vargas, o Chefe de Estado. E, quando em todos os recantos da Pátria se comemorava o primeiro aniversário da Constituição outorgada ao povo e o primeiro ano de vivência no novo regime, São João Nepomuceno aderiu às manifestações de apoio ao Presidente. E foi assim que, em 10 de novembro de 1938, em solenidade pública, o prefeito Agenor Henriques Soares assinava o decreto nº 23, que denominava Rua Presidente Getúlio Vargas àquela que tem início na Rua Coronel José Dutra e termina na Rua Governador Valadares. Minutos após a assinatura do ato eram solenemente, também, colocadas as novas placas naquele logradouro.
Com isso mutilava-se uma das mais antigas ruas de nossa Cidade: a Rua Comendador Francisco Ferreira, que se privava de mais de dois terços de seu cumprimento, reduzindo-se a uma pequena e inexpressiva rua.
No entanto, com a nova denominação homenageava-se aquele que, no dizer de sua própria filha, “foi um homem excepcional que, tendo vivido todas as angústias da adolescência de um povo, se conservou sempre jovem e morreu em plena juventude espiritual, deixando um exemplo insuperável dentro da História do Brasil.”
É bem cedo ainda para se julgar a figura de Vargas, que foi inquestionavelmente o homem mais discutido e menos entendido da História Pátria. Endeusado por uns, menosprezado por outros, bem difícil se torna ainda nos dias de hoje se opinar serenamente sobre o homem público. Somente a posteridade poderá disseca-lo e analisa-lo friamente, sem as paixões ou distorções que ainda agora conturbam a vida nacional.
Em verdade, virtudes ele teve. Grandes méritos, obras imperecíveis que são marcos indeléveis, que não desaparecerão jamais e que assinalam a sua longa passagem pela curul presidencial. Seus deméritos são apontados, no entanto, a todo passo, como causa primeira de todos os grandes males que afligem e convulsionam a pátria brasileira, ainda nos dias presentes, mais de dez anos depois de sua morte.
Tem-se dito que a vida de Getúlio Vargas foi feita de quedas e de ascensões. Para muitos sua vida foi um mistério. Para nós, o mistério é sua morte.
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História” são suas últimas palavras na conhecida “Carta Testamento” que teria sido redigida num momento de conturbação de espírito e à qual se segue o gesto trágico do suicídio. Muitos anos deverão passar ainda para que se esclareça toda a verdade, quando deverá vir à luz a realidade dos fatos. Suicídio? Homicídio? Paira no ar, para se usar o lugar comum, a dolorosa interrogação.


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

HISTÓRIA DE MINHA RUA: RUA VISCONDE DO RIO BRANCO


Rua Visconde do Rio Branco foto: Fernando Motta

Segundo se sabe, pelo menos desde a metade do século passado*, já se denominava Rua Visconde de Rio Branco a via pública de nossa cidade que nos leva até o prédio da Escola Normal D. Prudenciana**, partindo-se da Praça Barão do Rio Branco.
Em verdade, naquela época, media ela mais ou menos duzentos e cinquenta metros de comprimento, mas, em 1938, o poder público houve por bem mutilá-la e lhe tirou cerca de dois terços de sua extensão, dando ao trecho seccionado o nome de Rua Governador Valadares.
Desejavam os nossos antigos administradores homenagear um dos maiores homens do Império – José Maria da Silva Paranhos, que, no princípio de sua vida política, era conhecido como o Conselheiro Paranhos, que, pelos serviços prestados à Coroa, recebeu o título de Visconde do Rio Branco, nome com que realmente passou à história.
O Visconde do Rio Branco, tão grande como seu filho e homônimo – Barão de Rio Branco, foi um dos mais notáveis estadistas do Império, e uma vez mais soubera honrar o nome de seu torrão natal, a Bahia, pela sua inteligência, cultura e patriotismo.

Rua Visconde do Rio Branco - também conhecida como morro do ginásio
Desempenhou as mais destacadas funções no governo imperial, iniciando-as como secretário da missão diplomática, chefiada pelo Marquês de Paraná, em 1851, no Rio da Prata, dali passando a Ministro-residente, no ano seguinte. Foi por várias vezes nomeado plenipotenciário e enviado extraordinário na República Argentina, Uruguai e Paraguai, tendo oportunidade, em 1865, de concluir o acordo com aqueles países e o de organizar o governo provisório no Paraguai, assinando, por fim, o tratado preliminar de paz com aquelas nações.
Esteve ele no Rio da Prata, quando foi surpreendido com a ordem que dava por finda sua missão no exterior, voltando, então ao Brasil e pronunciando célebre discurso em 5 de junho de 1865, que durou oito horas.
Desempenhou o Visconde do Rio Branco as funções de Ministro da Marinha, Ministro dos Estrangeiros, Ministro da Guerra. Foi presidente da Província do Rio de Janeiro, deputado por ela e pelo chamado “Município Neutro” (na República, Distrito Federal), bem como por Sergipe e ainda, Senador.
Teve o Visconde do Rio Branco atuação destacadíssima no Segundo Império, tanto assim que fez parte do décimo-sexto Gabinete Ministerial e do vigésimo-quinto Gabinete, na qualidade de seu Presidente. Foi ele quem promulgou a lei que concedia liberdade aos filhos dos escravos, que nascessem a partir de então; lei essa mais conhecida como a do “Ventre Livre”.
Convém que se ressalte que o Visconde do Rio Branco pertencia ao Partido Conservador e que conseguiu presidir o mais longo Ministério de toda a Monarquia, pois formado em 1871, prolongou-se até 1876.
Merece ser destacado, na personalidade, na personalidade do Visconde de Rio Branco, o fato de ser ele abolicionista e esse seu ideal extravasou nossas fronteiras, indo refletir em outras nações. Estava ele em Assunção, no Paraguai, tendo organizado um governo provisório, quando da guerra contra aquele país, tendo que – um de seus principais atos foi declarar livres todos os escravos Paraguaios.
Parece-nos, salvo engano de nossa parte, que à época de tua permanência na Chefia do Gabinete, em São João Nepomuceno predominava o Partido Conservador, donde lhe devotar o nosso povo especial estima e grande admiração. Vem daí, possivelmente, a ligação de seu nome a uma de nossas principais artérias, à época, como testemunho do são-joanense ao grande estadista, que tão assinalados serviços prestara à Pátria.
* O Século ao que o autor se refere é o Século XX.
** Atualmente o prédio abriga uma empresa do ramo de confecções.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

RENÊ MENDONÇA - O DR. RENÊ DO BOTAFOGO . RJ

Por Ney Medina - Com comentário de José Carlos Barroso

Foto retirada do Jornal dos Esportes ano de 1945 (O jornal cujas folhas eram vermelhas)

Rêne Mendonça, ou melhor, Dr. Renê Mendonça, nascido em São João Nepomuceno no dia 1º de janeiro de 1921, era filho de Alda Henriques de Mendonça e Horácio Furtado de Mendonça. Sr. Horácio é um dos fundadores do Botafogo F.C de São João Nepomuceno e a praça de esportes do clube leva o seu nome.

Dr. Renê viveu em São João até os 12 anos de idade, depois mudou-se para Juiz de Fora onde estudou no Colégio Grambery. No início dos anos 40, já estava cursando Medicina na Cidade Maravilhosa, onde também jogava no futebol amador do Botafogo.

Dr. Renê foi tri-campeão carioca pelo Botafogo, 42, 43 e 44 (amadorismo). O time campeão de 1942 jogou 34 partidas, neste campeonato e venceu 31, empatou 2 e perdeu apenas 1 partida, sendo que, Dr. Renê jogou 31 das 34 partidas disputadas, e marcou 43 gols dos 227 assinalados pelo Botafogo.

O time campeão, Nei no gol, Mato Grosso e Dunga; Rui, Hélio e Cid; Oto, Armando, Augusto, Tovar e Renê.O Botafogo foi bi-campeão em 1943 jogando 18 vezes com 16 vitórias, 1 empate e uma derrota. Dr. Renê participou de 16 jogos e marcou 6 dos 62 marcados.

O time bi-campeão jogou com Boliviano, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid; J.Américo, Tovar, Augusto, Otávio e Renê.

E o tri-campeonato veio em 1944 com 18 jogos, 15 vitórias, 2 empates e uma derrota. Dr. Renê colaborou em 7 partidas e marcou 13 dos 109 gols do Botafogo. Boliviano no gol, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid, Afonsinho, Tovar, Gute, Otávio e Renê.

Como podemos observar, Dr. Renê foi titular nas três conquistas do time da estrela solitária, e a formação era no 1-2-3-5. Dr. Renê foi considerado o melhor ponteiro esquerdo do futebol carioca nos anos de 42, 43 e 44. Defendeu o Botafogo em diversos jogos pela América do Sul.

Diplomou-se em Medicina pela antiga Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, na turma de 1947. Foi médico do clube nas décadas de 50, 60 e 70. No final dos anos 70, tive a honra de ser examinado por ele, onde acusou diagnóstico, exato, do meu problema.

A foto acima é, uma foto histórica para São João Nepomuceno. Ano de 1945, Dr. Renê figurando entre os jogadores profissionais do Botafogo na disputa do campeonato carioca. De pé da esquerda para direita, Negrinhão, Laranjeiras, Sarno, Ari, Spinelli e Ivan. Agachados da esquerda para direita estão: Dr. Renê, Tovar, Dr. Heleno de Freitas, Elba de Pádua Lima “Tim” e Franquito.

Dr. Renê teve mais 4 irmãos, Nadina (falecida e casada com o médico e ex-prefeito de São João Nepomuceno Dr. Nagib Camilo Ayupe), Maria José Jacir e nossa querida Dona Iracema de Mendonça Fermo, viúva de Aymoré Fermo.


Agradeço a Dona Iracema o carinho com que me recebeu em sua casa, onde tive preciosas informações sobre o Dr. Renê.

Encerrando, segundo Dona Iracema, quando TOVAR E PARAGUAIO estiveram aqui em São João, hospedaram em sua residência.


Comentário: Quando de uma das homenagens a Heleno de Freitas em entrevista ao famoso comentarista " DA PALAVRA FÁCIL" Luiz Mendes da rádio Globo RJ, entre tantas coisas interessantes, ele nos disse que o ataque do Botafogo ficou conhecido como "ATAQUE DOS UNIVERSITÁRIOS" e lá estavam dois são-joanenses, Dr. Renê Mendonça (médico) e Dr. Heleno de Freitas (advogado)


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

HISTORIA DE NOSSAS RUAS: AVENIDA ZECA HENRIQUES


Por José Carlos Barroso

Esta rua está localizada às margens do corrego que atravessa a cidade, mas quem foi Zeca Henriques?


O Coronel José Henriques Pereira Brandão o Coronel Zeca Henriques como era carinhosamente chamado está sem sombra de dúvidas entre os grandes vultos da nossa história, por sua atuação dinâmica à frente dos negócios, seja como fazendeiro e industrial seja como prestimoso político à frente da administração municipal.


Zeca Henriques era descendente de um dos primeiros fazendeiros da região e um dos fundadores de São João Nepomuceno, era neto de Domingos Henriques de Gusmão. Filho de Ezequiel Henriques Pereira Brandão e de D. Ana Lina Soares.


Natural de São João Nepomuceno nasceu em 18 de maio de 1865. Eram seus irmãos o Capitão Basílio Henriques Pereira Brandão (meu bisavô) que exerceu o cargo de fiscal Municipal e do Coronel Mariano Henriques Pereira Brandão que foi também Vereador.

Era casado com Francisca Cristina Soares filha do Comendador José Soares e de Dona Prudenciana Faustina de São José.

Zeca Henriques desde cedo começou a militar na política e ainda ao tempo do Império tendo sido Vereador. Depois de proclamada a República compôs o Conselho Distrital e depois legislativo municipal, isso no ano de 1894 tendo visto sua primeira reeleição em 1898, quando conseguiu ser o terceiro mais votado do Partido Republicano. De 1901 a 1904 foi novamente reeleito obtendo nada mais nada menos do que 1039 votos e sendo o candidato mais votado mostrando assim o seu valioso prestigio junto ao povo.

Curiosidade: Foi Zeca Henriques que propôs a colocação do retrato de Dr. Carlos Alves na sala de reuniões da Câmara Municipal o que se fez com uma tela de inestimável valor artístico e de autoria de Adriano Huyberg e adquirida por seiscentos contos de reis. Hoje se encontra como acervo da Fundação Cultural.

No ano de 1902 foi eleito Presidente da Câmara e no ano de 1905 se candidata a reeleição. Conseguindo o seu intento foi eleito pelos demais vereadores Vice Presidente do Legislativo Municipal já que houvera sido o vereador mais votado.

De 1908 a 1912 mais uma vez eleito e desta feita como Vereador Geral foi destacado pelos demais pares para o cargo de Agente Executivo (Prefeito) . E foi aí que o Coronel Zeca Henriques se destaca pelo magnífico trabalho realizado só comparado ao realizado por Dr. Carlos Ferreira Alves.

Foi assim que realizou um de seus maiores sonhos, ou seja o de dotar a cidade de água capaz de suprir as necessidades da população pelo menos durante trinta anos. Adquire ele então oitenta alqueires de terra e assina com o governo de Minas Gerais, acordo para a realização das obras de saneamento, abastecimento de água e rede de esgoto.

Sua participação na edificação do prédio que veio a abrigar o segundo ciclo (Escola Normal) foi de vital importância ao lado de sua sogra Dona Prudenciana Faustina de São José.

Em 02 de julho de 1912 em memorável reunião na Câmara Municipal com propositura do Dr. Gloria foi colocado na sala de reuniões daquela Casa de Leis o retrato de Cel Zeca Henriques e de Dr. Péricles de Mendonça como premio por terem eles contribuído para com a assinatura do contrato para o saneamento da cidade. Quadros hoje pertencentes ao acervo da Fundação Cultural.

Depois disso afasta-se da política tudo por causa de uma dissensão com o partido dominante ou seja o Partido Republicano Mineiro ao qual pertencia, retornando mais tarde como dissidente e chefiando a oposição, quando então foi responsável pela organização do Partido Político Municipal Dissidente, sendo então Vice Presidente da sua Diretoria.

No dia de sua morte nossa São João Nepomuceno parou, isso em 21 de novembro de 1921 estimando-se que mais de três mil pessoas compareceram ao funeral tendo a imprensa registrado que: “ seu nome estava ligado com todos os títulos de benemerência a todos os fenômenos vitais da cidade e do município”.

domingo, 21 de novembro de 2010

O DR. JOSÉ DE CASTRO AZEVEDO

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”.

Com esta fase o Dr. José de Castro Azevedo findava todos os seus trabalhos sobre as Ruas e as Praças de nossa terra, e é com ela que iniciamos a biografia desse que foi certamente um dos mais homens mais cultos e um amante fervoroso dessa cidade. Vejamos:

Natural de Palma, Minas Gerais, nascido em 05 de março de 1918. Filho do Desembargador Ananias Varella de Azevedo e de D. Maria José de Castro Azevedo. Fez seus estudos primários no Grupo Escolar "Cel. José Brás" e iniciou o secundário no Ginásio Municipal, ambos de São João Nepomuceno. Prossegui-os no Ginásio São José e os concluiu no Ginásio Mineiro "Raul Soares", de Ubá.

Fez o curso complementar na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Diplomou-se, em 08 de dezembro de 1942, em Odontologia, pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, quando foi o orador oficial da turma. Representou dita Escola do V Congresso Nacional dos Estudantes (UNE), em 1942, quando advogou a necessidade da reforma do curso odontológico, o que, mais tarde, se tornou realidade. Exerceu a Odontologia por 10 (dez) anos.

Cursou o NPOR, do R.I., de Juiz de Fora, sendo declarado Aspirante a Oficial do Exército em 25 de agosto de 1944, estagiando no III/ 12 R.I., sendo promovido a 2 º Tenente R/ 2 em 19 de janeiro de 1948. Nessa qualidade, foi diretor do Tiro de Guerra 151, de São João Nepomuceno, do qual é sócio benemérito.

Em 24 de dezembro de 1946, consorciou-se com a doutora Alcéa Cardoso de Azevedo, também diplomada pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, havendo desse enlace os seguintes filhos:

D. Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, professora, casada com o sr. Emílio Luiz Sachetto Vitoi, com duas filhas: Maria Emília e Maria José e três netos: Mariana, Ana Carolina e Thiago
Dr. Luiz Otávio Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria Sirlei de Freitas Cardoso de Azevedo, com três filhos: Luiz Otávio, Maria Cristina e Maria Cláudia;
Dr. Luiz Carlos Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria do Socorro Coimbra Cardoso de Azevedo, com quatro filhos: Carla, Cinthia, Luiz Carlos e Cássia. Um neto: João Pedro;
Dr. Luiz Renato Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Miriam Henriques de Azevedo, com três filhas: Renata, Roberta e Raquel;
Dra. Ana Luiza Cardoso de Azevedo Sousa, cirurgiã-dentista, casada com o Dr. Valério de Oliveira Resende Sousa, com dois filhos: Ana Cristina e José Eduardo.

Em 1952, bacharelou-se pela então Escola de Direito de Juiz de Fora. Advogou, durante 6 (seis) anos, em São João Nepomuceno e Comarca vizinhas.

Após concurso, foi nomeado Juiz de Direito Secional da 4 ª Zona Judiciária do Estado de Minas Gerais, com exercício nas Comarcas de Caratinga, Muriaé, São João Nepomuceno, Mar de Espanha, Guaranhães e Mesquita.

Em 1960, foi nomeado Juiz de Direito de Guarará, onde permaneceu 13 anos. Às vésperas de sua promoção, para que não fosse extinta a Comarca de Guarará, permutou com o Juiz de Direito de Tombos, onde esteve por quatro dias em exercício. Em 26 de dezembro de 1973, foi promovido a Juiz de Direito de Santos Dumont, sendo removido, por permuta, em 13 de fevereiro de 1974, para São João Nepomuceno. Em março de 1979, foi promovido por merecimento para a 1 ª Vara de Família da Comarca de Juiz de Fora.

Foi professor da Escola Normal D. Prudenciana, do Ginásio e da Escola Técnica de Comércio de São João Nepomuceno, e ainda nesses Colégios o Diretor da Escola Remington, esta de datilografia, do Ginásio Dr. Augusto Glória (CNEC), todos desta cidade, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, de Bicas, e do Ginásio Castro Alves (CNEC), de Guarará.
Foi professor registrado para o 1 º e 2º ciclos, no Ministério da Educação e Cultura (Diretorias do Ensino Secundário e Comercial) e na Secretaria do Estado da Educação de Minas Gerais (Departamento de Ensino Secundário e Superior).

Foi provedor da Associação de Caridade de São João Nepomuceno, mantenedora do Hospital São João, durante 8 anos, realizando ampla e radical reforma no serviço hospitalar e construindo o Pavilhão São Camilo de Lélis. Foi sócio benemérito da mesma instituição.

Exerceu o cargo de Chefe de Secretaria da Câmara Municipal de São João Nepomuceno e Consultor Jurídico da mesma.

Redator-chefe, durante nove anos e meio, do jornal "Voz de São João", da cidade de São João Nepomuceno.

Em 16 de maio de 1965, recebeu o título de Cidadão São-joanense, pelos serviços prestados ao município.

Em 27 de abril de 1974, recebeu o título de cidadão guararense, pelos serviços prestados ao município e à comarca, único, até então, concedido por aquela edilidade. Em 09 de dezembro de 1983, recebeu o título de cidadão juiz-forano pelos serviços prestados à comunidade.

Em 26 de dezembro de 1964, recebeu a medalha "Personalidade do Ano", promoção do cronista social RALPH.
Em 04 de setembro de 1981, recebeu o título de "Comendador da Ordem dos Bandeirantes" em homenagem e público reconhecimento de seus relevantes serviços prestados à sua Comunidade no campo das "Atividades Judiciárias". Em junho de 1964, ao lado de sua esposa, assumiu a Coordenação do Movimento Familiar Cristão, em São João Nepomuceno, Arquidiocese de Juiz de Fora, cargo em que permaneceram até 1967.

Integrou a equipe de Dirigentes de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Juiz de Fora. Fez parte do II Ciclo de Estudos da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra. Possuía o diploma de "Sócio Benemérito da Polícia Militar de Minas Gerais". Foi sócio-fundador do Lions Clube de São João Nepomuceno, onde ocupou cargos de destaque no Gabinete do Governador, em três anos leonísticos, possuindo cerca de 40 medalhas.
Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora. Foi membro da Associação Brasileira de Magistrados. Foi membro da Academia Municipalista de Minas Gerais, como representante de São João Nepomuceno. Faleceu em 04 de março de 1985.
Trabalhos publicados:

São João Nepomuceno em 1942 – Revista em colaboração com o Dr. Geraldo Henriques Cruz.
Discurso de Paraninfo – Oração paraninfal pronunciada para os formandos da Escola Técnica de Contabilidade, em 1954.
Fazendo História... Excertos para o estudo da vida da Comarca de São João Nepomuceno – 1955 – Opúsculo.
Dia do Município – oração pronunciada perante a Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando lhe concedeu título honorífico.
Mensagem aos Moços – Discurso, na qualidade de paraninfo dos formandos de 1965, do Ginásio Dr. Augusto Glória.
Dr. Augusto Glória Ferreira Alves – oração pronunciada na inauguração do busto daquele homem público, em 16/05/1969.
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz, discurso pronunciado em 27 de abril de 1974, ao receber o título de cidadão guararense.
Boa Noite, Amor..., Discurso de despedida da comarca de São João Nepomuceno.
Por que? , discurso proferido em 09 de dezembro de 1983, perante a Câmara Municipal de Juiz de Fora, em agradecimento pelo título de cidadania recebido.Série de artigos publicados:

A História de Minha Rua... Setenta e um artigos, estudando a vida dos patronos e contando a história de cada rua são-joanense.
No Outeiro da Gratidão – Série de sessenta artigos, em comemoração ao cinqüentenário da Escola Normal D. Prudenciana. (Compilação do Doutor Inocente Soares Leão, com adaptação.)

NOTA:
Por uma deferência especial sua Filha Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, quando de nossa passagem pela Fundação Cultural de São João Nepomuceno, como seu superintendente, ofertou ela ao acervo do Museu, que se iniciara, a beca do ilustre Magistrado, bem como um livro onde Dr. José de castro Azevedo registrou seu importante trabalho de estudos e pesquisa histórica sobre as ruas e praças, de nossa cidade, bem como dois belíssimos quadros (fotos de pinturas a óleo) do Dr. José de Castro Azevedo e de Doutora Alceia Cardoso de Azevedo, além de instrumentos odontológicos utilizados por ele e por sua esposa.
NOSSA HOMENAGEM ( Por ocasião da introdução de sua fotografia na Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando eramos vereador):
O JUIZ NA ORAÇÃO

José Carlos Barroso 31.08.1985

Recolho as palavras.
Aqui estou diante do Senhor.
Aqui estou em mais um encontro.
Recolho os pensamentos numa incontida vontade de reascender muitos.
Recolho os amigos, na premeditação de um momento de gratidão.
Descortino a vida, rasgando o passado.
Rasgo o caminho, vou em frente e num ímpeto de destruição, deparo com um amigo.
São pensamentos fortes; fazem brotar uma vida.
Ali, bem diante de mim, uma figura austera, simples, inteligente, de valor impar.
Num abraço incontido sinto-o imóvel, ausente.
Passo agora ao incontrolável da minha tristeza. Fico em meio as minhas interrogações.
Por que está ausente o amigo juiz?
Por que se foi o José?
O silêncio chega rápido, como quisesse ele acompanhar a incompreensão.
A vida atravessa o universo, como um vento sem regresso.
Há, portanto uma explicação para os acontecimentos já completados e incompreendidos.
Deus está aqui.
É o Pai, que chama pelo filho.
Meus olhos desmaiam.
É como a luz do sol, que ao desaparecer deixa, como prenúncio de bela noite, a paisagem mais linda.
Eu agradeço.
Obrigado meu Deus e Senhor, por ter podido conhecer Suas belezas, Suas criações.
Obrigado por ter conhecido o Seu filho JOSÉ.
JOSÉ, Senhor, é aquele que admiramos um dia por tudo, mas muito mais por vê-lo amar seus filhos, como o meu pai querido.
Ficam nossas orações, repetidamente.
Pai nosso, que no Céu está.
Abraça o filho JOSÉ da alegria.
Um juiz da oração.

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

NOSSAS MONTANHAS

NOSSAS MONTANHAS
UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

SEM PALAVRAS!

SEM PALAVRAS!

A FABRICA DE TECIDOS

A FABRICA DE TECIDOS
FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

ESCOLA CENTENÁRIA
ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO
EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

VISTA PARCIAL
vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

A PREFEITURA HOJE

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA
O que restou da historia? UMA FOTO!!!