SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

sexta-feira, 25 de março de 2011

HISTÓRIA DE MINHA RUA > RUA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS

Foto de sjonline

Já disséramos em outra oportunidade, que, entre as ruas que, nos fins do século passado (XIX), em nossa cidade, já tinham o seu nome, se destaca a Rua Comendador Francisco Ferreira. Nela – um prédio se destacava pelos serviços prestados à nossa infância: o Grupo Escolar Coronel José Brás, construído no primeiro decênio deste século (XX). Entretanto, em 1930, era inaugurado o novo prédio do Grupo, na hoje Praça Coronel José Braz. A Rua Comendador Francisco Ferreira passou, então, a ser chamada, popularmente, de Rua do Grupo Velho. Ninguém quase a chamava pelo seu legítimo nome. Todos a conheciam só por seu apelido.
Os tempos passaram. Veio a época do Estado Novo. O golpe de 10 de Novembro de 1937, que derrubou a Constituição de 34, levou-nos ao Estado Totalitário. E isto, mesmo a contragosto de muitos, transformou a fisionomia da política nacional. Realmente, uma figura enchia o país de norte a sul: Getúlio Dornelles Vargas, o Chefe de Estado. E, quando em todos os recantos da Pátria se comemorava o primeiro aniversário da Constituição outorgada ao povo e o primeiro ano de vivência no novo regime, São João Nepomuceno aderiu às manifestações de apoio ao Presidente. E foi assim que, em 10 de novembro de 1938, em solenidade pública, o prefeito Agenor Henriques Soares assinava o decreto nº 23, que denominava Rua Presidente Getúlio Vargas àquela que tem início na Rua Coronel José Dutra e termina na Rua Governador Valadares. Minutos após a assinatura do ato eram solenemente, também, colocadas as novas placas naquele logradouro.
Com isso mutilava-se uma das mais antigas ruas de nossa Cidade: a Rua Comendador Francisco Ferreira, que se privava de mais de dois terços de seu cumprimento, reduzindo-se a uma pequena e inexpressiva rua.
No entanto, com a nova denominação homenageava-se aquele que, no dizer de sua própria filha, “foi um homem excepcional que, tendo vivido todas as angústias da adolescência de um povo, se conservou sempre jovem e morreu em plena juventude espiritual, deixando um exemplo insuperável dentro da História do Brasil.”
É bem cedo ainda para se julgar a figura de Vargas, que foi inquestionavelmente o homem mais discutido e menos entendido da História Pátria. Endeusado por uns, menosprezado por outros, bem difícil se torna ainda nos dias de hoje se opinar serenamente sobre o homem público. Somente a posteridade poderá disseca-lo e analisa-lo friamente, sem as paixões ou distorções que ainda agora conturbam a vida nacional.
Em verdade, virtudes ele teve. Grandes méritos, obras imperecíveis que são marcos indeléveis, que não desaparecerão jamais e que assinalam a sua longa passagem pela curul presidencial. Seus deméritos são apontados, no entanto, a todo passo, como causa primeira de todos os grandes males que afligem e convulsionam a pátria brasileira, ainda nos dias presentes, mais de dez anos depois de sua morte.
Tem-se dito que a vida de Getúlio Vargas foi feita de quedas e de ascensões. Para muitos sua vJá disséramos em outra oportunidade, que, entre as ruas que, nos fins do século passado (XIX), em nossa cidade, já tinham o seu nome, se destaca a Rua Comendador Francisco Ferreira. Nela – um prédio se destacava pelos serviços prestados à nossa infância: o Grupo Escolar Coronel José Brás, construído no primeiro decênio deste século (XX). Entretanto, em 1930, era inaugurado o novo prédio do Grupo, na hoje Praça Coronel José Braz. A Rua Comendador Francisco Ferreira passou, então, a ser chamada, popularmente, de Rua do Grupo Velho. Ninguém quase a chamava pelo seu legítimo nome. Todos a conheciam só por seu apelido.
Os tempos passaram. Veio a época do Estado Novo. O golpe de 10 de Novembro de 1937, que derrubou a Constituição de 34, levou-nos ao Estado Totalitário. E isto, mesmo a contragosto de muitos, transformou a fisionomia da política nacional. Realmente, uma figura enchia o país de norte a sul: Getúlio Dornelles Vargas, o Chefe de Estado. E, quando em todos os recantos da Pátria se comemorava o primeiro aniversário da Constituição outorgada ao povo e o primeiro ano de vivência no novo regime, São João Nepomuceno aderiu às manifestações de apoio ao Presidente. E foi assim que, em 10 de novembro de 1938, em solenidade pública, o prefeito Agenor Henriques Soares assinava o decreto nº 23, que denominava Rua Presidente Getúlio Vargas àquela que tem início na Rua Coronel José Dutra e termina na Rua Governador Valadares. Minutos após a assinatura do ato eram solenemente, também, colocadas as novas placas naquele logradouro.
Com isso mutilava-se uma das mais antigas ruas de nossa Cidade: a Rua Comendador Francisco Ferreira, que se privava de mais de dois terços de seu cumprimento, reduzindo-se a uma pequena e inexpressiva rua.
No entanto, com a nova denominação homenageava-se aquele que, no dizer de sua própria filha, “foi um homem excepcional que, tendo vivido todas as angústias da adolescência de um povo, se conservou sempre jovem e morreu em plena juventude espiritual, deixando um exemplo insuperável dentro da História do Brasil.”
É bem cedo ainda para se julgar a figura de Vargas, que foi inquestionavelmente o homem mais discutido e menos entendido da História Pátria. Endeusado por uns, menosprezado por outros, bem difícil se torna ainda nos dias de hoje se opinar serenamente sobre o homem público. Somente a posteridade poderá disseca-lo e analisa-lo friamente, sem as paixões ou distorções que ainda agora conturbam a vida nacional.
Em verdade, virtudes ele teve. Grandes méritos, obras imperecíveis que são marcos indeléveis, que não desaparecerão jamais e que assinalam a sua longa passagem pela curul presidencial. Seus deméritos são apontados, no entanto, a todo passo, como causa primeira de todos os grandes males que afligem e convulsionam a pátria brasileira, ainda nos dias presentes, mais de dez anos depois de sua morte.
Tem-se dito que a vida de Getúlio Vargas foi feita de quedas e de ascensões. Para muitos sua vida foi um mistério. Para nós, o mistério é sua morte.
“Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História” são suas últimas palavras na conhecida “Carta Testamento” que teria sido redigida num momento de conturbação de espírito e à qual se segue o gesto trágico do suicídio. Muitos anos deverão passar ainda para que se esclareça toda a verdade, quando deverá vir à luz a realidade dos fatos. Suicídio? Homicídio? Paira no ar, para se usar o lugar comum, a dolorosa interrogação.


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

HISTÓRIA DE MINHA RUA: RUA VISCONDE DO RIO BRANCO


Rua Visconde do Rio Branco foto: Fernando Motta

Segundo se sabe, pelo menos desde a metade do século passado*, já se denominava Rua Visconde de Rio Branco a via pública de nossa cidade que nos leva até o prédio da Escola Normal D. Prudenciana**, partindo-se da Praça Barão do Rio Branco.
Em verdade, naquela época, media ela mais ou menos duzentos e cinquenta metros de comprimento, mas, em 1938, o poder público houve por bem mutilá-la e lhe tirou cerca de dois terços de sua extensão, dando ao trecho seccionado o nome de Rua Governador Valadares.
Desejavam os nossos antigos administradores homenagear um dos maiores homens do Império – José Maria da Silva Paranhos, que, no princípio de sua vida política, era conhecido como o Conselheiro Paranhos, que, pelos serviços prestados à Coroa, recebeu o título de Visconde do Rio Branco, nome com que realmente passou à história.
O Visconde do Rio Branco, tão grande como seu filho e homônimo – Barão de Rio Branco, foi um dos mais notáveis estadistas do Império, e uma vez mais soubera honrar o nome de seu torrão natal, a Bahia, pela sua inteligência, cultura e patriotismo.

Rua Visconde do Rio Branco - também conhecida como morro do ginásio
Desempenhou as mais destacadas funções no governo imperial, iniciando-as como secretário da missão diplomática, chefiada pelo Marquês de Paraná, em 1851, no Rio da Prata, dali passando a Ministro-residente, no ano seguinte. Foi por várias vezes nomeado plenipotenciário e enviado extraordinário na República Argentina, Uruguai e Paraguai, tendo oportunidade, em 1865, de concluir o acordo com aqueles países e o de organizar o governo provisório no Paraguai, assinando, por fim, o tratado preliminar de paz com aquelas nações.
Esteve ele no Rio da Prata, quando foi surpreendido com a ordem que dava por finda sua missão no exterior, voltando, então ao Brasil e pronunciando célebre discurso em 5 de junho de 1865, que durou oito horas.
Desempenhou o Visconde do Rio Branco as funções de Ministro da Marinha, Ministro dos Estrangeiros, Ministro da Guerra. Foi presidente da Província do Rio de Janeiro, deputado por ela e pelo chamado “Município Neutro” (na República, Distrito Federal), bem como por Sergipe e ainda, Senador.
Teve o Visconde do Rio Branco atuação destacadíssima no Segundo Império, tanto assim que fez parte do décimo-sexto Gabinete Ministerial e do vigésimo-quinto Gabinete, na qualidade de seu Presidente. Foi ele quem promulgou a lei que concedia liberdade aos filhos dos escravos, que nascessem a partir de então; lei essa mais conhecida como a do “Ventre Livre”.
Convém que se ressalte que o Visconde do Rio Branco pertencia ao Partido Conservador e que conseguiu presidir o mais longo Ministério de toda a Monarquia, pois formado em 1871, prolongou-se até 1876.
Merece ser destacado, na personalidade, na personalidade do Visconde de Rio Branco, o fato de ser ele abolicionista e esse seu ideal extravasou nossas fronteiras, indo refletir em outras nações. Estava ele em Assunção, no Paraguai, tendo organizado um governo provisório, quando da guerra contra aquele país, tendo que – um de seus principais atos foi declarar livres todos os escravos Paraguaios.
Parece-nos, salvo engano de nossa parte, que à época de tua permanência na Chefia do Gabinete, em São João Nepomuceno predominava o Partido Conservador, donde lhe devotar o nosso povo especial estima e grande admiração. Vem daí, possivelmente, a ligação de seu nome a uma de nossas principais artérias, à época, como testemunho do são-joanense ao grande estadista, que tão assinalados serviços prestara à Pátria.
* O Século ao que o autor se refere é o Século XX.
** Atualmente o prédio abriga uma empresa do ramo de confecções.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 1964, nos microfones da ZYV-39)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

RENÊ MENDONÇA - O DR. RENÊ DO BOTAFOGO . RJ

Por Ney Medina - Com comentário de José Carlos Barroso

Foto retirada do Jornal dos Esportes ano de 1945 (O jornal cujas folhas eram vermelhas)

Rêne Mendonça, ou melhor, Dr. Renê Mendonça, nascido em São João Nepomuceno no dia 1º de janeiro de 1921, era filho de Alda Henriques de Mendonça e Horácio Furtado de Mendonça. Sr. Horácio é um dos fundadores do Botafogo F.C de São João Nepomuceno e a praça de esportes do clube leva o seu nome.

Dr. Renê viveu em São João até os 12 anos de idade, depois mudou-se para Juiz de Fora onde estudou no Colégio Grambery. No início dos anos 40, já estava cursando Medicina na Cidade Maravilhosa, onde também jogava no futebol amador do Botafogo.

Dr. Renê foi tri-campeão carioca pelo Botafogo, 42, 43 e 44 (amadorismo). O time campeão de 1942 jogou 34 partidas, neste campeonato e venceu 31, empatou 2 e perdeu apenas 1 partida, sendo que, Dr. Renê jogou 31 das 34 partidas disputadas, e marcou 43 gols dos 227 assinalados pelo Botafogo.

O time campeão, Nei no gol, Mato Grosso e Dunga; Rui, Hélio e Cid; Oto, Armando, Augusto, Tovar e Renê.O Botafogo foi bi-campeão em 1943 jogando 18 vezes com 16 vitórias, 1 empate e uma derrota. Dr. Renê participou de 16 jogos e marcou 6 dos 62 marcados.

O time bi-campeão jogou com Boliviano, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid; J.Américo, Tovar, Augusto, Otávio e Renê.

E o tri-campeonato veio em 1944 com 18 jogos, 15 vitórias, 2 empates e uma derrota. Dr. Renê colaborou em 7 partidas e marcou 13 dos 109 gols do Botafogo. Boliviano no gol, Alfredo e Dunga; Rui, Hélio e Cid, Afonsinho, Tovar, Gute, Otávio e Renê.

Como podemos observar, Dr. Renê foi titular nas três conquistas do time da estrela solitária, e a formação era no 1-2-3-5. Dr. Renê foi considerado o melhor ponteiro esquerdo do futebol carioca nos anos de 42, 43 e 44. Defendeu o Botafogo em diversos jogos pela América do Sul.

Diplomou-se em Medicina pela antiga Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, na turma de 1947. Foi médico do clube nas décadas de 50, 60 e 70. No final dos anos 70, tive a honra de ser examinado por ele, onde acusou diagnóstico, exato, do meu problema.

A foto acima é, uma foto histórica para São João Nepomuceno. Ano de 1945, Dr. Renê figurando entre os jogadores profissionais do Botafogo na disputa do campeonato carioca. De pé da esquerda para direita, Negrinhão, Laranjeiras, Sarno, Ari, Spinelli e Ivan. Agachados da esquerda para direita estão: Dr. Renê, Tovar, Dr. Heleno de Freitas, Elba de Pádua Lima “Tim” e Franquito.

Dr. Renê teve mais 4 irmãos, Nadina (falecida e casada com o médico e ex-prefeito de São João Nepomuceno Dr. Nagib Camilo Ayupe), Maria José Jacir e nossa querida Dona Iracema de Mendonça Fermo, viúva de Aymoré Fermo.


Agradeço a Dona Iracema o carinho com que me recebeu em sua casa, onde tive preciosas informações sobre o Dr. Renê.

Encerrando, segundo Dona Iracema, quando TOVAR E PARAGUAIO estiveram aqui em São João, hospedaram em sua residência.


Comentário: Quando de uma das homenagens a Heleno de Freitas em entrevista ao famoso comentarista " DA PALAVRA FÁCIL" Luiz Mendes da rádio Globo RJ, entre tantas coisas interessantes, ele nos disse que o ataque do Botafogo ficou conhecido como "ATAQUE DOS UNIVERSITÁRIOS" e lá estavam dois são-joanenses, Dr. Renê Mendonça (médico) e Dr. Heleno de Freitas (advogado)


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

HISTORIA DE NOSSAS RUAS: AVENIDA ZECA HENRIQUES


Por José Carlos Barroso

Esta rua está localizada às margens do corrego que atravessa a cidade, mas quem foi Zeca Henriques?


O Coronel José Henriques Pereira Brandão o Coronel Zeca Henriques como era carinhosamente chamado está sem sombra de dúvidas entre os grandes vultos da nossa história, por sua atuação dinâmica à frente dos negócios, seja como fazendeiro e industrial seja como prestimoso político à frente da administração municipal.


Zeca Henriques era descendente de um dos primeiros fazendeiros da região e um dos fundadores de São João Nepomuceno, era neto de Domingos Henriques de Gusmão. Filho de Ezequiel Henriques Pereira Brandão e de D. Ana Lina Soares.


Natural de São João Nepomuceno nasceu em 18 de maio de 1865. Eram seus irmãos o Capitão Basílio Henriques Pereira Brandão (meu bisavô) que exerceu o cargo de fiscal Municipal e do Coronel Mariano Henriques Pereira Brandão que foi também Vereador.

Era casado com Francisca Cristina Soares filha do Comendador José Soares e de Dona Prudenciana Faustina de São José.

Zeca Henriques desde cedo começou a militar na política e ainda ao tempo do Império tendo sido Vereador. Depois de proclamada a República compôs o Conselho Distrital e depois legislativo municipal, isso no ano de 1894 tendo visto sua primeira reeleição em 1898, quando conseguiu ser o terceiro mais votado do Partido Republicano. De 1901 a 1904 foi novamente reeleito obtendo nada mais nada menos do que 1039 votos e sendo o candidato mais votado mostrando assim o seu valioso prestigio junto ao povo.

Curiosidade: Foi Zeca Henriques que propôs a colocação do retrato de Dr. Carlos Alves na sala de reuniões da Câmara Municipal o que se fez com uma tela de inestimável valor artístico e de autoria de Adriano Huyberg e adquirida por seiscentos contos de reis. Hoje se encontra como acervo da Fundação Cultural.

No ano de 1902 foi eleito Presidente da Câmara e no ano de 1905 se candidata a reeleição. Conseguindo o seu intento foi eleito pelos demais vereadores Vice Presidente do Legislativo Municipal já que houvera sido o vereador mais votado.

De 1908 a 1912 mais uma vez eleito e desta feita como Vereador Geral foi destacado pelos demais pares para o cargo de Agente Executivo (Prefeito) . E foi aí que o Coronel Zeca Henriques se destaca pelo magnífico trabalho realizado só comparado ao realizado por Dr. Carlos Ferreira Alves.

Foi assim que realizou um de seus maiores sonhos, ou seja o de dotar a cidade de água capaz de suprir as necessidades da população pelo menos durante trinta anos. Adquire ele então oitenta alqueires de terra e assina com o governo de Minas Gerais, acordo para a realização das obras de saneamento, abastecimento de água e rede de esgoto.

Sua participação na edificação do prédio que veio a abrigar o segundo ciclo (Escola Normal) foi de vital importância ao lado de sua sogra Dona Prudenciana Faustina de São José.

Em 02 de julho de 1912 em memorável reunião na Câmara Municipal com propositura do Dr. Gloria foi colocado na sala de reuniões daquela Casa de Leis o retrato de Cel Zeca Henriques e de Dr. Péricles de Mendonça como premio por terem eles contribuído para com a assinatura do contrato para o saneamento da cidade. Quadros hoje pertencentes ao acervo da Fundação Cultural.

Depois disso afasta-se da política tudo por causa de uma dissensão com o partido dominante ou seja o Partido Republicano Mineiro ao qual pertencia, retornando mais tarde como dissidente e chefiando a oposição, quando então foi responsável pela organização do Partido Político Municipal Dissidente, sendo então Vice Presidente da sua Diretoria.

No dia de sua morte nossa São João Nepomuceno parou, isso em 21 de novembro de 1921 estimando-se que mais de três mil pessoas compareceram ao funeral tendo a imprensa registrado que: “ seu nome estava ligado com todos os títulos de benemerência a todos os fenômenos vitais da cidade e do município”.

domingo, 21 de novembro de 2010

O DR. JOSÉ DE CASTRO AZEVEDO

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições”.

Com esta fase o Dr. José de Castro Azevedo findava todos os seus trabalhos sobre as Ruas e as Praças de nossa terra, e é com ela que iniciamos a biografia desse que foi certamente um dos mais homens mais cultos e um amante fervoroso dessa cidade. Vejamos:

Natural de Palma, Minas Gerais, nascido em 05 de março de 1918. Filho do Desembargador Ananias Varella de Azevedo e de D. Maria José de Castro Azevedo. Fez seus estudos primários no Grupo Escolar "Cel. José Brás" e iniciou o secundário no Ginásio Municipal, ambos de São João Nepomuceno. Prossegui-os no Ginásio São José e os concluiu no Ginásio Mineiro "Raul Soares", de Ubá.

Fez o curso complementar na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Diplomou-se, em 08 de dezembro de 1942, em Odontologia, pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, quando foi o orador oficial da turma. Representou dita Escola do V Congresso Nacional dos Estudantes (UNE), em 1942, quando advogou a necessidade da reforma do curso odontológico, o que, mais tarde, se tornou realidade. Exerceu a Odontologia por 10 (dez) anos.

Cursou o NPOR, do R.I., de Juiz de Fora, sendo declarado Aspirante a Oficial do Exército em 25 de agosto de 1944, estagiando no III/ 12 R.I., sendo promovido a 2 º Tenente R/ 2 em 19 de janeiro de 1948. Nessa qualidade, foi diretor do Tiro de Guerra 151, de São João Nepomuceno, do qual é sócio benemérito.

Em 24 de dezembro de 1946, consorciou-se com a doutora Alcéa Cardoso de Azevedo, também diplomada pela Escola de Farmácia e Odontologia de Juiz de Fora, havendo desse enlace os seguintes filhos:

D. Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, professora, casada com o sr. Emílio Luiz Sachetto Vitoi, com duas filhas: Maria Emília e Maria José e três netos: Mariana, Ana Carolina e Thiago
Dr. Luiz Otávio Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria Sirlei de Freitas Cardoso de Azevedo, com três filhos: Luiz Otávio, Maria Cristina e Maria Cláudia;
Dr. Luiz Carlos Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Maria do Socorro Coimbra Cardoso de Azevedo, com quatro filhos: Carla, Cinthia, Luiz Carlos e Cássia. Um neto: João Pedro;
Dr. Luiz Renato Cardoso de Azevedo, engenheiro, casado com a professora Miriam Henriques de Azevedo, com três filhas: Renata, Roberta e Raquel;
Dra. Ana Luiza Cardoso de Azevedo Sousa, cirurgiã-dentista, casada com o Dr. Valério de Oliveira Resende Sousa, com dois filhos: Ana Cristina e José Eduardo.

Em 1952, bacharelou-se pela então Escola de Direito de Juiz de Fora. Advogou, durante 6 (seis) anos, em São João Nepomuceno e Comarca vizinhas.

Após concurso, foi nomeado Juiz de Direito Secional da 4 ª Zona Judiciária do Estado de Minas Gerais, com exercício nas Comarcas de Caratinga, Muriaé, São João Nepomuceno, Mar de Espanha, Guaranhães e Mesquita.

Em 1960, foi nomeado Juiz de Direito de Guarará, onde permaneceu 13 anos. Às vésperas de sua promoção, para que não fosse extinta a Comarca de Guarará, permutou com o Juiz de Direito de Tombos, onde esteve por quatro dias em exercício. Em 26 de dezembro de 1973, foi promovido a Juiz de Direito de Santos Dumont, sendo removido, por permuta, em 13 de fevereiro de 1974, para São João Nepomuceno. Em março de 1979, foi promovido por merecimento para a 1 ª Vara de Família da Comarca de Juiz de Fora.

Foi professor da Escola Normal D. Prudenciana, do Ginásio e da Escola Técnica de Comércio de São João Nepomuceno, e ainda nesses Colégios o Diretor da Escola Remington, esta de datilografia, do Ginásio Dr. Augusto Glória (CNEC), todos desta cidade, Ginásio Nossa Senhora Aparecida, da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria, de Bicas, e do Ginásio Castro Alves (CNEC), de Guarará.
Foi professor registrado para o 1 º e 2º ciclos, no Ministério da Educação e Cultura (Diretorias do Ensino Secundário e Comercial) e na Secretaria do Estado da Educação de Minas Gerais (Departamento de Ensino Secundário e Superior).

Foi provedor da Associação de Caridade de São João Nepomuceno, mantenedora do Hospital São João, durante 8 anos, realizando ampla e radical reforma no serviço hospitalar e construindo o Pavilhão São Camilo de Lélis. Foi sócio benemérito da mesma instituição.

Exerceu o cargo de Chefe de Secretaria da Câmara Municipal de São João Nepomuceno e Consultor Jurídico da mesma.

Redator-chefe, durante nove anos e meio, do jornal "Voz de São João", da cidade de São João Nepomuceno.

Em 16 de maio de 1965, recebeu o título de Cidadão São-joanense, pelos serviços prestados ao município.

Em 27 de abril de 1974, recebeu o título de cidadão guararense, pelos serviços prestados ao município e à comarca, único, até então, concedido por aquela edilidade. Em 09 de dezembro de 1983, recebeu o título de cidadão juiz-forano pelos serviços prestados à comunidade.

Em 26 de dezembro de 1964, recebeu a medalha "Personalidade do Ano", promoção do cronista social RALPH.
Em 04 de setembro de 1981, recebeu o título de "Comendador da Ordem dos Bandeirantes" em homenagem e público reconhecimento de seus relevantes serviços prestados à sua Comunidade no campo das "Atividades Judiciárias". Em junho de 1964, ao lado de sua esposa, assumiu a Coordenação do Movimento Familiar Cristão, em São João Nepomuceno, Arquidiocese de Juiz de Fora, cargo em que permaneceram até 1967.

Integrou a equipe de Dirigentes de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Juiz de Fora. Fez parte do II Ciclo de Estudos da Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra. Possuía o diploma de "Sócio Benemérito da Polícia Militar de Minas Gerais". Foi sócio-fundador do Lions Clube de São João Nepomuceno, onde ocupou cargos de destaque no Gabinete do Governador, em três anos leonísticos, possuindo cerca de 40 medalhas.
Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Juiz de Fora. Foi membro da Associação Brasileira de Magistrados. Foi membro da Academia Municipalista de Minas Gerais, como representante de São João Nepomuceno. Faleceu em 04 de março de 1985.
Trabalhos publicados:

São João Nepomuceno em 1942 – Revista em colaboração com o Dr. Geraldo Henriques Cruz.
Discurso de Paraninfo – Oração paraninfal pronunciada para os formandos da Escola Técnica de Contabilidade, em 1954.
Fazendo História... Excertos para o estudo da vida da Comarca de São João Nepomuceno – 1955 – Opúsculo.
Dia do Município – oração pronunciada perante a Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando lhe concedeu título honorífico.
Mensagem aos Moços – Discurso, na qualidade de paraninfo dos formandos de 1965, do Ginásio Dr. Augusto Glória.
Dr. Augusto Glória Ferreira Alves – oração pronunciada na inauguração do busto daquele homem público, em 16/05/1969.
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz, discurso pronunciado em 27 de abril de 1974, ao receber o título de cidadão guararense.
Boa Noite, Amor..., Discurso de despedida da comarca de São João Nepomuceno.
Por que? , discurso proferido em 09 de dezembro de 1983, perante a Câmara Municipal de Juiz de Fora, em agradecimento pelo título de cidadania recebido.Série de artigos publicados:

A História de Minha Rua... Setenta e um artigos, estudando a vida dos patronos e contando a história de cada rua são-joanense.
No Outeiro da Gratidão – Série de sessenta artigos, em comemoração ao cinqüentenário da Escola Normal D. Prudenciana. (Compilação do Doutor Inocente Soares Leão, com adaptação.)

NOTA:
Por uma deferência especial sua Filha Ana Maria Cardoso de Azevedo Vitoi, quando de nossa passagem pela Fundação Cultural de São João Nepomuceno, como seu superintendente, ofertou ela ao acervo do Museu, que se iniciara, a beca do ilustre Magistrado, bem como um livro onde Dr. José de castro Azevedo registrou seu importante trabalho de estudos e pesquisa histórica sobre as ruas e praças, de nossa cidade, bem como dois belíssimos quadros (fotos de pinturas a óleo) do Dr. José de Castro Azevedo e de Doutora Alceia Cardoso de Azevedo, além de instrumentos odontológicos utilizados por ele e por sua esposa.
NOSSA HOMENAGEM ( Por ocasião da introdução de sua fotografia na Câmara Municipal de São João Nepomuceno, quando eramos vereador):
O JUIZ NA ORAÇÃO

José Carlos Barroso 31.08.1985

Recolho as palavras.
Aqui estou diante do Senhor.
Aqui estou em mais um encontro.
Recolho os pensamentos numa incontida vontade de reascender muitos.
Recolho os amigos, na premeditação de um momento de gratidão.
Descortino a vida, rasgando o passado.
Rasgo o caminho, vou em frente e num ímpeto de destruição, deparo com um amigo.
São pensamentos fortes; fazem brotar uma vida.
Ali, bem diante de mim, uma figura austera, simples, inteligente, de valor impar.
Num abraço incontido sinto-o imóvel, ausente.
Passo agora ao incontrolável da minha tristeza. Fico em meio as minhas interrogações.
Por que está ausente o amigo juiz?
Por que se foi o José?
O silêncio chega rápido, como quisesse ele acompanhar a incompreensão.
A vida atravessa o universo, como um vento sem regresso.
Há, portanto uma explicação para os acontecimentos já completados e incompreendidos.
Deus está aqui.
É o Pai, que chama pelo filho.
Meus olhos desmaiam.
É como a luz do sol, que ao desaparecer deixa, como prenúncio de bela noite, a paisagem mais linda.
Eu agradeço.
Obrigado meu Deus e Senhor, por ter podido conhecer Suas belezas, Suas criações.
Obrigado por ter conhecido o Seu filho JOSÉ.
JOSÉ, Senhor, é aquele que admiramos um dia por tudo, mas muito mais por vê-lo amar seus filhos, como o meu pai querido.
Ficam nossas orações, repetidamente.
Pai nosso, que no Céu está.
Abraça o filho JOSÉ da alegria.
Um juiz da oração.

MEMÓRIAS DE NOSSAS RUAS: A Rua Cornonel José Mendes

Créditos da foto: Autoria de sjonline.com.br


"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições"


(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo, lido em 10/10/1964, às 18:25 horas, nos microfones da ZYV-39).



Iniciava mais uma reunião da edilidade local. Levanta-se em dado momento, o vereador doutor Geraldo Henriques Cruz para apresentação de proposições. Sugere à Câmara que esta renda homenagem a um vulto da história municipal, ligando o nome de um de seus grandes admiradores a uma de nossas vias públicas.
Pelo seu projeto deveria denominar-se "Rua Coronel José Mendes" o logradouro público da cidade que parte da ponte sobre o córrego que a atravessa, sobe o morro de Santa Rita e vai até a Rua Vila do Carmo. E pouco depois, pela Resolução n º 7, de 15 de junho de 1948, dava-se a denominação pedida àquela rua.
Em verdade, nada mais justo havia. O papel que o Cel. José Mendes houvera representado na vida pública sãojoanense, não poderia ser esquecido. Vínhamos de lutas de campanhas que molharam o chão do município de sangue, de luto, de ódios. Havia de ressurgir a paz desejada para o bem da coletividade e para o progresso do município.
Um homem havia capaz de tanto. Era um português, nascido em Treixo, na freguesia de Alvorge, comarca de Ancião, província de Beira Alta. Nascera em 24 de abril de 1871 e aos 27 anos tinha a mente carregada de sonhos, de aspirações, de projetos. E o Brasil era o El-Dourado. Chegou. Viu e gostou. Homem do trabalho, arregaçou as mangas e se pôs na luta. Foi ser empregado da Leopoldina, em Furtado de Campos. Depois, em Rochedo. Mas, isso, na época, não era trabalho para quem tinha tanta disposição para a luta. Não, positivamente não era esse o seu sonho. Montou, então, uma pequena casa comercial na vila, que começava a florescer. A casa cresceu. Os negócios prosperaram. Em pouco tempo já era o Cel. José Mendes o grande comprador de café que se associava a poderosas firmas para o comércio da rubiácea. Granjeara a simpatia popular. Impuzera-se perante todos pelo seu espírito comunicativo, bolsa sempre aberta aos pobres, aos necessitados, para os amigos. Quando se abriam as portas de sua residência, em Rochedo, ou as da Fazenda da Lage, para as recepções, era dia de festa. Havia sido "melhorado o rancho", como ele mesmo afirmava.

Rua Cel. José Mendes
E, esse homem, de uma tenacidade a toda prova, de moral elevada, soube se impor a todo o povo sãojoanense. Seu nome surgiu, então, como uma bandeira de pacificação nestas terras.
Eleito vereador especial pelo distrito de Rochedo, em 17 de maio de 1927, era guindado ao cargo de Presidente da Câmara e Agente Executivo do município, em eleição em que conseguiu toda a votação da oposição, que à época se mostrava tenazmente contrária à política dominante no município, mas que não regateava aplausos à figura de Cel. José Mendes.
Aceitou ele o cargo com um fito: trabalhar. Dias após à posse, punha-se em campo, percorrendo todo o município, sentindo as faltas e atendendo às reclamações de seus co-munícipes. Pôs mão à obra. Determinou completa remodelação na Praça Daniel Sarmento, no Largo da Estação, o abaulamento das ruas, cuidou do ensino principalmente. Foi até Belo Horizonte e lá obteve do Governo Estadual a promessa, que poucos dias depois se tornava realidade, da construção do novo prédio para o Grupo Escolar Cel. José Brás, empréstimo para calçamento das ruas centrais da cidade, construção de três pontes de cimento armado e muitas outras realizações.
Necessitava, para a construção do novo prédio do grupo, da remoção do Cruzeiro, que ali se levantava, que deveria ser removido para outro local. Havia, no entanto, na época, uma lenda: quem arrancasse ou mandasse arrancar, dali o cruzeiro morreria repentinamente. Homem de profunda formação religiosa, não temeu as ameaças. Mandou se procedesse à remoção.
Entretanto, às 14 horas do dia 1 º de Maio de 1928 - Dia do Trabalho - falecia repentinamente o Coronel José Mendes. Morria um homem do trabalho.
Dez dias depois, cumprido o que ele determinara era removido o cruzeiro para o local, que ainda hoje ocupa, entre o Hospital e a Igreja do Rosário.
O nome do Coronel José Mendes não poderia ficar no esquecimento. A posteridade reverenciar-se-ia ante seu túmulo.

MEMÓRIAS DE NOSSAS PRAÇAS: A Praça 13 DE MAIO E DR. CARLOS ALVES


Quando em 7 de janeiro de 1883 se instalava o município de São João Nepomuceno, muitas das vias públicas que rasgavam a cidade, já tinham denominação oficial. Eram assim as Ruas Coronel José Dutra, a Duque de Caxias, a de Nazareth, a Visconde do Rio Branco e muitas outras.
A pracinha onde se ergue o antigo edifício do Fórum e onde é hoje o Ginásio Dr. Augusto Glória, era conhecida como Largo Municipal e aquela em que se levanta o Grupo Escolar Cel. José Brás denominava-se Largo do Rosário.
Em uma das reuniões da Câmara Municipal, justamente a que se realizava em 12 de junho de 1889, alguns meses, portanto, antes da Proclamação da República, o vereador Dr. Henrique Vaz propôs e obteve a aprovação de seus pares, que, ao primeiro daqueles logradouros públicos, se desse o nome de Praça da Inconfidência e, ao segundo deles, o de Praça 13 de Maio.
Eram homenagens a dois momentos históricos da vida política nacional. De um lado reverenciava-se o movimento que fora o pródomo de nossa libertação e o segundo – a assinatura da Lei Áurea.
Um fato, no entanto, ocorreu e que alteraria por completo a estrutura da vida municipal. Desaparecida em 6 de fevereiro de 1896, em Barbacena, o Dr. Carlos Ferreira Alves, senador estadual, de quem o consagrado missionário Pe. Júlio Maria se referia com estas palavras.
"O mesmo Deus, que diz no Evangelho não haver maior prova de amor, que darmos por outrem a nossa vida, não contemplou sem compaixão, é certo, o médico sublime, que sacrificou a uma cidade sua mulher, seus filhos, sua própria vida", e que fora, como o é até hoje, a maior figura do cenário político são-joanense. Seu nome, na agitação da vida moderna, de quando em quando cai no olvido. Mas, quando se o retrata, ressurge, exuberante, em toda a sua grandeza, para se mostrar à posteridade, com todas as suas dimensões.
Entre as inúmeras provas de respeito e de saudade tributadas à sua memória, destaca-se a da colocação de seu nome em uma de nossa vias públicas.
Foi por isso que, em 1896 mesmo, se dava à então Praça da Inconfidência o nome de Praça Doutor Carlos Alves.
A sua irmã gêmea – a 13 de Maio – vivia uma vida diferente. O tempo, que tudo destroi, também fazia desaparecer a Igreja do Rosário, o velho Cruzeiro o antigo Cemitério, que ali havia. Algumas casas, casinhas pobres, davam-lhe ainda sinal de vida. Enquanto lá nas grimpas da Matriz voltavam-se os olhos para as cousas do alto, cá em baixo, na 13 de Maio, as cousas terrenas mereciam maior atenção.
Eis senão quando, em 7 de setembro de 1926, assoma o Governo do Estado o Presidente Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, nome que dividia a opinião pública local. Em mal pensado momento, um grupo de são-joanenses julgou dever mudar, "ad-referendum"do poder político, o nome da Praça 13 de Maio para "Praça dos Andradas". O fato, o mais lamentável da vida pública municipal, que deixaria o nome da cidade gravado na história de Minas, se escreveu com letras de sangue. Vidas preciosas se perderam, fato que se deveu à falta de serenidade dos homens públicos de nossa terra, que se deixaram levar pelos impulsos momentâneos, pelo desvario das multidões. Foi o marco, em última analise, mais doloroso da vida de São João Nepomuceno. Mas de pé, permaneceu o nome de Praça 13 de Maio.
Um fato curioso e até mesmo extravagante ocorria na toponímia em São João. Enquanto a Praça 13 de Maio se erguia majestosamente o busto de Cel. José Brás de Mendonça, na Praça Cel. José Brás se levantava imponente a herma de Carlos Alves; por seu turno, a Praça Carlos Alves estava de busto desnuda...
Nós mesmo, através as colunas de "Voz de São João", teríamos críticas ao fato e chamávamos a atenção dos ilustres vereadores à Câmara Municipal, mostrando as dificuldades e a confusão que gerava no espírito da nossa gente com aquela anomalia.
Atendendo aos nossos reclamos, o vereador Dario de Castro Medina apresentou à Câmara Municipal um projeto, que se transformou na lei n. 117, de 14 de fevereiro de 1953, harmonizando a situação. Assim, a antiga Praça Dr. Carlos Alves passou a se chamar 13 de Maio, aquela em que se ergue a figura em bronze de Cel. José Brás recebeu o seu próprio nome; e aquela que trazia o nome do antigo político são-joanense, mas, que tem a embeleza-la o trabalho do consagrado professor Correia Lima, teve o nome de Praça Dr. Carlos Alves.

Autor do texto:Dr.José de Castro Azevedofoto


1 : Praça 13 de Maio - acervo Eduardo Ayupefoto

2 : Praça Dr. Carlos Alves - acervo José Carlos Barroso

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

NOSSAS MONTANHAS

NOSSAS MONTANHAS
UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

SEM PALAVRAS!

SEM PALAVRAS!

A FABRICA DE TECIDOS

A FABRICA DE TECIDOS
FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

ESCOLA CENTENÁRIA
ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO
EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

VISTA PARCIAL
vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

A PREFEITURA HOJE

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA
O que restou da historia? UMA FOTO!!!