SÃO JOÃO NEPOMUCENO - JAN NEPOMUCKY

134 ANOS OU 173 ANOS?



Por José Carlos Barroso

Desde que começamos a estudar profundamente a historia de nosso Município muito nos intrigou as controvérsias de datas, até que levado pelas explicações e estudos do historiador e professor Cláudio Heleno Machado, resolvemos suscitar questões, sabedores de que qualquer atitude poderia estar revolucionando uma historia contada há tempos nos bancos escolares.

Foi como Superintendente da Fundação Cultural São João Nepomuceno, e no ano de 2003, que escrevendo a história do Município, seus grandes vultos, e suas instituições através dos tempos, além de algumas curiosidades, com as quais nos deparamos ao longo de nosso trabalho, é que propusemos uma reconstrução, um resgate mesmo, dos fatos históricos esperando que nossas autoridades aceitassem nossas posições e ponderações em torno da questão e se unissem e comungassem conosco desse esforço.

Infelizmente assim não entenderam, e todo o nosso esforço, foi interrompido, até que somente agora no ano de 2010, que a Fundação Cultural, acatando os nossos estudos e, ainda do historiador André Cabral, aquela proposição revolucionaria da história foi levada até nossa Câmara de Vereadores, quando então vimos coroada nossa proposição, isto em 29 de abril de 2010.

Não passam elas de simples afirmações evasivas e desconexas, são todas oriundas de profunda pesquisa e estudo além de serem embasadas no relato e conhecimento de grandes nomes e de importantes historiadores, como o Cônego Raimundo Trindade, Celso Falabella de Figueiredo Castro, Dr. José de Castro Azevedo, Dr. Paulo Roberto Medina, Padre Dr. José Vicente César, Professor Cláudio Heleno Machado, Professor Antonio Henrique Duarte Lacerda do Arquivo Público de Juiz de Fora, e agora André Cabral, dentre outros, todos amparados por rica bibliografia oriunda de arquivos, jornais e livros.

O importante é que não esmorecemos e, sempre esperamos, que nossas autoridades permanecessem solidárias à nossa proposta e pudessem endossá-las unindo esforços na tentativa de reconstrução e recuperação da história de nossa São João Nepomuceno

Para que nossos jovens, e crianças em particular pudessem ter em mãos um compêndio contendo um pouco de nossa história, para suas pesquisas, e conhecimento, e que nossos professores deste trabalho se utilizassem para seus estudos e informações profissionais, apresentamos no ano de 2003 no Jornal O SUL DA MATA, a primeira edição dessa historia tão rica.


E foi com este mesmo pensamento que abraçamos a ideia e que só agora entregamos a todos por este blog São João Nepomuceno (JAM NEPOMUCKY como o fruto de uma união de pensamentos e esforços.

terça-feira, 29 de maio de 2012

UM DOCUMENTO HISTÓRICO



Senado Federal
Subsecretaria de Informações

DECRETO N. 23.719 – DE 23 DE SETEMBRO DE 1947
Outorga concessão à Companhia Fiação e Tecidos Sarmento para o aproveitamento da energia hidráulica de corredeiras situadas no rio novo, distrito da sede do município de São João Nepomuceno, Estado de Minas Gerais.
O Presidente da República, usando da atribuição que lhe comfere o artigo 87, inciso I, da Constituição, nos têrmos do art. 150 do Código de Águas (Decreto n.º 24.643, de 10 de julho de 1934),
decreta:
Art. 1º É outorgada à Companhia Fiação e Tecidos Sarmento, respeitados os direitos de terceiros anteriormente adquiridos, concessão para o aproveitamento de energia hidráulica de corredeiras situadas no rio Novo, no trecho de dez quilômetros a jusante da ponte existente no quilômetro duzentos e trinta e seis (km 236) de “The Leopoldina Railway Company, Limited”, no distrito da sede do município de São João Nepomuceno, Estado de Minas Gerais.
§ 1° O aproveitamento destina-se à utilização de energia elétrica para uso exclusivo da concessionária que não a poderá suprir a terceiros, mesmo a título gratuito, excluídas todavia, dessa proibição as vilas operárias da concessionária, desde que seja gratuito o fornecimento de energia que lhes fôr feito.
§ 2º Em portaria do Ministro da Agricultura, por ocasião da aprovação dos projetos, serão determinadas a altura de queda a aproveitar, a descarga e a potência concedida, bem como a localização precisa do trecho do rio utilizado.
Art. 2º A título de exigências preliminares, previstas no art. 158 do Código de Águas, que deverão ser cumpridas integralmente, sob pena de ficar de nenhum efeito o presente título, a concessionária obriga-se a:
I – Registrá-lo na Divisão de Águas, dentro do prazo de trinta (30) dias após a sua publicação.
II – Assinar o contrato disciplinar da concessão dentro do prazo de sessenta (60) dias, contado da data, em que fôr publicada a aprovação da respectiva minuta pelo Ministro da Agricultura.
III – Apresentar o mesmo contrato à Divisão de Águas, para os fins de registro, dentro dos sessenta (60) dias que se seguirem ao registro do mesmo no Tribunal de Contas.
IV – Apresentar, em três (3) vias, à referida Divisão de Águas, dentro do prazo de um (1) ano, contado da data da publicação do presente decreto:
a) dados sôbre o regime do curso dágua a aproveitar, principalmente os relativos à descarga de estiagem e a de cheia, bem como a variação do nível dágua a montante e a jusante da fonte de energia a ser utilizada;
b) planta em escala razoável área onde se fará o aproveitamento da energia, abrangendo a parte atingida pelo remanso da barragem perfil do rio a montante e a jusante do local do aproveitamento;
c) método de cálculo da barragem projeto, e, pura e justificação do adotado; dados geológicos relativos ao terreno em que será construida a barragem; cálculo e dimensionamento das comportas, adufas, tomada dágua e canal de derivacão; seções longitudinais e transversais, orçamento; disposições que assegurem a conservação e a livre circulação dos peixes
d) conduto forçado: cálculo e Justificação do tipo adotado, planta e perfil com todas as indicações necessárias e observância das escalas seguintes; para as plantas, um por duzentos (1/200), para os perfís, horizontal, um por duzentos (1/200) e vertical um por cem (1/100); cálculo e desenho do assentamento e fixação dos blocos de ancoragem;
e) edifício da usina: cálculo, projeto e orçamento; turbina: justificação do tipo adotado, seu rendimento em cargas diferentes, em múltiplos de 1/4 ou 1/8 até plena carga; indicação da velocidade característica de embalagem ou disparo; sentido de rotação e indicação do engulimento com 25, 50 e 100 por cento de carga; características de seu regulador e aparelhos de medição; desenho da turbina e discriminação do tempo de fechamento, canal de fuga, etc.;
f) justificação do tipo de gerador adotado; sentido de rotação; tensão frequência e potência caIculada COS Ø que não exceda 0.7; rendimento sob diferentes cargas, em múltiplos inteiros de 1/4 ou 1/8 até plena carga respectivamente com COS Ø = 0.7. COS Ø = 0.8 e COS Ø = 1; regulação da tensão e sua variação; reguladores; queda de tensão curto circuito; detalhes e características fornecidos pelos fabricantes; potência, tensão rendimento e plamento da excitatriz: GD2 no grupo motor gerador; esquema geral das ligações;
g) para os transformadores elevadores e abaixadores de tensão, as mesmas exigências feitas para os geradores; desenhos dos quadros de contrôle com indicação de todos os aparelhos a serem neles montados: desenho detalhados (planta e elevação), das celas de baixa e alta tensão com indicação de todos os aparelhos a serem nelas montados, bem como das entradas e saídas dos condutores, e suas ligações às barras gerais;
h) desenhos indicando a saida da linha de alta tensão de transmissão para-raios, bobinas de choque e ligações contra super-tensões; projeto da linha de transmissão, planta e perfil da linha; cálculo mecânico elétrico com COS Ø = 0.8; perda de potência; tensão na partida e na chegada; distância entre os condutores projetos detalhados dos edifícios, inclusive cálculo de estabilidade e discriminação dos rnateriais empregados;
i) orçamento detalhado para cada um dos itens acima, de c a h.
V – Obedecer, em todos os projetos, às prescrições de ordem técnica que forem determinadas pela Divisão de Águas.
Parágrafo único – Os prazos a que se refere êste artigo poderão ser prorrogados por ato do Ministro da Agricultura.
Art. 3º A minuta do contrato disciplinar desta concessão será preparada pela Divisão de Águas e submetida à aprovação do Ministro da Agricultura.
Art. 4º A concessionária fica obrigada a construir e manter nas proximidades do local do aproveitamento, onde e desde quando for determinado pela Divisão de Águas as instalações necessárias a observações linimétricas e medições de descarga do curso dágua que vai utilizar e a realizar as observações de acôrdo com as instruções da mesma Divisão.
Art. 5º A presente concessão vigorará, pelo prazo de trinta (30) anos, contado da data do registro do respectivo contrato na Divisão de Águas.
Art. 6º Findo o prazo de concessão tôda a propriedade da concessionária que no momento existir em função exclusiva e permanente da utilização da energia hidráulica referente ao aproveitamento concedido reverterá ao Govêrno do Estado de Minas Gerais mediante indenização na base do custo histórico, isto é, do capital efetivamente invertido, menos a depreciação.
Art. 7º Se o Estado de Minas Gerais não fizer uso do seu direito a essa reversão, caberá, à concessionária a alternativa de requerer ao Govêrno Federal seja a concessão renovada pela forma que, no respectivo contrato, deverá estar prevista ou de restabelecer no curso dágua. às suas expensas a situação anterior ao aproveitamento concedido.
Parágrafo único – Para os efeitos dêste artigo fica a concessionária obrigada a dar conhecimento ao Govêrno Federal da decisão do Estado de Minas Gerais, e a entrar com o requerimento de prorrogação da concessão ou o de desistência desta até seis (6) meses antes do término do respectivo prazo.
Art. 8º A concessionária gozará desde a data do registro de que, trata o nº III do artigo 2º e enquanto vigorar esta concessão, dos favores constantes do Código de águas e das leis especiais sôbre a matéria.
Art. 9º O presente decreto entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 10. Revogam-se as disposições em contrário.
Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1947, 126º da Independência e 59º da República.
Eurico G. Dutra.
Daniel de Carvalho.

domingo, 27 de maio de 2012

O ENSINO MÉDIO



Por Ubi Barroso Silva, com

comentários de José Carlos Barroso




Por ocasião da IV Exposição Agropecuária e Industrial de São João Nepomuceno, ocorrida de 11 a 18 de maio de 1975 o Professor Ubi Barroso Silva um dos Diretores dos Colégios: São João Nepomuceno, Comercial São João Nepomuceno, e Normal Dona Prudenciana, apresentou um breve histórico do ensino secundário em nossa terra, histórico esse que foi ofertado aos visitantes daquele evento.
Na ocasião os tradicionais Colégios são-joanenses eram apresentados a todos os que visitavam São João Nepomuceno em um stand montado no parque de exposições.
Escreveu assim o professor Ubi Barroso Silva:

Na historia de nossa casa de ensino retrocedemos ao ano de 1912.
Dona Prudenciana Faustina de São José, proprietária rural de renome e de tradicional família são-joanense, figura de proa na sociedade de então, senhora de acrisoladas virtudes, sentiu que São João Nepomuceno necessitava de um curso, que desse continuação, que completasse o primário.   

Dona Prudenciana Faustina de São José nasceu em 08 de agosto de 1853, em plena época da escravatura. Era filha de Domingos Henriques de São Nicácio e de Maria Balduina Pereira Alvim. Seu avô paterno Domingos Henriques de Gusmão foi um dos fundadores de São João Nepomuceno e ai todo o seu desprendimento e caráter de benemerência e idealismo.
Dona Prudenciana casou-se com o viúvo Comendador José Soares Valente Vieira, e desse casamento lhe veio uma única filha Francisca Cristina Soares (que conhecida também por sua bondade era por todos chamada de Tia Chiquinha) casada com José Henriques Pereira Brandão, o Coronel Zeca Henriques. Líder político, vereador e agente executivo em São João Nepomuceno no período de 1906 a 1912, tendo sido figura de destaque na instalação do ensino médio e construção do edifício para abrigar a Escola Normal.

Dona Prudenciana faleceu em 07 de dezembro de 1933 aos oitenta anos


Para a consecução de sua idéia, reuniu ela a apreciável soma de $40:000.000 (quarenta mil reis) e iniciou a construção de um sólido edifício que seria a sede do curso secundário em nossa terra.
Para a sua construção contou com o auxilio de outra figura exponencial de nosso passado, uma das glorias de nosso município; o Dr. Augusto Gloria Ferreira Alves, figura de reais méritos, de grande cultura e de valor inexcedível.

O Professor Ubi contando-nos a participação do Dr. Augusto Gloria na construção do edifício relatou-nos que pode ser creditado ao mesmo o desenho da fachada do prédio (hoje uma confecção) e que toda ela se envolve de curiosidades como a sua simetria e a abertura entre o forro e a parte superior das paredes das salas de aula facilitando assim a refrigeração uma vez por ali saia o ar quente. Outro fato interessante também é que no interior do prédio foi construído um jardim em estilo romano, o que tornava as salas mais claras e refrigeradas naturalmente proporcionando conforto ao aluno e professor. 

Construiu-se o edifício e, em 1913, sob a denominação de Ginásio São Salvador iniciaram-se as aulas do curso normal apenas.
Em 23 de setembro de 1913, pelo decreto 4.014 do Governo Estadual, foi o curso normal reconhecido “com todas as regalias da Escola Normal da Capital”. Em 14 de outubro de 1913 pelo Decreto nº 4.28, foi mudado o nome de Ginásio São Salvador para o de Escola Normal Dona Prudenciana, em homenagem àquela que, à custa de sacrifício enorme, tudo fizera para que seu alevantado ideal se tornasse realidade.
D. Prudenciana Faustina de São José, espírito muito evoluído e avançado para a época, figura que não pertencia aos meios culturais, educacionais, ou políticos da cidade, numa visão incomum, como que inspirada por sopro divino se propõe a realizar obra de tal envergadura. A ela, ao seu desprendimento, ao seu amor ao município, todos nó muito devemos e, respeitosamente, homenageamos neste momento sua memória.
Denominou-se, pois, GINÁSIO SÃO SALVADOR, e de 1912 a 1913 foram seus dirigentes Raimundo Tavares e Francisco José da Paixão.
De 1914 a 1920, foram seus diretores sucessivamente, os professores Francisco José da Paixão, Emanuel de Aguiar, José James Zig Zag, Padre Teófilo Bento Salgado e Antonio Regis de Oliveira, conservando-se os nomes de ESCOLA NORMAL DONA PRUDENCIANA E GINÁSIO SÃO SALVADOR, pois já então funcionava aqui o antigo curso Ginasial.
Em 1920, o professor Antonio Regis de Oliveira, vendeu o colégio para o INSTITUTO LA-FAYETTE, que fez sua filial até o ano de 1922, inclusive com o nome de INSTITUO LA-FAYETTE, Sucursal de São João Nepomuceno. Em 1923, fechou-se o curso ginasial, continuando-se o curso normal.
Em 1924 foi adquirido pelo Dr. André Dumourtut, que o reabriu ainda com o nome de GINASIO SÃO SALVADOR, que depois passou a denominação de GINÁSIO MUNICIPAL DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO, nome que funcionou até 1930 inclusive.
Em 1930 novo lapso ocorreu na vida do GINASIO SÃO SALVADOR, Foi ele novamente fechado, continuando a Escola Normal que nunca teve solução de continuidade.
Desde o período de 1920ª 1930, o GINÁSIO SÃO SALVADOR, gozou do prestigio das bancas examinadoras do Departamento Nacional de Ensino.
Em fins de 1924 tornou-se proprietário do estabelecimento o Professor Alberto Álvaro Pacheco, que o reabriu com o nome de INSTITUTO SÃO JOÃO tendo requerido e obtido DO Ministro da Educação a sua inspeção preliminar pelo processo nº.12.508 do MEC.
Exerceram as funções de diretores técnicos e administrativos além do proprietário Alberto Álvaro Pacheco, os professores, José Miguel Pacheco, Antonio Filipe Galvão e Dr.Altair Lisboa de Andrade.

Dr.Altair Lisboa de Andrade, mais tarde e por merecimento foi promovido para a comarca de Laginha e, imediatamente removido para esta comarca, em data de 2 de janeiro de 1956, como Juiz de Direito deixando o exercício em 30 de março de 1959.

Em 1942, de acordo com o artigo 5º da Lei Orgânica do Ensino Secundário, passou a denominar-se GINASIO SÃO JOÃO NEPOMUCENO, conservando a ESCOLA NORMAL DONA PRUDENCIANA, o seu nome.
Em janeiro de 1945, adquiriram em condomínio a propriedade do GINASIO SÃO JOÃO NEPOMUCENO e da ESCOLA NORMAL DONA PRUDENCIANA, os professores Dr. Rui Barroso Silva e Nilo Camilo Ayupe.
Em 1946, estes professores requereram ao então Ministério da Educação e Saúde, o funcionamento do curso de comercio, fundando-se pela portaria nº 545 de 26.09/ 46 a ESCOLA TECNICA DE COMERCIO SÃO JOÃO NEPOMUCENO, ficando o patrimônio da casa enriquecido com mais este curso.
Em outubro de 1949afastou-se da direção o professor Nilo Camilo Ayupe, adquirindo a sua parte os professores Ubi Barroso Silva e Ari Barroso Silva, passando a sociedade a ser dirigida pelos três irmãos.
Em 1952, deixa a sociedade o professor Ari Barroso Silva ficando a direção apenas sob a responsabilidade dos irmãos Rui Barroso Silva e Ubi Barroso Silva, os quais ali se acham até o presente.
Em virtude de nova Lei Orgânica do Ensino Secundário de nº 4.024 de 20.03.61, a então Escola Normal Dona Prudenciana passou a denominar-se COLÉGIO NORMAL DONA PRUDENCIANA e a Escola de Comercio São João Nepomuceno, passou a chamar-se COLÉGIO COMERCIAL SÃO JOÃO NEPOMUCENO.
Em 1970, pleiteou-se e conseguiu-se a atual diretoria a fundação do Curso Cientifico, que foi oficializado pela Portaria 207 de 13.03.70, do MEC, enriquecendo-se mais uma vez o patrimônio dos cursos, passando, dessa forma o então Ginásio São João Nepomuceno à denominação de Colégio São João Nepomuceno.
Com o advento da lei nº 5692, de 11 de agosto de 1971, todos os cursos passaram para a órbita estadual e pelas resoluções de números 590/74 de 16.04.74 e 589/74 de 16.04.74, o Colégio São João Nepomuceno e o Colégio Comercial São João Nepomuceno, foram reconhecidos pela Secretaria de Estado da Educação, como integrantes da Rede Estadual de Ensino.
A atual diretoria desde que iniciou suas atividades procurou por todos os modos e meios melhorar as instalações do prédio, dota-lo de mais conforto e, o que é mais importante procurou a especialização de seu pessoal docente que hoje é de real mérito e de aprimorada cultura.
Nessa linha de pensamento, nesse modo de agir substancial reforma foi efetuada no antigo prédio procurando conservar tudo como era dantes, mas construindo – se acréscimos no prédio primitivo e melhorando-se o que já existia.
Novo material didático foi adquirido, novo mobiliário que substitua o antigo esta paulatinamente sendo comprado a fim de que os alunos tenham maior conforto e possam ter maior aproveitamento.
As instalações sanitárias foram completamente remodeladas, construindo-se tudo em nova área, aproveitando-se as áreas velhas para a construção de novas salas de aula, dada a demanda cada vez maior, pois o numero de alunos aumentou sensivelmente.
Maquinário moderno que atenda as necessidades dos serviços de secretaria e tesouraria foi adquirido e procura-se a todo instante a modernização dos métodos de ensino, de orientação e administração.  
No corrente ano letivo (1975) para melhorar mais o nível intelectual dos alunos do Colégio São João Nepomuceno, foi requerido pela diretoria um novo curso profissionalizante dentro da filosofia da nova lei 5.692: o Auxiliar de Laboratorista de Análise Química, processo ainda em andamento no egrégio Conselho Estadual de Educação, e como reforço das aulas do referido curso, que veio substituir o ex-cientifico, dentro da mentalidade profissionalizante da nova lei, adotamos os métodos de ensino do curso CAVE – CAVEME de Juiz de Fora dele recebendo orientação, testes, provas, apostilas, etc. Tudo é executado como nos grandes centro, sendo as provas a que são semanalmente submetidos os alunos, corrigidas por computação eletrônica, em Juiz de Fora.
Pensa a atual diretoria, e para isto está dando os passos iniciais, na implantação aqui de um curso superior, com a fundação de uma Faculdade de Ciências Contábeis como passo inicial, partindo-se daí para a formação de outros cursos também de ensino superior.
Um capitulo a parte de nossa organização são os esportes e a fanfarra de que é dotada o Colégio.
Quando da realização do 1º JECA (Jogos Estudantis de Cataguases) promovido pela Diretoria de Esportes do Estado de Minas Gerais, nossos alunos competiram com outros de várias cidades e conseguimos arrebanhar cerca de 70 (setenta) medalhas e 13 (treze) troféus o que atesta o alto nível de nossos atletas. Pena é que a Diretoria de Esportes não tenha persistido no plano inicial de repetir tais disputas anualmente.
A fanfarra que abrilhanta todos os anos a abertura da Exposição Agropecuária e comanda nossos desfiles, está atualmente com cerca de cem participantes, todos muito bem treinados e perfeitamente entrosados, muita ordem, muita disciplina, muito garbo se vê nos alunos que a compõem.

A fanfarra do Instituto Barroso era verdadeiramente a grande atração das aberturas da Exposição Agropecuária, de São João Nepomuceno, chegando até a se apresentar em Belo Horizonte, em Juiz de Fora, em Ubá por diversas ocasiões, e nas aberturas de suas exposições, em Leopoldina também durante as suas exposições, em Santana do Deserto, em Descoberto, em Rochedo de Minas.
O vinho e o branco e o ouro era o destaque, que reluzia entre o rufar dos tambores, e nos toques das cornetas, liras e flautas, apresentando um repertorio próprio para fanfarras, e ainda musicas do folclore brasileiro e da musica popular.
As ginastas e balizas davam o toque feminino importante as suas apresentações.
De igual importância era o conjunto que se entrelaçava a cada apresentação, sendo uma escola de civismo e de amizade pura e sincera que perdura até a presente data.
Para se compreender o seu sucesso é interessante conhecer a sua historia, que pode ser contada por seus integrantes e, não há um desfile na atualidade que os comentários partem do povo nesse sentido. São muitas as historias e muitos os personagens, todos comandados pelo Professor Helio Roberto Barroso Silva, com a nossa humilde colaboração, já que de musica sei apenas apreciar.


Aqui se trabalha com afinco e com interesse de melhorar sempre, e mercê de Deus, temos conseguido ótimos resultados nos vestibulares a que submetem nossos alunos nas mais diversas Universidades do País. É-nos grato dizer, porém difícil de enumerar que muitos alunos de nossas casas hoje galgam postos de importância vital em grandes empresas, em Bancos, em Autarquias, enfim em todos os setores da vida nacional.     
E tudo isso é conseguido porque nosso pessoal docente é cuidadosamente escolhido, dele fazendo parte 26 pessoas gabaritadas e de reconhecida capacidade moral e intelectual, que se esmeram nas aulas dos conteúdos específicos sob sua regência. Seis outros auxiliares, cada um em sua função compõem o quadro de funcionários dos estabelecimentos.
E dessa forma vão o Colégio São João Nepomuceno, o Colégio Normal Dona Prudenciana e o Colégio Comercial São João Nepomuceno, cumprindo o seu destino histórico, trabalhando a sessenta e dois anos pelo engrandecimento do nosso povo, dando-lhe a luz do saber, pois sabemos que o progresso, o desenvolvimento de nossa terra e de nosso querido Brasil, somente se dará com o aprimoramento da cultura de nosso povo.
Somos gratos a Deus que nos deu a oportunidade de podermos trabalhar para que nosso Município cresça cada vez mais e que se firme definitivamente no cenário nacional.

São João Nepomuceno, 11 de maio de 1975.

Ubi Barroso Silva
   

A partir de então os Colégios passaram a integrar o nome de fantasia INSTITUTO BARROSO, e sua diretoria não mediu esforços para que a excelência na educação fosse uma constante, quando então requereu junto a Secretaria de Estado da Educação os cursos de Estudos Adicionais em Português e depois em Educação Pré-Primária, equivalendo ao 4ª série do curso normal.
Como tudo foi resultado de uma grande luta, onde interesses escusos permeavam o caminho daquele tradicional educandário, o interesse da derrocada, as perseguições gratuitas se intensificaram, chegando-se então as raias da incompreensão total, onde a divisão passou a fazer parte da inteligência de alguns políticos, que por interesses particulares, ensejavam dividir com intuito de somar, como se isso fosse possível, passaram a contrariar até as ciências exatas.
Sinceramente esta é uma pagina da historia, que não gostaríamos de estar contando, passados tantos anos, mas os fatos mesmo que tristes tem que se dar conhecer, porque a historia não permite interstícios de desconhecimento.
As lacunas não podem existir neste contexto e, a cada solapada em suas estruturas era um passo certeiro para um triste final, que pude sustentar sozinho, já que todos os pilares daquela casa já haviam partido.
Primeiro o Dr. Rui Barroso, depois o seu irmão Ubi Barroso Silva (+1988), depois a sua esposa Dila Henriques Barroso (+1992).
A partir de então passaram a dirigir o centenário estabelecimento de ensino os professores José Carlos Henriques Barroso e, Luiz Otavio Barroso Silva.  
A tudo e a todos se somaram o desconhecimento de causa, os interesses recônditos e, não foi fácil reunir com funcionários e pais para informar o encerramento das atividades de um educandário, que lânguido pelas dificuldades intrínsecas e financeiras.
Chegava ao seu final uma vida de dedicação plena, de historia de sucessos. Os sustentáculos já haviam partido, e confesso que fico grato a Deus por não ter permitido assistir a desilusão e a desventura de mais uma pagina da historia virada.
Se fomos fracos, ou fortes talvez um dia o tempo nos dirá, mas lhes confesso jamais senti pressão tão forte, jamais assisti momentos de inimaginável tristeza.
Nunca mais tive vontade de voltar à casa grande da colina da esperança, porque essa tristeza eu jurei não me permitir passar.
Hoje é apenas a casa grande que prazerosamente teve seus momentos de gloria onde pudemos viver e sonhar livre da opressão dos tempos de senzala.
Hoje convivo honrosamente com os testemunhos dos agradecidos pelos ensinamentos de meus pais, pois não há um dia sequer que eles não são lembrados pelo povo desta amada terra, o que me faz lembrar sempre de uma frase que meu pai costumava nos dizer: A MAIOR VIRTUDE DE UM HOMEM É A GRATIDÃO.
Obrigado meu Deus por ter me proporcionado participar de tão rica historia!   


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ORQUESTRA ELDORADO


EM ALGUM LUGAR DO PASSADO.


Por Ney Medina

Nosso amigo Ney Medina em seu blog (esportes) nos brinda com um pouco da historia de nossa grande ELDORADO, obrigado caro amigo!
Eu particularmente não pude ter o prazer de ouvi-la nos famosos bailes de nossa Nepopó, mas algumas vezes a curiosidade levou-me a ver (em relances) alguns de seus ensaios. Tive a honra de conhecer seus integrantes, isto sim, eram músicos de primeira grandeza. Saudades caro Ney, saudades!!
Perdão Ney, mas como um blog sobre a historia de São João Nepomuceno, como este poderia ficar sem esta brilhante página histórica?




Orquestra Eldorado de: Pisca, Zenim, Zé do Baixo, Delson Gonçalves, Floretinho, Noé, Zé Rigolon, João "Mamão", orquestra do magnifico Jura, Noé, Carlos Furlan, João Furlan, Zé do Popó,  José Carlos Furlan, Paulo Velasco, Anésio Barbosa, Rui Barbosa, e de tantos outros que juntaram-se a esta plêiade de grandes músicos.
O esporte abre espaço para uma das maiores Orquestras que o Brasil já teve – Orquestra Eldorado de São João Nepomuceno.
Constituída no final da década de 30 / início de 40, mas o auge de sua formação aconteceu nos anos 50 e 60. Foi a segunda Orquestra a se apresentar no belo e recém inaugurado Carangola Tênis Clube da vizinha cidade de Carangola. A Festa de abertura foi abrilhantada pela Orquestra Tabajara.
Com apenas 17 anos, músico e arranjador, meu Tio João Baptista Furlan iniciou sua carreira na Orquestra Eldorado no início dos anos 50. Orgulhoso, me conta muitas histórias relacionadas à Orquestra. Diz que na antiga linha férrea que ligava Ponte Nova ao Rio de Janeiro, a Orquestra tocou em praticamente todas as cidades. Além do Petropolitano, Hotel Quitandinha, São Paulo, Uberlândia...
Acredito que um fato marcante foi se apresentar (anos 50) no Petropolitano, sábado de carnaval. Por ser a capital da República, o Estado da Guanabara aproveitava as comemorações do Reinado de Momo para reunir políticos, autoridades e a alta sociedade fluminense em 4 bailes de Gala:
- sábado no Petropolitano (Petrópolis);
- domingo no Hotel Quitandinha (Petrópolis); 
- segunda no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e finalmente Terça no Hotel Glória!
Isso mesmo! Uma Orquestra de São João Nepomuceno se apresentando no Petropolitano, sábado de carnaval, executando belas músicas de carnaval para um seleto grupo de políticos, autoridades e a elite Fluminense.
A primeira foto que ilustra o blog de hoje tem algo incomum com um Clube de Petrópolis. Em 1961, por ocasião de mais um aniversário do Internacional do Alto da Serra, o presidente daquela agremiação Petropolitana, saiu às ruas buscando colaboradores para assinaturas no “livro de ouro”; fato este que levantava fundos para a Festa. Sr. Waldir, um admirador da Orquestra Eldorado, não só assinaria o livro, mas, também, pagaria a orquestra. Só colocou uma condição: “ a orquestra tem que ser a Eldorado de São João Nepomuceno. Além disso, quero jantar com eles junto à minha família e um convidado amigo meu.”
Assim foi feito! O presidente do Internacional veio a São João e acertou tudo com o Sr. Jura (pai do Carlos Mauro, Jurinha, Itamar). Na data marcada, dia anterior ao baile, a Orquestra Eldorado chegou a Petrópolis para se apresentar mais uma vez no suntuoso Hotel Quitandinha.
Após um banho, os músicos foram conhecer e jantar com o Sr. Waldir.
Saber que existia um admirador que patrocinasse o baile, mas exigia a Orquestra Eldorado, até aí tudo bem, mas o que todos não sabiam é que o “tal” convidado do Sr. Waldir era simplesmente o Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha.
Mané estava de folga da Seleção e prestes a se tornar bi-campeão carioca pelo Botafogo e bi-campeão Mundial pela Seleção Brasileira em 1962.
Belas histórias de nosso orgulho musical que foi a Orquestra Eldorado.

sábado, 24 de dezembro de 2011

COINCIDÊNCIA QUE CAIU DO CÉU



Por Jocarlosbarroso

AS DESCOBERTAS ACONTESSE ASSIM: DEPOIS DE UMA FELIZ COINCIDÊNCIA

Certa ocasião ainda como Superintendente da Fundação Cultural “São João Nepomuceno” em visita técnica ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, situado na Quinta da Boa Vista, e depois de encantados com as relíquias, que lá se encontram, e com o número de peças expostas que contam a história do Brasil, e a de outros paises, acabamos por cair em um salão onde me deparei em um expositor de vidro contendo uma pedra, com o nome de meteorito São João Nepomuceno.
Embora havia ainda muito por visitar, fiquei ali parado frente aquela pedra imaginando como, onde teria caído aquela pedra e, quem a havia colhido.
Embora o meteorito de São João Nepomuceno, fosse uma incógnita, comecei a escrever o que relatava do mesmo a literatura mundial até que depois de alguns anos de procura e estudos, um dia entrou em meu escritório um amigo, e conto-me um caso sobre uma pedra que havia sido encontrada por seu pai, hoje com mais de oitenta anos, isso há cerca de sessenta anos atrás na zona rural do município de Descoberto, antes pertencente a São João Nepomuceno.
Agora as coisas estavam aclarando e tudo nos levava a crer que se tratava da pedra que eu havia admirado tanto no Museu Nacional.
Depois disso pus-me novamente as buscas pela origem da pedra relíquia, quando no blog do amigo Túlio Bambino interesse-me mais uma vez sobre o meteorito, quando em um de seus artigos narrava também sobre o mesmo.
Foi aí que vimos surgir os nome da Professora Elizabeth Zacolatto, que trabalha naquele museu, que contou-lhe que o meteorito foi entregue àquela instituição em janeiro de 1960, pelo Dr. Silvio Froes de Abreu, geólogo e pesquisador, mas sem precisar as condições e circunstancias em que a pedra foi encontrada.
Contou-lhe ainda que a metade do meteorito foi levada para os Estados Unidos para analise em 1973 SMITHSONIAN INSTITUTION em Washington e suas características constam do catálogo do mesmo e ainda do catalogo do Museu Histórico de Londres sob o título: Catalogue of Meteorites = São Joaão Nepomuceno, Minas Gerais, Brasil.

A DESCRIÇÃO DO METEORITO SÃO JOÃO NEPOMUCENO

Assim como os acondritos, os sideritos são provenientes de corpos parentais cuja matéria primordial sofreu diferenciação. Este material, originário da nebulosa que formou o sistema solar e presente nos meteoritos condritos, sofreu a ação gravitacional ao longo de bilhões de anos dando origem a todos os corpos que conhecemos hoje no sistema solar como o sol, planetas, asteróides, etc.
Os sideritos são meteoritos provenientes do núcleo desses corpos parentais onde o material mais pesado se concentrou como o Ferro e Níquel. Apesar de haver um grande número de meteoritos ferrosos já catalogados, a grande maioria não teve a sua queda observada. Somente uma pequena parcela das quedas observadas corresponde a meteoritos sideritos, a grande maioria é representada pelos condritos. Levando-se a conclusão que os meteoritos ferrosos são relativamente mais raros que os rochosos em nosso sistema solar.
Voltando a conversa com o meu amigo, o mesmo me relatou que depois de nossa conversa em meu escritório as coisas tomaram outro rumo, pois ele que antes havia enviado um pequeno pedaço do meteorito ao museu nacional para analise, há pouco tempo havia recebido a visita na casa de seus pais da professora Beth, Elizabeth Zacolatto, acompanhada de outro professor, que lhe afirmou que se tratava de uma parte do mesmo meteorito, como também ficamos sabendo da morte do geólogo e pesquisador Dr. Silvio Froes de Abreu,

Agora a próxima etapa será conhecer o artífice de toda esta historia, e que estaremos aqui registrando.
Até a próxima!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

HISTÓRIA DE MINHA RUA >RUA DR. FORTES BUSTAMANTE



Quem se propuser a estudar a vida da cidade de São João Nepomuceno encontrará, em determinado momento, um vulto que, à proporção que vai sendo analisado, irá crescendo à vista do pesquisador. É o doutor Antônio Justiniano Fortes Bustamante.

O papel que aquele eminente médico representou, no combate às epidemias que aqui graçaram, ao lado de um trabalho de medicina preventiva de real proveito, é algo de admirável, de sobre-humano. Ombreia-se com Carlos Alves e outros vultos históricos. Seu nome tem sido, no entanto, relegado a plano secundário, quando em verdade, está na primeira linha dos benfeitores são-joanenses.
Quem ler os seus relatórios, compulsando a coleção de "O Município", jornal de então, sentirá, em toda sua grandeza, a enormidade de Fortes Bustamante.

Não era do nosso São João, mas sim do ‘Del Rei', onde nascera em 1837. Diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1865. Clinicou cerca de 25 anos na vizinha cidade de Rio Novo, onde ocupou cargos eletivos, com projeção. Em 1895 já estava em São João Nepomuceno exercendo, posteriormente, o cargo de suplente de juiz federal, de médico da Polícia e médico da Higiene, função criada pela Câmara Municipal para atendimento dos necessitados e para vacinação preventiva.
Mal chegado aqui irrompe a epidemia de febre amarela, dizimando vidas preciosas. Vê cair Carlos Del-Vecchio, médico ilustre. E dr. José Augusto Gomide que segue o mesmo destino. Depois é o grande Carlos Alves, que ainda "queria escrever a história, triste e lúgrube desta luta, que muito me tem servido para bem estudar a humanidade, que não supus tão pequena e tão egoísta". Um a um dos companheiros cai. E fica ele de pé a contar com umas poucas mãos de apóstolos, que o auxiliaram em sua sacrossanta missão. São dois anos de luta para afastar a morte e permitir a vida. E foi dessa época que lhe veio o apelido de ‘Médico da Pobreza', porque não via ele diferença entre os males dos nababos e os dos míseros indigentes que batiam à sua porta.
Cessada a hecatombe, ele não descansa. Põe em prática seus conhecimentos de medicina preventiva para que novas epidemias não voltassem a assolar esta terra, numa antevisão quase divina. Nem todos, porém, o ouvem. Nem todos querer seguir seus conselhos, tal como acontecia a Oswaldo Cruz. E de novo, em 1900, ressurge a febre amarela. Quatrocentos domicílios são visitados em São João, Descoberto e Rochedo. Ilustre colega contribui para que a moléstia se propague, porque não crê no quadro mórbido que se apresenta. Não cria fossem amarelentos os seus enfermos. Mas, infelizmente, certo estava Fortes Bustamante. A moléstia se propaga. Ficam a seu encargo 262 febrentos. Perde somente 14, vale dizer, pouco mais de 5% de doentes. A epidemia passa e os louros cobrem a fronte do já sexagenário médico.

Seu destino era, no entanto, lutar. Consegue, temeroso de novos males, o "trancamento do cemitério velho", para se usar uma expressão sua. Passam os sepultamentos a ser feitos no Cemitério Novo, local por ele estudado e que, à época, representava o ideal para a cidade. Mas, poucos anos são passados e uma nova epidemia surge. Agora é a varíola que dizima. Estamos em 1904. Sua atividade foi espantosa, como está a registrar a crônica da época. Sacrifica-se Fortes Bustamante em todos os terrenos para que o mal não prossiga. Luta dia e noite. É médico e enfermeiro. Sua saúde nada vale em comparação com a de seus semelhantes. Num gesto de nobreza, cede seu sítio e o transforma em isolamento dos doentes.
Foi assim, a vida de doutor Fortes Bustamante. Viveu por um ideal: a vida de seu próximo.

Quando em 12 de agosto de 1915 levaram seu corpo inerte para a sua última morada, no Cemitério Municipal, onde lá repousa, São João toda chorava!

Pela resolução nº 23, de 7 de outubro de 1937, assinada pelo Prefeito Agenor Henriques Soares, foi o seu nome dado à rua aberta e que liga a Coronel José Dutra à Avenida Zeca Henriques.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo,  lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).


HISTÓRIA DE MINHA RUA > RUA CORONEL JOSÉ DUTRA



Quem leu as "Memórias da Rua do Ouvidor", de Joaquim Manoel de Macedo, e conhece a nossa Rua Coronel José Dutra, apelidada de Rua Sarmento, verá, guardadas as devidas proporções, que existe entre ambas uma certa afinidade, uma semelhança bem acentuada.
Para o autor de "A Moreninha", é a "Rua Do ouvidor a mais passeada e corrida, a mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade. Em verdade, a nossa Rua Sarmento sempre foi o ponto de convergência de nosso povo, dos encontros programados ou previstos. É ali, desde o princípio deste século, o local preferido para o footing, à noite, de nossa mocidade, das moçoilas casadoras, do bate-papo do fim do dia. Para ela se convergiu a parte mais importante do comércio local.

A Origem de seu nome se perde pelo século XIX pois, é certo que, na documentação se refere ao ano de 1889, já se encontra sua toponímia como sendo Rua Coronel José Dutra. A instalação naquela rua, da firma comercial de Daniel de Moares Sarmento, no prédio onde estão hoje a Casa São Vicente de Paulo e o Bar Dia-e-noite, fez apagar bastante o nome primitivo da rua, para em seu lugar, surgir a Rua Sarmento, fenômeno esse que se repete com outros logradouros de nossa cidade.
Mas, quem foi o Coronel José Dutra?

O Coronel José Dutra Nicácio foi um chefe político de enorme prestígio, que militou nas fileiras do Partido Liberal. Quando o Partido Liberal Mineiro ("Genealogia dos Fundadores de Cataguazes, de Arthur Resende) orientado por Teófilo Ortoni se rebelou contra o governo em 1842, o Cel. José Dutra chefe em São João Nepomuceno, e seu cunhado Cel. João Bento Pereira Salgado, chefe no Pomba, trataram de reunir forte contingente para auxiliar os rebeldes e só não entraram em luta pelo motivo da derrota dos rebeldes em Santa Luzia, pelas forças de Caxias,..."ambos foram perseguidos e ameaçados de processo do qual se livraram em virtude da anistia então concedida."

Era o Coronel José Dutra natural do distrito de Lamim, município de Queluz, tendo nascido em 13 de abril de 1796 e batizado em 14 de março de 1797.
Foi casado, em primeiras núpcias, com D. Antônia de Lopes Dutra, com quem teve sete filhos; em segundo matrimônio com D. Antônia Vieira de Silva Pinto, ou D. Antônia Maria de São José, que veio a falecer devido ao impacto sofrido com o movimento revolucionário de 1842, e com ela houve uma única filha, e , finalmente, com D. Joaquina Medina Dutra, de cujo enlace nasceram três descendentes. Possuiu aqui a Fazenda do Ribeirão, nas proximidades da cidade. Fundou, no Espirito Santo, o Arraial de São José dos Calçados, hoje florescente cidade capixaba. Faleceu em 23 de Janeiro de 1873 em nossa cidade, quando contava setenta e sete anos de idade, sendo inumado no chamado Cemitério Velho, onde se econtra até hoje, sua sepultura. É ele o tronco da família Dutra em nossa cidade.

Salienta-se que a patente de "Coronel" que lhe deram, lhe foi concedida no Pomba, pelas tropas rebeldes, como comandante de uma das Legiões, que lá se formaram.
Inegável era o prestígio que desfrutava o Coronel José Dutra, mas a Revolução de 1842 desgastou-o sobremaneira, de modo que, só com o passar dos tempos, pôde de novo congregar em torno de sua pessoas os elementos que o apoiariam em sua carreira política, recuperando-o novamente e conseguindo o lugar de vereador à Câmara Municipal.

Para que se possa ter realmente uma idéia perfeita do papel representado por Coronel José Dutra, necessário se torna a leitura da História do Movimento Político, que no ano de 1842 teve lugar na Província de Minas Gerais, do Cônego José Antônio Marinho onde se retrata com bastante fidelidade aquela fase da vida do Estado e de nosso Município.

Temos para nós que foi o Coronel José Dutra a primeira figura que fez sair do anonimato o nome de São João Nepomuceno, um rincão, àquela época, quase desconhecido.
"Há Na força do passado a alegria e o consolo das ressureições"
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo,  lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).



HISTORIA DE MINHA RUA > TRAVESSA PADRE CONDÉ



Bem constantes eram as questiúnculas, no século passado, entre os poderes temporal e espiritual, em nossa terra. A interferência indébita de um poder no outro resultava, quase sempre, em lutas surdas, em dissabores, e, via de conseqüência, na remoção de vigários desta para outra freguesia.
Havia, no século XIX, um verdadeiro mal-estar entre Igreja e Poder Público, que melhor se poderia chamar de problema: Igreja versus Política Municipal.
Por outro lado, o trabalho apostolar era bem intenso, tão intenso mesmo que os vigários necessitavam, quase sempre, de um coadjutor para os auxiliar no pastoreio de seu rebanho. Foi assim que, sentindo o peso do trabalho que recaia sobre os ombros do já quase octogenário Cônego Joaquim dos Reis Menezes, cujo estado de saúde inspirava os mais sérios cuidados, que o Bispado de Mariana houve por bem enviar para São João o reverendíssimo padre Francisco Rodrigues Condé, já bem avançado em anos.
Era o Padre Condé natural da cidade do Pomba, onde nascera em junho de 1834, tendo sido ordenado em 17 de julho de 1870, na Quinta da Cartuxa, por Dom Antônio Ferreira Viçoso, que assim concedia a dignidade sacerdotal ao ducentésimo vigésimo oitavo padre, durante o seu episcopado. Algum tempo após sua chegada a esta cidade, falecia o Cônego Reis. Era o ano de 1888.
Mal chegado, sentiu ele a necessidade de se ampliar o campo santo, que se achava situado atrás do campo do Mangueira F.C. E foi assim que, já em 22 de agosto de 1888, benzia o acréscimo feito ao chamado Cemitério Velho, aumentando, deste modo, a capacidade para os enterramentos.
Sua atividade, durante o período da epidemia que assolou esta cidade em 1895, foi algo extraordinário. Aliando-se a Carlos Alves, era visto dia e noite a percorrer as ruas de nossa cidade, a dar não só assistência espiritual, mas também material aos nossos munícipes. E nessa faina prosseguiu anos a fio. Em 1900 seu organismo já estava combalido. Do fato fez ciência aos seus superiores. Foi por causa disso que, em 26 de março de 1900, aqui chegava o Revmo. Padre Francisco Del Gaudio, vindo de Maripá, para coadjuvar. Segue Padre Condé para Barbacena, em busca de melhoras para seu estado de saúde. Notícias, meses depois, correm pela cidade anunciando a sua renúncia ao vicariato. A imprensa local lamenta sua ausência e ressalta seu trabalho: “Em fins de 1895 e princípios de 1896, quando esta cidade graçou pela primeira vez a febre amarela, foi o Padre Condé, embora curvado pelos anos, um dos soldados, que ao lado do Dr. Alves, não abandonou o campo de batalha, cuja vitória nos custou o luto, a dor e a orfandade”. Entretanto, a 21 de julho retornava ele a seus afazeres apostólicos, dos quais só se vinha a afastar com a sua morte, ocorrida após os mais atrozes padecimentos, em 23 de agosto de 1908. Seu corpo foi dado à sepultura na própria Igreja Matriz de nossa cidade, o que não era vedado, pois, como se sabe, somente depois da promulgação do Código de Direito Canônico foram definitivamente proibidos os enterramentos nas igrejas.
Pouco se conhece hoje sobre a vida e a obra do Padre Condé. Podemos, no entanto, afirmar que, entre os seus traços característicos, estavam a tolerância, que era levada ao extremo, o espírito de justiça e bondade. Nossa afirmativa não é graciosa. Colhemo-la na imprensa local, em noticiário de seu passamento. Releva notar, no entanto, que o redator do jornal, de então, era antes de tudo e acima de tudo um anticlerical. E entre os períodos da notícia de seu passamento podemos encontrar a afirmação de que, como sacerdote “ninguém jamais excederá em virtudes cristãs o extinto Ministro do Nazareno”, cuja figura se exaltava “devido à sua bondade e a seu afastamento rigoroso de todas as questões políticas ou particulares”. Foi o Padre Condé “um dos que mais ilustram o cargo que desempenham”, “respeitabilíssimo”, e de “uma simplicidade de costumes”.
Há um ponto, na vida de Padre Condé, que não desejamos omitir. Foi o seu trabalho junto aos poderes públicos para que lhe fossem entregues os terrenos “que sempre constituíram um patrimônio da Igreja!” Trata-se de uma antiga questão entre a Igreja e o Poder Público Municipal local. Enquanto aquela assegura que os terrenos da cidade pertencem ao “Patrimônio Petri”, o último afirma que não existe prova dominial nesse sentido.
Como homenagem a esse grande vulto de nosso passado, houve por bem o Prefeito Agenor Henriques Soares, através da lei nº 23, de 3 de julho de 1937, denominar de Travessa Padre Condé a rua que demanda o município de Descoberto.

"Há na força do passado a alegria e o consolo das ressurreições."
(Texto de autoria do Dr. José de Castro Azevedo,  lido em 1964, nos microfones da ZYV-39).

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CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO 1925

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

CAPELINHA DE SANTO ANTONIO

NOSSAS MONTANHAS

NOSSAS MONTANHAS
UAI! SÃO AS MONTANHAS DE MINAS

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

TURMA DA 8ª SÉRIE DA E.M.CORONEL JOSÉ BRAZ

SEM PALAVRAS!

SEM PALAVRAS!

A FABRICA DE TECIDOS

A FABRICA DE TECIDOS
FUNDADA EM 1895

ESCOLA CENTENÁRIA

ESCOLA CENTENÁRIA
ESCOLA MUNICIPAL CORONEL JOSÉ BRAZ

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO

FANFARRA DO INSTITUTO BARROSO
EM SEU INICIO

VISTA PARCIAL

VISTA PARCIAL
vista da matriz -São João a noite

A PREFEITURA HOJE

A PREFEITURA HOJE

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA

O SOBRADO DE DONA PRUDENCIANA
O que restou da historia? UMA FOTO!!!